A Astrologia Esotérica no Século XIX

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A Astrologia por Elifas Levi

Eliphas Levi

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De todas as artes saídas da magia dos antigos, a astrologia é agora a mais desconhecida. Não cremos mais nas harmonias universais de todos os efeitos com todas as causas. Aliás, a verdadeira astrologia, a que se une ao dogma único e universal da Cabala, foi profanada entre os gregos e romanos da decadência; a doutrina dos sete céus e três móveis, emanada primitivamente da década sefírica, os caracteres dos planetas governados por anjos, cujos nomes foram mudados nos das divindades do paganismo, a influencia das esferas umas sobre as outras, a fatalidade unida aos números, a escala de proporção entre as hierarquias celestes correspondentes às hierarquias humanas, tudo isso foi materializado e feito supersticioso pelos genetlíacos e tiradores de horóscopos da decadência e da Idade Média. Levar a astrologia à sua pureza primitiva seria, de algum modo, criar uma ciência nova; procuremos somente indicar os seus primeiros princípios, com as suas consequências mais imediatas e mais próximas.

Dissemos que a luz astral recebe e conserva todas as impressões das coisas visíveis; resulta disso que a disposição do céu se reflete nesta luz, que, sendo o agente principal da vida, opera, por uma série de aparelhos destinados a este fim pela natureza, a concepção, o embrionato (a união íntima de duas almas) e o nascimento das crianças. Ora, se esta luz é muito pródiga de imagens para dar ao fruto de uma gravidez as impressões visíveis de uma fantasia ou deleitação da mãe, com maior razão deve transmitir ao temperamento ainda móvel e incerto do recém-nascido as impressões atmosféricas e as diversas influências que resultem a um momento dado, em todo o sistema planetário, desta ou daquela disposição particular dos astros.

Nada é indiferente na Natureza: uma pedra de mais ou de menos num caminho pode romper ou modificar profundamente os destinos dos maiores homens e até mesmo dos maiores impérios; com maior razão, o lugar desta ou daquela estrela no céu não poderia ser indiferente para os destinos da criança que nasce, e que, pelo próprio nascimento, entra na harmonia universal do mundo sideral. Os astros estão presos, uns aos outros, por atrações que os conservam em equilíbrio e os fazem mover-se regularmente no espaço; estas redes de luz vão de todas as esferas a todas as esferas, e não há um ponto em cada planeta a que não esteja preso um desses fios indestrutíveis. O lugar exato e a hora do nascimento devem, pois, ser calculados pelo verdadeiro adepto da astrologia; depois, quando tiver feito o cálculo exato destas influências astrais, resta-lhe contar as fortunas de estado, isto é, as facilidades ou obstáculos que a criança deve encontrar, um dia, no seu estado, nos seus pais, no temperamento que recebeu deles e, por conseguinte, nas suas disposições naturais para a realização dos seus destinos. E ainda é preciso ter em conta a liberdade humana e a sua iniciativa, se a criança chegar, um dia, a ser verdadeiramente homem e subtrair-se, por um corajoso querer, das influências fatais e da cadeia dos destinos. Veem que não concedemos muito à astrologia; mas, também, o que lhe deixamos é incontestável: é o cálculo científico e mágico das probabilidades (*).

(*) No tempo atual, a astrologia judiciária acha-se muito mais desenvolvida e o leitor não deve estranhar as palavras do autor, pois que ele fala da astrologia cabalística, que ainda se acha na obscuridade e que constitui um dos mais interessantes estudos do autor na sua Bíblia da Humanidade, obra que se tornou muito rara. – (N. do T.)

A astrologia é tão antiga e até mais antiga do que a astronomia, e todos os sábios da antiguidade lhe deram a mais inteira confiança; ora, não devemos condenar e rejeitar levianamente o que nos chega rodeado e sustentado por tão imponentes autoridades.

Longas e pacientes observações, comparações, conclusivas, experiências reiteradas muitas vezes tiveram de levar os antigos sábios às suas conclusões, e seria preciso, para pretender refutá-las, recomeçar, em sentido contrário, o mesmo trabalho. Paracelso foi, talvez, o último dos grandes astrólogos práticos; curava doenças por talismãs formados sob as influências astrais e reconhecia em todos os corpos a marca da sua estrela dominante, e era esta, conforme ele, a verdadeira medicina universal e a ciência absoluta da natureza, perdida pela falta dos homens e achada de novo somente por um pequeno número de iniciados. Reconhecer o sinal de cada estrela nos homens, nos animais, nas plantas, é a verdadeira ciência natural de Salomão, ciência que se considera perdida e cujos princípios são, todavia, conservados como todos os outros segredos da Cabala.

Compreende-se que, para ler a escritura das estrelas, é preciso conhecer as próprias estrelas, conhecimento que se obtém pela domificação cabalística do céu, e pela inteligência do planisfério cabalístico, achado e explicado por Gaffarel. Neste planisfério, as constelações formam letras hebraicas, e as figuras mitológicas podem ser substituídas pelos símbolos do Tarô. É a este planisfério mesmo que Gaffarel atribui à origem da escritura dos patriarcas, que teriam achado nas cadeias de atração dos astros os primeiros delineamentos dos caracteres primitivos; o livro do céu, pois, teria servido de modelo ao de Henoque, e o alfabeto cabalístico seria o resumo do céu inteiro. Nisto não falta nem poesia, nem, principalmente, probabilidade, e o estudo do Tarô, que é, evidentemente, o livro primitivo e hieroglífico de Henoque, como o entendeu o sábio Guilherme Postello, bastará para nos convencer disso.

Os sinais impressos na luz astral pelo reflexo e a atração dos astros se produzem, como descobriram os sábios, em todos os corpos que se formam pelo concurso desta luz. Os homens trazem os sinais da sua estrela principalmente na fronte e nas mãos; os animais, na sua forma inteira e nos seus sinais particulares; as plantas os deixam ver nas suas folhas e nos seus grãos; os minerais, nas suas veias e nos aspectos de suas fendas.

O estudo destes caracteres foi o trabalho de toda a vida de Paracelso, e as figuras dos seus talismãs são resultados das suas investigações; mas ele não deu a chave disso, e o alfabeto cabalístico astral com suas correspondências ainda resta a fazer; a ciência da escritura mágica não convencional parou, para o público, no planisfério, de Gaffarel.

A arte séria da adivinhação repousa inteiramente no conhecimento destes sinais. A quiromancia é a arte de ler nas linhas da mão a escritura das estrelas, e a metoposcopia, procura os mesmos caracteres ou outros análogos na fronte dos seus consultantes. Com efeito, as dobras formadas na face humana pelas contrações nervosas são fatalmente determinadas, e a irradiação do tecido nervoso é absolutamente análoga a estas redes formadas entre os mundos pelas cadeias de atração das estrelas. As fatalidades da vida se escrevem, pois, necessariamente, nas nossas rugas, e reconhecemos, muitas vezes, ao primeiro olhar na fronte de um desconhecido, uma ou várias letras misteriosas do planisfério cabalístico. Esta letra é um pensamento inteiro, e este pensamento deve dominar a existência desse homem. Se esta letra é atormentada e se grava penosamente, há luta nele entre a fatalidade e a vontade, e já nas suas emoções e tendências mais fortes todo o seu passado se revela ao mago; o futuro é, então, fácil de ser conjeturado e se, às vezes, os acontecimentos enganam a sagacidade do adivinho, o consultante não fica, por isso, menos admirado e convencido da ciência sobre-humana do adepto.

A cabeça do homem é feita conforme o modelo das esferas celestes, e ela atrai e irradia, e é ela que, na concepção da criança, se manifesta e se forma primeiro. Sofre, pois, de um modo absoluto para a influência astral e, pelas suas diversas protuberâncias, dá prova das suas diversas atrações. A frenologia deve, pois, achar a sua última palavra na astrologia científica e retificada, cujos problemas indicamos à paciência e à boa fé dos sábios.

Conforme Ptolomeu, o sol desseca, e a lua umedece; conforme os cabalistas, o sol representa a Justiça rigorosa, e a lua é simpática à Misericórdia. É o sol que forma as tempestades; é a lua que, por uma espécie de branda pressão atmosférica, faz crescer, decrescer e como que respirar o mar. Lemos no Zohar, um dos grandes livros sagrados da Cabala, que “a Serpente mágica, filha do Sol, ia devorar o mundo, quando o Mar, filho da Lua, pôs o pé sobre a sua cabeça e dominou-a”. É por isso que, entre os antigos, Vênus era filha do Mar, como Diana era idêntica à Lua; é por isso que o nome de Maria significa estrela do mar ou sal do mar. É para consagrar este dogma cabalístico nas crenças do vulgo que disseram, em linguagem profética: “É a mulher que deve esmagar a cabeça da serpente”.

Jerome Cardan, um dos mais ousados investigadores e certamente, o astrólogo mais hábil do seu tempo; que foi, se dermos crédito à lenda da sua morte, o mártir da sua fé em astrologia, deixou um cálculo por meio do qual cada um pode prever a boa ou má fortuna de todos os anos da sua vida. Apoia a sua teoria sobre as próprias experiências e assegura que este cálculo nunca o enganou. Para saber, pois, qual será a fortuna de um ano, resume os acontecimentos dos que o precederam por 4, 8, 12, 19 e 30: o número 4 é o da realização; o número 8, o de Vênus ou das coisas naturais; o número 12, que é o do ciclo de Júpiter, corresponde aos sucessos; ao número 19 correspondem os ciclos da Lua e de Marte; o número 30 é o de Saturno ou da Fatalidade. Assim, por exemplo, quero saber o que me acontecerá neste ano de 1855: passarei na minha memória o que me aconteceu de decisivo e real, na ordem do progresso e da vida, há quatro anos; o que tive de felicidade ou infelicidade natural há oito anos; que pude contar de sucesso ou infortúnio há doze anos; as vicissitudes, desgraças ou doenças que tive há dezenove anos; e o que sofri de triste e fatal há trinta anos. Depois, tendo em conta os fatos irrevogavelmente realizados e o progresso da idade, conto com as sortes análogas às que já devo à influência dos mesmos planetas, e digo: Em 1851, tive ocupações medíocres, mas suficientemente lucrativas, com alguns embaraços de posição; em 1847 fui violentamente separado da minha família, e resultou, desta separação, grandes sofrimentos para mim e os meus; em 1843, viajei como apóstolo, falando ao povo e perseguido pelas pessoas mal intencionadas: em duas palavras, fui honrado e proscrito; enfim, em 1825, a vida de família cessou para mim, e me empenhei num caminho fatal que me levaria à ciência e à infelicidade. Posso, pois, crer que terei, este ano, trabalho, pobreza, penas, exílio do coração, mudança de lugar, publicidade e contradições, acontecimento decisivo para o resto da minha existência; e acho já, no presente, toda espécie de razões para crer neste futuro. Concluo disso que, para mim, e para o presente ano, a experiência confirma perfeitamente a exatidão do cálculo astrológico de Cardan.

Aliás, este cálculo se refere ao dos anos climatéricos, ou antes climatéricos dos antigos astrólogos. Climatéricos quer dizer dispostos em escalas ou calculados conforme os degraus de uma escada. João Trithemo, no seu livro Das Causas Segundas, computou muito curiosamente à volta dos anos felizes ou funestos para todos os impérios do mundo; daremos dele uma análise exata e mais clara do que o próprio livro, no vigésimo primeiro capítulo do nosso Ritual, com a continuação do trabalho de Trithemo até nossos dias e a aplicação da sua escala mágica aos acontecimentos contemporâneos, para deduzir deles as probabilidades mais notáveis, relativamente ao futuro próximo da França, da Europa e do mundo inteiro.

Conforme todos os grandes mestres da astrologia, os cometas são as estrelas dos heróis excepcionais e só visitam a terra para lhes anunciar grandes mudanças; os planetas presidem às coleções de seres e modificam os destinos das gerações de homens; as estrelas, mais afastadas e mais fracas na sua ação atraem os indivíduos e decidem das suas inclinações; às vezes, um grupo inteiro de estrelas influi sobre os destinos de um só homem e, muitas vezes, um grande número de almas é atraída por um raio longínquo de um mesmo sol. Quando morremos, a nossa luz interior vai-se embora conforme a atração da sua estrela, e é assim que revivemos em outros universos, onde a alma faz para si uma nova vestimenta, análoga aos progressos ou ao decrescimento da sua beleza; porque as nossas almas, separadas dos nossos corpos, assemelham-se a estrelas errantes, são glóbulos de luz animada que sempre procuram o seu centro para achar o seu equilíbrio e o seu movimento; mas antes de tudo, devem libertar-se das garras da serpente, isto é, da luz astral não purificada que as rodeia e cativa, enquanto a força da sua vontade não as levar para cima. A impressão da estrela viva na luz morta é um horrendo suplício, comparável ao de Mezêncio. A alma aí gela e queima ao mesmo tempo, e só tem como meio, para desembaraçar-se dela, entrar na corrente das formas exteriores e tomar um envoltório de carne, lutando depois com energia contra os instintos para fortalecer a liberdade moral que lhe permitirá, no momento da morte, romper as cadeias da terra e voar triunfalmente ao astro consolador, cuja luz lhe sorriu.

Conforme estes dados, entende-se o que é o fogo do inferno, idêntico ao demônio ou à antiga serpente; em que consiste a salvação e reprovação dos homens, todos chamados e todos sucessivamente eleitos, mas em pequeno número, depois de terem si expostos, pela sua falta, a cair no fogo eterno.

Tal é a grande e sublime revelação dos magos, revelação mãe de todos os símbolos, de todos os dogmas e de todos os cultos.

Já podemos ver quando Dupuis se enganava, quando julgava que todas as religiões riam somente da astronomia. É, pelo contrário, a astronomia que nasceu da astrologia, e a astrologia primitiva é um dos ramos da santa Cabala, a ciência das ciências e a religião das religiões.

Por isso, vemos, na décima sétima página do Tarô, uma admirável alegoria. Uma mulher nua, que representa, ao mesmo tempo, a Verdade, a Natureza e a Sabedoria, sem véu, inclina duas urnas para e a terra e nela derrama fogo e água; acima da sua cabeça brilha o setenário estrelado ao redor de um estofo de oito raios, o de Vênus, símbolo de paz e amor; ao redor da mulher verdejam as plantas da terra, e numa dessas plantas vem pousar a borboleta de Psiquê, emblema da alma, substituído, em algumas cópias do livro sagrado, por um pássaro, símbolo egípcio e, provavelmente, dos mais antigos. Esta figura, que no Tarô moderno traz o título de Estrela brilhante, é análoga a muitos símbolos herméticos, e não deixa de ter analogia com a Estrela flamejante dos iniciados da franco-maçonaria, exprimindo a maior parte dos mistérios da doutrina secreta dos rosa-cruzes.

 

Ω

A Astrologia por Fraz Hartman

Franz Hartman

1838-1912

φ

A Ciência da Astrologia é baseada sobre o correto entendimento da verdadeira natureza do homem e sua posição no Universo.

Do grande depósito da natureza, nos 4 elementos originais e invisíveis, provém a sua forma visível e tangível; estes elementos são denominados de: Terra, Água, Fogo, e Ar (essências sólidas, fluídicas e gasosas, calor, eletricidade, vida e etc.), é por meios deles, num processo fisiológico que a sua forma visível sofre transformações de tais substancias e atividades como requerida pela natureza de seu organismo. Estes processos são realizados sem a supervisão intelectual do homem.

Tudo isso ninguém negará; porque nós vemos a comida que nós comemos e a água que nós bebemos; nós sabemos da existência do ar que nós inalamos, e nós sentimos o calor que esquenta o nosso corpo. Estas coisas não são criações nossas, a natureza prepara isto para nós; empresta isto para nós, e depois que nós fazemos uso do que nos emprestaram, nós devolvemos a natureza.

Ocorre o mesmo processo, com os sutis princípios que estão na invisível alma humana. Nós não criamos nossas próprias opiniões, mas as ideias puras, a forma permanente e indivisível e incorporal do ideal, já existe na Luz Astral, que reflete sua imagem na mente individual do homem e da mulher, da mesma forma que uma paisagem pode ser refletida em um espelho, ou todo céu estrelado sendo refletido numa gota de água pura. Esta imagem pode ingressar na consciência do homem sem nenhum esforço voluntário de parte dele, da mesma forma que ao respirar o ar entra nos pulmões mesmo sem que ocorra esforço consciente do homem. Eles (princípios sutis ou pensamentos) podem vir a sua mente inclusive sem o seu desejo; é de lá que vêm os pensamentos não desejados, e há os desejados difícil de retermos. Os animais só tem pensamentos que vêm as suas mentes sem qualquer esforço; mas o homem tem o poder para ascender voluntariamente em pensamento ao reino de ideias e agarrar as imagens que ele deseja, e então é dito que o homem não precisa ser governado pelas estrelas, mas que ele pode ser superior a elas.

As ideias que vêm a sua imaginação, pelo ato de sua consciência, e a reação que sua imaginação provoca sobre sua vontade causam certos estados assim produzidos de sentimentos ou emoções e de acordo com a natureza da ideia, formam a paixão mais grosseira e vulgar até o estado mais elevado de pensamento. Como a comida que se come determina o estado de pureza ou impureza do seu organismo físico, tão igualmente os pensamentos que se abriga, e os sentimentos nos quais se favorece, determine a pureza ou impureza de sua alma.

O homem não cria os seus pensamentos; mas ele os elabora conforme as ideias que ele absorve, da mesma forma como o corpo físico elabora da comida que comemos o sangue, a carne e os ossos. Igualmente a mente do homem combina e misturas ideias, e as infunde com vida, pelo poder de sua vontade; bem como um corpo doente pode contaminar a atmosfera circunvizinha por sua influência insalubre, também as emanações de uma mente impura envenenam a atmosfera mental com os produtos de sua imaginação impura criada por sua má intenção; a vontade é um poder real, capaz de tornar reais e significativos os frutos de nossos pensamentos, mesmo que estes sejam totalmente impossíveis a nossa limitada visão, podemos desta forma agir até onde os nossos pensamentos nos levarem.

Como a Lua sem a luz do Sol é escura, igualmente as imagens produzidas pela imaginação não têm nenhum poder a menos que elas sejam fortalecidas pela vontade; a vontade é inútil, a menos que seja guiada e trazida a forma pela ação da imaginação. Se a imaginação e a vontade estão divididas, ambas serão ineficazes; mas se a imaginação e a vontade estão em harmonia, elas serão efetivas; então elas constituem uma Unidade, e esta unidade é chamada de “Espírito.”

De acordo com as afirmações dos Sábios, todas as coisas no universo são produtos da Vontade e da Imaginação agindo em harmonia, e, então todas as coisas são produzidas pelo Espírito, o Espírito é a Realidade; e o que nós chamamos de forma material somente é a sombra da luz do Ideal divino. O que nós chamamos de “matéria” é a mesma coisa que o “Espírito”, só que em um estado inerte ou condensado, enquanto que as vibrações do Espírito estão muito mais elevadas que as materiais. É necessário transcender a nossa percepção física, para assim perceber as do Espírito, da mesma forma que algumas vibrações do som possuem uma frequência muito elevada que são incapazes de serem ouvidas por nossa audição externa, e algumas variações de cores muito sensíveis, que são incapazes de serem percebidas por nossos olhos externos. Nós somos espíritos, mesmo que externamente revestidos por uma forma material, nós vivemos no mundo espiritual, nós moramos em um mundo espiritual; somos cercados e permeados pelo espírito. Nós somos continuamente influenciados por forças espirituais que agem em nós, com ou sem, nosso consentimento, e nós não temos nenhum outro meio de nos protegermos, exceto pela Razão e Vontade. O Homem é um pequeno mundo no qual podem ser refletidos todas as forças celestiais e terrestres e princípios que existem no grande universo, e na percepção desta verdade descansa a Ciência da Astrologia.

Em todos os lugares, nas Leis que regem o universo um mesmo princípio é fundamental; o que tudo é governado pela ordem e a harmonia. Os planetas giram nas suas órbitas com uma precisão matemática, e cada ser humano possui a sua órbita a qual deve seguir. Um homem pode oscilar à direita ou a esquerda em sua órbita, mas ele não pode deixar a linha do seu destino, que é o resultado de causas produzida em estados prévios de existência. Há oscilações nas marés do mar e há oscilações nas marés no oceano de pensamento. Há conjunções e oposições nas influências espirituais no mundo das ideias, como existem entre os planetas. Há momentos nos quais todo o gênero humano se eleva a um estado mais alto de esclarecimento espiritual, e assim aproximando mais de Deus; e há outros momentos nos quais a humanidade afunda-se mais profundamente na ignorância e na superstição.

δ

Comentário
O Século XX, apesar de ter sido um grande passo na evolução tecnológica do homem, está profundamente mergulhado na ignorância e na superstição. As últimas décadas deste século foram particularmente desesperadoras em termos de estupidez e ignorância. Esta atual “Era das Trevas” em que vivemos ainda está longe de terminar. O desenvolvimento tecnológico ainda marcará períodos de imensa escuridão na alma humana. Nosso equivocado “positivismo científico” continuará tateando como topeira os recantos do universo em busca de vida inteligente e, destarte, o milagre do capitalismo acabará se dissolvendo nas águas universais de Netuno como o socialismo, outrora, assistiu à sua desilusão.
Antes da transição de nossa atual Era de Peixes para a Era de Aquário, que se inicia astronomicamente em torno de 2.150 do calendário gregoriano, serão poucas as luzes espirituais que este mundo conseguirá vislumbrar. As sombras que obscurecem a “Alma Humana” se adensam. A catarse que se aproxima é um estágio inerente e inevitável a todo processo de purificação que existe na natureza, ou seja, a ameaça da extinção da raça humana precede o recomeço de uma nova Era de Luz, provavelmente após as convergências astronômicas dos primeiros séculos da nova era.
Aos esotéricos de plantão que ficam atentos aos escatológicos prenúncios do final dos tempos ficará uma imensa saudade do fim do mundo que não acontecerá. Aos materialistas imbecis que gozam do trunfo de suas riquezas restará a escuridão da alma no pós-morte, fruto de uma ignorância crônica. Aos que estão lúcidos e conscientes das sombras que envolvem nosso mundo, neste momento, caberá um enorme esforço no sentido de purificarem seus corpos diante de um processo globalizado da deterioração da sabedoria em virtude da massificação da estupidez.
César Augusto – Astrólogo

γ

Se as regras matemáticas que governam o reino das ideias fossem bem conhecidas como aquelas regras que regulam as revoluções dos planetas visíveis, haveria pouca dificuldade em predizer pensamentos futuros e eventos externos que de lá resultam, tão bem como é previsto um eclipse lunar. Enquanto a mente humana for muito cativada pelas impressões sensuais externas em vez das coisas que pertencem ao espírito das coisas, suas deduções e conclusões serão incertas. Enquanto sua imaginação for cativada e seu desejo inflamado pelo fogo do Plano Astral, os pensamentos e aspirações não penetrarão na pura região de Verdade.

Porém, há um conhecimento mais alto que o da mente especulativa; é o conhecimento da alma, se não houvesse nada que atrapalhasse a livre comunicação do intelecto com a Alma, o homem poderia saber muitas coisas que agora parecem estar além do alcance do seu conhecimento.

Mas está escrito, que “Aqueles que desejam viver do altar têm que servir ao altar”, esta expressão pretende dizer, que aqueles que desejam saber e ser vivificados pela verdade têm que servir a verdade amando-a com todo o coração, manifestando o amor em pensamentos, palavra, e ações. Aqueles que desejam o conhecimento espiritual, e obter o poder de predizer eventos futuros, deve acima de tudo buscar a verdade dentro de suas próprias almas. Deveriam por de lado as paixões e desejos do mal, e os seus preconceitos científicos, sociais, e religiosos, e os erros que foram inculcados nas suas mentes por uma falsa educação, recebida numa era de tão bem conhecida como racionalista, na qual há apenas uma pouca compreensão das coisas espirituais; quando o Sol da Divina Sabedoria foi obscurecido pela sombra de ilusão do intelecto semi-animal especulativo, e quando a voz da intuição foi sufocada no barulho feito pelo clamor da convencida ignorância que assume o lugar de ciência.

Felizmente os dias da Cacosofia estão chegando ao seu fim, e a humanidade está como um todo novamente se aproximado do zênite solar. Possa todos os amantes da verdade fazerem uso desta oportunidade para desfrutar toda a luz na qual eles são capazes de receber, antes que o planeta, seguindo a lei de ordem, desça novamente na sombra da Lua.

Os princípios nos quais a Astrologia é baseada, não podem ser completamente entendidos, a menos que a natureza dos “planetas” seja compreendida; mas esta realização não será o produto da leitura de um livro, e nenhuma pessoa poderá dar a outra este conhecimento ou o poder que ela não possui; permanecerá inacessível ao questionador, e só pode ser adquirido pela fé; que quer dizer, pelo despertar interior do Espírito da Verdade.

§

Os Setes Planetas

Os Antigos reconheciam a presença de sete diferentes estados do Espírito universal, que constitui a alma de todas as coisas, bem como de todos os corpos físicos, e eles davam para esses sete princípios os seguintes nomes e símbolos, que são também estes dos “setes planetas” e dos setes dias da semana.

Saturno – Sábado
Sol – Domingo
Lua – Segunda-feira
Marte – Terça-feira
Mercúrio – Quarta-feira
Júpiter – Quinta-feira
Vênus – Sexta-feira

É desnecessário dizer que estes setes planetas tem pequena ou nenhuma relação com os setes corpos cósmicos do nosso sistema solar embora levem os mesmos nomes; embora os planetas possam ser considerados até certo ponto como os seus representantes externos e visíveis, os seus princípios são invisíveis, e não só regem o nosso sistema solar como também todo o universo, o Macrocosmos; e também regem a constituição interna do Microcosmo, o Homem. Os seus significados diferem de acordo com os aspectos que nós levamos em consideração. Em geral, eles podem ser denominados como relacionado abaixo:

γ

Sol

O Sol é o emblema da sabedoria, nele estão os poderes de todos os outros planetas reunidos, nele está o amor, a vontade, e a inteligência combinadas em um; com o mesmo sentido como nos quatro lados da pirâmide, todos culminando num só e único ponto. O sol é o centro e a fonte de toda a luz, mas da luz da inteligência, não somente do calor terrestre, mas do calor do amor. Ele atrai com seu poder todos os planetas no espaço e sustenta com isso suas órbitas. Aqueles em que estão sobre as influências do Sol, são fortes, são capazes de tornam-se sábios, fortes e poderosos. E é por isto que se diz que o Sol é o planeta que governa a Alma dos Reis e nobres, conferindo honra, poder e títulos. Esta influência é decisiva em todas as questões importantes da vida humana. No reino mineral é representado pelo Ouro; no reino animal pelo Leão, no reino espiritual por SOL-OM-ON, o Sol divino da Sabedoria.

γ

Lua

A lua é o símbolo da imaginação, ilusões, e sonhos. Ela não possui luz própria, mas toma sua luz do Sol. Sem a luz do Sol, a lua seria fria e escura, sem o poder da vontade, o produto da imaginação não tem vida. A ideia torna-se poderosa somente quando ele é impregnada pela vontade, ela torna luminosa somente quando ela é iluminada pelo amor; ele pode ser sábio somente se for permeado pela sabedoria. Sobre a influência da Lua estão especialmente os sonhadores e os médiuns, pessoas que vivem em grande parte no reino da imaginação e fantasia. Damas da sociedade, pessoas que buscam o prazer e viajantes. Ela governa coisas que possuem pouca estabilidade e firmeza, especialmente as águas e os navios. No reino mineral a Lua é representada pela Prata, no reino espiritual por Luna, a Rainha da Noite.

γ

Mercúrio

Mercúrio representa o intelecto, e este pode ser um bom ou mal planeta de acordo com as condições com qual se relaciona.

Se Mercúrio está sob a influência de Saturno; o que isto quer dizer, se o intelecto é servil a coisas egoístas e materiais, torna-se uma fonte do mal; se combinado com Júpiter, este produzirá orgulho; se unido com o amor (Vênus), este ficará sábio, e desta maneira mercúrio pode ser transformado no ouro de sabedoria.

É dito que o Mercúrio sem amor regem especialmente aqueles que vivem de suas inteligências; especuladores cientistas, sofistas, comerciantes, ladrões, intelectuais, mas não necessariamente um moralista. No reino mineral é representado por mercúrio, no reino espiritual pelo deus de comércio.

γ

Marte

Marte representa a força. Esta não orientada pela sabedoria, e por isso é um planeta perigoso, inclinado a atos de violência, atuando precipitadamente e sem consideração. Ele é o princípio que causa a ira, ele pode ser reconhecido como o deus dos guerreiros, soldados, advogados, causando todos os efeitos de um remédio forte. Esta influência pode ser moderada pela união com Vênus. Entre os metais marte é representado pelo aço, no reino dos poderes espirituais, é pelo deus da guerra. Ele é de natureza ígnea e belicosa, e como o fogo não combina com água, bem como um temperamento colérico e a afirmação do próprio ego é incompatível com a calma e com a mente tranquila necessária para a percepção da verdade.

γ

Vênus

Vênus representa o amor. No mais baixo estado trata-se de uma atração cega, a produção da gravitação entre os planetas corpóreos e os instintos entre os animais. Quanto mais for combinado com a inteligência, mais fica capaz de manifestar qualidades divinas. O amor puro é divino é aquele que só dá e não busca receber. Não tem nenhum desejo; mas cria desejos nos objetos nos quais seu poder desperta. Neste alto aspecto, rege os artistas e os verdadeiros médicos, em seu mais baixo estado rege todos as coisas relativas ao amor e ao matrimônio e em prazeres de diversos tipos. Entre os metais é representado pela prata, no reino espiritual é representada pela deusa do amor. Como o poder é do pai de todos os deuses, Júpiter, igualmente Vênus é a mãe deles. Nenhum ser pode existir sem amor.

γ

Júpiter

Júpiter representa o poder. Esta qualidade difere de acordo com o aspecto em questão. Ele é simbolizado pela águia; porque permite ao homem, se elevar por seu poder às regiões mais altas do pensamento, até mesmo ao trono do eterno. É, ou deveria ser então, o planeta que regem os eclesiásticos e clérigos, e aqueles que tem que lidar com a administração de justiça. Sua influência dá eloqüência. Ele é amigável com os restos dos planetas, exceto Marte; este último não sendo “amado” por nenhum outro planeta, menos Vênus. No reino mineral é representado pelo estanho; no reino espiritual corresponde a Júpiter, o Rei dos deuses.

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Saturno

Saturno representa o elemento material. Não a terra tangível e visível, mas a substância primordial da qual todas as coisas foram feitas. Também é o princípio de vida. Produziu e destrói todas as formas, e é então representado como o deus que come as suas próprias crianças. Apenas associado com o Sol, Saturno é frio, planeta cruel e escuro. Rege as pessoas velhas, avaros, e agiotas, pessoas grossas e vulgares, e governa perseguições agrícolas e mineiras. No reino mineral é representado pelo Chumbo; no reino espiritual como o deus de Tempo.

Saturno representa escuridão e medo, melancolia, e a morte; mas também é o deus de Vida, para a tão falada Morte que é somente uma mudança de estado, ao fim de uma velha forma, vem um começo de um novo estado do ser.

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Os Doze Signos do Zodíaco

Os doze signos do zodíaco, ou o círculo através do qual a Terra viaja em sua revolução anual ao redor do Sol, são descritos em qualquer almanaque; mas seu significado profundo representa os princípios que formam a base da evolução e involução do universo.

Os doze signos do zodíaco representam os poderes do homem; mas como esses poderes são de natureza espiritual, suas qualidades só podem ser realmente conhecidas no curso da evolução e do desenvolvimento onde ficaremos conscientes de sua existência. Por mais que nós entremos no reino de conhecimento espiritual não é mais do que um jogo de criança comparado com o profundo conhecimento do espírito; mas a porta para o templo no qual a verdade pode ser vista sem um véu é cuidadosamente guardada pelo dragão de egoísmo, e só aqueles que puderem derrotar a “besta” podem entrar no santuário.

Nenhuma “Verdade Maior” nos será alguma vez revelada sem que nós tenhamos sofrido uma morte, para assim podermos realmente começar a viver. Nunca serão divulgados os mistérios do templo interno aos não iniciados, porque eles não entenderiam, nem mesmo se tentássemos dar uma explicação. Coisas sensuais podem ser percebidas pelos sentidos; verdades intelectuais podem ser compreendidas pelo intelecto; mas só o Espírito de Deus no Homem pode buscar a profundidade da Divindade. As ciências podem ser ensinadas, a arte pode ser aprendida pela prática; mas a Sabedoria Divina só pode ser atingida pela graça do espírito divino; e tudo aquilo que o homem pode fazer é se fazer capaz de sua recepção, buscando eliminar de sua constituição os elementos que impedem a entrada da Luz. Por essa razão os livros religiosos aconselham que o homem deve buscar acima de tudo o reino de Deus (a consciência divina), prometendo que então lhe serão dados todos os outros tipos de conhecimento; mas para o zombador e o céptico que desejam buscar com olhos curiosos através do véu, sabido que a sua segurança está em sua ignorância, pelo mal uso do conhecimento adquirido, esta visão geraria a sua própria perdição.

Para darmos uma correta e completa descrição dos doze signos do zodíaco teríamos que ter um livro escrito, que seria maior que todos os livros existentes no mundo, e nem poderemos com palavras descrever de forma adequada a sublime grandeza de pensamento e concepção necessárias para se alcançar a uma compreensão de um dos maiores mistérios divinos, a construção do universo espiritual e material, ou em outras palavras, da Natureza dos seus aspectos como templo vivo de Deus.

Estamos muito conscientes da dificuldade de nossa tarefa, ao tentarmos descrever nossas ideias a respeito do caráter destes princípios divinos, deve ser deixado à tarefa individual a busca de uma maior luz sobre o assunto, buscando em si a verdade oculta.

Áries

Áries, ou Ram, representa o princípio universal da Vida ou o Sol, que é a fonte de todas as coisas. Também pode ser representado por Saturno, ou o elemento universal da Matéria viva ou Substância nos quais todas as coisas são feitas, e pelo seu poder tudo existe. A Matéria e a Força em um; essas duas coisas não representam duas coisas essencialmente diferentes uma da outra; elas somente são duas palavras que representam dois estados do eterno, para qual não há nenhum nome. A Matéria representa a inatividade relativa; da mesma forma que a Força representa um estado mais alto de atividade. O espírito do homem desce à Matéria, ou seja, fica relativamente inativo e inconsciente, e reascende novamente para seu estado mais elevado com seu poder espiritual. O processo ocorre em cada mônada individual e corresponde ao grande processo principal de evolução e involução do universo.

Touro

Touro, ou Taurus, representa o Poder. Ele simboliza o poder divino do princípio universal, que é imediatamente o criador, preservador e o destruidor das formas. Pela força inerente ao princípio divino no Homem, a humanidade é capaz de aspirar algo mais elevado que sua existência meramente material, e se elevar aos seu primitivo estado divino como um ser espiritual. Em um de seus aspectos, pode o signo zodiacal de touro, ser comparado a Lua: porque a luz do Espírito começa a ser refletida pela mente material. Em outro aspecto lembra Vênus, porque todo o poder originalmente surge do Amor, e pela tranquilidade pode ser comparado a Júpiter, para o Homem é o sinal de que começa a perceber a glória de Deus. Na realidade, cada um dos signos zodiacais podem ser comparados a todos os planetas; para o Espírito tudo compõe a Unidade, e em cada um dos signos estão contidos todas as forças dos outros seis. A distinção não é feita por causa de qualquer diferença em sua natureza essencial; mas sim em relação a forma de sua manifestação.

Gêmeos

Gêmeos ou Gemini representa o Homem espiritual de quem o corpo mortal somente é uma imagem imperfeita ou um reflexo. Ele representa o Deus pessoal de cada homem, o Adonai divino que não é masculino nem feminino, mas é de ambos os sexos unidos pelo matrimônio divino da Inteligência e do Amor. Pode ser dito que corresponde a união de Mercúrio e Vênus, ou na união da vontade ao pensamento. Seus germes estão dentro de todo homem ou mulher, num ser humano completamente feminino não haveria nenhuma Vontade, num ser humano completamente masculino não haveria nenhuma Imaginação. Gêmeos no seu aspecto universal representa o “Grande Espírito”, o Homem Universal Bissexuado.

Câncer

Câncer ou Caranguejo representa o retrocesso; ou seja, a descida final do Espírito do seu estado divino a um estado material pelo ato da criação. Também representa o poder do “Verbo”, pelo qual o poder da criação é feito. É o α e Ω, o começo e o fim; se o verbo nunca tivesse sido pronunciado, nunca teria havido qualquer criação objetiva e Deus não teria deixado o seu estado divino de repouso. Talvez pode ser comparado a Marte, que também representa o Poder que age de forma negligente gerando um perigo pessoal, e sem qualquer consideração sobre as consequências que pode resultar a si mesmo no ingresso ao reino das trevas do plano material; impelido pelo poder de Vênus; para que desta forma o Mercúrio que ama a humanidade, envie a sua própria essência e poder para entrar nos corações do gênero humano, e redimir ele do reino das ilusões.

Leão

Leão ou Leo representa o poder divino de Cristo, o Homem ungido pelo conhecimento espiritual que o permite elevar-se na concepção do seu próprio estado divino. Pode ser comparado a Júpiter, ou a Águia que lança voo até o trono do “Mais Alto”. Representa o verdadeiro salvador do gênero humano; ninguém pode entrar no reino do céu a menos que tenha o poder para fazer isso, ninguém pode ir a Deus no seu estado não manifestado, exceto pelo poder de Cristo no qual Deus se tornou manifestado. Os que desejam entrar no reino através da força, meditem sobre o significado do signo de Leão, para que o reino de céu possa ser alcançado pela conquista.

Virgem

Virgem, ou Virgo, representa a Alma Espiritual do Homem e do Universo, a virgem celestial, a mãe eterna do homem Deus. Pode ser comparado a Lua no qual o poder de Sol é refletido, e se torna luz substancial; é a Intuição Divina que salva da perdição o Intelecto semi-animal; é para sempre imaculada, porque não tem nada que ver com raciocínio externo e a argumentação; conhece a Verdade, porque é unida a ela. Representa Ísis, a eterna deusa da Natureza, de quem do útero surgirá o deus Hórus. É a eterna patrona daqueles que buscam a salvação, com sua influência exaltada o homem eleva-se acima das mais altas regiões do pensamento. Ela é um dos maiores mistérios de religião, e a pesquisa científica externa não pode alcançar o seu significado.

Libra

Libra ou a Balança representa o ponto de equilíbrio, o inimaginável estado de Nirvana, que não pode ser descrito, e na qual não há, na linguagem dos mortais, como explicar esta condição. Se há um planeta que seja comparado com Libra, deve ser Vênus, pelo o amor que é a raiz do qual brota todo o poder.

Quando terminou a criação, os poderes retiram-se novamente ao seio do Pai eterno, descansam na felicidade divina, até o momento em que o equilíbrio seja perturbado novamente pelo despertar de um desejo interno da criação e assim uma evolução começa novamente. A descida do espírito na Matéria recomeça então, produzindo então a “Queda do homem” mais uma vez, e este trabalho de involução é representado nos signos do zodíaco descendentes.

Escorpião

Escorpião ou Scorpio representa o desejo pelo conhecimento que induz o Espírito celestial a descer no obscurecimento das formas materiais. Isto é, a serpente que eternamente tenta Eva a comer a fruta da árvore proibida, usando o intelecto para a sua compreensão do mundo. Por sua influência a atenção do Espírito do Homem é novamente atraída para o reino dos fenômenos e ele novamente entra na roda da evolução, mas em uma escala mais alta que antes. No seu aspecto geral representa aquele estado da Mente Universal na qual a ideia de uma nova criação começa a existir. Se nós tivéssemos que comparar com algum planeta, nós escolheríamos para isto, o planeta Marte ou o amor agindo pela força de vontade.

Sagitário

Sagitário representa a divina Vontade para criar um mundo novo, só o pensamento não seria suficiente para produzir um mundo que só existe na imaginação, a menos que o vontade divina esteja presente para projetá-lo objetivamente. No seu mais baixo aspecto pode representar aquele poder pelo qual o espírito individual, incapaz de criar um mundo por si próprio, é impelido novamente a fazer uma união com a matéria. Em seu aspecto geral pode ser comparado ao planeta Marte.

Capricórnio

Capricórnio representa o exercício do poder construtivo do universo: A lei universal da evolução, que ao tempo de uma nova criação entra em atividade. Ele também é o símbolo da perversão, e em seu mais baixo aspecto pode significar o poder pelo qual o espírito desencarnado constrói um novo corpo e entra novamente no mundo da formação.

Aquário

Aquário, ou o barqueiro, o produto da imaginação atuando com a vontade e o pensamento. A água é o símbolo do Pensamento, e um “barqueiro” homem que vive em contato com a água, simboliza então, um homem formado de pensamento. Todas as coisas são feitas de pensamento; o visível como também o mundo invisível é produto do pensamento e composto da substância da Mente; as formas materiais somente são expressões externas de princípios internos que necessariamente devem ser substanciais, as energias são estados da matéria, é impossível haver uma manifestação de uma coisa inexistente. O universo inteiro é formado por pensamento, produzido pela união da vontade e da imaginação. Aquário pode ser considerado então como o poder criativo da Vontade e do Pensamento divino, ou seja, o Verbo, no seu aspecto geral corresponde ao Poder divino. Em seu aspecto mais limitado, representa o poder pelo qual o Espírito assume novamente uma forma material.

Peixes

Peixes ou Pisces. O peixe vive na água; o homem vive o oceano do pensamento, que se faz mais ou menos material pela de influência de Saturno. Em um dos seus aspectos, o signo do Peixes representa o homem como um ser imerso em um oceano de ideias espirituais, e aqueles que supostamente vivem na região mais alta do espiritual e exaltado pensamento foram chamados de episcopais ou bispos. Em outro aspecto o signo de Peixes, pode representar o mundo de ideias existente na Luz Astral. Gradualmente no Ciclo Evolutivo aproxima novamente do signo de Capricórnio, representando o reino de Matéria; a descida do espírito é então realizada, e a ascensão começa, a menos que o homem permita descer ainda mais fundo no reino da escuridão onde aqueles que rejeitam intencionalmente a luz do Espírito são sentenciados a perecer. O Espírito descendente que possui a ideia da existência do mundo formador, expressa o seu pensamento no ato de criar, ele se acha como um peixe na água, no mundo de formas que ele criou, e o reinado de Saturno começa novamente, com um trabalho de redenção nos signos ascendentes.

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