Astrologia, Meio Ambiente e Personalidade

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Paulo Roberto Grangeiro Rodrigues

Universidade de São Paulo
Instituto de Psicologia

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Resumo

Neste trabalho investigamos o campo das correlações entre variáveis psicológicas e do meio-ambiente, em continuidade a uma série de estudos já publicados sobre variações psicológicas em função de variáveis climáticas e astronômicas, atuação de ondas e campos eletromagnéticos, estudos sobre o isolamento do meio-ambiente através de habitação em cavernas e estudos sobre privação sensorial.

Focamos esta dissertação na Astrologia. Um conhecimento que se construiu através do tempo em função de afirmar uma correlação entre os fenômenos da vida na Terra e seu meio ambiente cósmico, acabando por afirmar a correlação deste com o estado biopsicológico do indivíduo. Fizemos um amplo levantamento (1938-94) das pesquisas que avaliam suas predições sobre personalidade e estados de humor através de estatísticas, observações e correlações com testes psicológicos. Investigamos também o fator “auto-atribuição” na composição das correlações observadas entre variáveis de personalidade e do meio – ambiente.

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1.1. Uma breve descrição histórica da Astrologia:
O nascimento da “Ciência dos Astros” no Ocidente

Ao querermos traçar a história da Astrologia ocidental – aquela que investigaremos aqui – descobrimos que é tão antiga quanto a própria História. Onde quer que houvesse uma civilização nascente havia uma forma de “astrologia” como um conhecimento da ligação entre as coisas do Céu e da Terra. Um conhecimento a um só tempo matemático e religioso. Esse caráter em particular assombrou até Franz Cumont, arqueólogo e historiador na área das religiões clássicas, que a investigou sob este aspecto. Cumont fez uma série de Conferências em 1912 que foram publicadas com o título de Astrologia e Religião Entre os Gregos e Romanos onde baseia-se em textos antigos para retirar dali suas aplicações naquelas culturas e suas ideias básicas. Vamos retirar de suas conferências – motivadas pelo renascimento do interesse na Astrologia em nosso século – as peculiaridades dessa “ciência dos astros” que a ligariam à Psicologia contemporânea. (em todos os trechos fizemos uma tradução livre) Afirmou ali que “… depois de haver reinado soberana na Babilônia, a astrologia conseguiu fazer sombra aos cultos da Síria e do Egito, e sob o Império – referindo-se ao ocidente – chegou a transformar inclusive o antigo paganismo da Grécia e de Roma.” “Deste modo, o nome dos planetas que empregamos hoje em dia são uma tradução de uma tradução latina, de uma tradução grega, de uma nomenclatura babilônica”.

Já no fim do Império Babilônico, os caldeus chamavam os planetas de “intérpretes”, porque manifestavam aos homens os propósitos dos deuses.  “Os caldeus admitiam, ao que parece, que o princípio da vida, que dá calor e anima o corpo humano, era da mesma essência que a dos fogos do Céu. Destes, a alma ao nascer recebe suas qualidades, e neste momento as estrelas determinam seu destino na Terra”.

Na época em que Alexandre Magno conquistou a Mesopotâmia, encontrou lá “…sobre um profundo substrato de mitologia, uma teologia esotérica, baseada em pacientes observações astronômicas, que professavam revelar a natureza do mundo – considerado divino -, os segredos do futuro e o destino do homem”.

Da Babilônia a Astrologia foi levada à Grécia, por filósofos que lá estudaram, e tanto Platão quanto Aristóteles afirmam a divindade das estrelas (estrelas são para eles tanto os planetas quanto as estrelas “fixas”), sendo que Platão chama explicitamente os planetas de “deuses visíveis” que estariam abaixo do supremo Ser eterno e perfeito, o qual os anima com sua própria vida. Assim como Pitágoras vê os corpos celestes como “…movidos pela alma etérea que anima o universo e que é semelhante à própria alma humana”.

“Estas doutrinas, que deste modo propagaram-se gradualmente sobre a Grécia clássica, seriam tomadas e transformadas pelos Estoicos. Para os discípulos de Zenon a alma do homem é uma porção do fogo divino em que seu naturalismo panteísta via a força produtiva e a inteligência do mundo. A razão humana, partícula da razão universal, era concebida como alento, como emanação ardente. As estrelas são a mais brilhante manifestação do fogo cósmico. A filosofia do Pórtico favorecia a crença de que a alma era unida com os corpos celestes mediante uma relação especial, e deste modo o Estoicismo conseguiu ser prontamente reconciliado com a astrologia”.

Tanto os “filósofos” quanto os “cientistas” da época abraçavam as mesmas doutrinas, mostrando de fato uma indiferenciação entre Religião, Filosofia e Ciência:

“É notável que no séc. II antes da nossa era, esta doutrina foi defendida especialmente por Hiparco, que não era apenas um dos astrônomos mais célebres, mas um adepto convicto das teorias astrológicas,…, foi aplaudido calorosamente por Plínio por ter demonstrado melhor que qualquer um que o homem está relacionado com as estrelas e que nossas almas são ‘parte do céu’”.

Podemos perceber a Astrologia como relacionada a uma astronomia que ficava a serviço da religião, e ainda que Claudius Ptolomeu no seu Tetrabiblos (140 d.C.) descrevesse a influência física dos planetas como causa de seus efeitos baseando-se na física aristotélica, havia uma religiosidade que via os planetas como deuses em si, e era esta a cosmovisão popular.

“Assim, pois, todas estas doutrinas, apesar de suas diferenças em detalhes, pregavam que as almas, descendentes da luz das alturas, reascendiam à região das estrelas, onde moravam para sempre com estas divindades radiantes.”

A astrologia em Roma ganha uma forma – através dos escritos de Ptolomeu e da religiosidade popular – que preserva-se através da Idade Média apesar do monoteísmo difundido pela Igreja Católica.

“A imortalidade sideral é provavelmente a doutrina mais elevada concebida pela Antiguidade. Foi nesta fórmula definitiva onde deteve-se o paganismo. Esta crença não pereceria para sempre com ele; e inclusive depois de que as estrelas foram despojadas de sua divindade, chegou a sobreviver em certa medida à teologia que a havia originado.”

Também Ptolomeu conservou os deuses planetários, apenas que ficavam subordinados ao Pai celestial Criador. Isto foi expresso por Marcus Malinus, poeta romano: “Pode-se conceber uma máquina mais perfeita em suas atividades, mais uniforme em seus efeitos? Na minha opinião, não penso que seja possível demonstrar com maior evidência que o mundo é governado por um poder divino, que ele próprio é Deus…” Ptolomeu “colocava” Deus além do PRIMUM MOBILE – o “primeiro móvel” – para que pudesse ter dado o impulso inicial nas Esferas (ocas e cristalinas) das Estrelas Fixas e dos Planetas abaixo desta. Depois preservou-se ali um Céu morada do “Altíssimo” dentro da Teologia cristã.

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1.2. A Astrologia e o “Círculo das Ciências”

Em busca de fundamentar o lugar epistemológico da Astrologia, que contemporaneamente é praticada acrescida de precisão nos cálculos, novos planetas – concretos ou supostos – mais estudos publicados sobre “Mapa Astrológico” e seus detalhes, precisamos reafirmar que ela nasceu numa época em que não se falava em Ciência nos moldes cartesianos, mas em “sabedoria” e “tradição de conhecimentos”. E uma das afirmações desse conhecimento tradicional é que há uma correspondência entre eventos celestes e eventos terrestres, uma coincidência temporal, além da espacial se pensarmos numa influência física dos planetas.

Teóricos em Astrologia sustentam sempre que seu princípio de atuação é a Analogia, semelhança ou correspondência, desde o séc. III a.C. Mas isso responde mais à questão sobre o raciocínio “astrológico” do que sobre como a Astrologia funciona, se é que funciona necessariamente. Foi e é muito criticada no nosso século por conter um pensamento “mágico” ou “primitivo”, que afirma sem reflexão a relação entre um fato psicológico subjetivo e sua provável realidade física. Psicólogos contemporâneos classificaram a Astrologia como “pseudociência” ou “superstição”.

Mas um amplo estudo publicado em 1977 por Geoffrey Dean e Arthur Mather), avaliando pesquisas feitas por astrólogos e por cientistas ortodoxos desde 1900 até 1976, demonstraram alguns resultados positivos na correlação “Céu -Terra” que passaram pelo crivo estatístico, dentre muitos outros negativos ou incertos , ou ainda com uma metodologia falha levando a resultados tendenciosos. Os autores comentam: “Astrologia hoje é baseada em conceitos de origem desconhecida mas efetivamente deificados como ‘tradição’. Sua aplicação envolve numerosos sistemas, muitos deles discordantes em pontos fundamentais, e todos eles suportados por evidências episódicas das mais inaceitáveis. Com efeito a astrologia apresenta uma superestrutura fascinante e aparentemente técnica suportada por crenças não comprovadas; parte de fantasias e então procede de maneira completamente lógica”.

Mas precisamos lembrar da crítica de alguém como Sigmund Freud, que mesmo com seu materialismo e confiança na ciência escreveu:

“Na concepção científica do mundo não existe, então, lugar para a onipotência do homem, o qual reconheceu sua pequenez e resignou-se à morte e submeteu-se a todas as demais necessidades naturais. Em nossa confiança no poder da inteligência humana, que conta já com leis da realidade, encontramos, todavia, resquícios da antiga fé na onipotência”.

Talvez só a análise psicológica como a de Freud possa ver na atitude “científica” de muitos cientistas resquícios do que criticam em conhecimentos como a Astrologia. Assim houve ainda um outro estudo amplo feito em 1982 pelos psicólogos Hans J. Eysenck e D. K. B. Nias, interessados “…na astrologia para descobrir pesquisas que parecem suportar a doutrina astrológica e também que tenham ido contra princípios científicos aceitos”.

Estes autores comentam que a rejeição de muitos cientistas à Astrologia baseia-se num apelo à autoridade (“appeal to autorithy”) e não em evidências. Assim, em 1981, Dean e Mather, entre outros cientistas lançaram a revista “CORRELATION  Journal of Research into Astrology”, tendo Eysenck entre seus colaboradores, assim como outros cientistas bem estabelecidos em áreas específicas, publicando resultados favoráveis ou desfavoráveis com honestidade e humildade científica verdadeira.

Podemos perceber que cada parte antes envolvida naquele conhecimento, isto é, a constituição biopsicológica humana e os corpos celestes, de outra parte; são hoje estudados por disciplinas diferentes. De um lado a Biologia e a Psicologia, de outro a Astronomia e a Cosmologia (A primeira ligada à Física e a segunda à Filosofia). A Astrologia parte da pressuposição de uma relação necessária entre o “Céu” e a “Terra”, com a coincidência entre posições celestes específicas e uma série de acontecimentos numa comunidade ou numa vida humana. Há uma coincidência temporal que é estudada matematicamente, primeiro entre o céu concebido como um todo fechado de imagens (o limite objetivo da antiga Astrologia é o alcance visual do olho nu) e os acontecimentos na vida das pessoas, intermediados por mitos coletivos. Hoje se apresentam três planetas invisíveis a olho nu, mas visíveis ao telescópio, mas as estrelas ainda são as mesmas da época primitiva da Astrologia, com poucas “supernovas” que não são levadas em consideração, o que é compreensível numa Astrologia que usa de um “Céu” de “estrela fixas”. Afirma-se a relação do “Céu” (planetas + estrelas + signos) com os acontecimentos na vida de uma coletividade ou de uma pessoa, subjetivos ou objetivos.

Há uma correlação entre as características e fenômenos dos planetas , perceptíveis na Terra, e os fatos terrenos, que podem ser subjetivos ou objetivos, os quais se representam dentro do Mapa Astrológico no sistema de 12 Casas ou Setores. A própria Astrologia se divide entre estas duas abordagens, ou seja, há autores que afirmam a relação necessária com “acontecimentos objetivos” e outros afirmam a relação necessária com “estados subjetivos”, acontecimentos psicológicos. Enquanto objetivos, os fatores astrológicos atingem ou não a constituição biológica da pessoa. Enquanto subjetivos podem acontecer na psique, consciente ou inconsciente. E a mesma matemática aplicada para a medição dos movimentos celestes passa a ser aplicada para mapear e prever acontecimentos humanos, onde se afirma “ciclos” típicos de tendências humanas. Vemos que a Astrologia pressupõe uma correlação de realidades complementares e tomadas como incomensuráveis no “paradigma científico” dominante, se usarmos a teoria de Thomas Kuhn.

Temos de fato um “mapa de realidade” diferente do mapa aceito pela ciência contemporânea. Na Astrologia há uma percepção do “Cosmos” – com os “Céus” que o compõem – segundo uma perspectiva geocêntrica, como SIGNIFICANTES de outras coisas, estas que ocorrem na Terra seguindo os ciclos observáveis dos “astros” . Há a ideia de uma “harmonia” entre o Microcosmos – ser humano – e o Macrocosmos. Para alguns autores, há uma causalidade do MACRO para o MICRO, para outros, apenas uma indução do abrangido pelo abrangente.

É evidente que a Astrologia respondia a um anseio religioso de UNIDADE com o Cosmos, cumprindo também uma função de ORDENAÇÃO da vida comunitária, permitindo também a PREVISÃO do futuro cósmico, e do futuro social por consequência. Há então uma proposta e uma visão totalizante na Astrologia. Nesse sentido cabe a crítica do astrônomo brasileiro Ronaldo Rogério de Freitas Mourão: a astrologia é um problema “…mais dos sociólogos e dos psicólogos do que dos astrônomos”.

Assim, há uma correlação possível dentro do “círculo das ciências”, proposto por Jean Piaget: “…o problema da unidade da ciência,…é suscetível de uma solução simples no sentido de que o sistema das ciências deve ser concebido como uma ordem cíclica e não como uma sequência retilínea”. Assim o autor vê a “unidade da ciência” expressa pelas quatro ciências fundamentais:

Matemática ↔ Física ↔ Biologia ↔ Psicologia

Piaget explica que “…o universo só é conhecido do homem através da lógica e da matemática, produtos de seu espírito, mas não pode compreender como construiu a matemática e a lógica, senão estudando-se a si mesmo psicológica e biologicamente, isto é, em função do universo inteiro”.

Com a Astrologia, temos um conhecimento que se propôs e se propõe a unificar as realidades percebidas pelo ser humano. Por esta busca e a crença nesta unidade, poderíamos chamar a Astrologia de tentativa de “ciência da unidade”. Afirma o princípio do “UNUS MUNDUS”, comentado contemporaneamente por Jung. “Este conceito, ou imagem , é usada por Jung para sugerir que cada estrato da existência está intimamente ligado com todos os outros estratos, mais que para postular o fato de que existe um plano transcendente ou supra ordenado para a coordenação das partes separadas”. Podemos compor o seguinte quadro:

↔ Matemática ↔ Física ↔ Biologia ↔ Psicologia ↔

↔ Astrologia ↔

Devemos lembrar que a Astrologia partilha esta visão de mundo com a Alquimia, e a inclui na busca desta unidade. Transcende barreiras que são julgadas intransponíveis pela “visão científica” atual: entre sujeito e objeto; e entre material e ideal. Não se questiona a verdade deste princípio na Astrologia, usa-se da afirmativa: “O QUE ESTÁ EMBAIXO É COMO O QUE ESTÁ EM CIMA, O QUE ESTÁ EM CIMA É COMO O QUE ESTÁ EMBAIXO”.

Também foi expresso de forma contemporânea: “A Astrologia é a Astronomia aplicada com fins humanos”. Astrologia é a “álgebra da vida”.

Na primeira afirmação há a correlação da Física com a Psicologia, e na segunda da Biologia com a Matemática. Na primeira há uma relação com uma intenção humana em aplicar na sua vida terrena o observado no céu, e na segunda a afirmação de uma compulsão biológica para isto. Vamos lidar com esta diferença mais adiante.

A Astrologia afirma a unidade entre os planetas (+ sol e lua) e os seres humanos, através dos mitos relacionados aos deuses que nomeiam esses planetas. Afirma a unidade entre o Zodíaco e o corpo humano, através do entendimento do Zodíaco como “homem cósmico”, onde cada Signo corresponde a uma região do organismo humano. Afirma também a unidade entre a biologia e a ordenação matemática celeste, através da relação do corpo humano com o Zodíaco e de órgãos e sistemas do organismo com os planetas (+ sol e lua), assim como o Zodíaco é também uma representação do ciclo do ano com suas estações na região temperada norte da Terra.

Piaget, ao analisar o círculo descrito acima, afirma que a Matemática e a Biologia se complementam por levarem respectivamente ao máximo e ao mínimo a atividade mental do sujeito do conhecimento. Já a Psicologia e a Física se complementam por sua subjetividade e objetividade respectivas.

Segundo Piaget, a Psicologia tem participação igual na corrente idealista e na corrente realista do pensamento. Segundo a visão idealista, aproxima-se da Matemática; segundo a visão realista, deve se aproximar da Biologia.

Assim, Jung, um psicólogo que podemos classificar seguramente como idealista ao afirmar a abrangência dos “arquétipos” ou “ideias primordiais”, vê na Astrologia a projeção dos arquétipos da psique na realidade material celeste. Ou seja, não há uma necessária expressão material, uma causação física dos eventos terrestres pelos planetas. Os arquétipos, através de símbolos divinizadores, são projetados coletivamente no céu. Já um psicólogo da corrente materialista, como Freud, poderia por sua vez ver na Astrologia, através da mitologia que esta inclui, um politeísmo que expressa o poder dos instintos humanos, que atuam segundo uma base bioquímica. Há uma representação psíquica dos instintos, nos mitos. Nesta dissertação vamos usar das ideias ora de Freud, ora de Piaget como psicólogos representante da corrente realista, e Jung como representante da corrente idealista.

Como se pode perceber, pelo esquema acima podemos supor diversas formas através das quais as “leis astrológicas” poderiam funcionar. Há desde uma hipótese psicológica a uma hipótese puramente física incluindo causação, mas que precisam passar por vias respectivamente matemática e biológica para a comprovação científica. Ou seja, a explicação psicológica precisa provar que há uma correlação matemática entre eventos terrestres ligados a características e estados psíquicos e os movimentos e posições celestes. E a explicação física precisa demonstrar que há ritmos biólogos sincronizados com os movimentos e posições planetárias , em função de uma receptividade do organismo a condições cósmicas.

Fator Psicológico

1.4. Em busca do Fator Psicológico

É necessário lembrar que há quatro formas como contemporaneamente tem-se afirmado na teoria o funcionamento da Astrologia:

1- DISPARO
2- CAUSAÇÃO DIRETA
3- SINCRONICIDADE
4- SIMBOLISMO

As duas primeiras se referem à explicação física; e as duas últimas à explicação psicológica.

Mais do que isto, podemos observar que cada uma das quatro formas de explicação se relaciona mais especificamente com uma das quatro ciências básicas comentadas:

CAUSAÇÃO DIRETA – Física
DISPARO -Biologia
SIMBOLISMO -Psicologia
SINCRONICIDADE- Psicologia/ Matemática

A explicação biológica oferece uma interface entre os efeitos físicos dos planetas na Terra, e, aqui da Terra, nas pessoas. Gauquelin demonstrou uma relação entre o geomagnetismo e funcionamento astrológico, através da “hereditariedade planetária”: posições repetidas de planetas entre Mapas Astrológicos de pais e filhos, como veremos adiante. Sol e lua atuam neste geomagnetismo.

Gauquelin descobriu que a perturbação magnética da Terra aumenta o efeito astrológico. Há aqui uma pura compulsão física para o funcionamento das “leis” astrológicas, e isto teria que ser provado num estudo que envolvesse Física e Biologia. Já existem estudos que demonstram a correlação de variações no geomagnetismo com perturbações na síntese de melatonina na glândula epífise (pineal).

Agora, na hipótese possível da causação psicológica, temos a ideia de Jung de “projeção de arquétipos” do inconsciente coletivo no “teste de Roscharch” cósmico: as constelações. As estrelas não têm efeito físico no ser humano, apenas psicológico. As formas das constelações servem para adaptar ali qualquer imagem, mas só se adaptam e fixam ali aquelas imagens coletivas referentes a arquétipos. Vemos facilmente que os nomes das constelações para os gregos vêm dos seus mitos envolvendo deuses, semideuses e humanos divinizados, ocupando posições relacionadas com sua importância e seu tipo de efeito. Por exemplo, assim como há um Dragão envolvendo o Polo Norte, há um navio, Argus, no horizonte, que aparece e “desaparece” no mar ao Sul da Europa.

Ao contrário do sol e da lua, que têm um efeito antes físico do que psicológico. A construção psicológica de seus mitos vem de uma base biológica auto evidente: o sol e a vigília, a lua e o sonho; o sol e o homem, a lua e a mulher, devido à correlação do ciclo menstrual com o sinódico (das fases) da lua. Com as constelações temos uma causação puramente psicológica, que pode ser dividida também entre intencional e compulsiva. Há uma necessidade de “organização” da vida, criar “cosmos” contra caos. Há nos seus mitos uma “construção social”.

Já o efeito dos planetas (Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter, Saturno) é mais provável que seja intermediário entre o físico e o psicológico, pois também nos planetas são “projetadas” imagens de divindades, que há pouco ainda faziam parte da “consciência coletiva”, mas hoje, segundo nossa hipótese, no nível do “inconsciente coletivo”. Mas essas divindades podem ser também expressões psicológicas de instintos biológicos humanos. E a ordenação do Sistema Solar poderia tornar-se estruturalmente condicionante da ordenação biológica humana.

Buscando a relação mais física possível, Dean e Mather optam pela teoria da ressonância, onde as variações dos movimentos dos planetas geram ondas que podem atingir a Terra. Há certas ondas dos planetas que atingem a Terra e os seres vivos aqui, um empuxo gravitacional que pudesse gerar frequências que entrassem em interação com o organismo, provavelmente através do geomagnetismo. Por esta via de explicação haveria ainda uma variabilidade do efeito astrológico, provavelmente em função da variação do “momento angular”, ou seja, conforme as posições dos planetas em relação à Terra.

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II – Os três níveis da relação psique-natureza subjacentes à Astrologia

Assim, há três níveis em que a Astrologia tradicional trabalha, e são três coisas diferentes, mas ela as integra como se fossem a mesma coisa e com as mesmas características.

Aí se pode observar o fenômeno de “participation mystique” (identificação projetiva), do ser humano com a natureza, a Astrologia preserva um “sistema explicativo mágico”. Toma-se uma coisa por outra, o objetivo pelo subjetivo. Uma espécie de “objetividade ingênua” tão exorcizada pelas ciências contemporâneas.

Mas os três níveis de funcionamento são diferentes e têm graus de liberdade diferentes:

• O nível biológico: RELAÇÃO CAUSAL COM OS ASTROS (IMEDIATA)
• O nível biopsicológico: RELAÇÃO PARCIALMENTE CAUSAL COM OS ASTROS.
• O nível psicológico: RELAÇÃO ACAUSAL COM OS ASTROS (MEDIATA)

Aqui há uma analogia com a divisão trina de Plotino, filósofo neoplatonista (II d.C.), e teórico de Astrologia:

• CORPUS (o corpo)
• ANIMA (a alma ou psique)
• SPIRITUS (o espírito ou mente)

No corpo, há uma causalidade direta. Temos a correlação física Terra – Sol- Lua na regulação hormonal do ser humano. Há correlação entre parâmetros geomagnéticos e o comportamento humano, como veremos adiante.

Na psique há a força dos planetas, que tanto se relacionam com uma imagem coletiva, como com um instinto ou impulso biopsicológico humano (Freud, por exemplo, escreveu sobre o instinto sexual, primeiro, depois o de agressividade, o de conhecer, o de dormir, o de união coletiva, todos podem ser associados a planetas segundo os mitos dos deuses e semideuses envolvidos).

No nível puramente mental, haveria uma busca de ordem e previsibilidade, além do medo do “caos” e da “destruição” que levam a ansiedades que podemos chamar de “paranoides” e “depressivas” em relação ao futuro, basicamente um medo do ataque e um medo da destruição advindos do desconhecido. A partir daí, há uma busca de paralelismo da vida humana na Terra com a ordenação celeste. Os calendários sempre buscaram isto. Os mitos mais organizados e coletivos são fixados nas constelações. Há , então, uma atividade intencional dos sujeitos humanos para que a Astrologia funcione.

Assim, é necessário considerar a hipótese de que a Astrologia em parte funcione necessariamente em parte, intencionalmente. É preciso também considerar a hipótese de que funcione às vezes, dado as variações das atividades solares e terrestres – em termos de espectro eletromagnético e atividade geomagnética – e também o fator intenção, crença ou acordo para seu funcionamento. É possível ainda que o estado psíquico atual de um sujeito ou de uma coletividade seja condicional, propiciando ou não o funcionamento das “forças astrológicas”. Na teoria de Jung, há a mesma energia psíquica ativando o consciente e o inconsciente, e menos energia para um deles é mais energia para o outro. Assim o efeito astrológico poderia variar em função disso. É mais provável que a Astrologia funcionasse bem numa sociedade que a tivesse como parte de seu sistema religioso. Na sociedade contemporânea, além de tender a estar mais distante da natureza e seus ritmos pelo avanço tecnológico, há uma maioria de pessoas monoteístas, e uma grande parte de ateístas, enquanto a Astrologia fazia parte de uma cosmovisão politeísta. Mas não quero ainda entrar no campo das crenças e das representações coletivas, procuro primeiro tirar da Astrologia a possibilidade de ter relacionado características ou variações de estados psicológicos humanos com variações nas condições ambientais do ser humano, incluindo aí o espectro eletromagnético a que está sujeito.

Já há estudos, experimentos, novas teorias e comprovações nos três campos, descrevemos em seguida as correlações encontradas.

A Ruptura do Unus Mundus

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No Ocidente foi por mão dos cientistas que a Astrologia acabou sendo descartada das Universidades , não pelo politeísmo implícito, mas pelo geocentrismo derrubado por Nicolau Copérnico e Johannes Kepler. Quando a Astronomia superou o geocentrismo, houve uma grande oposição à Astrologia, pois esta só poderia continuar adotando a Terra como centro para as medidas astronômicas, pois o que é o centro ali é o indivíduo nascente, ou o lugar para onde se quer focar as influências astrais. Enquanto a Astronomia avançou e abriu os véus do céu, a Astrologia ficou como uma forma de se compreender o indivíduo humano em sua relação com a natureza terrestre e sua própria natureza.

Piaget publicou: “A história da ciência, do geocentrismo à revolução copernicana, mostra que foram necessários séculos para nos libertar de erros sistemáticos, da ilusão causada por um ponto de vista imediatista, oposto ao pensamento sistemático descentralizado”. Piaget tem razão, mas é preciso observar que a Astrologia fala e revela antes a respeito do ser humano em si, e não a respeito do Universo, o que inclui uma visão ingênua, onde realmente o que está “por dentro” do ser humano, sua realidade psíquica, é projetado fora, no mundo físico objetivo.

Mesmo Copérnico continua afirmando um Universo finito e esférico, como expressão da Santíssima Trindade. Com a Astrologia ocorre que o “conhecimento científico” que corre paralelo ao seu aspecto mágico está presente no que é hoje a Astronomia. Ambas estiveram unidas até aproximadamente o tempo do astrônomo William Herschel, que descobriu Urano em 1781. A grande diferença é que a Astrologia vê o “céu” como uma série de SIGNIFICANTES, enquanto a Astronomia, em sua pura objetividade, o vê como SIGNIFICADOS, que contemporaneamente, com os telescópios espaciais, se ampliam quase ao infinito. A astrologia já não é mais o estudo do céu “em si”, mas do significado do céu para o ser humano.

A Analogia Céu-Psique

Podemos numa visão psicológica contemporânea postular que há uma projeção do “arquétipo da totalidade psíquica” no céu. Esta totalidade inclui o consciente e o inconsciente do ser humano, Jung postula uma totalidade que além do Eu, inclui o Não-Eu e o Outro-Eu. Nesta correlação entre duas totalidades temos um elemento de religiosidade, pela busca de união entre Terra e Céu, uma união harmônica que traria ORDEM e PREVISIBILIDADE.

Onde o astrólogo vê uma ação dos “deuses” na vida da pessoa, o psicólogo contemporâneo veria a ação dos impulsos, ou “pulsões” ou instintos humanos, representados ali nos planetas através dos deuses. Ou seja, os deuses são criações humanas para personificar seus impulsos sentidos como compulsivos ou vitais. Também personificamos os impulsos na forma de uma imagem sobre-humana, mas com traços humanos reconhecíveis, nos sonhos, por exemplo. Freud, ainda que tão ligado a uma linguagem científica de sua época, chamou o impulso sexual conforme ele definira de Eros, deus do amor, seguindo assim a tendência grega de personificar estes impulsos humanos, afirmando ainda Eros como sublimável.

Podemos pensar numa relação consciente com estes impulsos humanos, só que através de algo exterior que também nos sujeita por ser transcendente: o céu. As “astrologias” fazem parte da “consciência coletiva” das culturas politeístas, onde têm uma aplicação para a organização social. E aqui Lévi-Strauss preenche uma lacuna nas teorias de Jung a respeito – em função de demonstrar a construção consciente da Astrologia – assim como relativiza a posição aparentemente desqualificadora de Piaget em relação ao “pensamento mágico”.

Piaget observou antes de tudo o desenvolvimento do aspecto lógico-matemático da psique, associado à linguagem. Considerava o “primitivo” como infantil e superável. No entanto a pesquisa contemporânea a respeito do funcionamento do cérebro humano descobre que apenas o hemisfério cerebral esquerdo é associado, em geral, à lógica e à linguagem, instrumentos poderosos de conhecimento, com os quais Piaget mesmo estuda o desenvolvimento psíquico humano, e acaba por encontrá-los coroando o desenvolvimento, no adolescente e no adulto. O hemisfério cerebral direito, no entanto, é não verbal, trabalha com imagens (onde intervêm o espaço e o tempo juntos), e avalia as situações ou problemas como um todo. Corresponde, na teoria de Piaget, às operações infralógicas, “no sentido que se estribam em outro nível de realidade, e não por serem anteriores”.

Os “erros sistemáticos” comentados por Piaget são de valor para a Psicologia, pois revelam a respeito da estrutura psíquica humana, e nos demonstram antes o que vai no céu interior do que no exterior.

E o que Jung vê como uma “projeção de conteúdos psíquicos” inconscientes na natureza, Piaget interpreta como sendo uma pura “assimilação”, no pensamento simbólico, que utiliza-se antes de tudo de imagens, como sendo uma deformação da objetividade. Jung coloca-se do ponto de vista interior, subjetivo, afirmando a “realidade psíquica”. Daí as críticas de Piaget a Jung, em termos das exigências objetivistas da ciência.

A grande diferença entre a Astrologia e as ciências hoje é que se baseia na qualidade e não na quantidade, e na ANALOGIA e não na causalidade. Ou numa proposta junguiana, no princípio da SINCRONICIDADE. Os impulsos humanos funcionariam de forma sincrônica com os ritmos planetários e zodiacais, mas a causalidade de parte do comportamento dá-se segundo estes impulsos, e não pelos planetas. Acontece mais provavelmente que no decorrer da evolução a humanidade sincroniza-se com os fatores celestes, por uma necessidade de ordem e previsibilidade, “transformar caos em cosmos”, segundo Dane Rudhyar.

2.3.4. A interação dos sistemas

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Na época das religiões politeístas dominando o Oriente Médio e a Europa, a astrologia era exercida dentro de uma atividade ritualizada. Era uma forma de prever-se futuros “acontecimentos”, as “intenções dos deuses”. Os rituais sempre promoveram a coesão e proteção do grupo. Numa teoria psicológica contemporânea, defendem o grupo social contra “ansiedades depressivas” e “ansiedades paranoides”, ou seja, esconjuram, apaziguam ou propiciam forças fora do controle imediato do ser humano, representadas nas divindades portadoras de forças destrutivas ou construtivas para o ser humano. A teoria astrológica tradicional classifica os planetas em benéficos ou maléficos, sendo que os segundos trariam a morte de fato. Desde os seus primórdios até os tempos romanos a Astrologia era associada à religião, e segundo o movimento dos astros poderia haver sofrimento ou benefícios, o que orientava os rituais propiciatórios.

Com o avanço do monoteísmo há a busca de uma única divindade, a princípio o sol que logo é mitificado no “Herói Solar”. A relação com esta forma de divindade acaba acompanhando e estimulando no ser humano uma busca de unidade organizada individual, centralizada na sua consciência individual. Logo a Astrologia passou a ser aplicada para o indivíduo, em função da hora do nascimento. Inicialmente para os governantes, mas logo em seguida para qualquer “cidadão” , dentro do espírito “apolíneo” nascente. Daí surge a Astrologia individual, chamada de Natal ou Genetlíaca.

Outros deuses antes com ascendência ou até paternidade em relação ao deus solar passam a se subordinar ao princípio “apolíneo” da consciência. Passam a representar fatores coletivos na constituição psíquica do ser humano, ou “drives”, impulsos biológicos normalmente inconscientes. “Os deuses tornaram-se doenças; Zeus não mais governa o Olimpo mas, antes, o plexo solar…”.

O ser humano não está livre do que é passado e inconsciente só porque quer, consciência e inconsciente são como os dois peixes do último signo astrológico: ligados, como um sistema fechado em constante calibragem. O campo em comum entre os dois é o próprio corpo humano, vivo, já que “toda vida é história viva”. Ou seja, carregamos em nós a história de todos os ancestrais humanos, e sabemos que a humanidade já viveu mais tempo com a crença astrológica na consciência coletiva do que conforme a situação atual, no inconsciente coletivo. Apenas aspectos ultrapassados podem “precipitar-se” na inconsciência coletiva.

Além disso é possível que daí sejam resgatadas suas imagens em momentos de tensão psicológica extrema em que o ser humano se percebe em situação caótica, ameaçado ou inseguro. Segundo a perspectiva do “abaissement du niveau mental” – rebaixamento do nível mental –, que é quando a consciência individual perde energia psíquica e esta vai ativar os “drives” ou arquétipos do inconsciente coletivo. Aí o ser humano age mais de maneira instintiva, não só regredindo à infância, mas às formas primitivas de comportamento. Aí existem as respostas das formas de comportamento repetidas milenarmente nas gerações humanas. É possível que aí retornemos a uma forma de atuação conforme as “personalidades” mitológicas e os ritmos astrológicos, que são ritmos provavelmente biológicos também. Neste estado, segundo Jung, ocorreriam as sincronicidades.

Também os sonhos podem ser ocasião de emergência desses conteúdos inconscientes, há um suficiente “afrouxamento energético” do ego, demonstrado na diminuição do ritmo vital e da atividade cortical durante o sono, e esta energia ativa outras regiões cerebrais ligadas a fenômenos tidos como inconscientes.

2.4. A forma de Interpretação Astrológica

hora do nascimento

Temos também que pensar que as funções relativas ao hemisfério cerebral direito tendem a ficar inconscientes na maioria das pessoas, pois temos naturalmente um hemisfério cerebral “dominante” e outro “dominado”, que é o direito. E a astrologia enquanto trabalho vivencial ocupa funções dos dois hemisférios cerebrais, pois no seu aspecto Astronomia, ainda que quase limitada ao visível a olho nu, implica em linguagem, em matemática, classificação e medidas; enquanto interpretação astrológica faz relações entre duas ordens de realidade: uma relativa às transformações perceptíveis na natureza e na vida humana, e outra relativa às formas e movimentos celestes. Nesse segundo momento a astrologia faz uso da analogia para relacionar uma ordem de eventos subjetiva (no caso de se usar o mapa astrológico para uma pessoa), com uma ordem objetiva, os astros do céu. O pensamento de analogia se utiliza de imagens, de classificações espaciais e temporais, sem o concurso da linguagem. É claro que o astrólogo precisa expressar suas percepções ao cliente em palavras, e aí temos uma terceira etapa do trabalho astrológico. Quer dizer, na segunda etapa há o concurso principal do hemisfério direito do cérebro (para destros), e na terceira etapa seu trabalho é traduzido em palavras pelo hemisfério esquerdo. A astrologia se inclui entre aquelas atividades que se utilizam igualmente do trabalho dos dois hemisférios cerebrais. O hemisfério direito funciona por imagens, é estético (não-verbal), trata de nossa relação com o espaço e o tempo como “objetos contínuos”, definidos segundo “vizinhanças e separações”.

Podemos entender que para comparar duas ordens de realidade, usamos do hemisfério direito, que trabalha por imagens, no caso imagens interiores e as exteriores, mediadas pelo campo mitológico. A astrologia afirma a relação básica entre imagens exteriores e interiores no momento do nascimento. Esta correlação é verificável em parte quando os partos são naturais, como demonstrou Gauquelin.

Mais do que um estudo dos astros, a astrologia é uma correlação entre objetos celestes e seus movimentos e transformações observáveis na natureza terrestre. Há ali uma busca de integração entre uma realidade espacial circundante ao ser humano na Terra e o espaço superior inalcançável para o ser humano, transcendente e eterno. Se a própria habitação de Deus estava além das 10 Esferas, logo a partir daquela última esfera chamada PRIMUM MOBILE (primeiro móvel) onde Deus imprimiu o primeiro movimento ao céu, há aqui a associação da ideia de Deus com a ideia de espaço infinito além do limite daquelas 10 Esferas, no tempo de Ptolomeu. A qualidade de perenidade atribuída a Deus, sua infinitude temporal também fica associada a este Universo que transcende todo alcance humano: “O universo infinito da Nova Cosmologia, infinito em Duração tanto quanto em Extensão, no qual a matéria eterna, de acordo com as leis eternas e necessárias, move-se sem fim e sem desígnio no espaço eterno, herdou todos os atributos ontológicos da Divindade. Entretanto apenas estes, os demais, Deus, ao abandonar o mundo, levou consigo”.

Isto já no tempo de Laplace, sem contar com as evoluções posteriores, principalmente através da teoria da Relatividade. Na Nova Cosmologia, Deus passa a ser uma “hipótese não necessária”, ou uma “inteligência supramundana”, no mundo descrito pelo Sistema de Laplace.

Mas para a humanidade, “céu” ou “mundo” ou “universo” e Deus sempre estiveram relacionados. Ter uma afiliação com o céu sempre foi uma forma de se atribuir imortalidade, e assim há a formação e sofisticação crescente de uma subjetividade humana que se relaciona com Deus segundo uma participação em Sua substância eterna. Esta busca de Unidade dá-se segundo o espaço e o tempo. O tempo é o fator integrativo principal na astrologia, pois há fenômenos que acontecem no mesmo momento no céu e na Terra.

Quanto ao espaço, há uma busca de integração de três realidades do espaço para o ser humano. Em primeiro lugar o espaço cósmico, circundante a tudo e determinante de fenômenos observáveis no espaço habitado pelo ser humano. Aí sempre se incluem o sol e a lua, sendo que esta dominava na “primeira esfera” do céu , abaixo da qual – no mundo “sublunar” – todos os fenômenos são transitórios, como Ptolomeu afirmou e São Tomás de Aquino aceitava. O Sol domina o ciclo mais básico para o ser humano, sono-vigília, relacionado ao fenômeno dia-noite.

A Astrologia afirma uma unidade entre este espaço cósmico e o espaço humano na superfície da Terra. Em seu segundo estágio, passa a buscar a unidade entre o espaço cósmico e o espaço social, compreendendo este uma habitação humana coletiva, com normas de relacionamento. As leis terrestres de relacionamento, a organização social, ficam metaforizadas no céu, segundo os mitos estruturados no Zodíaco e na ordem do Sistema Solar. O ciclo zodiacal representa não só o ano, mas o desenvolvimento das atividades humanas ali, assim como o próprio desenvolvimento individual humano dentro da coletividade. Metade do zodíaco tem predomínio de símbolos representando forças da esfera pessoal humana, a outra metade tem símbolos do aspecto coletivo da vida humana, e ambas se unem no ciclo sazonal do ano conforme o Zodíaco representa: são personalidades + atividades o que os signos representam.

Há um terceiro espaço que a Astrologia afirma estar integrado com o espaço cósmico e em consequência também com espaço terrestre: espaço pessoal, a princípio relativo a um corpo humano, e daí temos o desenvolvimento da Astrologia Médica. Com o passar do tempo e com o desenvolvimento da subjetividade que acaba por culminar no narcisismo do mundo ocidental, a astrologia passa a relacionar-se também com o espaço subjetivo, que não deixa de ser entendido como radicado no corpo humano, mas com possibilidade de transcendência dessa forma material. Cria-se ou afirma-se a noção de espaço psíquico, que acaba por ser integrado no sistema dos outros espaços, de onde a Psicologia contemporânea afirma ser ele o verdadeiro fator integrativo, no sentido em que a compreensão humana do Universo se estabelece criando teorias e modelos deste Universo, que tendem a revelar tanto a respeito do ser humano em si e sua estrutura psíquica quanto é possível para elas revelarem a respeito do Universo. Pois a teoria vai ser limitada segundo o limite objetivo do ser humano, enquanto o Universo ainda pode ser infinitamente complexo. Compartilhando ideias com Jung, o físico Wolfgang Pauli, Prêmio Nobel, acaba por escrever em 1952 um livro com este onde trata da influência dos arquétipos nas concepções cosmológicas de Johannes Kepler.

Quando o ser humano não se limita para compreender, por força do medo do desconhecido, alcança uma amplificação dos seus conhecimentos, mas sempre nas ideias envolvidas aí há a força de um arquétipo “constelado” do inconsciente coletivo. O conhecimento humano avança, não só em função de acumular informações, mas em função de uma transcendência mental de velhas teorias que foram úteis e que tornaram-se limitantes. Esta “velha teoria” passa a ser reveladora dos limites da psique humana, um “conteúdo do inconsciente coletivo projetado num objeto consciente”.

Diante disto é preciso dizer mais uma vez que a astrologia hoje ainda é uma busca de integrar áreas que são divididas na ciência contemporânea. Existe Cosmologia, no uso que faz do espaço cósmico. Existe Psicologia, em função dos mitos relativos a planetas, signos e outras constelações. Existe Cronobiologia, pela afirmação de ritmos circadianos, circamensais e circanuais. Existe Ecologia, e aqui a primeira das ciências se torna reconsiderada a partir desta contemporânea que neste fim de milênio ganha caráter de fundamental. A Ecologia estuda a vida no meio-ambiente, e neste sentido integra a observação dos fenômenos da vida na Terra, que relacionamos como sendo um dos três espaços humanos.

Com a Psicologia finalmente atingimos a esfera do espaço subjetivo humano, que é quem dá verdadeiramente o caráter de “unus mundus” para toda realidade vivida nos três espaços comentados. Através do mito (e do rito) encontramos tanto a imagem de uma divindade ou semideus, quanto sua corporificação nos objetos e fenômenos cósmicos, como explicações de transformações na face da Terra, ao mesmo tempo históricas (no sentido linear) como segundo diversos ciclos. É característico da psique humana a busca de ordem e previsibilidade, através de uma integração na ordem universal observável. Mas a astrologia torna-se antipática para muitos cientistas por se confiar este caráter totalizante de suas explicações. As ciências contemporâneas, pelo contrário, dividem-se cada vez mais, especializando-se em certas “regiões” e reinos da natureza. Já a astrologia tornou-se descartada por estes cientistas, mas há na ciência a esperança de um dia se chegar a uma visão unificada do Universo. Na Física, a unificação da Mecânica Quântica com a Teoria da Relatividade Geral une a visão do mais ínfimo e diminuto da matéria com o mais vasto, os limites superiores do Universo para nós. A diferença é que agora se procura as formas matemáticas mais abrangentes, e o que se procura é partilhar do poder criativo do Universo – Deus para muitos – mas através de poder recriar, obter um domínio sobre a criação e a criatura. Há agora o máximo do desenvolvimento do “método científico”. Uma busca do domínio da ordem universal. Assim o ser humano tenta não mais se submeter aos ciclos naturais e à natureza.

Por outro lado há sempre na humanidade uma busca de “reintegração” na natureza, uma busca de pertencer a esta ordem cósmica. O que pode propiciar isto ao ser humano é antes o pensamento mágico, que busca afinar a realidade humana com a realidade cósmica. Temos hoje a busca da concepção “Holística” e a “Teoria Geral dos Sistemas” como formas contemporâneas desta busca. Vemos aí o valor da Astrologia como uma antiga tentativa “unificadora”. Adquire sempre um caráter religioso, mais em relação à natureza do que em relação a uma divindade invisível.

É este o “pensamento selvagem” de que fala Lévi- Strauss. É relativo à magia, mas o autor não o classifica como incompleto, nem como impreciso ou “pré-científico”, mas como paralelo ao pensamento científico.

É claro que neste sentido a astrologia tem em si ciência e magia, e esta ciência se expressa tanto no aspecto Astronomia quanto no aspecto de documentação e medidas estatísticas sobre eventos “sincrônicos”, físicos e psíquicos. O pensamento mágico atua no momento de levantar relações de analogia entre duas ordens de realidade. Há uma ordem de eventos que é psíquica e outra que é física. Para o astrólogo, os eventos físicos estão no céu e os psíquicos na vida do atendido. Mas na devolução das informações que se faz ao atendido há uma inversão, pois os eventos de sua vida são para ele concretos, objetivados (ainda que o psicólogo possa ver aí conteúdos psíquicos projetados no ambiente), e os planetas e signos são tratados como uma ordem de eventos subjetiva, pois interpreta-se a atuação antropomórfica desses, segundo características mitológicas. Aí está a complexidade da astrologia, que causa tantos mal-entendidos. Para atender, o astrólogo usa do céu como significante de fatores psíquicos do sujeito, mas para estudar o céu enquanto constelações, planetas, astros, etc., este é tido como significado através de ideias mitológicas.

E o conhecimento astrológico se constrói nos dois sentidos, há uma busca de simetria entre os eventos terrestres e celestes. Quando por exemplo descobriu-se Plutão em 1930, o primeiro nome escolhido para o planeta seria Percival Lowell, seu “calculador”. Mas acabou por vingar o nome mitológico do deus das profundezas da Terra, nem tanto porque as iniciais do astrônomo, PL também são as letras iniciais de Plutão, mas porque ele ocupava as “profundezas” do Sistema Solar e sua obscuridade é relacionada a uma obscuridade do abismo terreno, o Hades, morada dos mortos. Hades era um deus “invisível”, como o planeta que só é percebido por nós com o radiotelescópio. Assim, ao interpretar Plutão nos Mapas astrológicos atuais, os astrólogos falam de características mitológicas do deus para compreender fenômenos psíquicos da vida da pessoa. E continuam pontuando a atuação do deus segundo sua posição e movimentos celestes enquanto planeta.

2.5. A importância do momento do nascimento

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Existe a questão de saber qual é esta hora exata do nascimento, e porquê é o nascimento tão definitivo de características psicológicas. Dentro de uma visão científica materialista, só se pode considerar importante a hora da formação do ovo, ou fecundação, pois ali já se definem as características biológicas do indivíduo. Mas aqui exatamente se vê o quanto a astrologia quer referir-se a uma ordem psicológica de fenômenos, pois dá mais importância ao momento de nascimento do que o de fecundação.

No nascimento há uma série de fenômenos biológicos que são ao mesmo tempo psicológicos, caracterizando que nascer é “morrer” para uma forma de vida em outro meio e dependente de um cordão umbilical que traz nutrientes e um sangue sem arterial, e passar ao meio aéreo através de uma canal estreito – que pede um esforço tremendo do feto. Otto Rank, psicanalista, escreveu sobre o “trauma do nascimento” e não foi bem aceito por seus contemporâneos, até que as recentes observações da Psicologia Transpessoal sobre a fenomenologia da vida intrauterina e do parto vêm reafirmar a importância crucial do processo de nascimento na formação das bases psicológicas do ser humano. Já Melanie Klein afirmou que “Podemos supor que a luta entre os instintos de vida e de morte já está sendo travada durante o nascimento…”. Indo além da afirmativa da Psicanálise que traumas e complexos formam-se desde a “fase oral”, passando pelas fases “anal” e “fálica”, a Psicologia Transpessoal afirma que traumas existentes aí já são consequência de traumas ou ainda na vida intrauterina ou no processo de parto. Através de milhares de observações de regressões de memória induzidas por altas dosagens de LSD, Stanislav Grof pôde determinar que há quatro “MATRIZES PERINATAIS BÁSICAS”, (MPBs), relacionadas com as quatro etapas do nascimento:

MPB1- União primária com a mãe,
MPB2- antagonismo com a mãe,
MPB3- sinergia com a mãe,
MPB4- separação da mãe.

Para o autor, toda caracterologia e toda psicopatologia têm suas bases numas dessas quatro etapas.

Ora, um Mapa astrológico, sendo feito para o momento da primeira respiração, teria relação direta com a última MPB, mas carregaria também em si informações sobre o acontecido nas últimas horas antes do nascimento, portanto sobre as MPBs anteriores. Principalmente as duas últimas horas antes do parto, que correspondem à “Casa” ou “Setor” 12 do Mapa Astrológico. Esta que é o último setor resultado da divisão em 12 do dia, se contado no sentido anti-horário a partir do Ascendente. Porém é anterior ao Ascendente espacialmente como pode-se ver pela Figura 12, e é de fato onde os planetas “nascem” . Corresponde ao Setor 1 no sistema de Gauquelin. É uma Casa tradicionalmente referida a “inimigos ocultos” e “inferno zodiacal” (sem dúvida em função das formas traumáticas de parto predominantes no mundo ocidental). Numa visão contemporânea, já se definiu esta Casa como “grande karma” no sentido de destino, e também “inconsciente pessoal”. Assim a Psicologia clínica contemporânea acaba por reafirmar de maneira empírica a importância do processo e do momento do nascimento, que a astrologia sempre usou intuitivamente. Há ali uma matriz da estrutura psíquica do indivíduo, que o decorrer da vida pode reforçar ou transformar para pior ou para melhor, e esta matriz é relacionada com a “matriz cósmica” simbolizada no Zodíaco e planetas.

Mas é possível ainda que o Zodíaco, sendo uma simbolização das estações do ano, deva ser invertido no Hemisfério Sul , e é esta uma das hipóteses que testamos. Teremos então o estudo de “estações de nascimento” e não mais de signos “eurocêntricos”, que expressam o que acontece na região temperada Norte. Poderíamos também testar posteriormente o que ocorre em regiões equatoriais e nas circumpolares Norte e Sul.

2.6. Astrologia em segunda potência

E em qualquer estudo astrológico de uma época na vida de uma pessoa, é feita uma comparação entre este Mapa astrológico do nascimento e os movimentos planetários da época, buscando correlações entre os acontecimentos vividos e os contatos entre os planetas ditos “em trânsito” e aqueles do Mapa ditos “radicais”. Na teoria astrológica, a qualidade de uma vivência está tanto em função das características do fator “radical” envolvido quanto do fator “em trânsito” que o toca por aspectos, ou seja por ângulos especiais já comentados anteriormente.

Pode haver predisposições radicais que se confirmem pelos trânsitos numa dada época, e isto entra num ciclo previsível.

O chamado fator “radical” já não corresponde ao céu do momento, mas de alguma maneira é algo que o indivíduo carrega em sua estrutura psíquica, e é este fator que reage aos “trânsitos” do momento. Para compreendermos isto precisaríamos traçar o caminho da atuação de um planeta no planeta Terra, fisicamente, daí na estrutura biológica do indivíduo, e finalmente observar as alterações psíquicas que provoque. Provavelmente há uma atuação sobre ritmos biológicos e sínteses hormonais relacionadas, como demonstra um artigo que relaciona tempestades geomagnéticas com incidência de depressão.

Há outros dois métodos para se estudar a vida presente de uma pessoa através do Mapa astrológico do seu nascimento, as “direções” e as “progressões”. Têm em comum o fato de se partir do próprio Mapa, onde suas Casas ou seus planetas são movidos segundo certas proporções. Por exemplo cada dia após o nascimento do indivíduo corresponderá a cada ano de sua vida. Há duas justificativas na teoria astrológica para esta prática. Uma é a injunção bíblica que diz que para Deus cada ano pode ser um dia, e outra explicação diz que:

“O cálculo ‘um dia igual a um ano’ baseia-se no fato… de que para o ‘eixo polar’- que simboliza o ‘EU SOU’ planetário – um ano é igual a um dia (seis meses de dia e seis meses de escuridão, teoricamente). Assim, se quatro minutos são análogos a um dia, e um dia é igual a um ano, então quatro minutos também correspondem a um ano – como é entendido nas ‘direções primárias’”.

Rudhyar afirma ainda que:

“todas as progressões e direções são puramente simbólicas, e este fato deveria ser bem entendido, pois é por ele que a teoria das influências planetárias se quebra totalmente – quando o termo influência é usado com o significado de emanação de raios ou ondas que atuam física ou psicologicamente sobre um determinado indivíduo”.

Há uma diferença em relação aos trânsitos, mas os astrólogos também usam de progressões e direções para compreender o presente ou tentar prever o futuro, em associação ou não com os trânsitos. Aqui nos abrimos novamente para o perigo da “profecia auto realizadora”, segundo a forma como um astrólogo faça previsões. Voltamos então ao aspecto puramente psicológico do funcionamento da astrologia, no qual estamos interessados. Veremos adiante o quanto a informação sobre si mesmo vinda da astrologia pode passar a fazer parte do autoconceito do indivíduo de maneira profunda, a ponto de fazê-lo responder testes de personalidade segundo estas informações. Veremos também, no entanto, que há pessoas de certos signos que são mais suscetíveis que de outros a este tipo de informação, o que não deixa de ser algo astrológico, ainda que possa ser somente cronobiológico.

Fator Astrológico

IV – O Experimento
4.1. A Variável

Escolhemos como tema da pesquisa a correlação entre o signo de nascimento e fatores de personalidade, em função de ser um estudo que abrange a maioria dos temas teóricos abordados, sendo também um experimento de replicação de outros feitos tanto no Hemisfério Norte quanto no Sul, permitindo comparações que cruzam variáveis psicológicas, biológicas e sazonais. Também este tema tem uma aplicação prática imediata em função da expressão social da Astrologia de Signo Solar no Brasil, sendo usada até mesmo por psicólogos como meio alternativo de teoria de personalidade, diagnóstico e prognóstico. Testamos afinal a validade de definições astrológicas da personalidade, segundo fatores de personalidade considerados gerais pela ciência psicológica.

No estudo que planejamos, buscamos inicialmente o dado astrológico do Signo Solar do nascimento para a correlação com os scores dos sujeitos na escala Extroversão-Introversão. Vamos continuar a série de experimentos feitos que relatamos, e com sujeitos nascidos no Brasil, podendo então testar as mesmas hipóteses. O nosso experimento seria inicialmente uma replicação no Hemisfério Sul do experimento de Rooij, Brak & Commandeur. Mas há uma diferença devido ao instrumento empregado, o 16 PF de Cattell no lugar do EPI.

Eysenck ao criar o EPI teoriza a extroversão como um FATOR primário de personalidade, enquanto Cattell ao criar o 16 PF o considera secundário, em função de compor-se de fatores primários. O que Cattell toma como primário para a extroversão, Eysenck toma como TRAÇO componente do fator. Eysenck considera inicialmente a extroversão como composta de dois traços primários, IMPULSIVIDADE e SOCIABILIDADE. Já Cattell a considera como somatória ponderada dos fatores: Afetividade + Dominância + Impulsividade (surgência) + Ousadia – Autossuficiência. Podemos relacionar a impulsividade descrita por Eysenck com a surgência e a ousadia descritas por Cattell, assim como a sociabilidade com afetividade e negativamente com autossuficiência. Já a Dominância (versus Submissão) teria uma relação de consequência com a Extroversão, em função do reforçamento social da atitude extrovertida.

Há na concepção cattelliana uma ênfase na sociabilidade e facilidade nas relações interpessoais como base da extroversão. Cattell baseia sua concepção na teoria da “suscetibilidade para a inibição social” , que “… supõe que o indivíduo excitável, por uma soma de base genética e experiência vital de baixa punição social, responde menos fortemente à inibição social.

Eysenck parte de uma teoria de “despertar cortical” (cortical arousal), que afirma que “…introversão é um produto do despertar cortical, mediada pela formação reticular; introvertidos estão habitualmente num estado de maior despertar do que extrovertidos, e consequentemente mostram limiares sensoriais mais baixos, e maiores reações à estimulação sensorial”. Daí compensatoriamente evitarem expor-se a muita estimulação ambiental, contrariamente aos extrovertidos típicos que buscam a estimulação do ambiente, ambos em busca do “estado ótimo”.

Evidentemente estes psicólogos colocam as causas básicas da extroversão na genética e na interação social, e não numa qualidade congênita da psique individual. Avaliamos aqui a possibilidade de um fator congênito para a extroversão em função da correlação: Signo Solar – Elemento – Temperamento – Fator de personalidade.

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VI – Conclusões

6.1. Discussão dos resultados e conclusões

Podemos perceber que não há o padrão dente-de-serra devido aos signos quanto à extroversão na amostra de brasileiros. Há apenas uma tendência a estabelecer-se o padrão dente-de-serra em parte da distribuição no ano. No Outono é nítido, e na Primavera há o padrão, ainda que acima da média. Apenas onde a média de temperaturas não tem grandes diferenças – no Outono e na Primavera – há uma semelhança com o padrão encontrado no Hemisfério Norte. Este fato reforça a hipótese de que o resultado para a extroversão é condicionado por componentes não astrológicos, sendo que parte deles são fatores sazonais e parte pode ser dependente da auto-atribuição.

Podemos perceber também que a inversão climática de inverno e verão afeta mais os teoricamente extrovertidos: temos meio do inverno/Leão com o escore mais baixo de extroversão entre os signos ímpares, já meio do verão/Aquário tem o escore mais alto entre estes. Isto deve-se muito ao fator Afetividade, como pode-se observar no Gráfico IV.

Um Fator Sazonal

O fator Afetividade sofre forte influência sazonal, e isto contesta a teoria astrológica tradicional, que prevê e efetivamente aplica uma igualdade inter-hemisférica. Este resultado replica o encontrado por Fourie na África do Sul, quanto à extroversão. Aqui encontramos o mesmo apenas com uma componente da extroversão (que também condiciona grande parte do resultado para a extroversão: todos os signos do Inverno estão abaixo da média, como todos do Verão estão acima, ainda que isto não tenha sido significativo); e é exatamente a escala que pode ser definida como “Frieza – calor humano” (“warmth”), com correlação positiva com o frio e o calor do ambiente físico.

Temos aqui algo não previsto pela teoria astrológica, porém muito dentro do tipo de raciocínio analógico da astrologia: “…o que nasce ou é criado num dado momento adquire as qualidades deste momento.”, escreveu Jung ao apontar o valor da ideia astrológica.

Há uma coincidência muito significativa entre este traço de personalidade que julga a pessoa segundo uma qualidade “ambiental” e o que realmente ocorria no seu nascimento. Ainda que o nome da característica tenha sido construído socialmente – pois Cattell iniciou sua análise fatorial com o dicionário – esta não ficou dependente das atribuições, mas de uma observação real do próprio comportamento social. A auto-atribuição pode também ter atuado aqui, como se vê pelos resultados do outono em dente-de-serra, mas não foi mais forte que a influência sazonal.

Só que ao aplicarmos no Hemisfério Sul a Astrologia como é estabelecida na teoria ao invés de seguirmos este raciocínio estamos sendo eurocêntricos, como em outras coisas de nossa cultura “transplantada”.

Um Fator Astrológico

Mas o fato do padrão dente-de-serra ser encontrado quando não há extremos de diferença de temperatura mantêm a hipótese de que possa haver um fator astrológico em ação, ainda que possa ser devido fortemente à auto-atribuição.

Para distinguir uma causalidade astrológica possível da causalidade da auto-atribuição, seria necessário replicar o segundo experimento de Rooij, no qual esta variável é controlada.

Mas há no nosso experimento um resultado post hoc que pode nos auxiliar na busca deste fator, que é o padrão dente-de-serra significativo quanto à “Habilidade geral cristalizada” ou Inteligência. Há apenas dois signos fora do padrão, Caranguejo e Virgem, relativos ao começo e ao fim do Inverno.

Quanto a este fator, podemos dizer que tem baixa ou até nula dependência da auto-atribuição. Como é medido por questões de raciocínio, mede um desempenho efetivo num dado período de tempo. Ter mais ou menos habilidade de abstração mental pode até ser resultado final de uma auto-atribuição de capacidade, mesmo assim esta variável com esta distribuição no ano não é prevista na teoria astrológica. Indo além podemos afirmar que as questões de raciocínio do teste medem também uma capacidade de concentração mental para lidar com abstrações. Há portanto uma correlação negativa com a extroversão, ou pelo menos com uma componente mais básica desta. Se unirmos estes fatos, podemos lançar a ideia de que os signos pares não são necessariamente mais inteligentes que a média, mas são mais “concentrados” , o que pode ser um fator componente ou de alta correlação positiva com a introversão.

Os resultados para Habilidade geral cristalizada não dependem no entanto somente da extroversão segundo medida no teste, pois vemos que no inverno há signos menos extrovertidos que a média, que no teste de habilidade geral também tiveram desempenho discretamente abaixo da média. Este resultado replica outros encontrados na Inglaterra e na Índia – usando as Matrizes Progressivas de Raven – onde os nascidos no inverno têm resultados abaixo da média. Isto leva à hipótese de que o frio ambiental possa trazer prejuízos à capacidade de desempenho mental, ou seja há alguma consequência cerebral do frio ambiental. Pode estar ligada a um fator biológico como déficit nutricional e/ou a fatores psicológicos como pouca estimulação pelos pais nos primeiros meses de vida devido ao frio. Trata-se de algo que pode ser corrigido, mesmo que as diferenças encontradas não sejam sinais de um déficit grupal extremado: ainda que as diferenças entre os grupos sejam significativas estatisticamente, não excedem a faixa considerada como média na padronização do 16 PF.

Há portanto algum fator com correlação positiva com a extroversão como medida no teste e de correlação negativa com a intensidade de concentração mental, que pode ser um fator “astrológico” em sua origem. De fato a teoria astrológica não diz diretamente sobre extroversão e introversão (pois estes termos são mais divulgados no nosso século, principalmente por Jung), mas afirma que Fogo e Ar dão um temperamento EXPANSIVO, Água e Terra dão um temperamento CONCENTRADO, em analogia coma as imagens desses elementos. Seria também um fator “primário” ou de “primeira ordem”, próximo da “busca de sensação” de Zuckerman.

Podemos observar que este fator hipotético não é totalmente independente das médias de temperatura nas estações, pois tanto quanto à habilidade geral quanto à extroversão há uma quebra do padrão no inverno.

Podemos supor que este fator não definido tem uma base genética, já que tanto a extroversão quanto a inteligência têm forte carga genética – a qual define aproximadamente 81% da variância desses fatores na população. Assim até mesmo a auto-atribuição funciona dentro de certos limites – provavelmente genéticos – também entre nascidos no Hemisfério Sul, em concordância com o segundo experimento de Rooij.

Mas qual seria a origem deste fator? Zodiacal – e portanto físico – ou psicológico?

Considerando a origem do Zodíaco e sua divisão em quatro triângulos dos Elementos como psicológica – pois não tem base em nenhum fenômeno físico observado, podemos supor que o fator “astrológico” teve origem psicológica. Mas interagiu com algum ritmo biológico sensível às variações do campo magnético da Terra (sensível ao Sol, e localmente ao comprimento do dia). Este ritmo divide o ano em quatro etapas correspondentes às quatro estações, porém foi subdividido e ajustado intencionalmente no decorrer das gerações – e transmitido geneticamente – em função da teoria astrológica.

O fato de a ovulação ocorrer em média 12 vezes ao ano poderia dar uma base biológica para a alternância do fator na população. Porém sua base biológica ainda não é conhecida.

Só que este fator dependeria também da atitude consciente para atualizar-se em sua carga fatorial na extroversão: A auto-atribuição completaria a definição dos tipos potencialmente extrovertidos ou introvertidos. Rooij demonstrou em seu segundo experimento que há o padrão dente-de-serra entre holandeses que acreditam em astrologia, e não entre os que não acreditam, e provavelmente este é um dado que percorre todas as pesquisas usando questionários de autodescrição. Como também descobriu que os signos ímpares (Fogo e Ar) são os mais suscetíveis à informação sobre si mesmos vinda de fora, podemos concluir que há uma predisposição de funcionamento da personalidade segundo teorias ou “mapas de realidade”, e há no caso uma necessidade de “afiliação celestial” motivando a cognição. Há então uma estrutura “epigenética” para a correlação entre a base biológica da extroversão e o autoconceito construído socialmente.

Aqui retornamos à ideia de que a Astrologia cumpria e ainda pode cumprir para muitos um papel de “mapa de realidade” que responde a vários anseios profundos do ser humano, em função da consciência de nossa fragilidade – biológica e psicológica – individual e de nossa mortalidade. Há uma busca de aplacar ansiedades paranoicas e depressivas em relação ao mundo e ao futuro, inclusive o futuro pós-morte, em função de sua ideia básica da alma como composta da mesma luz das estrelas. A Astrologia é fruto de um desejo básico da consciência: imortalidade.

Há um anseio de “cosmificar” a vida humana, tão profundo que pode ter condicionado todos – e mesmo criado alguns dos – nossos ritmos biológicos.

Há, na busca de explicação do funcionamento da astrologia, desde autores que interpretam os planetas e signos como referências concretas de forças psíquicas na maioria inconscientes, como Jung, até autores que interpretam as mitologias como personificações de fenômenos cósmicos objetivos, como por exemplo a formação do atual Sistema Solar. Dentro do materialismo temos a necessidade de explicá-la pelos movimentos e fenômenos objetivos dos planetas, que foram “antropomorfizados” na mentalidade infantil da humanidade. Dentro do idealismo do qual Jung participa, chega a pensar que os arquétipos são “psicóides”, ou seja, estão ao mesmo tempo compondo uma ordenação da psique humana e dos sistemas cósmicos equilibrados. Se os arquétipos são projetados nos astros, é porque eles se prestam perfeitamente para isto, e o organismo humano está em escala harmônica com o “organismo” Sistema Solar. Podemos entender a astrologia também como uma Física dos arquétipos. (enquanto a alquimia acaba se constituindo uma antropomorfização de substâncias e fenômenos químicos.)

A astrologia lida com um conjunto de símbolos que interagem de forma dinâmica, segundo as proporções e ritmos do céu visível para nós. Há uma totalidade psíquica, englobando consciente e inconsciente, que também é um sistema auto regulador organizado em torno de um centro, como a totalidade celeste englobada pela Esfera Celeste. Há um “mundo interno” na acepção mais ampla, que pode ser entendido como fruto de uma projeção da psique inconsciente no mundo externo e posterior introjeção tanto consciente quanto inconsciente deste mundo. Os sonhos e seus cenários demonstram que este processo existe.

Resta uma questão, filosófica em sua essência, sobre a verdade do benefício desse conhecimento para a vida humana, em vista de poder servir a uma ilusão ou a uma alienação.

Para muitos cientistas a Astrologia faz parte de uma visão de mundo já abandonada, pois mítica e “obscurantista”. No entanto, para Lévi- Strauss, o “pensamento mágico” persiste mesmo nas sociedades industriais contemporâneas, ao lado do “pensamento científico”. É possível que os seres humanos só recorram a ela em momentos de angústia e ansiedade, que propiciam o “abaixamento do nível mental”, passando a atuar então mais fortemente uma série de fenômenos psíquicos antes inconscientes, que não chegavam a ameaçar a supremacia da consciência. É possível que quando há muita energia psíquica ativando forças inconscientes, correspondentes no sistema nervoso humano ao nível subcortical, os ritmos astrológicos aí ainda funcionam, como um resquício de uma mentalidade arcaica.

Mas os astrólogos hoje podem errar por tomar o ser humano contemporâneo como se fosse um grego ou romano daqueles tempos, e podem estar se aproveitando da boa fé das pessoas em períodos de crise psicológica.

Há uma crítica possível à astrologia tal como é praticada no Brasil, que nem viria da Psicologia, viria antes da própria teoria astrológica. Se seguirmos o raciocínio que criou o Zodíaco, baseando-se nas estações do ano, então de fato deveríamos inverter o Zodíaco para o Hemisfério Sul, e os resultados da nossa pesquisa apontam nessa direção. Além disso os resultados apontam para uma outra coisa que não a simples inversão do Zodíaco, segundo algumas escalas psicológicas estudadas. A “Astrologia” expressa uma antiga cultura mediterrânea e pode ainda ter um valor descritivo para nascidos por volta daquela região. Portanto não é recomendável seu uso – tal como é divulgada na mídia – no Hemisfério Sul como instrumento de diagnóstico e prognóstico psicológicos. Temos na Astrologia hoje um “instrumento de ‘auto-atribuição’ facilmente acessível”, só que com baixa correlação com fatores cronobiológicos e “cronopsicológicos” da personalidade para nascidos no Hemisfério Sul. Há uma representação social encobridora da realidade ecológica vivida aqui no Brasil, com inevitáveis coincidências casuais e parciais com o que pode ser observado.

As afirmações baseadas na Astrologia pode atuar fortemente nas pessoas que acreditam através da “sugestão psicológica”. É como se a ordenação celeste garantisse uma ordenação individual, e como se a antiguidade da astrologia fosse prova de sua profundidade e utilidade e não da incipiência de sua ciência. Há uma contaminação de um conhecimento científico com um sistema de crenças em si úteis para a ordenação da vida humana coletiva. “Transformar caos em cosmos” é diferente de afirmar que não há caos possível. A Astrologia pode então servir à mistificação, e contribuir para a alienação da consciência. O uso social da Astrologia no Brasil tem esta característica, e isto é corretamente denunciado por cientistas e psicólogos. Os astrólogos agem como adolescentes, afirmando “leis” e invocando “velhos sábios”, e sem embasamento científico julgam poder auxiliar os outros no autoconhecimento e na previsão das tendências do futuro. O desejo de onipotência turva a consciência objetiva.

Isto é diferente de se usar conscientemente da ordenação celeste para orientar um processo cuidadoso de autoconhecimento, através de um “simbolismo baseado em Astronomia”, como poucos “astrólogos” podem fazer.

O avanço da fronteira do conhecimento objetivo do Universo, para o ser humano, acompanha o avanço do conhecimento do universo subjetivo humano, que qualquer sujeito autoconsciente pode experimentar, sob as condições certas. Assim, do mesmo modo que Jung proclamava o “inconsciente coletivo”, “sincronicamente” era descoberto o planeta chamado Plutão, que na mitologia é o deus do mundo subterrâneo, invisível (como de fato é para nós, mesmo com os mais potentes telescópios ópticos). Também quando se descobriu o primeiro dos planetas transaturninos, Urano, em 1.781, houve uma Revolução Francesa e uma Americana, nas quais se proclamava a igualdade, razão, ciência, revolução industrial, para tirar o ser humano das amarras da matéria terrestre. E Urano é o Οὐρανός grego, avô dos deuses e da humanidade, amante e depois separado da Terra, mas que atua nos libertando dos grilhões desta, fecundando com seu poder criativo, segundo a teoria astrológica.

Assim, o mesmo avanço no conhecimento externo também alarga uma fronteira no conhecimento interno. Cabe a pergunta: será o planeta e seu modo específico de se “comportar” que induzem à descoberta de uma nova fronteira interior (uma nova forma de conceituar o ser humano), e uma forma mais abrangente que as anteriores ( um novo “céu” no cosmos seria um novo estágio de ser acessível à consciência), ou é a descoberta de um maior espaço interior – uma “revelação” de verdades ao ser humano, para transcender uma condição anterior – que leva a uma busca de uma nova fronteira no espaço que nos delimita? Vejamos, Urano só foi descoberto após a invenção do telescópio e a ideia (corajosa) de apontá-lo para o céu. Ou seja, a invenção de um instrumento humano propiciou a descoberta de um novo planeta (com o que outros tornaram-se possíveis), e este é associado com tecnologia, com a inventividade humana, na teoria astrológica. “As definições da realidade têm um poder auto realizador”, segundo Berger e Luckmann.

Poderíamos também entender que a busca de uma transcendência de um tipo de laço com a natureza e com o meio ambiente terrestre, com a revolução industrial, leva também à necessidade de romper com uma visão de mundo tradicional, limitada e limitante do afazer humano. Assim, poder olhar para o céu com o telescópio era também desafiar a autoridade do conhecimento da época, que dizia ter sido o céu criado num certo dia do Gênesis e estava pronto e perfeito, tal qual se apresentava aos olhos nus, para deleite humano e para marcar datas e rotas.

Era uma ruptura de paradigma. Encontro a solução da questão na postura integradora, onde o homem se revela e revela o céu que o cerca, como marcos sísmicos da evolução da espécie humana na Terra.

A forma de ciência praticada no Ocidente desde o século XVII não tem quase nada em comum com a forma de ciência que está na Astrologia, pois esta é uma explicação humana para os movimentos da realidade, mas também explica a realidade humana, assim como é sua própria expressão. Sendo assim, só pode ser eternamente inacabada.

Assim, há um nível de funcionamento da astrologia que pode ser apreendido pelo pensamento causalista, e só no nível biológico do ser. Mas há uma outra forma de funcionamento que é pela sincronicidade, no espelhamento cósmico das imagens interiores da psique coletiva. Se há causalidade, esta é indireta, mediada pelo fator “consciência”.

Num nível ainda mais elevado , temos uma “astrologia” em eterna transformação, na busca de definições do Universo cada vez mais vasto, e esta “astrologia” é praticada hoje em dia por muitos astrônomos e cosmólogos, mas por poucos astrólogos.

Seus resultados teóricos e empíricos condicionam nosso “status cósmico”, auto atribuído. Aí não há causalidade, mas “influências” duplas: a consciência interage com o universo que conhece e situa a si mesma em função disso. Há no meio astrológico pouca clareza teórica a respeito da interação entre essas duas ordens de realidade. Por exemplo, muitos astrólogos nem sequer sabem que o Zodíaco é algo terrestre, e não constelacional (ainda que ambiental e ideativo ao mesmo tempo), assim como o fato de que temos ciclos hormonais associados aos ciclos astrológicos geocêntricos. Apegam-se a velhas formas e modelos, praticando uma Astrologia que é limitada ao ecossistema do Mediterrâneo. A rigor, se seguirmos o raciocínio astrológico originário, teremos então diferentes “zodíacos” segundo as regiões climáticas do globo terrestre. Este trabalho de realizar uma relativização da Astrologia ainda não foi feito pelos astrólogos. Mas um estudo da ecologia humana – que inclui sua relação consciente com seu ecossistema – terá um elo na Psicologia, e muito a aprender com as astrologias ao redor do mundo.

Como psicólogo posso afirmar que ao querermos prescindir de qualquer relação necessária da psique com a ordem do meio-ambiente físico, estamos mentalmente nos desligando excessivamente da natureza, e nos prejudicando com isto, pois de fato estaremos negando nossa própria natureza. Nisto a Astrologia e as ciências contemporâneas podem concordar. O fascínio das astrologias é compreensível, pois convidam e apontam para uma consciência cósmica, integrada e integrante do Universo.

unus mundus

ψ

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