Almanaques Astrológicos III

Saberes e Práticas de Cura no “Lunário Perpétuo” de Gerónimo Cortés (1555 -1615) e sua Influência no Nordeste Brasileiro

Argus Vasconcelos de Almeida

Professor Associado do Departamento de Biologia da UFRPE

Introdução

O que se denomina de “medicina popular”1 apresenta-se como um conjunto de aspectos cognitivos, ideológicos, comportamentais e emocionais relacionados às práticas de cura e modificados historicamente. Daí ser imprescindível o conhecimento histórico de como se constituiu o que se denominava de “medicina popular”, aqui tratado na perspectiva dos conhecimentos da medicina astrológica e hipocrática trazidos pelo colonizador europeu, principalmente ao Nordeste brasileiro. Isto é, um conjunto de saberes e práticas de cura criados pela experiência e preservados pela tradição, os quais teriam sempre um espaço na cultura dos povos, muito antes do advento da medicina acadêmica.

1 A expressão “medicina popular” perdeu espaço e praticamente caiu em desuso em função de sua ideia de um saber construído em oposição a outro “racional”.

No século XVI, os assuntos relativos à astrologia não ficavam restritos aos estudiosos, mas foram difundidos popularmente através dos almanaques. Estas publicações começaram a se popularizar a partir do século XV. Receberam várias denominações (calendários, lunário, prognósticos). Na Península Ibérica o primeiro almanaque publicado em 1496 com este nome foi o Almanach Perpetuum do astrólogo judeu Abraham Zacuto.

O astrólogo podia possuir também um conhecimento sobre medicina. Entre os médicos do século XVI dizia-se que “O médico que não souber astronomia não poderá conhecer a causa nem tão pouco a doença”. Na gênese destas idéias encontra-se uma reflexão sobre a patologia baseada na teoria hipocrática dos humores humanos, na qual uma doença era concebida como um desequilíbrio dos humores provocado.

A representação do homem astral é a mesma das encontradas nos livros de medicina astrológica durante a Idade Média e que teve continuidade até o século XVI, até que a influência da obra de André Vesálio provocou o desaparecimento dela e o início da anatomia moderna.

A matriz destas concepções remonta aos antigos almanaques astrológicos manuscritos da Idade Média e principalmente aos mais recentes surgidos após o advento da Imprensa. Dentre estes se destaca o “Lunário Perpétuo” do astrólogo valenciano Gerónimo Cortés (1555-1615) publicado na Espanha em 1594, com o extenso título de “Lunario perpetuo, el cual contiene los llenos y conjunciones perpetuas de la Luna, declarando si seran de tarde o de mañana, con la pronosticacion natural y general de los tiempos” e cuja primeira tradução para o português data de 1703. Livro muito popular nas regiões rurais do Brasil nos séculos XVIII, XIX e na primeira metade do século XX, o Lunário é uma obra calcada em preceitos astrológico-hipocráticos inseridos em uma visão mágica de mundo muito em voga no Renascimento. A análise do seu discurso e desta visão de mundo na qual está inserido é algo de fundamental importância para a compreensão da mensagem dos almanaques de cordel. Esta obra se constituiu numa das principais fontes de leitura e consulta dos fazedores de almanaques é a obra que mais influencia os autores de almanaques.

O Lunário contava o ano por luas. Começa tratando das divisões do tempo e do mundo. Mostra a importância dos quatro elementos e dos astros (signos, planetas, sol e lua). Dá ensinamentos sobre plantas, árvores, animais, e sobre a vida dos homens e dos povos em cada mês, e sobre todos os planetas. Fala dos quatro humores do corpo. Dá atenção especial às idades da lua, suas conjunções com os signos do zodíaco e seus efeitos sobre o mar e sobre a produção dos mantimentos. Explica o que os signos têm a ver com o destino dos homens e das mulheres. Fala dos eclipses. Faz prognósticos sobre o tempo para todo sempre. Dá orientações práticas sobre purgas, sangrias e aplicação de ventosas. Dá explicações sobre saúde e doenças. Relata sinais de peste, de terremotos, de carestia; sinais de chuva, vento e seca. Ensina muitos remédios. Dedica algumas páginas ao Responso de S. Antônio e ao Agnus-Dei. O Lunário já foi muito usado no Brasil. Ainda se encontram exemplares do lunário entre o povo. Foi o livro mais lido nos sertões do nordeste durante uns duzentos anos. Era um dos livros mestres para os cantadores populares, na parte que eles denominavam “ciência” ou “cantar teoria” gramática, história, doutrina cristã. É responsável por muitas frases curiosas, ditas pelo sertanejo, e que provém de clássicos dos séculos XVI ou XVIII. O Lunário tinha para o sertanejo a força das “escrituras santas”.

No Nordeste brasileiro os almanaques circularam em grande quantidade. Havia o “Almanaque de Pernambuco”, de João Ferreira de Lima lançado em 1936 e que circulou até 1979, o almanaque de Manoel dos Santos chamado “Almanaque do Nordeste Brasileiro”, o Almanaque de Manoel Caboclo e Silva chamado “Almanaque o Juízo do Ano” e de José Costa Leite chamado de o “Calendário Brasileiro”, o “Almanaque do Nordeste” de Vicente Vitorino Melo e o “Almanaque do Cariri”.

Os almanaques de cordel apareceram no Nordeste em 1920, tendo sido “O Vaticínio e Prognóstico do Ano”, do paraibano José Honorato de Souza, o primeiro deles a circular regularmente no país. A ele se seguiram vários almanaques de outros autores e que proliferaram, principalmente a partir da década de 1930, quando os até então muito populares almanaques de farmácia sofreram certo declínio. Diferentemente dos almanaques de farmácia, publicações dedicadas mais ao entretenimento leve e à divulgação de curiosidades, os almanaques de cordel concentraram sua atenção nas atividades já acima mencionadas e mais diretamente ligadas aos interesses do homem do campo.

Marcante foi a publicação do “Lunário Moderno” ou “Manual do Nordestino”, pelo Dr. Israel, pseudônimo de Manoel Pereira Diniz, paraibano de Alagoa Nova, nascido em 1887, formado em Direito (1911), pela Faculdade do Recife, e que migrou para a terra do Padre Cícero, onde publicou livros (“Mistérios do Juazeiro”, 1935), fundou o Colégio São Miguel , e viveu até sua morte, em setembro de 1949. O “Lunário” do Dr. Israel tinha como proposta: “adaptar o Lunário Perpétuo” para o hemisfério sul da publicação espanhola, de 1701 (chegou em 1703 a Portugal). A ideia, oportuna, rendeu uma segunda edição “revista”, em 1945, com muitos erros de ortografia, acompanhada de uma nota da redação: “Este livro foi cuidadosamente composto de acordo com o original e disposições do autor”. Com sua leitura hermética, o “Lunário Moderno”, com a ideia de “perpétuo” de seu congênere europeu, limitava as possibilidades editoriais, perdendo espaço para os almanaques.

Capistrano de Abreu, historiador do século XIX, dizia não acreditar em padres, feiticeiros, filósofos ou coisa que o valha. Não abria mão, porém, de consultar o Lunário para informar-se sobre os desígnios dos astros. O grande autor norte-riograndense Câmara Cascudo morreu cego, mas com um exemplar do Lunário Perpétuo, edição de 1918, em cima do criado-mudo. Os cantadores de São José do Egito consultam, ainda hoje, velhíssimas edições do livro para versar seus desafios em gestas imemoriais.

Assim, o Lunário foi durante séculos o livro mais utilizado pelo homem do campo e curiosos sobre os astros e sobre como a Lua interferia na vida do homem. Um verdadeiro guia, a orientar o trabalhador em suas plantações, horóscopos e medicina caseira.

É objetivo do presente trabalho expor os saberes e práticas de cura presentes no Lunário (edição espanhola de 1768) e analisar a sua influência no Nordeste brasileiro.

Saberes e Práticas de Cura no Lunário

Algumas Advertências Astrológicas muito Proveitosas e Necessárias para as Sangrias

Quatro coisas devem ser observadas, segundo Avicena, para a sangria, a saber, o tempo, a idade, o costume, a virtude e sujeito do paciente. Mais adiante diz o mesmo Avicena, que se deve notar na sangria duas horas; que é a hora da escolha e a hora da necessidade. A hora da escolha há de ser depois de bem tarde do dia. Quando o estomago está livre da digestão e evacuado o ventre. Para esta hora escolhida são boas e necessárias as advertências dos doutos e sábios astrólogos. A hora necessária para a sangria é quando a enfermidade é urgente e pede sangria, como em uma febre muito aguda, uma esquinência, um frenesi e outras semelhantes, as quais não se admitem prorrogações, nem considerações astronômicas, porque estas enfermidades acabam com a vida do homem. Tendo, pois em conta a hora da escolha e as supostas regras dos peritos médicos acerca da idade, do tempo e das demais coisas, dizemos com Ptolomeu, no Centilóquio, que é coisa perigosa e temerária sangrar alguém estando a Lua no signo predominante da parte em que se vai fazer a sangria; que é muito apreciável, que seria ignorância não observar, para que não se experimente o que pode suceder, muito contrário as que se deseja.

Do Tempo Prejudicial ou Favorável para se Tomar Purgas

Uma regra muito observada pelos médicos experientes é proibir a medicamentos laxantes no excessivo calor do verão ou no maior frio do inverno. Isto é confirmado por Hipócrates no aforismo 5, onde diz que nos dias quentes ou frios não se devem tomar purgas.

Nas grandes mutações do tempo, diz Hipócrates que não se deve dar medicamentos e nem cautérios, nem se façam incisões nos membros, e estas mesmas regras devem ser observadas nos solstícios e equinócios. São de tanta importância estas considerações astrológicas para a medicina, que segundo o mesmo Hipócrates, não deveria haver médico que não fosse astrólogo.

O melhor tempo do ano para purgar é a primavera, para os que não tem extrema necessidade. É muito perigosa a purga, e ainda a sangria como foi dito, estando a Lua em conjunção e oposição com o Sol, e isto num dia antes e outro depois.

Não se devem tomar purgas estando a Lua em signos ruminantes, com Áries, Touro e Capricórnio; porque não se podem reter no estômago e são vomitadas, segundo é demonstrado pela experiência. Se por acaso se queira purgar através do vômito, a tal escolha será boa. Estando Leão ascendente, assim mesmo a purga é vomitada.

Sempre que a Lua se encontrar em signos aquosos será de bom efeito a purga; porém adverte-se que se a purga for bebida, convém que a Lua esteja em Escorpião, e se for bocado ou eletuários, a Lua deve estar em Câncer; e se for em pílulas, em Peixes e desta maneira os efeitos serão muito bons e salutares. Se purgar estando Júpiter em sua casa e no ascendente não terá efeito a purga e podem ocorrer consequências funestas e prejudiciais a saúde do enfermo, porque este planeta, dependendo da hora da purga, pode mudar a qualidade da enfermidade.

Tabela para saber-se quando as sangrias e purgas serão prejudiciais ou favoráveis e também em que parte do corpo terão domínio os signos e planetas.

Domínio dos Planetas no Corpo Humano

Saturno no braço;
Marte no fel;
Vênus nos rins;
Lua na cabeça;
Júpiter no fígado;
Sol no coração;
Mercúrio nos pulmões

Proveito de Algumas Sangrias feitas em Diversas partes do Corpo

No meio da frente está uma veia, cuja sangria serve para curar a dor de cabeça por antiga que seja, principalmente se a dor estiver localizada na parte posterior da cabeça. Seve também para as apostemas dos olhos, e enfermidades do rosto, como a morféia, lepra e frenesi. Em cada ângulo do olho se acha uma veia, cuja sangria vale para clarificar a vista e para todas as enfermidades dos olhos. No lábio superior, na parte de dentro, se acham duas veias cuja sangria vale contra toda doença dos olhos. Debaixo da língua, na parte funda, está uma veia cuja sangria vale para tirar a dor dos olhos, inchações do rosto, dor das bochechas, fedor do nariz e picadas. A sangria da veia cefálica é proveitosa para tirar a dor dos olhos e das orelhas.

Três veias se acham debaixo dos joelhos, cuja extração de sangue vale contra os apostemas dos rins. A veia safena, que se acha debaixo das clavículas das pernas, vale para tirar a dor das mesmas, e para o escorpião. O meio do dedo menor do pé, e do mediano, está uma veia que vale para tirar o apostema e a oftalmia. No fim do nariz está uma veia que vale para deter o fluxo de lágrimas. Debaixo das bochechas em cada uma das têmporas, está uma veia que sangrada vale muito para a vista. Duas veias estão debaixo da língua, no seu princípio, cuja emissão de sangue vale para esquinência e apóstemas. A veia comum do braço sangrada serve para tirar a dor de cabeça, do coração e pulmão. A veia basílica e hepática do fígado servem para tirar a dor de cabeça e reprimir o fluxo de sangue do nariz. No meio da cabeça está uma veia, cuja sangria serve para tirar a dor da enxaqueca e dor de cabeça. Duas veias se acham no prepúcio, na parte de dentro, que valem para a dor do coração. A veia que se acha entre o dedo polegar e o indicador da mão vale para evitar a dor de cabeça e olhos. A sangria da veia que está ente os dedos polegar e o mínimo vale para a dormência dos braços e grandes calores. Em cima das canelas

das pernas se acham duas veias chamadas ciáticas, cuja sangria vale para tirar a dor articular ou ciáticas e o fluxo de sangue. Detrás das orelhas se acham duas veias que sangradas servem para o mesmo fim e muito mais para a vista.

Algumas Eleições Astronômicas para a Sangria

Já que mencionamos o tempo prejudicial para as sangrias, será bom declarar também em que tempo serão benéficas e convenientes para que sejam de utilidade e proveito.

Nos coléricos é de muito proveito a sangria que se fizer estando a Lua em signos aquosos como são Câncer, Peixes e Escorpião nos quinze graus posteriores. Nos fleumáticos será de grande utilidade a sangria estando a Lua em signos quentes (exceto em Leão) como são Áries e Sagitário. Nos melancólicos convém sangrar no tempo em que a Lua estiver nos signos acres (exceto em Gêmeos) como são Libra e Aquário. Finalmente, nos sanguíneos se podem sangrar em qualquer signo em que se ache a Lua, guardadas as regras da Medicina e as advertências astronômicas, que foram ditas.

As ventosas podem ser aplicadas em qualquer signo em que se encontre a Lua, exceto em Touro. A causa disto é por passar a parte deste signo por certas Estrelas, que são da natureza de Marte.

Das Ventosas

A ventosa dada no meio da cabeça tira a inchação do rosto e ao redor das narinas e olhos. A ventosa nas espáduas vale contra a enfermidade dos peitos e nas nádegas vale contra as apóstemas das coxas. A ventosa dada em baixo do umbigo tira as dores do estômago. A ventosa nas coxas serve para aplacar as inchações e suas apóstemas. As ventosas nas panturrilhas valem para sanar as fístulas.

Dos Banhos

Não é menos importante em seu caso e lugar a boa escolha para o banho que para a purga e sangria; porém, é de notar-se, que o banho se toma por dois motivos, isto é, por prazer ou por saúde. Se for tomado somente por prazer bastará que a Lua esteja no signo de Libra ou de Peixes que a pessoa ficará limpa. Se os banhos se tomarem para alcançar a saúde, se há de considerar a enfermidade, se requer umedecer-se, com paralisia ou os que têm os nervos encolhidos, ou outros problemas semelhantes, convém aguardar que a Lua esteja em Câncer ou em Escorpião, ou em Peixes; porque são signos aquosos e a sua natureza é umedecer; porém se a enfermidade requer dessecamento, como a dos paralíticos, convém que a Lua esteja nos signos ígneos, como são Áries, Leão, Sagitário, cuja natureza é dessecar; e assim os banhos serão de grande proveito.

Razão dos Fluxos dos Astros

Não se pode negar, que as Estrelas e Corpos celestes, causem nos corpos humanos muitos e vários efeitos; e a Estrela ou Planeta que mais e maiores os causam, é a Lua, pela vizinhança que nos tem, como também pela variedade de suas mudanças. Diz, pois, Nicolau Florentino, que para julgar o sucesso da enfermidade, devem-se saber duas coisas: a primeira é o próprio dia que começou a enfermidade, ou que se sentiu o mal estar; e a outra, é o dia da última conjunção que ocorreu. Sabidas bem estas duas coisas, fielmente, se observarão os dias que decorreram desde o dia da conjunção, até o dia que começou a enfermidade. Sabido este número de dias, se buscará pela tabela seguinte e em frente daquele número se achará o sucesso da enfermidade. Note e advirta-se o leitor, que ainda que a Lua assinale e influa uma coisa, Deus nosso Senhor pode, e está em suas mãos ordenar outra muito diferente, e para que a regra fique clara e entendida, daremos um exemplo e seja que a 9 de abril de 1712, houvesse alguém caído enfermo: vejo os dias, que vão desde a conjunção próxima, e acho a de 6 de abril, com que de 6 a 9 vão três; e diz que aqui existe perigo até o 14º dia, depois melhora. Note-se que a conjunção da Lua próxima, sempre há de ser de antes do dia, em que se requer saber o acontecimento da enfermidade.

Acontecimentos das Enfermidades pelos dias da Lua

1. Se alguém adoeceu no próprio dia da conjunção da Lua se há de temer até 14, 21 e 28 dias de sua enfermidade, porém depois melhora.
2. Existe perigo até o dia 14, depois melhora.
3. Indica que com pouco trabalho ficará livre da enfermidade.
4. Denota grande perigo, até 21 dias, desde que se livre, sanará.
5. Denota enfermidade trabalhosa, porém não mortal.
6. Se não ficar logo bom, terá uma enfermidade trabalhosa; porém a 5 dias da Lua do outro mês ficará bom.
7. Logo estará melhor.
8. Se dentro de doze ou quatorze dias não estiver bom, estará em perigo.
9. Enfermidade grave, porém não mortal.
10. Perigo de morte antes de 13 dias.
11. Logo ficará bom ou logo se irá.
12. Se dentro de 15 dias não estiver bom, se irá.
13. Enfermidade trabalhosa até 18 dias, depois melhora.
14. Estará doente até 15 dias, depois convalecerá.
15. Se dentro de 4 dias não estiver bom, passará perigo de morte.
16. Padecerá até 28 dias e se sobreviver, sanará.
17. Saúde, se passar de 18 dias.
18 Se logo não sarar, a enfermidade será longa, com perigo de vida.
19. Terá logo a saúde, se tiver um bom regime.
20. Perigo de morte, até o sexto ou sétimo dia, depois melhora.
21. Se dentro de 10 dias não morrer, na Lua do mês seguinte, recuperará a saúde.
22. Dentro de 10 ou 12 dias estará com saúde.
23. Ainda doente, mas no outro mês estará bom.
24. Se dentro de 22 dias não ficar bom, a Lua do mês seguinte assinala perigo de morte.
25. Se dentro de 6 dias não morrer, com muito trabalho, ficará bom.
26. Grave e perigosa doença.
27. Sinal de que de uma enfermidade passara a ter outra.
28. Sinal de perigo de morte antes de 21 dias.
29. Sinal de que pouco a pouco recobrará a saúde.
30. Enfermidade trabalhosa, porém com cuidado e diligência, recobrará a saúde.

(…)

A Medicina Astrológica do Lunário e sua Influência nas Práticas de Cura do Nordeste Brasileiro

Os saberes e práticas de cura do Lunário se constituem numa compatibilização entre a medicina humoral, hipocrática, galênica e islâmica com a medicina astrológica de origem egípcia.

O destaque dado à sangria e a purga no Lunário, mostra o lugar central que ocupavam nas práticas de cura. Tal primazia atravessou os séculos. Os médicos ibéricos dos séculos XVI e XVII, nos tratamentos que dispensavam a qualquer doença visavam neutralizar a ação dos humores corruptos. Então, combatiam o mal-estar do paciente receitando regimes alimentares e medicamentos compostos de elementos com qualidades opostas às substâncias nocivas que dominavam o organismo ou através da sangria. Indicada no caso de contusões, dores reumáticas e inflamações, a sangria assumiu progressivamente a primazia do tratamento médico, tornando-se inseparável do repertório das práticas curativas. A obra de Galeno contribuiu decisivamente para esta orientação. Na sua concepção o sangue não fazia um movimento circular e sim centrífugo, convergindo para os tecidos sem retornar ao ponto de origem. Por não conceber a circulação do sangue, sua tese justificou definitivamente o emprego da flebotomia. Ao secionar uma veia, acreditava-se que o desvio do fluxo sanguíneo, do seu local de destino para a zona do corte, permitia que todos os humores danosos que entravam em contato com o sangue em sua jornada pelo corpo fossem recolhidos. A prática clínica desenvolveu-se rigorosamente dentro deste quadro. Prescrita por médicos e executada por barbeiros, a sangria impôs-se e manteve-se como a soberana das técnicas de tratamento.

Munidos de lancetas, bacias, pós restritivos para estancar o sangue, bichas (sanguessugas), ventosas de tamanhos variados para sangrias no pescoço e abdome, os barbeiros socorriam qualquer um. O procedimento da flebotomia era usado para expelir os humores danosos que atuavam sobre um ponto específico do corpo (evacuação), para desviar o fluxo sanguíneo e conduzi-lo para o lado oposto, evitando derrames na parte afetada (diversão), para levar o humor a uma parte específica (atração), provocando o mênstruo, por exemplo, e para modificar a qualidade do humor maligno predominante (alteração). Era empregado ainda para conservar os humores sãos, prevenindo uma enfermidade (preservação), e para amenizar dores ou baixar a temperatura do corpo, no caso de febres (aliviação).

A medicina ensinada em Portugal e Espanha da Idade Média ao século XVI baseava-se nos princípios da escola hipocrática e nos ensinamentos galênicos, divulgados na Península Ibérica quando passou ao domínio do Islã no século VIII.

Desde a formação do Estudo Geral, em 1290, na cidade de Lisboa, até o fim do setecentos, gerações de médicos emitiram diagnósticos e receitaram mezinhas, considerando que cada ser vivo ou bruto era resultado da composição de quantidades variáveis de terra, água, fogo e ar. Guiados pelos pressupostos da medicina antiga, entendiam que a combinação destes quatro elementos no organismo humano dava origem a quatro humores distintos: o sangue e a bílis amarela, produzidos pelo fígado, a fleuma, produzida pelo cérebro e a atrabílis (bílis negra), produzida pelo baço. Como suas qualidades originais o quente, o frio, o seco e o úmido estavam sujeitos a forças internas ou externas capazes de alterá-los, os pneumas, asseguravam que a origem de todas as doenças residia no acúmulo destes líquidos orgânicos em uma região do corpo.

Os médicos portugueses e espanhóis defendiam, tal e qual os antigos, que o organismo era portador de uma força curativa que lhe era inerente e, por isto, o próprio corpo procurava libertar-se espontaneamente dos efeitos nocivos de qualquer desequilíbrio humoral através de secreções. Deste modo, a fleuma, fria, úmida e transparente, era expelida pelo nariz, nos resfriados; a bílis, amarela, quente e seca, era expulsa pelo vômito, nas alterações digestivas; a atrabílis, escura, fria e seca, era excretada junto com as fezes, nas afecções intestinais, enquanto o sangue, vermelho, quente e úmido, se desprendia das feridas e acompanhava a expectoração das doenças pulmonares. Em outras palavras, a saúde era consequência de uma combinação humoral harmônica e a doença era o sinal de um desajuste, de uma ruptura neste equilíbrio natural.

Com o desenvolvimento da imprensa tornaram-se numerosas as obras de medicina astrológica, que havia surgido no Egito helenístico nos começos do século II a.C., e que supunha a correlação entre o macrocosmo e o microcosmo, o que implica não só em conceber a realidade humana como uma réplica diminuta do universo, mas também imaginar este até certo ponto antropomorficamente, a maneira de um gigantesco organismo humano. Aos planetas, aos signos zodiacais, aos decanos, se lhes atribuem umas qualidades peculiares que se transmitiam por eflúvios (em seus raios) ou por simpatia ao ser humano. Por uma série de procedimentos se realizou a “melothesia” ou repartição dos influxos celestes sobre o corpo humano, segundo três tipos: zodiacal, decania e astral. Os astrólogos pensaram todo um sistema de complicadas combinações geométricas entre os signos e os astros para determinar o tipo de influência zodiacal ou astral que dominava em cada homem.

Assim, estabeleceram que o Sol olha o estômago; Vênus os rins; Saturno os pulmões; Júpiter o fígado; Mercúrio os rins; Lua olha a cabeça; Marte olha o fígado.

Também relacionados com astrologia haviam os chamados selos, que consistiam em uma imagem astrológica dos signos zodiacais gravados em lâminas metálicas. Estas quando colocadas nas áreas afetadas se acreditava que produziam efeitos benéficos em seus portadores.

Existia toda uma disciplina, conhecida como melotesia, que se apoiava na ideia da simpatia universal, justificada pela presença em todos os corpos dos quatro elementos: fogo, terra, ar e água e a teoria do homem como um microcosmo, que seria a reprodução em pequena escala da ordem do universo. Em geral, quase todos os textos antigos coincidem nas seguintes descrições: melotesia zodiacal: Áries-cabeça; Touro-pescoço; Gêmeos-ombros; Câncer-peito; Leão-coração; Virgem-ventre; Libra-cadeiras; Escorpião-sexo; Sagitário-coxas; Capricórnio-joelhos; Aquário-pernas; Peixes-pés; melotesia planetária: Saturno, o ouvido direito, bexiga, baço, mucosas e ossos; Júpiter, o tato, o pulmão e a esperma; Marte, o ouvido esquerdo, rins, veias e testículos; Sol, a vista, o cérebro, o coração, os tendões e as costas do lado direito; Vênus, o olfato, o fígado e a carne; Mercúrio, a língua e a bílis; Lua, a parte esquerda do corpo, o gosto, o ventre e o útero.

Como resquício das concepções astrológicas na medicina, até hoje a gripe é chamada pelo termo italiano “influenza”. Na Idade Média o termo “influentia” era utilizado para explicar diversos sintomas atribuídos à influência dos astros na saúde e nas doenças humanas.

Escreve Campos que o nosso camponês continua a acreditar na influência dos fenômenos celestes nas perturbações do seu organismo. Os ensinamentos antigos a respeito dos astros, dos planetas e da lua, em particular, continuam chegando ao homem do campo através das edições do famoso Lunário Perpétuo, obra consultada e respeitada ainda hoje pelo sertanejo.

Afirma Rodrigues que é a partir da medicina grega que se pode traçar uma linha nítida de transmissão dessas ideias até a medicina popular brasileira.

Embora tenha recebido muitas contribuições dos diversos grupos negros e indígenas que participam da formação cultural do Brasil, ela é, em sua essência, um saber que veio com o colonizador português, sendo facilmente rastreado até a medicina praticada na Europa daquela época. Sua origem remota está no saber médico da Grécia antiga, na medicina hipocrática.

Os princípios da medicina hipocrática, especialmente a noção do equilíbrio como fundamento da manutenção da saúde, formam a base da explicação das doenças na nossa medicina popular. Conforme essa teoria, são os humores que, pelo equilíbrio de suas qualidades, devem manter o organismo sadio. A doença é a ruptura desse equilíbrio. Ela se instala quando uma das qualidades do corpo humano ganha predomínio sobre as outras pela ação de um agente interno ou externo. Essa condição varia de pessoa a pessoa; conforme prepondere a natureza quente, fria, seca ou úmida em cada indivíduo.

No século XVI, a medicina da Península Ibérica era o resultado de múltiplas influências: as crenças celtas, os princípios da medicina grega e romana, o uso das preces e bênçãos cristãs e as crenças mouriscas. A medicina baseada nas práticas gregas predominava nesse tempo das conquistas. Entretanto, ela não tinha chegado aos povos ibéricos diretamente de seus criadores, mas através do Islã que a aprenderam, desenvolveram e divulgaram, principalmente através da influência de alguns grandes médicos que criaram escolas importantes, como Rhazes (850-925) e Avicena (980-1037). Eles preservaram os saberes da medicina hipocrática, a primeira a mostrar que a doença tem causas naturais e que seu estudo e a ação médica correspondente não podem se limitar ao aspecto mágico religioso.

Por isso, o conhecimento popular sobre práticas de cura, doença e terapia continua ligado ao saber tradicional fundamentado em um dos princípios da medicina hipocrática: a necessidade de manter o equilíbrio das forças antagônicas que convivem dentro do organismo.

A concepção vigente no âmbito da cultura popular ainda é a da teoria dos humores e da correspondência universal do micro e do macrocosmo. Em tal concepção, o corpo humano, os vegetais, as estrelas, assim como tudo no universo, possui uma correspondência íntima e cifrada, que caberia aos homens descobrir. Os estados de humor, as estações do ano, as temperaturas, as condições de secura ou umidade, os órgãos do corpo, as secreções, os temperamentos humanos são interligados numa estrutura quaternária. Assim, segundo tais idéias hipocráticas e galênicas, cada alimento corresponderia a certo grau de calor e umidade que o tornaria adequado a certas pessoas, idades, doenças.

Um dos destaques do Lunário refere-se ao regime sanitário de Avicena, que na verdade são preceitos higiênico-dietéticos com forte repercussão nos hábitos alimentares da população nordestina.

Os hábitos alimentares são parte de uma teoria do alimento construída sobre três pares de oposições: “forte/fraco”, “quente/frio” e “reimoso/descarregado ou manso”, que exprimem uma relação percebida entre o alimento e o organismo. Em seu conjunto, tais pares de oposições exprimem uma oposição comum subjacente: aquela entre natureza e cultura.

De fato, “quente” e “frio” transcendem ao domínio dos alimentos.

Pode-se dizer que se trata de categorias cosmológicas globais onde se opõem o dia e a noite; o sol e a lua; o nervoso e o calmo; o racional e o emocional; a luz e a escuridão.

No Lunário pela primeira vez é citado um conceito de “reuma” quando se refere aos efeitos da “pimenta-negra” que “desfaz a reuma que se cria no peito” (Cortés, 1606) que tantas consequências teve (e ainda tem) nas noções sobre hábitos alimentares relacionados à saúde na medicina popular brasileira. Ao tentar compreender como funciona o sistema explicativo das doenças provocadas pelo alimento na medicina popular, nenhum conceito parece ser tão adequado quanto o de alimento “reimoso”. Ele está associado à classificação dos alimentos conforme os princípios da medicina humoral-hipocrático-galênica, mas é muito mais complexo que a classificação em quentes ou frios, fortes ou fracos, pois, enquanto essas qualidades são parte da natureza do alimento, o ser reimoso não o é. A condição de reimoso, atribuída a um alimento, não é permanente e não é a mesma em qualquer circunstância, como são as demais qualidades.

Ela nasce da relação do alimento com o organismo que o ingere e é só por essa relação que ganha sentido. Etimologicamente reima ou reuma origina-se do grego e significa a corrente de um líquido ou o fluxo de um humor orgânico, enquanto reimoso é definido como aquilo que provoca a reima. O que primeiro ressalta é o significado etimológico da palavra reima: sua associação à teoria dos humores para explicar as doenças. Assim, se reima é o fluxo dos humores, reimoso será aquele alimento ou atitude capaz de perturbar esse fluxo.

Assim, ss alimentos podem ser “reimosos” ou “mansos”. A “reima” um termo derivado do termo grego rheuma também designa “mau gênio”, é uma “qualidade” do alimento que o torna ofensivo para certos estados do organismo e em certos momentos da vida da pessoa. A reima, enfim, parece ser algo que existe na comida, mesmo no animal ou na planta de onde se origina a comida, e que atualiza a si mesma e ao seu equivalente existente no corpo humano quando ingerida.

Até bem pouco tempo, curandeiros, boticários, cirurgiões-barbeiros e parteiras apareciam em grande parte dos textos que se dedicavam à história da medicina no Brasil como categorias difusas e quase sempre marginais. A maior parte dos escritos sobre o assunto contentou-se em repetir o discurso médico relativo à sua ação como atividades marcadas pela ignorância, pela superstição e pela ineficácia. Entretanto, na prática, ao longo dos três primeiros séculos da história do Brasil, apenas uma tênue fronteira distanciava o saber médico oficial dos saberes populares.

Além disso, ocorreram conflitos não apenas entre a medicina e suas concorrentes populares, mas entre os próprios médicos acadêmicos e as teorias explicativas da doença e das terapias que utilizavam, daí, como sustenta Witter, deve-se usar o termo “medicinas”.

As práticas populares de cura acabaram aparecendo, assim, em boa parte da historiografia, como pertencentes a um conjunto de atitudes “pré-racionais” e ilógicas, fruto de uma mistura de culturas (visto de forma pejorativa) e do “abandono” em que viveram as povoações brasileiras, especialmente durante o período colonial. Tais práticas ter-se-iam originado, para a maior parte dos autores que comentaram o tema da “falta” de médicos. Este fato teria feito com que estas fossem admitidas pelas autoridades, por certo tempo, como um “mal necessário” à sobrevivência da população.

São estas ideias que vão compor o arcabouço teórico para se compreender

a medicina popular brasileira, destacando-se o papel de reprodução e permanência das noções veiculadas no “Lunário Perpétuo” de Cortés.

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Del Lunario Tradicional al Lunario Poético Religioso: Análisis Retórico y Comparativo

María Concepción López González

Tesis elaborada por María Concepción López González, Licenciatura en Lengua y Literatura Hispánicas. Universidad Veracruzana. 5 de marzo de 2014.
Dirigida por:
Dra. Guadalupe Rodríguez Domínguez

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Los Lunarios y los Pliegos de Cordel

Capítulo II

Los lunarios fueron publicaciones en prosa muy populares y abundantes en el ámbito hispánico durante los siglos XVI, XVII y XVIII. Las principales materias que se difundían en éstas eran ocho: filosofía, historia, geografía, economía, medicina, agronomía, astronomía y astrología.

En vista de que no existe una bibliografía especializada sobre la estructura y el contenido de los lunarios, me he dado a la tarea de identificar las materias que incluyen. En lo que respecta a la filosofía, el autor por lo general hacía reflexiones acerca del tiempo y su paso por los hombres, para adentrarse posteriormente en temas como el viento y la región etérea según lo estabelecido por filósofos como Aristóteles, Paladio5 Avicena y Plinio; se puede percibir que los autores conocían las obras de los filósofos puesto que son mencionados con insistencia a lo largo de los lunarios. Dentro del apartado de historia, se hace mención de los principales hechos histórico-bíblicos que marcaron la existencia del hombre y en la que se citan las edades del mundo; asimismo se señalan las fechas de acontecimientos que marcaron la historia de la Iglesia Católica (como los decretos que hicieron los papas) y se dice también quién y desde cuándo se instituyó la duración de ciertos sucesos como, por ejemplo, los días y la semana.

5 Paladio: Escritor latino del siglo IV antes de Jesucristo y de cuya vida nada se sabe. Nos ha dejado una obra sobre las labores del campo en las cuatro estaciones. La obra con el título de Agricultura, consta de catorce libros, el último de los cuales explica en verso el injerto de los árboles frutales y ha sido descubierto recientemente. Los otros libros alcanzaron gran difusión en la Edad Media.

En lo que atañe a geografía, destacan las descripciones del clima en todas las regiones de España; la división del tiempo en años, meses, semanas, días, horas, cuartos de hora y minutos; la descripción y definición de los fenómenos naturales como eclipses, equinoccios y solsticios; las estaciones del año y sus particularidades; las características de los planetas como su distancia y su ubicación y todos los fenómenos relacionados con la luna y cómo identificarlos.

Con respecto a economía, los consejos se centran sobre todo en la economía doméstica, pues se dice cómo conservar los alimentos en buen estado (desde frutas hasta bebidas), los objetos e incluso la salud. En lo tocante a medicina se explica en qué consisten y para qué sirven las ventosas, las sangrías y las purgas, elementos importantes para conservar una buena salud, así también se dice el mejor momento para realizarlas. Es recurrente en esta sección un apartado en el cual se establecen las maneras de saber si alguien enfermo vivirá o morirá, según tres médicos muy reconocidos: Guido Aretino, Bernardo Granullachs y Nicolao Florentino.

Dentro del apartado de agronomía se dan consejos a los agricultores basados en los conocimientos dejados por Paladio, Plinio y Avicena, para saber cuándo es la mejor época para sembrar las semillas de determinados frutos y vegetales. Se dan también recomendaciones para castrar animales, dependendo del tipo de tierra que sea, y se dice cuándo es la mejor época para trasquilar al ganado lanar.

En el área de astronomía se da en primer lugar, el concepto de universo según los griegos y los latinos; en segundo lugar se mencionan los distintos cielos que conforman el universo y por quién fue descubierto cada uno; luego se ubica a cada planeta en un cielo haciendo mención de sus principales atributos y su función.

En cuanto a la astrología, se hace un pronóstico de lo que sucederá con las personas y la influencia que los planetas, la luna y las estrellas (movidas por Dios)7, ejercerán sobre ellas, del mismo modo se describe su personalidad y las características fisionómicas que poseerán, teniendo en cuenta dicha influencia. Podemos observar a lo largo del lunario cómo los planetas no sólo afectan a las personas sino también a la naturaleza y a todo lo creado por el hombre. En el lunario, se describe también cada uno de los doce signos zodiacales y se explica cómo identificar el signo que le corresponde a cada persona de acuerdo con la fecha de su nacimiento.

7 En los lunarios serios, la constante alusión a Dios servía para evitar que las predicciones fueran tomadas como deterministas; con esto se colocaban los pronósticos bajo la voluntad divina y no de los hombres.

La mayoría de los lunarios estaban escritos en prosa debido a su carácter descriptivo. Todos los temas y materias son expresados mediante un linguaje sencillo y bien explicado; no se profundiza demasiado debido a que se trata de textos dirigidos a todo tipo de público y se hace especial énfasis en apuntar el cómo y el cuándo ocurrirán ciertos sucesos, sin embargo, el eje temático que rige a todo el lunario es la religión católica pues en todas y cada una de las materias siempre hay una alusión directa a ésta por medio de Dios, Jesucristo o la Biblia.

En todo lunario la luna es el eje en torno al cual se articula el discurso. Se trata de una entidad sumamente importante, mucho más que los planetas e inclusive que el sol, pues influye en la mayor parte de las actividades que el hombre realiza, desde el conteo del tiempo hasta la cura de enfermedades. Por esta razón la luna aparece constantemente en el texto, ya sea con la descripción de sus atributos o pronosticando sus efectos; de ahí se obtiene el nombre de la publicación: lunario.

El lunario fue un género editorial que tuvo mucho éxito por su estructura y en gran medida por la utilidad que tenía para las personas. Como se habrá podido observar, contenía una gran miscelánea de temas y por la claridad con la que se explicaban, podía ser comprendido y adquirido por cualquier persona.

Las publicaciones con mayor autoridad sobre pronósticos generales y lunarios eran hechas por personas que en su momento fueron consideradas “científicos”, gracias a los vastos conocimientos que poseían en materias como historia, geografía, astronomía, astrología, medicina, matemáticas y filosofía. Su deber era dedicarse al estudio del hombre, del mundo y de los astros basándose en la observación que hacían de los mismos y en los estudios existentes de otros autores. Ellos eran quienes se encargaban de realizar una astrología judiciaria; es decir, “lícita y permitida”. Sin embargo, así como existía este tipo de astrología también estaba su contraparte: una astrología “falsa y perseguida” que difundía creencias alejadas de la religión católica. Por este motivo los lunarios fueron muchas veces estigmatizados como mentirosos por personas cultas que se percataban de su intención.

El hecho de que existiera esta astrología falsa dio lugar a la existencia de parodias pues “la crítica a este tipo de publicaciones no sólo vendrá dada por las obras doctas, con argumentos más o menos científicos, sino que se situará en la misma línea de esas publicaciones, adoptando un tono paródico”.

Las parodias fueron realizadas en su mayoría por poetas de orden menor quienes tomaron la estructura de los lunarios originales para hacer sus propias creaciones, modificando la forma pues, mientras los lunarios estaban escritos en prosa, ellos los reelaboraban en verso; “las formas estróficas más usuales eran las quintillas, romances, romancillos, hexasílabos, redondillas y seguidillas”.

Varios de los autores de lunarios burlescos, por temor a ser reprendidos, escribieron bajo un seudónimo. Sin embargo, hubo otros también que imitaron la estructura del lunario para tratar temas sacros como fue Baltazar de Cepeda, poeta sevillano autor del Lunario y pronóstico general de las verdades que acontecerán en el año de mil y seiscientos y diez y siete, acerca de la limpísima Concepción de la Virgen María madre de Dios, y Señora Nuestra, concebida sin mancha del pecado original, motivo de este trabajo.

Análisis Retórico

Es bien sabido que la Retórica clásica se compone de tres géneros: el judicial, el deliberativo y el demostrativo; sin embargo, debe señalarse que durante la Edad Media, “a los géneros clásicos se añadirán las artes: arspraedicandi, arsdictandi y arspoetriae […] estas nuevas modalidades no son orales, sino que implican la escritura” y ahí es donde radica su importancia para este trabajo, cuya fuente es escrita, no oral y las artes poetrie “son tratados teóricos que conjugan preceptos gramaticales, métricos y retóricos cuya aplicación permitirá al lector sutil convertirse en un buen poeta”. Estos tratados establecen los elementos que servirán para la configuración del discurso. De los cuales, Azaustre y Casas señala la inventio, dispositio y elocutio.

Dentro de la inventio, se hallan los lugares de persona, como el nacimiento y la naturaleza, y los tópicos tradicionales de persona y cosa, entre los que se puede encontrar el elogio personal y la creación literaria; en esta última, se incluye la tópica del exordio y la tópica de la conclusión. La dispositio por su parte está dividida en tres: el exordium o parte inicial, en el que se encuentra la captatio benevolentiae, la narratio o argumentatio parte intermedia, y la conclusio o parte del final. Por último, en la elocutio se incluyen las figuras y tropos que el autor utiliza para que su discurso tenga una buena presentación.

Como he asentado, los lunarios en prosa se encargaban de pronosticar los principales acontecimientos que afectarían la vida de las personas; con ello se puede deducir, por medio del título de este lunario, que en él se dirán los principales acontecimientos sobre la Virgen María: Lunario y pronóstico general de las verdades que sucederán en el año de mil y seiscientos y diez y siete, acerca de la Limpísima Concepción de la Virgen María madre de Dios, y señora nuestra concebida sin mancha de pecado original.

Con el inicio del título puedo observar que estoy en presencia de uno de los tres géneros retóricos: el demostrativo; este género consiste en “alabar o denostar ante un público determinado”, y, como observaremos a lo largo del lunario, lo que se hace en él es exaltar las cualidades y principales virtudes y atributos de la Virgen María.

Continuando con el título, cuando el autor menciona a “la limpísima Concepción de la Virgen María”, hace alusión al misterio que durante varios siglos causó polémica entre los fieles católicos: el misterio de la Concepción de María, declarado como Dogma de fe por la Iglesia Católica en 1854 por el papa Pío IX mediante la bula Ineffabilis Deus en la que “se sostiene que María fue preservada inmune de toda mancha de la culpa original en el primer instante de su concepción por singular gracia y privilegio de Dios omnipotente, en atención a los méritos de Cristo Jesús salvador del género humano”. Hasta antes de que fuera pronunciado el dogma de la Inmaculada Concepción, éste sólo era misterio; sin embargo, para fines de este trabajo haré referencia a él como el dogma que actualmente es.

Siguiendo con el título, debo resaltar que están expuestos dos lugares de persona: el nombre y la naturaleza. Según Azaustre y Casas se deberá revisar si el nombre de un individuo podrá asociarse “a algún hecho o cualidad digna de alabanza o vituperio” y, como podrá notarse, al mencionar a María, se entiende por antonomasia que ella es la Madre de Dios y esto es una cualidad digna de alabanza; en lo que respecta a la naturaleza se incluirán factores como “si el individuo en cuestión es varón o mujer, extranjero o natural del país, viejo o joven […] en todos los casos se presupone una esperable conexión entre el rasgo de naturaleza y el comportamiento del individuo”. Explicado lo anterior, se puede advertir que la naturaleza de María es la de una mujer joven e inmaculada, y por el tipo de tarea que le fue encomendada, una mujer con determinación y fuerza, cuyo comportamiento se verá influido por la misión dada; es decir, ser la madre de Dios.

Los datos de impresión que le siguen al título arrojan información importante pues dan a conocer el lugar en el que el lunario fue publicado: Sevilla. Durante el siglo XVII, la producción de pliegos mariológicos en España fue abundante y con la discusión acerca del dogma de la Inmaculada Concepción aumentaron más. Un estudio realizado por la doctora Guadalupe Rodríguez muestra que un gran porcentaje de los pliegos mariológicos publicados en la primera mitad del siglo XVII está enfocado a defender la Inmaculada Concepción de María y el origen de gran parte de ellos es la región andaluza (donde se encuentra ubicada Sevilla), por ello no es de extrañar que en este pliego se plantee una postura a favor de dicho dogma.

El lunario que analizo posee la estructura que la retórica de Azaustre y Casas mencionan; es decir, tiene un principio, un desarrollo y un final, como a continuación se verá. La inventio es el principio y su finalidad es “establecer los contenidos del discurso […] el orador no se propone pergeñar ideas nuevas sino seleccionar en un catálogo perfectamente tipificado los pensamientos más adecuados para exponer su tesis”; en el presente lunario, se puede identificar esta parte en los primeros versos en donde se dice que es un lunario y compendio breve (realizado por un astrólogo católico) en el cual se pronosticarán la forma y la fecha en las que ocurrirán los sucesos que atañen a los fieles católicos (vv. 1-8, 29-32):

Lunario y compendio breve,
donde adivina a su modo
muchas cosas por venir
un pío, y moderno astrólogo.
Pío se dize, porque el tema
que toma en él es piadoso,
por hombre devoto hecho,
y hecho para devotos.
El Lunario pues presente
anuncia el cuándo y el cómo
de las cosas que vendrán
en favor de los piadosos.

En la inventio, dentro de la parte de los tópicos tradicionales de persona, se inscribe el elogio personal el cual está constituido por tópicos relacionados con la naturaleza y a los rasgos del personaje dignos de alabanza. Este tópico queda al descubierto cuando el autor deja claro que ya es viejo, por lo tanto, se deduce que su cualidad de anciano le brinda sabiduría y aunque no nació en el lugar de donde provienen los mejores astrólogos, no es motivo de preocupación, pues Dios se ha encargado de hacer astrólogos en todas partes y su longevidad debe ser también garantía de sus conocimientos (vv. 1320):

Yo soy éste, y soy Cepeda,
hombre viejo más que mozo,
y hombre que nací en Sevilla,
y en Cádiz de ningún modo.
Pero no será por esto
el Lunario mentiroso,
que criado a Dios también
fuera de Cádiz astrólogos.

La creación literaria es un tópico tradicional de cosa en el que se encuentran la tópica del exordio y la tópica de la conclusión. En la tópica del exordio, situada normalmente en la introducción de toda obra, se pone de manifiesto la causa de la misma pues “se trata de explicar las razones que han movido al escritor a elaborar y ofrecer su obra”; en esta obra el exordio se sitúa en los primeros versos, cuando se menciona de una manera clara y precisa que el texto es un “lunario y compendio breve” en donde se explica el tema a tratar y al mismo tiempo se menciona el público al cual está dirigido: los piadosos. El autor se cuenta como uno de ellos y de esta manera reafirma sus creencias pues es el motivo que lo llevó a realizar el lunario. En esta parte se reitera la invitación a la lectura al mencionar el hecho de que se hará un pronóstico “moderno”, es decir, fuera de lo común, diferente a los existentes y conocidos por el lector. Con esto Cepeda adelanta al público que presentará una innovación con su creación y con ello justifica su hechura (vv. 1-12):

Lunario y compendio breve,
donde adivina a su modo
muchas cosas por venir
un pío y moderno astrólogo.
Pío se dize, porque el tema
que toma en él es piadoso,
por hombre devoto hecho,
y hecho para devotos.
Y moderno, porque nunca
han hecho como él pronóstico,
los que pronosticar suelen
por los astros deste polo.

La tópica de la conclusión es contraria a la tópica del exordio, por lo tanto es deducible que se encuentra al final de la obra; sin embargo, pertenece, como se mencionó al tópico de la creación literaria y aún a la inventio. La tópica de la conclusión consiste en una fórmula utilizada por el autor para finalizar su obra; es una conclusión y “son ideas consagradas como justificaciones de la culminación de un acto de escritura”. Como se verá en este lunario tal tópica se hace presente por medio de un final abrupto, que es un tipo de conclusión tradicional; es decir, el autor se despide sin rodeos y concluye su obra (vv. 492-501):

Y en todos aquestos lances
que en estos versos propongo
fue siempre, es, y será limpia
esta Luna, bella en todo.
Porque con esto empecé,
y a dar fin con ello torno;
y si hay quien sienta al contrario,
al tal sólo le respondo
Dios sobre todo.

§

Una vez atendida la inventio, corresponde hacer el análisis de la parte intermedia del lunario: la dispositio, en ésta el autor deberá ordenar todas las ideas planteadas en la inventio de manera conveniente para que resulten persuasivas. Existen aqui dos elementos importantes en la configuración del discurso y son la narratio y la argumentatio. La narratio, según el Manual de retórica española que utilizo, consiste en “un exposición clara, verosímil y breve de la toma de postura del orador (tesis)”, mientras que la argumentatio “está integrada por um conjunto de razonamientos que sostienen la tesis defendida y refutan la opinión contraria”.

En el texto, Cepeda (el autor) se centra en exponer su postura respecto a la Concepción de María que, como ya dije en el título, es a favor (piadosa). Antes de la declaración del Dogma existían dos posturas respecto a la Concepción de María: la maculista y la inmaculista. La primer postura afirmaba que María había sido concebida y posteriormente santificada; los principales precursores de ésta fueron san Agustín, san Bernardo y santo Tomás y sus seguidores fueron los dominicos. La segunda postura era contraria a la primera, pues defendía la ausencia de pecado original desde el momento de la concepción de María debido a que su nacimiento fue planeado desde antes de todos los tiempos; esta postura fue defendida por Duns Scoto y los franciscanos.

La problemática del Dogma entre maculistas e inmaculistas explotó en el año de 1613, cuando en un sermón un fraile dominico pronunció que la Virgen fue primero concebida y luego santificada. Ante esta declaración los partidarios de la Inmaculada se encargaron de realizar solemnes procesiones en todas las parroquias y conventos de Sevilla, “a las que se unieron los gremios, las cofradías, las comunidades de extranjeros –flamencos, franceses, portugueses, genoveses, etc. –, así como los hombres de color -negros y mulatos- e incluso los infieles” como moros y moras; sin embargo, a este último grupo se le negó el permiso para realizar su propia festividad. Este pasaje histórico está referido en los siguientes versos (vv. 127-134):

Porque podrán gozar del
queriendo, franceses, godos,
flamencos, italianos,
afros, árabes y aun moros.
Pero será a pocos útil
este pan de quien depongo,
porque aunque se llame muchos,
habrá escogidos muy pocos.

La postura del autor respecto a la discusión teológica del Dogma de la Concepción queda descrita cuando se recapitula la situación vivida en la península con los alborotos y altercados surgidos entre los fieles defensores del dogma y los que estaban en contra, así también cuando hace referencia a los coloquios que mantenían filósofos y religiosos, discutiendo la pureza de la Concepción de María, y se presentan pruebas al lector de otros filósofos que discurrieron sobre el assunto “sin profundizar en disquisiciones de cada uno de ellos”, por lo que encontramos únicamente una enumeración (vv. 61-72, 110117, 219-226):

Siguiendo en su Astrología
después de un Andrés Apóstol.
los Cicilios, Thesifones,
los Hiscios y los Maronios.
Los Basilios, Anastasios,
los Agustinos y Ambrosios,
los Anselmos, Ciprianos,
los Bernados y Chrisóstomos.
Los Domingos, los Vicentes,
los Cirilos e Ilefonsos,
los Rupertos y Venturas,
Teodoretos y Sofronios.
Aunque lo dicho no ob(ilegible)
entre ignorantes, y doctos
sobre lo de Concepción
correrán diversos votos.
Porque se levantarán
contenciosos alborotos,
altercaciones molestas,
y porfiados coloquios.
Por la limpia Concepción
dando de boca y de ojos
se arrojarán a venderlas
de aquí tuertos, de allí zopos.
Dirán varias alabanzas,
cantarán diversos tonos,
y unas y unos serán buenos,
y malas otras y otros.

Cuando la disputa entre las dos corrientes comenzó (y al ver que afectaba seriamente a los fieles y eclesiásticos), las autoridades católicas de Sevilla a favor de la Inmaculada, incluyendo el Arzobispo don Pedro de Castro, decidieron llevar hasta las autoridades eclesiásticas en Roma un informe recogido en dicha ciudad en 1615, en el cual se defendía la pureza de la Concepción de María. Para tal tarea se comisionó a Mateo Vásquez de Leca y a Rodrigo de Toro, principales defensores de la Inmaculada en Sevilla, quienes emprendieron la misión el 26 de julio de 1615. Sin embargo, su travesía no fue fácil debido a sus adversarios, los maculistas, quienes obtuvieron primero la anuencia del rey, retrasando un año en llegar hasta el Papa la petición de los inmaculistas, ya que antes debía pasar por la aprobación del rey Felipe III.

Una vez que el rey diera la aprobación, Mateo Vásquez de Leca y Rodrigo de Toro partieron a Roma donde, tras intensas actividades diplomáticas, lograron que el 21 de agosto de 1617 Paulo V otorgara por fin “un breve favorable al Sagrado Misterio”, en donde ordenó que no se debía ni afirmar, ni defender la limpieza de la Concepción de María. Tal noticia fue recibida con tanta satisfacción por parte de los fieles sevillanos que la celebraron con cultos, desfiles y otras manifestaciones populares.

Este pasaje histórico está narrado claramente en el siguiente fragmento, donde el Rey hispano al que se hace referencia es Felipe III, y el Mateo al que se refiere es Mateo Vásquez Leca, pues éste desde donde se encontraba enviaba epístolas informando todos los detalles y avances del proceso que emprendieron él y su compañero. Rodrigo de Toro está mencionado por medio de su apellido y ocupación pues fue quien se dedicó a reunir los documentos que justificaran la pureza de María para presentarlos ante el vicediós, representado por el Papa Paulo V que en ese momento era la máxima autoridad de la Iglesia Católica (vv. 149-184).

Habrá entre los demás uno
de muchos palmos de coto,
y litigarase en Roma
en el sacro consistorio.
Será actor un arzobispo,
tan piadoso, como docto,
y docto como sagaz,
y sagaz como devoto.
Rea la opinión contraria,
que otros contrarios no nombro,
porque en la Iglesia de Dios
todos unos mismos somos.
Saldrá el caso un Rey hispano,
de ver su fin deseoso,
que gane con su favor
en el nuestro, un motu propio.
Seguirá el pleito un Mateo,
en nombre de los piadosos,
y si el otro hizo Evangelios,
hará Epístolas estotro.
Dándonos aviso en ellas
del estado del negocio,
con que anime la tibieza
de los tímidos a soplos.
Andará a su lado deste
un abogado de tomo,
que ha propuesto hazer bravezas
en el caso, como un Toro.
Éste revolverá leyes
juntará historias y tomos,
y recogerá papeles
de los sabios más remotos.
Con que el ViceDios, que estado
en su lugar, está en todo,
se informe, y pronuncie el fallo,
y éste o será largo, o corto.

A raíz del fallo “el clima favorable a la defensa de la inmaculada se extendió por las principales ciudades españolas”. En el lunario se indica que todo mundo predicará y se regocijará, desde autoridades civiles hasta los fieles católicos, por el hecho de que María está limpia del pecado original. En este fragmento se ve claramente la firme postura del autor, en la que descarta la postura maculista y descalifica a sus seguidores, tachándolos de necios y sordos. Se hace también una justificación sobre la abundancia de pliegos de cordel que surgirán en torno a la Virgen María, ya que la creación de éstos no podrá evitarse, pues será necesaria la divulgación de los milagros realizados para que sean del conocimiento de todos. El principal medio de difusión de estos textos serán los ciegos y los lisiados, pues como se sabe éstos eran los encargados de difundir los pliegos sueltos y aunque habrá publicaciones que apoyen a la Inmaculada, existirán también las que están en contra pero el autor señala que serán en menor cantidad (vv. 198-209, 211-226):

La ciudad en su cabildo,
la Real Audiencia en su folio,
esto cantará, y la Iglesia
lo mismo en Cabildo y Coro.
Todo limpia Concepción,
sin culpa original todo,
cuando por solo este fin
hable el mudo y oiga el sordo.
Y esto será desta suerte
según lo afirma un Filósofo,
y Teólogo sutil,
en todas ciencias un pozo.

[…]

Solo no podrá evitarse
que haya coplas a manojos,
porque destas habrá resmas
por calles, plazas y poyos.
Que como es tal esta estrella
cuyas propiedades toco,
que tiene virtud de dar
a ciegos luz, pies a coxos.
Por la limpia Concepción
dando de boca y de ojos
se arrojarán a venderlas
de aquí tuertos, de allí zopos.
Dirán varias alabanzas,
cantarán diversos tonos,
y unas y unos serán buenos,
y malas otras y otros.

Los pasajes históricos que se han presentado forman parte de la narratio, donde la firme postura del autor queda de manifiesto y se convierte en la principal razón de ser del lunario, ya que se expresan los problemas a los que se enfrentaron los creyentes de la Inmaculada Concepción por defender su postura.

Ahora bien, encuentro a lo largo del lunario varios puntos que conforman la argumentatio y responden contrariamente a la creencia de los maculistas. El primero se encuentra al momento de mencionar que a Cristo se le comunico desde antes quién sería su madre y por ello al momento de la concepción de María, él le brindó tanta luz que la libró del pecado original (vv. 90-93):

Dándole en su Concepción
de su luz tanta este Apolo,
que de la original nube
jamás no le tocó el lodo.

En el siguiente punto, el autor sustenta su hipótesis mencionando a un filósofo cuyo nombre explicita sino únicamente su postura: María es limpia y no posee culpa alguna. Sin embargo, adentrarse en este tema por todas las ciencias será introducirse en terrenos profundos, oscuros y desconocidos debido a que este suceso había ocurrido hacía más de 1500 años. (vv. 202-209):

Todo limpia Concepción,
sin culpa original todo
cuando por solo este fin
hable el mudo y oiga el sordo.
Y esto será desta suerte
según lo afirma un Filósofo,
y Teólogo sutil,
en todas ciencias un pozo.

Otro argumento que Cepeda brinda en el lunario para que su verdad sea aceptada consiste en una enumeración en la que están incluidos abates, arzobispos y mártires (la mayoría de éstos conversos), en donde se pone de ejemplo a los hombres que abandonaron su religión por la católica y se convirtieron incluso en mártires de ésta, al escuchar algún discurso dado por un católico, con ello pretende que maculistas cambien de postura tal como lo hicieron estos mártires pues si no lo hacen sólo se convertirán, por el contrario, en los necios y verdugos que morirán sin alcanzar la gracia de Dios (vv. 61-72):

Siguiendo en su Astrología
después de un Andrés Apóstol.
los Cicilios, Thesifones,
los Hiscios y los Maronios.
Los Basilios, Anastasios,
los Agustinos y Ambrosios,
los Anselmos, Ciprianos,
los Bernados y Chrisóstomos.
Los Domingos, los Vicentes,
los Cirilos e Ilefonsos,
los Rupertos y Venturas,
Teodoretos y Sofronios.

El momento cúspide de la argumentatio en el lunario se encuentra casi al final, cuando se habla exclusivamente de la celebración de la Concepción de María tomada como oficial el ocho de diciembre, fecha en la que el Papa dio el fallo para que no se hablara en favor o en contra de ella. Se da aquí un argumento de por qué la Virgen es inmaculada; siguiendo la lógica del autor, la concepción de María sólo pudieron predecirla Daniel e Isaías, profetas y autores de algunos libros del antiguo testamento en la Biblia. Por ello, queda implícito que desde mucho tiempo atrás se sabía quién sería la madre de Cristo y por esta razón fue planeada desde antes, y excluida por lo tanto del pecado original pues su destino fue trazado y anunciado desde tiempos remotos (vv. 456-475):

Porque no sólo Almanzor,
ni Trimegistro no solo,
mas Daniel, Esaías
astrólogos de más fondo,
cuando esta verdad tocaran
en sus santos soliloquios
pronosticarán el cuándo,
pero ignorarán el modo.
Porque respeto de Dios
los más sabios son más bobos,
sin haber en sus secretos
ingenio que no sea voto.

Continuando con los elementos retóricos, es pertinente identificar los elementos correspondientes a la elocutio. Según Azaustre y Casas la elocutio establece la forma en la que se expresará de una forma elegante y convincente las ideas que se plantearon en la inventio y la dispositio; este apartado abarca las figuras y tropos. El tropo consiste en hacer “uso de una palabra inapropiada para designar un concepto”; esto quiere decir que los conceptos no corresponden a las palabras que se usan. Las figuras por su parte están más relacionadas con elementos gramaticales, fónicos o semánticos.

Cepeda utiliza a lo largo del lunario el discurso alegórico uniendo varias metáforas para referirse a divinidades propias de la religión católica, de esta forma al mencionar a la Luna, estará haciendo alusión a la Virgen María, y al referirse al Sol lo hará pensando en Jesucristo. El Sol representa a Jesucristo porque es un elemento que tanto puede dar la vida como puede quitarla. Es un símbolo de inmortalidad y de resurrección luego de que todos los días muere para volver a renacer; es también un representante de la justicia y de la verdad, tal como Cristo lo es para la religión católica. El Apolo es outra forma de nominación del Sol y por lo tanto de Jesucristo, debido a que el Apolo también es un símbolo que representa al padre y la autoridad real, cuando se menciona a un Apolo viejo, se está aludiendo a Dios padre.

La Luna por su parte representa a María, pues ambas son “el principio femenino y pasivo, opuesto y complementario al sol”. En la religión católica, la Virgen es sumamente importante, ya que es quien dio vida al salvador y en este sentido también puede equipararse con la Luna que es “el segundo astro más importante del universo y gobierna con su fuerza de atracción las aguas terrestres y los ciclos de crecimientos de la naturaleza”.

La Luna al igual que la Madre Tierra, es considerada como receptáculo de vida, la Tierra y la Luna entonces son símiles, por lo tanto la Tierra también representa a María. Una referencia a la tierra queda al descubierto cuando se alude a ella al momento de decir que prestó su cuerpo fértil para arropar en su vientre el pan, que es Jesucristo (vv. 119-122):

De pan no podrá haber falta,
después de que abriendo sus poros
la Tierra abrazó en sí el pan
de los angélicos coros.

El nacimiento de María y su embarazo son tratados por Cepeda por medio de las fases de la Luna. Con la visita del ángel a María se sabe que, por ser una luna, quedará llena, es decir embarazada, mientras que la luna será nueva en el mes de septiembre es decir la fecha del nacimiento de María. Esta fecha también destaca pues María fue la hija única de un matrimonio estéril, su llegada llenó de felicidade a sus padres, y tal como la tierra volvió fértil y próspero todo lo que tocó (vv. 252-255, 380-391):

De la Anunciación será,
y en éste con un fiat solo
quedará llena de Dios
la Luna de todo en todo.
Miércoles, que de septiembre,
contados bien, serán ocho,
hará el tiempo muy sereno,
y el día maravilloso.
Porque ha de haber Luna nueva,
y nueva en tan nuevo modo,
que ni habrá menguado antes
jamás, ni después tampoco.
Y con nueva influencia
trocará llenos de gozo
a Joachin y Ana, de estériles
en fértiles, ricos, prósperos.

La Pasión de Cristo igualmente está narrada por medio de metáforas, se puede distinguir que se hace alusión a la momentánea desaparición de Jesús por medio de un eclipse, ya que como se sabe en la tradición cristiana, Cristo resucitó al tercer día después de haber muerto. El temblor ocasionado por este eclipse ocurrirá cuando Cristo exhale el último suspiro pues “la tierra temblará y las rocas se hendirán” (Mateo, 27: 51-52), el Sol que tanto brilló perderá su resplandor ante la Luna; es decir, ante María, su madre, quien llorará frente a él en la Cruz y lamentará la gran pérdida que para ella significa, pues antes y después de todo es madre. Cuando el eclipse haya pasado, es decir, a los tres días de la crucifixión, habrá gloria en los cielos y en la tierra, pues el Sol, Jesucristo, habrá resucitado de entre los muertos, vencido a la muerte, vuelto de los infiernos convertido en Dios regresará a la tierra (vv. 260-283):

Habrá un eclipse de un Sol,
de cuyo costado roto
agua y sangre lloverá
en abundantes arroyos.
Y cuando se eclipse habrá
tan grande temblor, que a plomo
den por tierra en todo el mundo
pirámides y colosos.
Y la Luna ante el Sol puesta
cuando esté puesto del todo
mostrará entre nubes negras
de lluvia cubierta el rostro.
Y el domingo que se sigue
luego veynte y seys del propio
hará un tiempo, que sea Gloria,
porque estará el Sol glorioso.
Que triunfando del infierno,
después de sacar del cóncavo
del limbo las almas santas
que irán a eterno reposo;
uniendo el alma inmortal
a su ya inmortal despojo
resucitando Hombre y Dios
vendrá a este siglo del otro.

A los ocho días de la resurrección el Sol, Cristo, se apareció ante once de sus apóstoles luciendo igual de brillante y hermoso. Esta aparición la hizo en un lugar cerrado, ya que los apóstoles por miedo a los judíos se encontraban encerrados, “les mostró las manos y el costado” (Juan, 20: 20) y éstos creyeron, pero Tomás, uno de los doce apóstoles, no estaba con ellos cuando fue Jesús. Cuando los otros apóstoles le contaron la visita de Cristo resucitado sentenció que no creería hasta ver en sus manos la señal de los clavos y meter su mano en su costado (Juan, 20: 24-25). Ocho días después de este suceso Jesús se volvió a presentar a todos sus discípulos y ante la incredulidad de Tomas dijo: “acerca aquí tu dedo y mira mis manos, trae tu mano y métela en mi costado, y no seas incrédulo sino creyente” (Juan, 20: 27). Como podemos ver los apóstoles están representados por los doce signos zodiacales que coinciden perfectamente con el número de apóstoles.

El suceso que precede a la Resurrección de Jesús es su Ascensión a los cielos para volver a reinar desde él. Los cielos se abrirán y ante los ojos de la Luna (María), Jesucristo, muerto y resucitado a la edad de 33 años, subirá por su voluntad al trono y casa de su padre (Dios), ubicada en el cielo, mencionado como “el viejo Apolo”, quien se hará a un lado para que su hijo aún joven entre en él (vv. 284-295):

Y domingo a dos de abril
(aunque un tanto caluroso)
hará el tiempo tan cerrado,
que venga un santo dudoso.
Mas entre onze de sus Signos
parecerá el Sol hermoso,
por más cerrado que esté
en un cerrado cenobio.
Donde el dudoso creerá,
mirando al Sol rostro a rostro,
y abandonando con sus dedos
lo que no pedía su abono.
Jueves a cuatro de mayo,
dando el cielo testimonio
de serenidad notable,
rasgará sus nueve globos.
Y a los ojos de la Luna,
en el cielo el viejo Apolo
se apartará hacia un lado,
dando lugar que entre el mozo.
Que irá de treinta y tres años,
y subiendo él por sí solo
del suelo, en su virtud propia,
partirá al impireo trono.

La última alegoría de esta obra se puede apreciar cuando se menciona la festividad del Pentecostés. De acuerdo con la tradición católica, el Espíritu Santo está representado por medio de una flama, a ello responde la sentencia de que caerá fuego del cielo, como si fuera nieve, pues se está refiriendo al momento en el que el Espíritu Santo descendió sobre la Virgen y los apóstoles, iluminándolos, debido a que con el Espíritu Santo la gracia de Dios los habrá tocado (vv. 309319):

Domingo a catorce deste
hará tiempo tan fogoso,
que restrallando las nubes
caerá dellas fuego a copos.
Y dando sobre la Luna,
y aquel escuadrón que absorto
aguardará al Dios de amor,
que yo, aunque christiano, adoro.
Se verá en forma de lenguas
sobre los hasta allí indoctos,
respecto del saber grande,
que allí se infundirá en todos.

Puede observarse que todas las metáforas utilizadas por el autor describen pasajes bíblicos y festividades católicas, de las que sólo los fieles están enterados. De igual forma, se percibe que Cepeda buscó una equivalencia entre algunos elementos del lunario tradicional que pudieran describir a las personas y momentos que metaforizó como el Sol, la Luna, los signos zodiacales y los eclipses.

Continuando con las figuras existentes, en el lunario se localizan algunas figuras de definición y descripción; éstas consisten en “plasmar verbalmente la esencia o apariencia de los sujetos, objetos y conceptos que integran su obra”; se sitúan en este grupo la etopeya y la prospografía. La etopeya describe el carácter y las costumbres de una persona, la prosopografía se encarga de hacer la descripción del aspecto externo de una persona. En este lunario existen dos y describen a las personas en torno a las cuales gira la obra: Jesús y María.

La etopeya que se hace de Jesús es comparativa con el carácter del Sol pues es descrito como violento, destructor y abrasador, pero a la vez es visto como un hombre justo, compasivo y humano, preocupado por los demás, a tal grado que llegará a dar la vida por sus semejantes y para la salvación de éstos. Físicamente se describe como un hombre hermoso y brillante que no perderá su aspecto aún después de muerto (vv.98-105, 260-263, 288-291):

Y reinará por estar
en casa no del Sol roxo,
que con sus rayos abrasa
los tostados Etiópicos.
Sino del Sol Evangélico,
que se pondrá antes que el otro
a las tres en el Calvario
el viernes del terremoto.
Habrá un eclipse de un Sol,
de cuyo costado roto
agua, y sangre lloverá
en abundantes arroyos.
Mas entre onze de sus Signos
parecerá el Sol hermoso,
por más cerrado que esté
en un cerrado cenobio.

A la Virgen María se la describe como una buena madre que cumple con sus obligaciones sin importar su sufrimiento, es también una mujer fuerte, determinada y obediente que llevó a cabo la misión encomendada por Dios. Su condición de madre la vuelve piadosa y clemente con la humanidad sin importar la edad o la condición física de quienes creen en ella. A María, igual que a Jesús, se la describe físicamente como la mujer más hermosa y debido a su condición divina tampoco pierde su hermosura al morir y subir al cielo. De esta manera, se estructura la elocutio y con ello finalizo el análisis de los elementos discursivos que conforman este lunario (vv. 94-97, 106-109, 232-240, 268-271):

Esta Estrella todo el año
reinará en entrambos polos,
siendo por mar y por tierra
siempre favorable a todos.
La influencia de esta Estrella
causa efectos milagrosos
siempre buenos y amigables
así a viejos como a mozos.
Domingo primero día
de enero hará llovioso,
porque verterá de pluvia
la Luna un raudal copioso.
Viendo que le circuncidan
un hijo tierno y lloroso,
que siendo autor de los días,
derrama sangre a los ocho.
Y la Luna ante el Sol puesta
cuando esté puesto del todo,
mostrará entre nubes negras
de lluvia cubierta el rostro.

Ω