O Sol e a Lua II

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A Outra Face da Lua

Sónia Guerreiro

Formação Dinâmica em Astrologia – Centro de Estudos e Investigação em Astrologia

Introdução

Desde tempos ancestrais que os nossos antepassados reconhecem o poder da Lua. Para além do efeito mais conhecido que ela tem na nossa vida, como por exemplo nas marés, não é coincidência que os povos antigos tenham utilizado os seus ciclos como calendário para as mais diversas atividades como a agricultura, o comércio e até mesmo a fertilidade, entre outras.

A cultura chinesa tem o seu calendário e eventos mais marcantes assinalados pelas fases da lua e posição do sol (lunissolar). Por exemplo, o ano-novo chinês começa na noite da Lua Nova mais próxima do dia em que o sol passa pelo décimo quinto grau de Aquário.

Com a evolução dos tempos, a influência que a Lua exerce nos nossos corpos começou a ser estudada e analisada. A forma como nos comportamos ou os nossos estados de espírito estão intimamente ligados, não só, mas também, às fases lunares.

Aprender a retirar o melhor proveito desta ciclicidade, agindo de acordo com a sua energia, representa podermos aproveitar o melhor de cada momento, contribuindo para um estado anímico mais saudável promovendo comportamentos mais harmoniosos com a energia da natureza.

Se estivermos em desacordo com estes ritmos onde a natureza marca o seu passo de forma ininterrupta e inevitável existem maiores probabilidades de frustrações e dispêndio de energia pessoal que de outra forma poderiam ser melhor aproveitados se estivéssemos a favor destes ventos, ou se quisermos, fases de mudança.

Assim, é objetivo deste trabalho falar um pouco sobre a Lua e as suas respetivas fases, contribuindo para a aprendizagem dos seus significados e utilização do seu ciclo como um contributo positivo para a concretização de objetivos pessoais.

Nota prévia

Neste trabalho apenas será abordada a análise da Lua e como utilizar o seu ciclo para promover um desenvolvimento pessoal sustentado. Contudo uma análise completa de um mapa astral não dispensa a consulta e análise dos restantes elementos, como a análise da Lua por elemento, posição e casa astrológica. Seguidamente a relação entre os dois luminares – Sol e Lua – de forma a analisar o componente físico e emocional, à qual devemos somar o ascendente e os planetas. Finalmente os aspetos entre o Sol e a Lua e os que se formam com os restantes planetas, entre outras metodologias de análise.

Os dados apresentados neste trabalho são analisados perante uma perspectiva astrológica e não astronômica.

A Lua

A Lua, em termos astrológicos é frequentemente referida como a Senhora ou Rainha da Noite, representando o princípio feminino, estando sob a sua alçada figuras como a Mãe, a Mulher, e outras figuras femininas presentes na nossa vida e que nos são verdadeiramente próximas, entre outras representações.

A Lua é a rainha dos astros, o Luminar Menor, e por oposição o Sol, o Rei dos Astros, o Rei do Céu e que representa o Luminar Maior. Tentar entender a Lua sem a sua contraparte, o Sol, não faz sentido, já que um e outro se complementam.

No mito grego dos gêmeos Ártemis e Apolo, a deusa Ártemis, associada à Lua astrológica, nasceu antes de Apolo, associado ao Sol, e ajudou sua mãe no parto do irmão. Isto significa que é a Lua que parteja o Sol, portanto, é o signo em que a Lua se encontra que mostra o que temos que realizar para poder fazer brilhar o nosso Sol, e consequentemente brilhar a nossa vida. Quando estamos insatisfeitos, infelizes, sentimos que a vida não vale a pena, então certamente não estamos a saber dar à nossa sua Lua a devida nutrição.

A Lua será a nossa natureza feminina, enquanto o Sol a nossa natureza masculina, por isso a Lua significa em nós, de acordo com o signo que está colocada, tudo aquilo que está por trás do que aparentamos, quais as reais motivações que nos movem em direção à nossa busca pessoal. O Sol é aquilo que mostramos, enquanto a Lua é aquilo que está muito bem guardado para não sermos feridos, pois ela aborda a nossa natureza sensível.

A Lua tem também muito a ver também com os nossos medos pois ela representa a nossa necessidade afetiva e é esta uma das nossas maiores vulnerabilidades. Tememos o que mais desejamos e se não atendermos nossos reais desejos por medos e receios, certamente a nossa Alma, significada pela Lua astrológica, vai definhar e o nosso Sol nunca conseguirá nascer e brilhar.

Através da análise astrológica da Lua apuramos:

– As nossas carências mais profundas.

– Os pontos altos e baixos pelos quais as nossas emoções passam.

– O potencial do nosso imaginário (porque a Lua também é um refúgio).

– Medos e obsessões.

– Comportamento em privado.

– O modo como interagimos emocionalmente com aqueles que amamos.

– Historial familiar, em particular a relação com a nossa Mãe.

– Dependências que afetam a nossa segurança.

– Relação com outras figuras femininas importantes da nossa vida.

– Áreas de vida que nos proporcionam satisfação emocional.

– O comportamento que aprendemos em criança e que nos afetam na nossa vida de adulto.

O ciclo de lunação

Enquanto a Terra navega pelo espaço, orbitando o Sol, também a Lua realiza o seu movimento em torno do nosso planeta. A dança entre estes astros designa-se por lunação, ou seja, um ciclo completo de diferentes fases da Lua, cuja duração aproximada é de 29 ½ dias, mais especificamente 29 dias, 12 horas e 44 minutos. O tempo decorrido entre duas Luas Novas é denominado Ciclo de Lunação.

Note-se que para efeitos deste trabalho apenas é considerado o período sinódico e não o período sideral da Lua, isto é, o tempo que decorre de uma Lua Nova à próxima Lua Nova e não o tempo da revolução zodiacal, sendo esse de aproximadamente 28 dias.

Dentro do ciclo ocorrem 8 fases se consideramos as divisões criadas pelos aspetos de 45 a 135 graus, embora apenas 4 sejam as mais difundidas: a Lua Nova, Quarto Crescente, Lua Cheia e Quarto Minguante, em que as mais importantes são a Nova e a Cheia, ocasiões em que o Sol, a Terra e a Lua estão alinhados.

As fases da Lua

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Lua Vazia de Curso

Na Astrologia, quando a Lua está num signo e já não existe perspectiva de fazer um aspeto ptolemaico (ângulos de 0º – conjunção, 60º- sextil, 90º – quadratura, 120º – trígono e 180º oposição) com outro planeta até ao final da sua passagem por ele, dizemos que ela está vazia ou fora de curso. É como se a Lua estivesse incomunicável.

A Lua nos diferentes hemisférios

As fases da Lua que observamos da Terra são causadas pelas posições relativas do Sol, Lua e Terra. A fase da Lua é definida pela percentagem do disco que é iluminada pelo Sol e que é visível da Terra. A face da Lua que vemos a partir da Terra é sempre a mesma devido ao seu período orbital, ou seja, ao mesmo tempo que a Lua gira em torno do seu próprio eixo (rotação) demora exatamente o mesmo tempo a girar em torno da Terra (translação): 28 dias. É essa sincronia que faz com que apenas um dos lados da Lua seja visível para nós.

Mas se a face da Lua é a mesma em qualquer ponto do planeta, as fases da Lua diferem no Quarto Crescente e Quarto Minguante, consoante o hemisfério de onde estejamos a observá-la. No hemisfério Norte a Lua é vista no Sul, e como tal o disco é iluminado no sentido horário. No hemisfério Sul, a Lua é vista no Norte e como tal o disco é iluminado no sentido anti-horário. Este fato deve-se simplesmente à diferença de ângulos sob os quais observamos a Lua.

As duas únicas fases Lunares comuns em ambos os hemisférios são a Lua Nova e a Lua Cheia.

Figura 3 – Os quadros aqui representados mostram a diferença das fases lunares quando vistas dos diferentes hemisférios. O quadro superior representa a vista do hemisfério Norte e o quadro inferior representa a vista do hemisfério Sul.

 A Lua no nosso mapa natal

Se o nosso signo solar é o mais conhecido e o mais fácil de identificar, já o Lunar requer alguns conhecimentos mais específicos. O nosso signo lunar reflete o nosso lado mais íntimo, mais reservado, quem nós somos verdadeiramente por dentro, expressando os nossos sentimentos e como lidamos como as suas emoções como já vimos anteriormente.

Mais do que saber onde está posicionada a nossa Lua natal, por casa e por signo, se acrescentarmos a informação sobre a fase em que ela se encontrava na altura do nosso nascimento isso já nos dá uma maior profundidade e ajudar-nos-á a recolher mais informações tendo em vista a compreensão do nosso caráter e nossa natureza emocional, motivações subconscientes, estados de espírito e atitudes perante relações com os outros, comportamentos e emoções na vida.

Quando entendemos o conjunto destes elementos é possível começar a perceber as nossas reações perante determinadas situações de vida e isso permite-nos adaptar o nosso padrão pessoal cíclico pelo qual passamos todos os meses. Desta forma podemos canalizar as nossas energias numa direção que nos seja mais vantajosa ao invés de lutar contra a maré.

E porque a Lua é o astro mais rápido de que dispomos conhecimento na análise astrológica, cujo ciclo se repete todos os meses, permite fazer mudanças ou adaptações dos nossos padrões a curto prazo que se irão refletir a longo prazo. Na prática ela movimenta-se 13º por dia, à razão de 1º a cada duas horas e percorre um signo completo em cerca de dois dias e meio.

Personalidade Lunar

Uma das primeiras coisas que podemos utilizar para aprofundar os nossos conhecimentos sobre nós próprios e sobre os outros na nossa imensidão emocional é descobrir a nossa personalidade lunar. Conhecer a fase lunar sob a qual nascemos oferece-nos um insight fabuloso sobre o nosso caráter, emoções, comportamento e motivações na vida.

Com este conhecimento em nossa posse podemos finalmente começar a entender as nossas respostas e sintonizá-las com o padrão cíclico que vivenciamos todos os meses.

Para isso necessitamos saber em que fase estava a Lua no momento exato do nosso nascimento. Essa informação é de caráter vital já que foi ela, entre várias, que configurou o nosso caráter no nosso primeiro fôlego de vida. Para conhecer a fase lunar correspondente ao nosso nascimento podemos utilizar dois métodos:

No 1º método podemos recorrer a um livro de efemérides e procurar na tabela a nossa data de nascimento, por ano, mês e dia. Em seguida deve-se identificar em que fase estava a Lua no dia em que nascemos de acordo com a regra:

– Se nascemos no primeiro dia dessa fase ou durante os dois dias e meio seguintes, então essa é a nossa fase lunar.

– Se por outro lado nascemos durante o período de três dias e meio anteriores a essa fase lunar em questão isso significa que pertencemos à fase lunar precedente.

A ordem das fases da Lua são as seguintes:

1. Lua nova
2. Lua Crescente
3. Quarto crescente
4. Lua corcunda
5. Lua cheia
6. Lua Divulgadora
7. Quarto minguante
8. Lua balsâmica
9. Retorno à Lua nova

Exemplo: Eva Perón, nascida em 7 de maio de 1919, às 5:14 (AM), em Buenos Aires, Argentina.

Dados Astrológicos: ☉15°46′ | ☽ 20°44 | Asc 02° ♉ 01′

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Dados Lunares do mês de maio de 1919 – Legenda: QC: quarto crescente | LC: lua cheia | QM: quarto minguante | LN: Lua Nova

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A fase lunar mais próxima da sua data de nascimento é o dia 6. Como o dia de aniversário de Eva Perón é o dia 7 então a fase lunar correspondente ao seu nascimento é o quarto crescente.

Evita, como era mais conhecida pelo povo, numa fase mais madura da sua vida ajudou os pobres, a classe trabalhadora explorada, as mulheres a obter o direito de voto na Argentina pela primeira vez em 1950. O país naquela altura estava um caos onde os ricos e corruptos detinham todo o poder. Evita falou pelos pobres, a quem apelidava “descamisados” e lutou por eles.

O 2º método dispomos para calcular a fase da Lua do nosso nascimento é através da observação direta do nosso mapa natal, desenhando secções de 45º ao longo do mapa, nesta direção:

Posição das fases da Lua e respetivos ângulos

Agora que já sabemos sobre a nossa fase lunar, vamos identificar o tipo de personalidade de acordo com a fase da Lua, ou seja, vamos descobrir mais do que a Lua por signo e por casa…

– Qual é a forma como enfrentamos os desafios emocionais e lidamos com eles.

– Quais as nossas motivações subconscientes.

– Quais são os nossos estados de espírito predominantes.

Tipos de personalidade

1. Lua nova

Quando alguém nasce nesta fase lunar a sua perspectiva de vida é entusiástica e fervorosa. São pessoas abertas e exuberantes que pensam e agem com espontaneidade. A sua personalidade é radiante e entusiástica. Encontra-se no seu meio quando se depara com ideias novas, iniciando projetos, concentrando-se em resultados positivos. A energia e ansiedade que sente no seu interior na prossecução dessas novas áreas leva-os a trabalhar incansável e empenhadamente, pelo que devem ter em atenção o risco de exaustão antes da concretização daquilo a que se propõem. A necessidade de se desapegar do passado nos faz mergulhar de cabeça em novas experiências. São subjetivas e idealistas, querem deixar no mundo sua marca.

Desafio: controlar o ritmo a que se entregam a tudo o que é novo na sua vida e encará-la com menos subjetividade.

Exemplo de personalidade nascida neste período: Clara Barton, fundadora da Cruz Vermelha americana.

2. Lua Crescente

Pessoas assertivas, com espírito aventureiro, joviais, curiosas pela vida e pelos seus mistérios. Derivado ao seu estado de espírito criativo, conseguem encarar os problemas através de vários prismas. Com este tipo de personalidade pode sentir-se dividido entre o convencional e o inovador. Podem encontrar algumas limitações na prossecução dos seus planos sendo necessário encontrar uma forma de ultrapassar os obstáculos.

Desafio: encontrar formas criativas de superação de obstáculos.

3. Quarto crescente

Pessoas positivas e com muita força de vontade. São física e mentalmente ativas, bem como expressivas, sempre em movimento. Manifestam um interesse saudável pelo que cruza o seu caminho. Têm uma mente ativa e inquisitiva, o que se alia a um espírito impulsivo de desafiar o status quo, podendo-se converter numa perspectiva menos positiva em pessoas exigentes e propensas à discussão. Contudo, de um ponto de vista positivo estas mesmas características fazem com que surjam novas ideias e soluções para estruturas em desintegração ou ultrapassadas. Geralmente são pessoas que crescem nas situações de crise pois tem uma enorme capacidade de enfrentar obstáculos e superar desafios.

Desafio: dominar os impulsos de desafio.

Exemplo de personalidade nascida neste período: Charles de Gaulle, cujo eixo principal da política internacional foi a independência nacional da França desafiando a ordem predominante

4. Lua Corcunda

Pessoas que partilham uma influência calmante, donos de uma natureza construtiva em que se interessam pelos outros, sentindo necessidade quase compulsiva de ajudar. Esperam ao longo da sua vida e trabalho conseguir contribuir, através dos seus meios, para um mundo melhor. E isso pode tornar-se numa “missão de vida”, de forma consciente ou inconsciente, pois elas pois anseiam oferecer valor e significado à sociedade, à própria cultura ou de um modo geral, à vida. A perseverança face a obstáculos irá conduzi-las à maturidade, trazendo assim uma sensação de concretização e iluminação.

Desafio: Evitar seguir as ideias com demasiada cegueira sem considerar outras perspectivas no caminho.

5. Lua cheia

Os talentos destas pessoas residem no facto de conseguirem resultados positivos nas iniciativas que levam a cabo dado esta Lua ser um meio ciclo, o que cedo começou a nascer culmina aqui. Há uma forte tendência para misturar o sentido da lógica com o instinto e a criatividade com o sentido prático.

Esta fase lunar atua também como uma espécie de ponte, ligando a pessoa com o passado, servindo para projetar-se a si e às suas ideias no futuro. Os relacionamentos são de extrema importância para uma pessoa de Lua cheia, ou então, no seu lado menos integrado, ela repudia os mesmos, exceção feita àqueles de carácter absoluto.

Conseguem elaborar o que foi vivenciado em experiências passadas e percebem como os seus relacionamentos são afetados por suas ações.

Desafio: aprender a controlar as suas emoções por si, sem dependência dos outros, especialmente os seus medos irracionais e sentimento de culpa.

Exemplo de personalidade nascida neste período: Rudolf Steiner, filósofo, educador, artista e esoterista. Fundador da Pedagogia Waldorf, agricultura biodinâmica e medicina antroposófica.

6. Lua Divulgadora

São pessoas que querem compartilhar com os outros aquilo que elas consideram ser significativo em sua vida. Divulgam suas ideias e partilham suas experiências, para que os outros possam aprender com elas. Visionários, são entusiasmados pelas suas descobertas e podem tornar-se defensores ferrenhos de seus pontos de vista. Uma personalidade deste tipo age normalmente como um divulgador de ideias, partilhando aquilo que mais o impressionou nos seus estudos, experiências e pode, por isso, tornar-se um verdadeiro cruzado.

São comunicadores e professores natos. Estas pessoas apresentam traços revolucionários na sua personalidade, que manifestam a sua vontade de mudar o mundo para um mundo melhor.

Desafio: encontrar um compromisso/equilíbrio entre as suas ideias e as necessidades dos outros. Tentar evitar a postura de evangelizador.

7. Quarto minguante

A compreensão destas pessoas e a sua maturidade e forma de estar na vida supera a sua idade, o que lhes confere uma excelente capacidade para aconselhar os outros. Ajudam os outros a orientar os seus pensamentos, a expandir a sua consciência, de modo a conseguirem ajudar os outros a resolver os seus problemas e organizar as suas vidas. Defendem seus princípios a qualquer custo, o que pode por vezes ser confundido com inflexibilidade ao invés de experiência de vida. Este tipo de personalidade é propenso a manifestar alguma nostalgia e melancolia pelo que é necessário concentrar-se no futuro para evitar o surgimento deste lado lunar.

Desafio: conjugar o seu idealismo com alguma flexibilidade.

Exemplo de personalidade nascida neste período: Mahatma Ghandi.

8. Lua Balsâmica

Esta fase é de transição. Uma oportunidade para refletir no que já se passou, resolver assuntos pendentes, avançar com uma análise introspetiva e preparar um novo começo.

As pessoas nascidas sob esta fase lunar têm uma personalidade sonhadora e contemplativa. São intuitivas, com um extraordinário sentido de visão. Possuem uma sensatez inata a par de uma compreensão mística em relação à natureza e à condição humana. A sua atividade é sempre mais espiritual que física e por isso envolve sempre muitas passagens: fins e começos. As pessoas com esta personalidade podem sentir-se invadidas por um “destino” social ou guiadas por um poder superior. Estão relativamente cientes que existe alguma coisa maior que elas próprias, maior que a sua individualidade.

São pessoas que experimentam alguns conceitos novos dentro de estruturas antigas. Plantam as sementes que possibilitam as transformações. São proféticos e totalmente voltados para o futuro.

Desafio: pela sua sensibilidade estas pessoas estão sujeitas a muitas mudanças a um ritmo que nem sempre controlam. Ao invés de resistir a cada uma, a sua aceitação fará parte da sua evolução pessoal.

Explorando o potencial da Lua no dia-a-dia

Agora que já conhecemos o nosso padrão emocional através do tipo de personalidade lunar, já dispomos de ferramentas para trabalhar um pouco todos os meses determinados comportamentos que desejamos alterar, melhorar ou aperfeiçoar conciliando a fase lunar do nosso nascimento coadjuvados pelas fases lunares atuais.

1. Lua nova

– Planear

– Recarregar baterias (corpo, mente e espírito)

– Definir novos objetivos

2. Lua Crescente

– Dar início a algo novo ou mudanças na sua vida (de preferência a situações sem antecedentes)

– Tomar iniciativas

– Agir

3. Quarto crescente

– Focar e comprometer-se com as tarefas que tem em mãos

Nota: O padrão que predominar na Lua Crescente é o que irá progredir durante todo ciclo lunar. É preciso, então, prestar bastante atenção à natureza deste padrão; se for positivo (crescimento do sucesso), se for negativo (crescimento dos obstáculos).

4. Lua Corcunda

– Eliminar e/ou ultrapassar obstáculos no caminho

– Começar a ver alguns progressos nas nossas iniciativas

5. Lua cheia

– Experienciar sucesso ou insucesso (fase das realizações e transbordamentos, para melhor ou para pior).

– Trabalhar as emoções já que as mesmas estarão ao rubro

– Praticar o nosso equilíbrio pessoal

– Período propenso a engravidar

6. Lua Divulgadora

– Colher frutos

– Relacionar-se com outros

– Preparar-se para um novo começo ou deixar para trás um plano falhado

7. Quarto minguante

– Deixar o passado para trás, desapegar de situações insatisfatórias

– Trabalhar nas nossas esperanças, objetivos e sonhos

– Indicada para rituais a fim de livrar-se do indesejável

– Introspeção e autoanálise (não insistir em assuntos ou projetos que não vingaram até agora. Aguardar por nova oportunidade na Lua Nova)

8. Lua Balsâmica

– Questionar o que foi feito

Lua Vazia de Curso

Na Astrologia, quando a Lua está num signo e já não existem perspectivas de fazer nenhum aspeto ptolemaico (ângulos de 0º – conjunção, 60º- sextil, 90º -quadratura, 120º – trígono e 180º oposição) com outro planeta até o final da sua passagem por ele, dizemos que ela está vazia ou fora de curso. Estes períodos ocorrem a cada 2 ou 3 dias e a sua duração varia de minutos a 3 dias, dependendo da posição da Lua em relação às posições do Sol e dos planetas. É como se a Lua estivesse incomunicável.

O fato de não fazer aspetos indica que o assunto iniciado durante a vigência dela não terá sustentação ou vai ocorrer de forma imprevisível, principalmente se algo envolver resolver assuntos que dependam da ação de outras pessoas.

Por esse motivo, atividades mais correntes, do dia-a-dia, e até mesmo meditativas ou relaxantes, são favoráveis na Lua fora de curso, enquanto as novas, que precisam de um impulso direcionado, podem-se tornar vagas.

A evitar:

* Compromissos que exijam decisões importantes

* Começar qualquer atividade cujos efeitos se pretendam a longo prazo

A Lua fora de curso não afeta:

* Algo que está a ter continuidade, o que já se conhece, o que já está implantado.

* É sentida ao de leve quando se está em casa ou no trabalho a realizar atividades rotineiras.

A Lua fora de curso favorece:

* Meditação;

* Expressão artística; ouvir música; escrever;

* Passeios na natureza

Sinal de que a Lua fora de curso está no ar:

* Tendência a atrasos. Marcamos um jantar com os amigos às 20h00, e o primeiro só aparece às 20h40, ou ficamos presos em engarrafamentos quando isso seria inesperado, ou as coisas simplesmente não correm como planeado, etc.

Exemplos de aplicações práticas

A Lua e a fertilidade

Partos, gravidez, gestação, concepção – estão todos sob a regência da Lua. É conhecido o impacto sobre a incidência de partos na troca de Lua. A Lua Cheia é a campeã na precipitação dos nascimentos. É muito difícil resistir à chegada da Lua Cheia quando as semanas de gestação já estão cumpridas ou próximas de se cumprirem.

Para quem tem ciclos de ovulação/menstruação irregulares recomenda-se um tratamento que siga a Lua de nascimento da pessoa para que a menstruação se regule assim naturalmente.

A Lua e a nutrição

Dependendo do signo em que a Lua se encontra os aspetos formados e a sua fase, até o tipo de consumo e a preferência de alimentos são alterados. Por exemplo: a Lua transitando no signo de Touro ou de Leão estimula o consumo de produtos de luxo; pães e massas também são preferidos quando a Lua se encontra em Touro. Já sabores picantes e condimentados ganham destaque quando a Lua está em Escorpião.

A Lua e as águas

As mudanças do clima – principalmente as chuvas – podem ser indicadas pela Lua. A presença de halo amarelado em torno do disco na fase de Lua Cheia é sinal certo de chuva. As próprias mudanças da fase da Lua são precipitadoras de mudanças de tempo.

A Lua e as emoções

A Lua dá o tom emocional do dia, causa grande impacto sobre o comportamento, o humor e o estado de ânimo coletivo. A sensibilidade, as reações e as flutuações emocionais das pessoas são em grande parte reflexos dos movimentos da Lua. As pessoas ficam muito mais bem-humoradas quando a Lua se encontra em Sagitário. Mais sensíveis com a Lua em Câncer. Mais radicais e desconfiadas com a Lua em Escorpião, e tagarelas com a Lua em Gêmeos. A Lua Cheia costuma ser catártica para as emoções e a Lua Minguante será a mais propícia para digeri-las e elimina-las.

A Lua e o público

A Lua não regula só as marés dos oceanos. Rege também as marés humanas. Os comportamentos de massa estão muito sujeitos às influências da Lua. A Minguante é desaconselhável para qualquer atividade que pretenda atrair um grande público. Para isto é melhor a Lua Crescente e mais que todas, à Lua Cheia. A Lua no signo de Áries é boa para atrair um público novo. A Lua em Gêmeos, um público eclético. Em Capricórnio conservador, exigente e seletivo. Em Libra, a audiência mais chique e requintada que existe.

A Lua e os negócios

Os negócios também recebem forte pressão dos movimentos da Lua. A flutuação do mercado financeiro é um típico exemplo de atividade que responde muito às influências da Lua. Para se começar poupança ou investimentos a Lua certa é a Crescente. Para se cortar despesas e eliminar dívidas, a Lua Minguante. Compra e venda de imóveis estão protegidas sob a boa influência de Lua e Saturno. Trocas em geral ou compra de equipamentos e automóvel andam bem sob a harmonia de Lua e Mercúrio.

A Lua e os relacionamentos

Durante a Lua Cheia é quando nos sentimos mais ávidos de relacionamento e ansiamos por um par. Mas as maiores crises também ocorrem nesta fase. É mais fácil terminar relacionamentos e se desligar dos nossos afetos na Lua Minguante. A lua em Escorpião predispõe a ciúmes e a sentimentos de posse e controle. Os bons aspetos entre Lua e Vênus que acontecem várias vezes ao mês são mais favoráveis para romances.

A Lua e a saúde

A Lua tem atuação decisiva sobre todos os líquidos do nosso planeta e do corpo.

Por esta razão, é aconselhável observar o comportamento da Lua antes de nos submetermos às cirurgias. Devido ao controle que a Lua exerce sobre os líquidos do organismo, pode inibir ou predispor inchaços, hematomas, edemas, hemorragias e interferir na qualidade e na duração do pós-operatório. A Lua Cheia é menos indicada para cirurgias e a Minguante a mais favorável. Quando a Lua se encontra nos signos de Touro, Escorpião, Aquário e Leão, há mais hipóteses de procedimentos estáveis e previsíveis em atos cirúrgicos.

Bibliografia
AVELAR, Helena e RIBEIRO, Luís. O tratado das esferas – um guia prático da tradição astrológica. Lisboa: Prisma Edições, janeiro 2015.
CLARO, Miguel. Astrofotografia – Imagens à luz das estrelas, Lisboa: Centro Atlântico, Ltda., 2012
HAYDN, Paul. A rainha da Noite – Explorando a lua astrológica. São Paulo: Editora Agora, Ltda., 1990.
MARCH, Marion D. e McEVERS, Joan. Curso básico de astrologia – Princípios fundamentais. São Paulo: Editora Pensamento, 1997-1999.
MEDEIROS, João. A carta. Lisboa: Lua de Papel, 1ª Edição – Outubro, 2013.
REID, Lori. A magia da lua. Lisboa: Editorial Estampa, Ltda., 2004.
RUDHYAR, Dane. O ciclo de Lunação. São Paulo: Editora Pensamento, 1992-93 The New International Ephemerides 1900-2050. França: Auréas Editions, 16ª Edição, 2011.
WELLs, David. O seu signo astrológico Lunar. Lisboa: Pergaminho, 1ª edição, setembro de 2012.

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O Percurso do Sol

 Guy Taillade, Ricardo França, Vinfredo Koch e Arlene Amorim

Diálogos: Organizado por Arlene Amorim

Em “Deficiências Mentais” mencionei que o Sol no signo de câncer está sempre lento de movimento. Fui buscar uma explicação astronômica para isso, e o que vou expor aqui é o diálogo entre três grandes astrólogos que gentilmente me ajudaram com essa questão. De antemão aviso que mantive o diálogo na íntegra, por considerar um belo discurso!

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Guy Taillade

Desde o tempo que a ciência astronômica e a astrológica são separadas – e faz muito tempo, já que Ptolomeu consagrou a uma e a outra, dois livros diferentes – é difícil encontrar em um livro de astrologia uma explicação deste movimento, assim como de muitos outros.

Logo, lendo sua pergunta, pensei que a explicação havia de ser no fato que no seu movimento aparente, o Sol circula entre uma declinação sul e norte em relação ao equador.

O que se encontra, como você escreveu interpretado de maneira simbólica, pelas cosmologias sagradas e pela astrologia, é o fato que o Sol quando chega a 0º de Câncer, para de subir para o norte (ele chegou a seu ponto máximo), como para de descer em direção ao sul quando chega a 0º de Capricórnio, enquanto ele atravessa a linha do equador duas vezes nos equinócios.

Mas quanto ao movimento anual total, é mais complicado e só lhe respondo depois de ter feito um pequeno inquérito que não foi fácil.

E estimo poder responder agora depois de ter lido num site onde se fala dos conhecimentos astronômicos dos pitagóricos o que eles já sabiam quanto irregularidade deste movimento anual do Sol e dou-lhe os números:

Os pitagóricos, tendo dividido o percurso anual do Sol em quatro quadrantes iguais, tinham notado cuidadosamente que o Sol percorre estes quadrantes em tempos desiguais, da seguinte maneira:

– 90 dias e 1/8 (3 horas) para ir do solstício de inverno (0 º de Capricórnio: são os dados do hemisfério norte para as estações) ao equinócio da primavera (0º de Áries);

– 94 dias e meio, para ir do equinócio de Áries ao solstício de verão do norte (0º de Câncer);

– 92 dias 1/2, para ir do 0º de Câncer a 0º de Libra (equinócio de outono no norte);

– 88 dias e 1/8 para voltar do equinócio de outono para o solstício de inverno.

Então conforme estes dados o movimento mais lento é de Áries a Gêmeos e é claro que em Câncer ainda está lento. De Libra até entrar em Capricórnio é que ele está “correndo”, digamos assim.

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Vinfredo Koch

Suponho que sua pergunta tenha correlação com os chamados signos de ascensão rápida e lenta. Como o Sol tem sua órbita no plano da eclíptica, e o tempo na Terra está diretamente relacionado à sua revolução em torno de seu próprio eixo — portanto, vinculado ao deslocamento do equador, cujo lugar geométrico é o plano equatorial, que faz ângulo de aproximadamente 23º30′ com a eclíptica — sabemos que astronomicamente, e matematicamente, o movimento do Sol varia conforme uma relação trigonométrica, ditada por sua projeção sobre o plano equatorial, que dita o tempo. Isto significa que a velocidade do Sol, de nosso ponto de observação, é variável, e consequentemente o passo do Sol – importante chave nas técnicas de direcionamento astrológico.

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Ricardo França

Ocorreu-me, relendo a dúvida do tópico, outra possibilidade alternativa (que ainda preciso confirmar com dados mais concretos e reais) e que pode explicar a diferença entre a verificação da Arlene, os dados pitagóricos que o Guy postou e com a explicação do Vin.

Existe um fator de variação quanto aos tempos de revolução solar aparente que não haveria como ter possibilidade de descrição astronômica até os tempos de Kepler.

O fato das órbitas planetárias serem na verdade elípticas em vez de circulares, com o Sol posicionado em um dos focos da elipse.

Kepler, ao investigar dados mais completos da órbita de Marte acabou postulando suas três leis em que uma delas diz que, além dos dados de modelamento do movimento planetário fecharem com elipses em vez de círculos, ainda descobriu que quando o planeta se aproxima de seu periélio (ponto da órbita em que o planeta se aproxima do Sol) seu movimento real ACELERA e quando este se aproxima do afélio (ponto orbital mais distante do Sol) o movimento se RETARDA e com isso a velocidade do Sol conforme vista no céu.

A órbita elíptica da Terra tem excentricidade bem baixa, como a de Vênus (ou seja, os focos estão bem próximos e a diferença de distância entre periélio e afélio é pequena, mas não desprezível), e por isso este tipo de efeito não é muito ostensivo, mas os pitagóricos como o Guy falou já tinham medido estas diferenças.

Agora porque poderia existir diferença entre os dados tradicionais pitagóricos e os experimentais da Arlene? É que o periélio TAMBÉM PRECESSIONA, isto é, o eixo periélio-afélio roda quanto ao círculo da elíptica e por isso a posição do Sol quanto ao fundo das estrelas fixas muda também. E apesar de isto não ter nada a ver com o efeito da outra precessão, a dos equinócios, que depende mais da inclinação do eixo de rotação da Terra do que da sua translação, é possível que os efeitos se componham de alguma maneira (o que mudaria os dados para a astrologia védica).

1ª Lei de Kepler – Lei das Órbitas

Os planetas descrevem órbitas elípticas em torno do Sol que está em um dos focos da elipse.

Representação de planeta genérico em órbita elíptica bastante excêntrica.

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2ª Lei de Kepler – Lei das Áreas

Em sua órbita, os planetas varrem áreas iguais em tempos iguais.

Representação de afélio e periélio de um planeta genérico.

No afélio a velocidade orbital do planeta é menor que no periélio.

Representação das áreas varridas pelo planeta no afélio e no periélio.

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3ª Lei de Kepler – Lei dos Períodos

A razão entre o quadrado do período orbital e o cubo do raio médio da órbita é uma constante k.

A Terra tem dois movimentos principais: rotação e translação. A rotação em torno de seu eixo é responsável pelo ciclo dia-noite. A translação se refere ao movimento da Terra em sua órbita elíptica em torno do Sol. A posição mais próxima ao Sol, o periélio, é atingido aproximadamente em 3 de janeiro e o ponto mais distante, o afélio, em aproximadamente 4 de julho.

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Guy Taillade

Pode haver diferença infinitesimal entre os dados pitagóricos e os de hoje, mas fundamentalmente são os mesmos.

A observação da lentidão do Sol em Câncer não está errada, mas apenas incompleta. Quando o Sol entra em Câncer é que ele está na sua velocidade (aparente) mínima. E a partir daí recomeça a aumentar devagarzinho.

Se bem que se olharmos, por exemplo, o ano de 2009, e pegarmos desde a entrada do Sol no signo de Áries até a entrada do Sol no signo de Sagitário, veremos o seguinte:

Para simplificar, pegando os números nas efemérides, peguei datas do início em que o Sol já está entrando nos signos em 0h GMT (posição das efemérides):

– 1º dia de Áries: o passo do Sol é de 59’36
– 1º dia de Touro: o passo é de 58’35
– 1º dia de Gêmeos: passo de 57’44
– O último dia de Gêmeos: passo de 57’16
– 1º dia de Câncer: passo de 57’17
– 1º dia de Leão: passo de 57’20
– 1º dia de Virgem: passo de 57’51
– 1º dia de Libra: passo de 58’45
– 1º dia de Escorpião: passo de 59’47
– 1º dia de Sagitário: passo de 1º 00′ 39″
– O último dia de Sagitário: passo de 1º01’07”.

Logo se vê que não há polêmica nenhuma. O que se pode dizer é que Câncer é o signo em que há a menor modificação da velocidade do Sol.

Por isto os antigos sempre falavam que é o momento de sua pausa.

Dá-se a mesma pausa ao contrário com o Sol rápido em Capricórnio:

– 1º dia de Capricórnio: passo de 1º01′ 06″

– 1º dia de Aquário: passo de 1º01’04”

E como expliquei acima:

(…) O que se encontra, como você escreveu interpretado de maneira simbólica, pelas cosmologias sagradas e pela astrologia, é o fato que o Sol quando chega a 0º do signo de Câncer, para de subir para o norte (ele chegou a seu ponto máximo), como para de descer em direção ao sul quando chega a 0º do signo de Capricórnio, enquanto ele atravessa a linha do equador duas vezes nos equinócios.

Assim, no signo de Câncer, a velocidade do Sol para de diminuir, e no signo de Capricórnio para de aumentar.

É o equivalente – simbolicamente – as duas estações dos planetas enquadradas no seu tempo de retrogradação.

Para a Lua existem duas possibilidades:

– o ciclo de latitude relativamente aos nodos;

– o ciclo relativo aos apsides, apogeu e perigeu (a famigerada Lua negra – ou Lilith – e o menos conhecido Priapo);

Lilith e Priapo não fazem parte da tradição astrológica, mas são merecedores de significados simbólicos espaciais.

Há ainda o ciclo de declinação, que se aplicaria a todos os astros, sem exceção.

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Vinfredo Koch

O que vemos, é que, próximo aos equinócios, quando ocorre a intersecção dos planos equador e eclíptico – o que define o ponto vernal, grau zero do zodíaco tropical – temos via de regra, maior velocidade e passo maiores, sugerindo que se utilize o passo real do Sol como a chave para direções mais precisas, é o passo do Sol no dia de nascimento do nativo.

Outro fator de variação de velocidade, bem lembrado pelo Ricardo, é que qualquer planeta, a terra inclusive, tem maior velocidade real, quando, em seu periélio, de sua órbita em torno do Sol. Coincidentemente, a maioria dos planetas, em seu periélio tendem a estar em maior velocidade, quando transitando pelos signos que regem, o que coincide com a afirmação de que o planeta em movimento rápido tem maior força (em seu próprio signo). Isso fica claro no caso da Lua, que em sua órbita eclíptica em torno da terra, não só fica maior sob o ponto de vista do observador, mas também tem maior influência geral. Nesse caso, em seu perigeu tem velocidade máxima e passo máximo. Sendo a Lua rápida, que dá ao nativo uma maior sensibilidade/percepção emocional.

Não sei se isso foi levantado, mas outro tópico interessante, seria o ciclo de repetição dos ascendentes nas revoluções solares, de um dado nativo, que está “amarrado” aos problemas de calendário, em função do número de dias de uma translação da terra em torno do Sol não ser inteira. Por isso, os ascendentes variam de ano a ano, mesmo com o Sol no mesmo grau, e alguns ascendentes acontecem muito mais que outros, e outros nunca ocorrem para um determinado nativo. Isso sendo explicado por questões astronômicas, tem, no entanto, um profundo impacto na personalidade do nativo, ano após ano, em sua jornada.

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Ricardo França

Procurando na wiki achei os dados da assimetria entre o número de dias entre o equinócio de março e o de setembro (186 dias) e o número de dias entre o equinócio de setembro e o de março (179 dias), mas que este não é devido à inclinação do eixo da Terra e sim à excentricidade da órbita mesmo. O periélio da Terra (passo solar mais rápido) nos tempos modernos acontece em 3 de janeiro e o afélio da Terra em 4 de julho (passo solar mais lento) ou seja, não são coincidentes os dias de maior e menor velocidade com os dias dos solstícios (que são em 21 de dezembro e 21 de junho).

Faz sentido então considerar o fato de que o retardar só acontece em um dos solstícios, pois o passo do Sol, como colocou o Guy extensivamente em forma numérica, é realmente mais rápido nos equinócios, mas só em relação ao solstício de junho, pois no de dezembro ele é mais rápido ainda.

O interessante é que na prática o hemisfério sul da Terra recebe mais radiação solar no verão quando comparado com o verão do norte, porque atualmente em janeiro a Terra passa levemente mais perto do Sol do que em julho, mas o maior volume de água nos oceanos no hemisfério sul ajuda a equalizar um pouco a distribuição de temperatura.

Ainda temos o que se chama de “precessão apsidal”: A variação que citei no meu post anterior da posição do periélio quanto ao fundo de estrelas fixas por uma “rotação” da órbita elíptica, a qual somada com o efeito da precessão equinocial dá uma variação de aproximadamente 1 dia a cada 58 anos no calendário anual, e cujo efeito é devido principalmente às interações com as órbitas de Júpiter e Saturno. Ou seja, em 58 anos os pontos de máximo e mínimo de velocidade do passo solar vão ser em 4 de janeiro e 5 de julho.

O engraçado para mim é que o efeito já tinha sido mapeado pelos antigos, mas não se tinha uma explicação aceitável antes de Kepler. Até que ponto esta assimetria seria relevante mesmo?

Deixa-me fazer uma retificação:

Na verdade, Arlene, a variação de 1 dia de deslocamento a cada 58 anos é uma variação média tomada por todo um período de mais ou menos 21000 anos. A mudança dos dias de calendário que marcam o periélio/afélio da Terra é bem mais caótica a curto prazo (devido às interações com os campos gravitacionais dos planetas maiores), o que quer dizer que a informação de que daqui a exatamente a 58 anos vai haver uma mudança de 1 dia certinho não é estritamente verdadeira (ainda mais depois de ter visto em tabelas que existem variações de mais de 1 grau em períodos bem menores que um ano). Ou seja, tem que se ver caso a caso, e de preferência com as efemérides nas mãos.

Mesmo levando em conta então períodos maiores, como o de 500 anos que você investigou estes só fazem variar o dia do tempo mais longo do passo solar no ano em menos que 10 dias, ou seja, devem continuar a ocorrer em Câncer os dias em que este retardo acontece mais intensamente.

Faltou dizer que a ordem de grandeza da variação deste efeito só acontece com a posição relativa do Sol, é claro, e sem falar em outros efeitos como o de mutação. Por exemplo, o resto dos planetas apresenta movimentos mais complicados na esfera celeste devido às suas composições de movimentos orbitais com o da Terra, produzindo todos os efeitos de retrogradação, atrasos e adiantamentos devido a cada caso destes, já que as órbitas de todos são também elípticas com excentricidades distintas, o que dificulta ainda mais a generalização. Daí vem a minha dúvida sobre a relevância destas variações no cálculo das Revoluções Solares. O que se usa é um valor médio do passo solar? Seria legítimo sobrepor o simbólico tão excessivamente sobre o real? Isso também vai de encontro à outra postagem do Guy que li expondo o sutil efeito da precessão equinocial sobre o Ascendente das Revoluções Solares, o qual já seria perceptível o suficiente para alterar as cúspides de forma significativa. Como isso seria trabalhado na védica?

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Guy Taillade

Ricardo,

“Seria legítimo sobrepor o simbólico tão excessivamente sobre o real?”

O que importa para um astrólogo não é sobrepor o simbólico sobre o real, mas encontrar o que o real tem de simbólico.

O símbolo é encontrado na natureza, como a forma que o planeta Vênus faz durante a aparente retrogradação de sua órbita (Vênus descreve um pentagrama quase perfeito com a sua rota pelo Zodíaco de 8 em 8 anos).

Porque definitivamente para mim o simbólico é o real que importa.

Não contraponho real e simbólico.

E, sobretudo não uso “simbólico” das várias maneiras que os modernos os usam, ou seja, às vezes com o sentido de irrelevante, só para fazer imagem, e às vezes, com o sentido de vontade pessoal, ou seja, totalmente humana, de significar algo.

Logo para mim não saio da explicação que já dei e que é simbolismo puro da relação do movimento do Sol entre duas portas, as portas solsticiais, uma correspondendo à porta dos homens (0º de Câncer), a outra a porta dos deuses (0º de Capricórnio). É preciso reler o mito, ou alegoria da caverna em Platão, ou Da Caverna das Ninfas de Porfírio.

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Ricardo França

 De fato, Guy, foi um uso apressado da palavra. O mais conforme ao que queria ressaltar seria a contraposição entre o simbólico e o factual, pois real é tudo o que para nós é efetivo de forma que se manifeste além de nossa percepção individual.

Projetar os símbolos mais amplos e profundos sobre os fatos astronômicos é um dos cernes da atividade astrológica. O que queria lembrar é que fatos descobertos recentemente podem (e devem, a meu ver) lançar novas perspectivas sobre o uso dos símbolos antigos, ou até demarcar melhor sua aplicabilidade.

Isso vale até para o caso dos transaturninos que por não serem meros pedacinhos de rocha como os asteroides e cometas, mas serem corpos (bem) extensos de características orbitais similares aos antigos, tinham que forçosamente levantar a questão da inclusão. No meu entender a definição da falta de suficiente “luz” que permitisse a consideração deles na estrutura antiga me parece contraditória com o uso de tantas outras técnicas que na verdade abstraem do que está efetivamente nos céus nos instantes de tempo de interesse (ou seja, são “não vistos”). Por exemplo, me lembro de composições simbólicas derivativas sobre fatos bem conhecidos como os das partes árabes, que não dependeram de nenhum fato novo e sim da composição/articulação das posições dos planetas antigos no mapa. Tudo depende de que definiríamos como efetivo (porque o real como você apontou vai além do factual).

O fato do ano não comportar um número redondo (inteiro) de dias, com um quarto de dia aproximado a mais, juntando-se a cada 4 em um dia extra nos anos bissextos, provoca um efeito real no levantar o Ascendente das Revoluções Solares, como lembrou o Vinfredo. Da mesma maneira se encara o efeito que você levantou sobre a precessão equinocial. Ambos são baseados em fatos já até muito bem conhecidos pelos antigos, mas aparentemente não muito bem explicitados pela tradição. Já o fato das órbitas serem elípticas é novo (apesar de seu efeito mensurável não o ser, como teu levantamento dos dados pitagóricos o mostra).

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Guy Taillade

Ricardo,

Creio que a visibilidade evocada no adágio pelo qual os astrólogos árabo-persas pisaram no tema da luz não é a visibilidade no momento de qualquer configuração, senão fica claro que num dado momento todo astro abaixo do horizonte é invisível, e de dia praticamente só o Sol e a Lua, quando já numa fase avançada da lunação, são visíveis logo que o Sol tiver nascido e enquanto não tiver se deitado.

Mas tem razão de dizer que a luz visível não é o único fator significativo de uma influência ou de um efeito em astrologia, mas também o que foi considerado significativo em astrologia desde seus primórdios resulta sempre duma relação entre fatores que, eles eram visíveis: caso das partes e dos nodos. Tudo que é matematizável e em movimento é também visualizável em seus elementos.

De fato, os planetas ditos invisíveis o são a olho nu e não poderiam ter entrado na astrologia e a questão que eles suscitam é de sua necessidade que não foi colocada em termos adequados antes de ser introduzidos, porque foram introduzidos até dentro de uma concepção que tomava a influência dos astros como causa eficiente (concepção que até hoje não encontrou nenhum apoio consensual).

Então não há como dizer que a astrologia era incompleta sem eles, como se diz de todas as ciências no sentido moderno, sempre incompletas e sempre completadas a cada descoberta.

Simbolismo não precisa de remendo. Comecei meus estudos de astrologia seguindo Rudhyar que fala abundantemente de novos símbolos. Mas isto é um discurso até algo sociológico, ideológico, não há jamais símbolos novos.

Símbolos são como os números, eles mesmos, aliás, com significado simbólico: quem poderia pensar que vai se encontrar um novo número (sendo que são simbólicos apenas os números inteiros e os fracionários N e 1/N e o 0).

O mapa é um espelho –Speculum astrologiae – ele revela a realidade, e quando falo do mapa é primeiro o mapa impresso na abóbada celeste.

Aceito a introdução de qualquer fator novo, a condição de o integrar num simbolismo imutável.

Então todo fator invisível tem seu lugar em astrologia, mas justamente como fenômeno de ocultação de luz, luz oculta. Isto também é simbolismo eterno.

Fica evidente que a modernidade é um tempo em que afloram sombras e chamar Urano, Netuno, Plutão de planetas da modernidade é um dos mais adequados títulos que se possa lhes dar.

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Ricardo França

 (…) em síntese o que queria dizer era que os símbolos devem representar aspectos “a priori” e desejavelmente comuns a todos os seres conscientes para que o sentido dos fatos seja dependente apenas da consistência do modelo e da percepção da aproximação da harmonia maior com as dissonâncias do nosso mundo sublunar. Mas que em última análise não acreditava numa correspondência plena, mesmo aceitando que a natureza busque uma convergência com os ciclos ideais.

No final lembrava de que existem outros ciclos factuais recém descobertos que podem ter alguma correlação simbólica, mesmo que aparentemente não tenham nenhum ponto de contato com o modelo simbólico. Um exemplo que me ocorreu foi o do ciclo de Schwabe de surgimento das manchas solares que além de se repetirem a cada 11 anos em média (indo de 9 a quase 14 anos a variação do período) não se correlacionam com outro ciclo astrológico. Neste caso existem efeitos muito concretos sobre os sistemas de telecomunicações, de bombardeio da magnetosfera, e alguns argumentam ter consequências indiretas até no clima. Já foram identificadas manchas de até 1/7 do diâmetro do disco solar (bem maior que a definição angular da posição Cazimi, por exemplo). Qual seria o simbolismo potencial disto?

Infelizmente se só nos ativermos ao que já assumidamente encaixa no arcabouço simbólico podemos perder de vista os pontos onde o modelo encontra suas fronteiras e com isso os pontos que poderiam ter um caráter de seleção de qual técnica é mais apropriada a qual situação.

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Arlene Amorin

“Que fique claro que jamais irei usar essa técnica sem me utilizar do conhecimento que os antigos astrólogos nos legaram, já que estes vislumbram enriquecer qualquer contexto astrológico”.

Acho necessárias essas ASPAS, na medida em que percebo que existem pessoas que ainda não compreenderam a finalidade deste trabalho:

O site existe para que o estudante de astrologia aprenda a explorar ao máximo uma mandala astrológica — além de tentar validar algumas técnicas, mas sinceramente, isso é o que menos importa para mim.

No mais, de forma alguma poderia, aqui, interpretar um mapa na íntegra, pois estaria sendo antiética com aquele que a mim ofertou seu mapa para estudo e, consequentemente, abriu-me sua vida.

Tenho absoluta certeza que aquele que é mais entendido no assunto astrológico percebe nitidamente aquilo que vejo, porém calo, além de entender os meus motivos. No entanto, muito do que calo está ricamente exposto no site do meu querido amigo Paulo Alexandre Silva, inclusive sobre filhos – assunto grave deste site -, isso para aqueles que já quiserem avançar no conhecimento da Astrologia Tradicional.

Agradeço sobremaneira aos colegas presentes nesta matéria! Sinto-me honrada pela presença!

A meu ver, isso é educar!

Ω