Perfil do Turista com base nos Elementos Astrológicos

Bárbara Helenni Gebara Santin

Monografia apresentada ao Departamento de Turismo da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, como requisito parcial para obtenção do grau de bacharel em Turismo.

Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Centro de Tecnologia e Ciências
Instituto de Geografia
Departamento de Turismo

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Resumo

O presente Trabalho de Conclusão de Curso aborda o tema perfil do turista com o olhar da astrologia e, mais especificamente, dos elementos astrológicos. Este trabalho discute sobre segmentação psicográfica, motivações e o comportamento do consumidor turista e sua personalidade de acordo com a parte da astrologia que influencia padrões básicos de percepção dos indivíduos: os elementos astrológicos Fogo, Terra, Ar e Água. Além disto, são apresentadas atividades turísticas que tem correspondência com as características de cada elemento astrológico. A pesquisa possui caráter exploratório, onde mostra se as pessoas estão conscientes ou não de suas percepções de acordo com os elementos astrológicos que as influenciam de maneira dominante. Cada elemento astrológico possui um conjunto de características específico àquele elemento, dos quais dois dos quatro elementos exercem uma maior influência sobre o indivíduo, enquanto os outros dois costumam agir inconscientemente. O objetivo é analisar a possibilidade de a astrologia influenciar desejos, escolhas e/ou decisões relativos ao consumo consciente de atividades e serviços turísticos.

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Introdução

A atividade turística se trata de pessoas e, do lado mercadológico, se trata de saber receber, guiar, satisfazer desejos e até mesmo necessidades. Necessidades e desejos de pessoas. Pessoas que possuem gostos, vontades, interpretações, maneiras de observar e perceber diferentes. De qualquer modo estamos tratando sempre de pessoas. Turismo, para elas pode representar uma forma de libertação, lazer, relaxamento, conhecimento, aprendizagem e até mesmo salvação. Uma viagem pode mudar a vida de um indivíduo, pode mudar e abrir olhares, mentes e hábitos. Com esta visão, diferentes intenções e percepções de um indivíduo relativas à realização de uma viagem podem ser interpretadas através da astrologia.

O objetivo do presente trabalho é falar sobre temas e tendências que surgem nos dias atuais sobre a prática do turismo relacionada à satisfação do turista, oferecer uma maneira de entender a personalidade do mesmo e a partir disto identificar tipos de perfis básicos relacionados à percepção e padrões de energia dos turistas. Estes perfis têm base na astrologia, a qual é um instrumento de autoconhecimento e, neste caso, pode fornecer informações sobre a personalidade, os desejos, os impulsos, os gostos e, inclusive, os medos ou aversões do turista. Ou seja, podemos saber que tipos de atividade e experiências turísticas possuem maior chance de satisfazer esses perfis básicos de turista.

O presente trabalho é proposto também para discutir os estudos relacionados às motivações do turista. Uma busca exaustiva foi realizada com o intuito de encontrar conteúdos que vão mais a fundo em relação à percepção do turista. A maior parte dos autores – Bacal, Baloglu e McCleary, Beerli e Martín, Dolnicar e Huybers, Krippendorf, Melo, Swarbrooke e Horner – fala da percepção e motivação do turista com base na sociedade, na economia, na cultura e na demografia. São raros os autores que falam um pouco mais sobre a motivação psicológica e/ou da personalidade, as quais são motivações que vem de áreas mais profundas do indivíduo.

Mesmo que não haja estudos relacionando turismo e astrologia, ao menos no Brasil, existem autores que relacionaram astrologia e marketing, os quais estudam o comportamento do consumidor a partir de seus signos solares do zodíaco. Gulmez, Kitapci e DortyolMitchell, Mitchell e Haggett abordaram este tema e colaboraram com análises consideráveis neste assunto. Porém, o tema abordado no presente trabalho são os elementos astrológicos, diferentemente do signo solar zodiacal abordado pelos autores citados acima. Os elementos astrológicos foram escolhidos para o desenvolvimento deste trabalho porque como eles representam padrões básicos e gerais de percepção, o estudo se torna mais viável.

Estes padrões ou tipos de percepção estão presentes em quatro perfis gerais de percepção humana, os quais se aplicam a todos os seres humanos, sem ser necessário, em um primeiro momento, analisar a fundo a personalidade de um indivíduo para identificar seu perfil energético primário, os quais estão ligados aos elementos astrológicos.

Os estudos das motivações socioeconômicas, culturais e demográficas têm sua importância, pois eles mostram como anda a sociedade e o comportamento dos turistas de maneira geral. Porém, não são vistos artigos ou livros que falem a fundo da motivação psicológica do turista, ou seja, que foque no indivíduo e não somente no coletivo.

A psicologia estuda o indivíduo dentro do contexto social, contudo é possível ter acesso aos desejos dos turistas e conhecer, ao menos de forma básica, o que motiva cada um e quais são suas percepções nas viagens. A importância deste tipo de estudo é ressaltar a ideia e o fato de que cada ser humano é diferente e possui maneiras de olhar, de pensar e de sentir diferentes. É isso que é preciso alcançar para que sejam obtidos outros resultados de turismo, com mais consciência, onde a realização de uma viagem possa dar a possibilidade de o indivíduo se auto conhecer e se satisfazer.

Claro que as motivações e sentimentos humanos são muitos e subjetivos e que quanto mais íntimos forem, mais difícil será estuda-los e compreende-los, e por isso a maior quantidade de artigos e textos com maior enfoque no comportamento social. Porém, este trabalho focará nos níveis básicos de percepção e energia do indivíduo para uma compreensão um pouco mais pessoal do comportamento do turista e seus gostos. Estes níveis básicos de percepção são explicitados, neste caso, pelos elementos astrológicos Fogo, Terra, Ar e Água. Cada um deles apresenta um conjunto de características relacionadas à personalidade e ao modo de enxergar o mundo de um indivíduo.

Foi realizada uma pesquisa bibliográfica para embasar o assunto a partir de áreas como a astrologia, a psicologia, a sociologia, a antropologia, a geografia e a economia, já que o foco principal do estudo é o indivíduo turista. Para a elaboração de atividades turísticas relacionadas aos elementos astrológicos foram utilizadas bibliografias que descrevessem estas atividades e, nelas são apresentadas as relações das atividades com os padrões energéticos de cada elemento.

Além desta introdução e conclusão, este trabalho está estruturado em seis partes. O primeiro capítulo fala de uma maneira geral sobre turismo e turista, seus conceitos e dados de fluxo emissivo internacional e nacional. O segundo capítulo aborda o comportamento do turista, como seu comportamento interfere na atividade turística e vice e versa, fala rapidamente da necessidade de conscientização por parte do viajante em suas experiências turísticas, das atuais tendências de comportamento e de necessidades ligadas ao lazer.

O capítulo três apresenta as aplicações da astrologia e as relaciona com o comportamento do turista, onde são analisados os elementos astrológicos e suas respectivas influências na percepção do mesmo. O quarto capítulo une turismo e astrologia para identificar atividades turísticas correspondentes às percepções do turista com base nos quatro elementos astrológicos. O quinto capítulo apresenta a metodologia de pesquisa utilizada para identificar indivíduos que estão cientes ou não de seu tipo básico de percepção. E o capítulo seis refere-se à análise dos resultados da pesquisa.

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1. Turismo e Consumidor Turista

Existem algumas definições holísticas sobre turismo que buscam defini-lo de uma maneira geral. Uma delas é de Jafari: “É o estudo do homem longe de seu local de residência, da indústria que satisfaz suas necessidades, e dos impactos que ambos, ele e a indústria, geram sobre os ambientes físico, econômico e sociocultural da área receptora”. A atividade turística está muito ligada a impactos, os quais são sua consequência e seu motivo. Como consequência desta atividade pode haver impactos tanto positivos como negativos, porém precisamos trabalhar para que os impactos negativos diminuam cada vez mais na prática desta atividade.

Alguns impactos positivos do turismo são a promoção de conhecimento cultural, social e natural sobre regiões e localidades, o desenvolvimento econômico das regiões, a conscientização em relação à integração da sociedade, o desenvolvimento da criatividade, e a sensação de liberdade por causa da exposição a lugares, culturas e paisagens diferentes.

Em relação ao que é viagem ou deslocamento, Beni diz que a viagem traz novos conhecimentos, abre a mente e pode surpreender o turista. O ato de viajar coincide numa atenção direcionada para fora e para dentro. Esta atenção externa se deve ao deslocamento no espaço e no tempo, a atenção interna se deve às expectativas do turista e à sua maneira de entender e sentir as experiências. Beni também diz que “a viagem exerce, no turista, influências que, no aspecto subjetivo, podem liberar o conteúdo de seus sonhos, seus desejos, sua imaginação projetiva e aumentar suas experiências existenciais, fazendo dele um pioneiro de si mesmo”.

De acordo com Barbosa, as definições Turista e Viajante são diferenciadas. Turista representaria um lado mais consumidor e acomodado, onde o objetivo da viagem é descanso, sem muito esforço e muita ousadia. Viajante significa o indivíduo que se desloca para desbravar, vivenciar experiências intensas e interagir. Porém é preciso considerar ambas as definições. Todos os indivíduos podem estar abertos a experiências, todavia elas precisam despertar-lhes interesse. Podemos viajar e em um mesmo destino agir em um momento como turista e em outro como viajante. No presente trabalho, o tipo de consciência estudado é o de viajante, pois um dos objetivos é chamar atenção para um turismo de autoconhecimento, onde vivências profundas nas viagens necessariamente fazem parte.

Aqui opta-se por utilizar o termo Turista, pois ele está de acordo com a definição básica de visitante da Organização Mundial do Turismo, onde turista é utilizado para denominar o indivíduo que visita um lugar que não seja seu local de origem, durante um período de tempo de no máximo um ano, os quais consomem a estrutura turística para se locomover, se alimentar, descansar e apreciar.

A demanda turística possui componentes estruturais como meios de hospedagem e atrativos turísticos e serviços, e componentes subjetivos como o clima e a energia de um determinado destino ou determinado momento. A demanda turística é composta por dados como chegada e saída de turistas e os consequentes gastos, ou seja, é a quantidade de indivíduos participantes de atividades turísticas. Os fatores influenciadores da demanda turística pode ser a renda, disponibilidade de tempo para viajar, decisões familiares, preço, moda, segurança, estilo de vida, personalidade etc.

Todos estes motivadores reúnem um número grande de pessoas que decidem viajar todos os anos. Este número só vem aumentando e serve para o alerta de que é preciso voltar a atenção para este fluxo. São milhões de pessoas movimentando a economia, a sociedade, a cultura e, principalmente, movimentando a si mesmas – no sentido físico, emocional, mental e espiritual – todos os anos. Esta movimentação turística interfere tanto externamente, nos âmbitos social, cultural, ambiental e econômico, quanto internamente, no âmbito individual.

Turismo é uma atividade econômica, bem como social e cultural. O inter-relacionamento e a interdependência são intrínsecos ao turismo, já que várias áreas fazem parte de seu sistema, como a economia, o marketing, a sociologia, a geografia, a psicologia etc. De acordo com Sessa o turismo está intimamente ligado à economia por seus efeitos em todos os setores produtivos; à sociologia porque são relevantes suas influências nas mudanças sociais; à geografia por seu aspecto espacial; à psicologia individual e social, quer pela motivação das viagens quer pelo estudo do comportamento grupal; à antropologia cultural na medida em que representa ‘valor’ no sistema referencial da sociedade de consumo.

(…)

2. Comportamento do Turista

O comportamento do turista no presente trabalho tem seu foco a partir, principalmente, da psicologia. Assuntos como consciente e inconsciente, percepção e energia, motivação e experiência são mencionados. Isso tudo para entender uma das faces do comportamento do turista: a personalidade, já que a mesma é um fator imprescindível para a análise da motivação deste consumidor. Na personalidade estão presentes elementos como consciente e inconsciente, percepção e imaginação. A seguir estes temas serão rapidamente abordados (Quadro 1), alicerçados pelo livro Convite à Filosofia de Marilena Chaui, para se ter uma base para a continuação do assunto.

quadro1

Quadro 1 – Conceitos chave: consciência, inconsciente, percepção e imaginação

As definições acima são conceitos chave para um bom entendimento deste trabalho, no qual se encontram várias referências a estes termos. Consciência e inconsciente estão bastante presentes quando os elementos astrológicos dominantes dos indivíduos são discutidos. Percepção é o termo base para se estudar os elementos astrológicos e suas influências. Imaginação é muito utilizada para tratar da percepção do turista em relação a algum destino e/ou atividade turística. No próximo capítulo será discutido o comportamento do consumidor turista e, ao mesmo tempo, sua relação com os conceitos explicitados no Quadro 1.

Ptolomeu, na Ásia. Seu trabalho deu o pontapé inicial para o desenvolvimento da astrologia ocidental. Os horóscopos individuais passaram a ser elaborados na Grécia e depois em Roma. A astrologia era utilizada para estudar e entender fenômenos naturais bem como sociais, este uso da astrologia se arrastou durante a idade média, o renascentismo, o iluminismo, até a idade contemporânea e os dias atuais. Na idade média ela passou a se tornar uma atividade obscura. Durante o iluminismo ela foi repensada e começou a se tornar uma atividade mais intelectual e humanista. Foi nos anos 30, na Europa, que a astrologia começou a ser pensada de modo a se encaixar nas novas demandas comportamentais e intelectuais da sociedade, mas só nos anos 70 essa ideia começou a ganhar força e ser disseminada também na América. Uma das faces desta reformulação da astrologia é denominada Astrologia Humanista ou Astrologia Harmônica, a qual tem seu foco no ser humano, explorando as suas potencialidades. De acordo com Rudhyar que foi o pioneiro deste enfoque na astrologia ocidental.

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2.1 Comportamento do turista e do consumo turístico

O turismo é uma atividade social e econômica que move milhões de pessoas todos os anos. Focar nossos olhares para esta atividade já se tornou imprescindível, isto porque se trata de pessoas, de movimentações – entre meios de transporte, meios de hospedagem, atividades de lazer, cultura, alimentação, esporte etc. –, trata-se de inter-relações e, principalmente, de experiências. Experiências estas que não dependem somente da atividade externa em si, mas muito mais da percepção e do olhar do turista, pois cada indivíduo possui uma maneira de ver e de compreender os objetos e fenômenos ao seu redor.

Por isso um dos objetivos deste estudo é chamar atenção para a experiência turística e sua qualidade. Qualidade não relacionada à sofisticação ou à infraestrutura de um destino ou atrativo, mas qualidade relativa à consciência que o indivíduo tem da experiência, qualidade da apreciação, da intensidade, da importância e do valor que o indivíduo dá para aquele momento. E como cada ser humano é diferente em seu modo de enxergar a vida, em seus pensamentos, seus sentimentos e sensações, seria interessante começar a entender ao menos os tipos básicos de percepção de uma pessoa.

O presente trabalho entra em contato com a sociologia, a antropologia, a psicologia e, principalmente, a astrologia para trazer um novo olhar para a prática do turismo e seu praticante: o turista. E em se tratando de um novo olhar e de um novo paradigma, Ateljevic traz sua contribuição:

[…] o turismo é, na realidade, um dos indicadores chave que se manifestam na mudança global de consciência humana. Assim, um envolvimento com estudos críticos transmodernos do turismo e atividades turísticas de esperança nos dão um peso político enorme para apontar a função e autoridade do turismo para possivelmente mudar o mundo para melhor e ajudá-lo no desejo de uma economia e sociedade global mais consciente. Ao fazer isso, nós podemos, finalmente, penetrar os discursos públicos e mudar a sua perspectiva dominante do turismo como sendo nada mais que uma atividade fútil de lazer ou mais uma forma de desenvolvimento econômico.

Existem vários meios de mudar olhares e modos de perceber o turismo e o que ele pode fazer para colaborar com uma transformação positiva do mundo. A educação para as sensações e para a sustentabilidade são duas delas e não estão excluídas do presente tema, pois com a proposta de entendimento do comportamento do turista e de seu autoconhecimento é alcançada ao mesmo tempo a sensibilização perante o mundo ao seu redor. Esta sensibilização leva ao cuidado e pode levar à conscientização. Com isso estamos rumo a uma atividade global que colabore com um planeta mais sustentável, menos desigual, onde pessoas tragam impactos positivos e onde nossa forma de ver, agir, ser e nos relacionarmos esteja sempre em transformação.

O comportamento do consumidor turista pode ser influenciado e pode também influenciar. Com o entendimento do comportamento do turista e de suas motivações, atividades socioeconômicas do destino podem ser melhor aproveitadas, assim como a relação com os habitantes do mesmo. Então tudo está relacionado, interligado. Esta é a visão holística que o presente trabalho proporciona. Se o consumidor turista é compreendido ou se compreende, se ele se conhece, as chances de o mesmo viajar para um destino e realizar atividades turísticas que realmente o satisfarão e proporcionarão uma conexão externa e interna são maiores e, consequentemente, um maior aproveitamento e uma maior interação (de modo positivo) com a cultura e os habitantes do local pode ocorrer, assim como o respeito pelo lugar que o está acolhendo no momento, o que pode levar a um comportamento mais sustentável e humano.

Para Krippendorf, um turismo humano é criado a partir da viagem consciente. Isto é possível através da mudança do comportamento e de consciência do turista. Esta humanização do turismo oferece a chance de o turista explorar a potencialidade do que ele é, isto é educação para a viagem. Krippendorf ainda destaca: “por meio dessa educação para a viagem o turista terá contato com sua personalidade”.

O modo de consumir pode ser outro, pode ser aproveitador, evolutivo, no sentido de dar em troca para o experimentador momentos, sensações, sentimentos, pensamentos e conexões. Neste sentido, Baudrillard diz que “os objetos nunca são consumidos em si, isto é, pelo seu valor de uso, mas sim como signos que se inter-relacionam, formando um sistema complexo de significação e comunicação. Nesse sentido, a teoria do consumo baseada na simples satisfação de necessidades básicas e materiais não se aplicaria”. Ela se baseia na satisfação de necessidades pessoais do corpo, da mente e do espírito de cada um.

A satisfação do turista está diretamente ligada com a experiência que ele vive no destino e com a imagem que ele tem do, ou seja, está diretamente ligada aos impactos positivos que a experiência – e sua relação com o que o turista espera – oferece, e o que pode agradar e satisfazer um turista é a realização de seus desejos, os quais são intrínsecos à sua personalidade.

A partir da atual crescente demanda por viagens onde é possível viver experiências ligadas à emoção, o consumidor turista passa a comprar experiências, sentimentos e sensações, o que vai de encontro ao seguinte pensamento citado por Bauman, o qual ainda se encontra presente em nossa sociedade:

O mal-estar proveniente dos problemas urbanos e também da alienação e da exaustão do trabalho teria as viagens de lazer como contraponto, caracterizando um mecanismo de regeneração da saúde desta população perturbada por estes efeitos colaterais do crescimento econômico e da urbanização. O ciclo de reconstituição recebe esse nome, pois a viagem a lazer nada mais seria do que um momento de reencontro com a liberdade perdida no cotidiano e de afastamento da coercitiva realidade, a fim de proporcionar um novo ânimo para posteriormente retomá-la com as ‘energias recarregadas’. No entanto, muitas vezes o comportamento verificado nestas viagens por parte de alguns grupos sociais acaba por se assemelhar àqueles relacionados à alienação, às imposições e às coerções existentes no próprio local de origem, o que pode, ao invés de aliviar a tensão, reforçá-la ainda mais. Este quadro de descontentamento é agravado na atual sociedade de consumo ‘pós-moderna’ onde a precarização e inconstância das relações sociais aliadas à exacerbação do estímulo à mobilidade e ao consumo – que nem sempre pode ser acompanhada por respostas à altura dos consumidores – resultam num ambiente de inquietação e insatisfação jamais visto.

O turismo pode ser uma saída para essa inquietação e insatisfação, pois pode ser uma maneira de o indivíduo se conectar consigo novamente. Como diz Lemos, “o turismo não lida apenas com necessidades, mas também com desejos e sonhos; busca o suprimento das necessidades materiais e, além destas, das subjetivas”. Se encararmos o turismo apenas como uma atividade econômica estaremos alimentando a seguinte ideia: “o grande paradoxo do turismo é que essa atividade coloca em contato pessoas que não enxergam a si mesmas como pessoas, mas como portadores de uma função precisa e determinada”.

A atividade turística possui um potencial magnífico de proporcionar às pessoas ampliação de horizontes, trocas culturais, inter-relacionamento e extensão de si mesmo – quando é possível ter consciência de outros lados de um mesmo ser –, pois ela faz com que o indivíduo saia de sua zona de conforto e vá experimentar outras faces da vida. O tipo de experiência e conhecimento que o turista irá buscar depende de seu fator motivacional pessoal. De acordo com Snepenger a busca por viagens de caráter motivacional pessoal possui três objetivos genéricos: compartilhar com outras pessoas a experiência pessoal, sentir-se bem e passar por novas experiências. Estes três objetivos relacionados à motivação pessoal do turista se encaixam perfeitamente na sociedade atual que começa a aspirar por conhecimentos mais profundos e que façam sentido à sua vida.

Esta busca de sentido é comumente almejada por meio de viagens. Viajar pode representar a redenção para um indivíduo que se perdeu na vida cotidiana e não conseguiu mais se encontrar. A viagem pode ser um recomeço, o início de um novo olhar perante a vida e a si mesmo. Krippendorf assinala que o ato de viajar é muito importante, pois ele traz vitalidade e sentido a uma vida dependente do cotidiano rotineiro e sem graça, funciona como cura para o corpo e para a alma, onde o homem se recompõe. Este sentido precisa estar de acordo com a verdade de cada indivíduo. A verdade de cada um está ligada à maneira individual de perceber, de pensar e de sentir a vida. É este caráter humanista que o presente trabalho propõe para a atividade turística. A necessidade de olhar para dentro antes de se concentrar no exterior já passou da fase de urgência. Sem o autoconhecimento e a mente consciente será difícil construir um turismo consciente e sustentável, assim como um mundo da mesma maneira. Krippendorf novamente complementa:

É bem conhecido o fato de que é precisamente num ambiente incomum e estranho que retomamos a consciência da nossa própria realidade. Segundo essa tese, a viagem proporciona-nos a possibilidade de descobrirmos o caminho que nos conduz a nós mesmos. Temos tempo para ocupar-nos com o nosso próprio eu, para explorar a própria alma, para redescobrir a harmonia interior, para compararmo-nos ao outro e descobrir nossas aptidões.

Por isso as motivações pessoais do turista são importantes, pois elas são o meio mais verdadeiro de ele se envolver em atividades turísticas com as quais ele se identifica e, assim, o caminho para o encontro consigo mesmo se torna mais curto, já que, como as atividades tem a ver com o seu eu, a percepção e a compreensão da experiência se tornam mais intensas.

Em relação às motivações do turista, Swarbrooke e Horner citam algumas, como os fatores culturais, de status, físicos, emocionais, pessoais e de desenvolvimento pessoal. Todos estes itens que pesam no momento da escolha de uma viagem fazem parte da personalidade do indivíduo. Existem motivações que importam mais para um turista que para outro, como por exemplo, existem turistas que tendem a escolher viagens onde haja possibilidade de nostalgia, para outros, aventura ou cultura não podem faltar na escolha do destino e das atividades. O imaginário turístico possui natureza subjetiva por isso há impressões diferentes e percepções diferentes.

Dentro deste contexto de comportamento do consumidor, tem-se o segmento no mercado turístico chamado Turismo Hedonista, que se baseia, segundo Swarbrooke e Horner, em práticas relacionadas à busca do prazer físico como festas, bebidas, sexo e passar o dia tomando sol em uma praia. A palavra hedonismo, de acordo com o Dicionário Aurélio significa:

s.m. Doutrina moral que considera ser o prazer a finalidade da vida: há pessoas que professam naturalmente o hedonismo. O termo hedonismo vem de uma palavra grega que significa prazer. Na Grécia antiga, epicuristas e cirenaicos baseavam suas teorias éticas na ideia de que o prazer é o maior bem. Mas os epicuristas acreditavam que os homens devem buscar os prazeres da mente, e não os prazeres do corpo. Achavam que o sábio evita os prazeres que mais tarde podem lhe causar dor.

Considerando somente a etimologia da palavra hedonismo, a qual vem do grego hedonê: “prazer”, relacionado à hedys: “doce”, cada indivíduo sente prazer de formas diversas e diferentes, sejam eles físicos, emocionais, mentais ou espirituais. Em outras palavras, o conhecimento acerca de como tais aspectos influenciam o comportamento do consumo turístico é fundamental, a fim de otimizar a satisfação deste prazer do turista pela escolha do destino, bem como pelas opções de lazer escolhidas uma vez ele estando no mesmo. Em se tratando de pessoa ou indivíduo, do que lhe dá prazer e de seu comportamento, Elias pode ajudar falando sobre um dos significados da palavra indivíduo: “[A palavra indivíduo] pode simbolizar aquilo que a pessoa isolada é capaz de realizar, independentemente de todas as demais e em concorrência com elas, por energia e mérito próprios”.

Aqui é possível refletir sobre a motivação pessoal de cada um, o porquê de cada indivíduo sentir prazer com coisas diferentes e maneiras de agir e reagir em relação a essas coisas diferentemente. Nestas questões é preciso focar se queremos uma sociedade mais humana, a qual aceite e respeite o jeito e as vontades de cada um. Um novo paradigma, estruturado na transformação cultural e em novos olhares perante o mundo, está surgindo e, de acordo com Elgin é chamado de “paradigma reflexivo/de sistemas vivos”. O que tem mostrado esta mudança são os valores, os comportamentos e os estilos de vida atuais das pessoas. A reflexão sobre o sentido da vida tem se tornado mais forte na sociedade atual.

Este tipo de reflexão é importante para uma nova consciência do ser. Para uma breve noção do tipo de consciência que começa a se criar com estes “novos” valores, Mauss diz:

A noção de pessoa haveria de sofrer ainda uma outra transformação para tornar-se o que ela se tornou há menos de um século e meio, a categoria do Eu. Longe de ser a ideia primordial, inata, claramente inscrita desde Adão no mais fundo de nosso ser, eis que ela continua, até quase o nosso tempo, lentamente a edificar-se, a clarificar-se, a especificar-se, a identificar-se com o conhecimento de si, com a consciência psicológica.

Após uma viagem, se o ser turista – ser humano antes de qualquer coisa – não trouxer nenhum pensamento novo, nenhuma possibilidade de hábito ou olhar novo para seu local de origem, então tal movimentação não contribuiu para o crescimento de seu ser.

Porém isso está mudando e as pessoas querem crescer e evoluir em suas viagens. A intenção deste trabalho é abrir olhares para esta possibilidade, é ajudar a perceber que a experiência – e a qualidade da mesma – vivida pelo turista em uma atividade turística ou destino é o componente mais importante de toda a viagem, assim como a autenticidade da mesma. E mesmo a autenticidade é personificada pelo turista, o que também tem a ver com a busca de um sentido para a vida ou do sagrado. O turista que opta por este caminho, por este rumo em uma viagem, pode ser comparado a um peregrino a procura de experiência autêntica em lugares e culturas diferentes das de sua vida cotidiana.

Segundo GândaraGimenes e Mascarenhas, “o turista contemporâneo deseja deslocar-se para destinos onde possa mais que contemplar, viver e emocionar-se, ser o personagem da sua própria viagem. Ele anseia envolver-se nas experiências”. Ainda segundo Manosso:

percebe-se a complexidade na mensuração das emoções, causando assim, algumas restrições, devido, principalmente seu caráter de inconstância, ou seja, as emoções podem ser as mesmas, mas o modo como a mesma é ‘sentida’ pelas pessoas é diferente, e as situações nas quais elas são suscitadas também.

A paisagem pode ser usada como um bom exemplo para se considerar a percepção e as emoções do turista. Ela é constituída, no sentido de valor e significado, pelo reconhecimento e, consequentemente, por olhares. A paisagem é percebida, é sentida, é identificada por cada pessoa de modo diferente e, o que a diferencia de qualquer outra paisagem é este fato, é essa observação cheia de interpretações diversas. A paisagem é também um exemplo simples para o entendimento da relação do indivíduo com o mundo. Em um momento de contemplação, de silêncio interno, onde o corpo cala, e os ouvidos, olhos, nariz e pele estão prontos para receber as percepções que se juntarão depois aos julgamentos individuais – ou seja, às sinapses feitas de acordo com sua essência –, uma conexão indivíduo x planeta, indivíduo x universo ou indivíduo x momento se cria para trazer profundidade à experiência e autoconhecimento.

Rudhyar diz que  a experiência é percebida através da consciência e da respectiva relação que é feita das experiências atuais com as experiências passadas, as quais podem ser individuais ou coletivas, podendo ser religiosa, cultural, científica etc. As mudanças nas relações entre o indivíduo e o meio ambiente e consigo (fisicamente e psiquicamente) são encaradas como experiência e, como a percepção dessas relações e trocas precisa de consciência e de um experimentador, a experiência só existe se ambos existirem. Rudhyar ainda diz que:

se houver consciência de modificações internas e externas haverá experiência; mas essa experiência é, quase sempre, em parte condicionada por fatores biológicos externos, em parte por pressões intelectuais e emocionais da família, da cultura e da sociedade. Quando isso ocorre, a experiência não é ‘pura’ em termos da individualidade essencial da pessoa. O que nosso atual ‘treinamento da sensibilidade’ […] procura produzir é uma purificação de experiências individuais. O indivíduo precisa aprender a ver, a sentir, a ouvir, a tocar como se todas as suas sensações estivessem alcançando a consciência pela primeira vez e como se todas as respostas fossem espontâneas, novas e ‘inocentes’ por serem puramente naturais.

A experiência vivida a partir da percepção individual e pura possibilita que o turista tenha um contato ou uma ligação intensa com o ambiente e consigo. Este contato dá ao turista acesso a emoções, sensações e pensamentos prazerosos e o mesmo acaba por praticar um turismo hedonista – no sentido descrito anteriormente – onde o prazer pode ser alcançado de variadas formas. Para ter acesso ao estudo do prazer e da satisfação de acordo com a personalidade, a segmentação psicográfica é um meio de encontrar uma teoria que aborde tal conteúdo.

2.2 Segmentação psicográfica

Schleswig. Praktikantin Janneke Detlefsen sitzt mit einem Audio-Guide im Inneren des Globus auf dem Gelaende von Schloss Gottorf. 

O consumo é ditado por gostos e preferências. Trata-se da manifestação de vontades do consumo de um determinado produto ou serviço. Segundo Finotti “psicografia ou análise psicográfica é a técnica ou a ferramenta que permite a mensuração quantitativa dos estilos de vida, englobando personalidades, valores, atividades, interesses e características demográficas”. Este tipo de segmentação é imprescindível quando o fenômeno estudado é o turismo, pois o mesmo é constituído de pessoas e suas preferências e, são essas pessoas que ditam o rumo da atividade turística. São elas que constroem o turismo que se apresenta hoje e são suas personalidades que conduzem suas escolhas em relação aos vários tipos de atividades turísticas. Por isso a segmentação psicográfica é importante, pois “essa técnica parte da ideia de que o estilo de vida, as atitudes, opiniões e a personalidade das pessoas determinam o seu comportamento enquanto consumidores”.

Outro fato que influencia no momento da decisão da compra do consumidor de turismo, de acordo com sua personalidade, são os lugares escolhidos, eles precisam corresponder as suas características, pois há uma expectativa relativa ao lugar que tem sua origem no imaginário do turista e, neste imaginário pode conter desejos correspondentes à sua personalidade. Em relação à escolha e à decisão de se realizar uma viagem, Schmöll propôs um modelo de escolha do consumidor de turismo no qual a parte pessoal inclui as motivações, os desejos e necessidades e as expectativas do turista, as quais podem ser provenientes do status socioeconômico, das características de personalidade, das influências e aspirações sociais e de atitudes e valores. E a parte que interessa ao presente trabalho é a motivação proveniente das características da personalidade, as quais influenciam inclusive nas atitudes e nos valores de cada pessoa.

Em relação ao que satisfaz o turista, Campbell diz:

Os indivíduos não procuram a satisfação a partir dos produtos, de sua seleção, aquisição e uso. Na verdade, a satisfação nasce da expectativa, da procura do prazer, que se situa na imaginação. A motivação básica das pessoas, em relação ao consumo, não é, portanto, simplesmente materialista. Elas procuram, sim, vivenciar ‘na realidade’ os dramas agradáveis que já vivenciaram em sua imaginação.

Ter conhecimento sobre os gostos e anseios do turista e ainda sobre sua personalidade nos dias atuais é essencial. Isto porque as pessoas têm rápido acesso à informação e cada vez querem saber e conhecer mais. Sua sede de conhecimento e vontade de viver experiências diferentes de suas habituais passou a aumentar e viajar, retornando ao seu local de origem sem trazer nada de novo, nenhuma informação interessante ou vivência que acrescente algo ao seu intelecto, às suas sensações ou ao seu espírito, acaba se tornando inviável, assim como assinala Krippendorf “a partir do início dos anos 1970, constata-se uma tendência para as férias ativas. O desejo de dormir, de descansar, de não fazer nada está em forte regressão”.

Para entender gostos e preferências dos consumidores de turismo, as dimensões cognitivas e afetivas – as quais estão ligadas a fatores psicológicos e de personalidade do indivíduo – são analisadas para se ter noção de como cada indivíduo enxerga e percebe uma atividade ou um destino turístico. A imagem e a percepção – de um destino, por exemplo – terão diversas variações dependendo do turista. E essa imagem será um propulsor importante da motivação da viagem.

Em outra importante abordagem, o sistema cultural no qual vivemos nos apresenta um conjunto de simbologias e imagens que tem ligação com o cotidiano e com o imaginário, os quais funcionam como projeções que estão ali para que nos identifiquemos com elas. De fato, a todo momento estamos vulneráveis a ideais e estilos de vida externos, os quais tentam nos fazer acreditar que queremos aquilo. Porém existe um querer e uma motivação que não depende do que nos é apresentado, que não depende das tendências, e nem do que é imposto pela sociedade. Este querer vem de cada indivíduo, vem da personalidade e do imaginário de cada um, é individual.

Esta motivação, quando relacionada diretamente com o desejo do indivíduo, está atrelada à sua personalidade. E para analisar a personalidade de cada indivíduo a astrologia é um instrumento de autoconhecimento que pode ser utilizado. Antes de conhecermos os gostos do turista, ou seja, que tipo de atrativo turístico, de atividade turística e de destino ele prefere, é extremamente importante estar ciente de sua personalidade e aqui, personalidade se refere ao que se encontra consciente no indivíduo e ao que está também inconsciente.

Em relação ao consciente e inconsciente é importante lembrar que todos nós, seres humanos, estamos conscientes apenas de uma parte de nossa personalidade e de todas as nossas possibilidades de sermos quem somos. Muito do que somos está inconsciente, ou muitas vezes, em forma de dúvida, de incerteza. No consciente há a percepção clara de pensamentos, sensações, sentimentos e lembranças; no inconsciente existem sentimentos e desejos que não estão disponíveis ao consciente. Para Jung, o consciente e o inconsciente são complementares, assim como o yin e o yang o são, e Sombra é um nome dado ao inconsciente e Persona à consciência, a qual representa o comportamento mais aparente.

Por isso, em relação à escolha de atividades e destinos turísticos, existem gostos que se apresentarão com mais facilidade se questionados. Porém, existem outros gostos e desejos – e até mesmo certos tipos de bloqueios – que não são tão aparentes e que nem o próprio indivíduo pode estar ciente deles no momento. A astrologia identifica ambos e existe também para fazer com que os desejos inconscientes comecem a se tornar conscientes pelo indivíduo. Por isso é necessário ter o seguinte pensamento segundo Lamm em mente:

Precisamos reafirmar a existência e o valor do espírito… nossa sociedade [precisa] aprender que existe uma sabedoria maior à espera da nossa paciente investigação; que o homem é um animal espiritual, bem como bioquímico, psicológico, político, social, legal e econômico.

Por causa desta busca de um ser pleno, é preciso aventurar-se no interior de nós mesmos. Viajar pode ser uma forma de isto acontecer com mais facilidade pelo contato com paisagens, culturas e ambientes que provocam novas sensações e tiram o indivíduo de sua zona de conforto. No capítulo 3 será apresentada a teoria astrológica e como ela é incluída na busca de plenitude e/ou satisfação nas viagens, assim como sua relação com a personalidade e a percepção do turista.

The four elements

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3. Astrologia e suas Aplicações

A astrologia funciona como diz Freeman, como uma ponte que pode ligar tecnologia e simbologia, que pode ligar concretude e subjetividade, e ligar também ciência e religião. Historicamente falando é um conhecimento que teve várias fases, algumas de iluminação, outras de sombra, porém é um conhecimento ancestral que não é esquecido, ele inclusive está muito bem inserido no consciente e inconsciente coletivo.

A astrologia validada hoje tem sua origem no século I d. C. com o enfoque ‘humanista’ da astrologia […] busca levar as pessoas a adquirir uma compreensão mais consciente do significado mais profundo de suas experiências, de modo que possam ser capazes tanto de cumprir sua individualidade essencial como seu destino, ou seja, seu lugar e sua função no universo.

Esta individualidade essencial de que Rudhyar fala corresponde ao self do indivíduo, ou seja, ao seu ser. A astrologia pode servir de ajuda para a pessoa que quer se conectar com o seu ser, com quem ela realmente é. Esta utilização da astrologia lida com a ideia de que o universo pode guiar o indivíduo no caminho da sua própria verdade. Esta reformulação da astrologia visa atender as necessidades urgentes da atual sociedade do ocidente e tem muito a contribuir para a psicologia, a ciência e a outras áreas que lidam com o ser humano. Neste caso, o turismo tem potencial para acolher a astrologia, já que é uma área multidisciplinar e interdisciplinar e já que um de seus principais objetos de estudo é o ser humano turista.

Os conceitos e fundamentos da astrologia humanista têm base na consciência do ser humano e na estrutura espacial própria de cada um, fazendo valer-se em qualquer lugar da Terra. Ela deve ser direcionada para a qualidade do pensar, do agir, do sentir. Uma experiência humana é analisada a partir da qualidade desses fenômenos e não dos fenômenos em si. É esta qualidade que motiva o indivíduo, mesmo que esta motivação esteja inconsciente. Em relação à reconexão com a consciência, Arroyo diz:

Ao colocar o ser humano num quadro de referência cósmico, a astrologia, e somente ela, tem a capacidade de ressintonizar a consciência de uma pessoa com sua natureza essencial e de estimular um profundo nível de autoconhecimento. […] Se a astrologia for corretamente utilizada, não é preciso sobrepor a ela uma linguagem ou uma teoria complexa; ela pode ser apenas uma simples explicação dos fatores cósmicos e das energias vitais que operam dentro da pessoa e por meio dela.

A astrologia, se baseia nos movimentos dos astros em relação à Terra e às energias que são captadas pelos seres que vivem neste planeta. Os astros são representados pelos luminares e planetas: Sol, Lua, Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter, Saturno, Urano, Netuno e Plutão. Estes corpos se movem sistematicamente por uma órbita eclíptica. O zodíaco é a estrutura por onde os planetas e luminares se expressam. O zodíaco é dividido em doze partes, as quais cada uma representa uma constelação de estrelas fixas (que correspondem aos doze signos do zodíaco). Estas partes se encontram atrás da órbita do Sol, a base do mapa astrológico, o instrumento utilizado para realizar as interpretações da potencialidade e da personalidade de um indivíduo.

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3.1 Mapa astrológico

Mapa natal ou mapa astrológico é o conjunto de possibilidades de ser de uma pessoa. Nele estão presentes todas as características e informações referentes à personalidade, à percepção, à maneira de ver o mundo, às motivações, aos medos, aos desejos, aos obstáculos etc. Segundo Rudhyar, O mapa astrológico é encarado como a fórmula estruturalmente definidora da ‘natureza fundamental’ de uma pessoa. É um complexo símbolo cósmico – uma palavra ou logos revelador do que a pessoa potencialmente é. É o ‘nome celeste’ de uma pessoa e também um conjunto de instruções sobre como ela pode realizar melhor aquilo que por ocasião de seu nascimento era potencial puro – ‘potencialidade germinal’. O mapa astrológico é […] um meio para alcançar uma integração todo-abrangente da personalidade.

De acordo com Banzhaf e Haebler “No mapa astrológico expressa-se a interação entre três níveis de efeitos. São eles os planetas nos signos, os planetas nas casas e os aspectos entre os planetas”. Existe também a influência dos elementos, onde cada um possui um conjunto de características. Os elementos se destacam através dos signos do zodíaco e das casas astrológicas do mapa natal. Os elementos são Fogo, Terra, Ar e Água. Os signos Áries, Leão e Sagitário são pertencentes ao elemento Fogo; Touro, Virgem e Capricórnio, ao elemento Terra; Gêmeos, Libra e Aquário, ao elemento Ar e; Câncer, Escorpião e Peixes, ao elemento Água; assim como as respectivas casas astrológicas. Os elementos, no zodíaco, ditam os padrões de comportamento ligados à energia e consciência do indivíduo.

Seguindo com este raciocínio, a localização dos planetas nos signos e nas casas pode dizer muito a respeito do tipo de energia que tem maior domínio sobre o indivíduo, já que os signos e as casas manifestam as energias dos elementos. Cada casa astrológica corresponde a um signo do zodíaco, assim como os elementos, na seguinte ordem (Quadro 1):

Quadro 1 – Correspondência entre signos do zodíaco, casas e elementos

Os tipos de energia dos signos e das respectivas casas são similares, apenas são manifestadas de maneira diferente. Os signos representam a qualidade das experiências e as casas indicam as circunstâncias ou áreas da vida em que a experiência é adquirida ou praticada. Por isso a importância da localização dos planetas, pois eles dão um foco importante para a casa e o signo onde estão inseridos. E é através destas localizações que é calculada a quantidade de cada elemento astrológico presente no mapa natal de uma pessoa. Este cálculo será apresentado no subitem seguinte, sobre os elementos astrológicos.

Figura 1

Então o mapa natal é estruturado em signos do zodíaco e casas astrológicas (conforme Figura 1). Os planetas e aspectos entre eles se localizam nesta estrutura do mapa (Figura 2). Na Figura 1 os signos do zodíaco – os quais começam por Áries (logo abaixo da seta vermelha) e segue na ordem até Peixes (logo acima da seta vermelha) – são representados pelos símbolos da roda externa e as casas são os espaços entre os números da roda interna.

A Figura 2 mostra o mapa natal completo, com as localizações dos planetas –representados pelos símbolos localizados nas casas – nos signos e nas casas e a interação entre eles. O mapa natal apresenta todas as possibilidades de características de uma pessoa, apesar de nem todos serem conscientes. O entendimento do conjunto do mapa natal ajudará no autoconhecimento de qualquer indivíduo, podendo trazer a tona inclusive o que está inconsciente e, durante este processo, a realidade do que ele é e a melhor maneira de realizar seu potencial vai sendo revelada. Segundo Arroyo:

Figura 2

O mapa astrológico natal é traçado para o momento da primeira respiração, aquele instante em que estabelecemos imediatamente, e para toda a vida, a nossa sintonia com as fontes de energia cósmica. O mapa natal, portanto, revela seu padrão de energia, ou a sua sintonia cósmica com os quatro elementos. Em outras palavras, o mapa simboliza o padrão das várias manifestações vibratórias de que se compõe a expressão individual neste plano da criação.

O mapa natal é a estrutura da personalidade e em uma rápida análise já é possível identificar quais são os componentes que ditam sua personalidade mais aparente e/ou consciente. Mas existem alguns planetas e luminares e um método de análise baseado nos elementos astrológicos que podem definir a personalidade mais visível do indivíduo. O método de análise baseado nos elementos astrológicos indica principalmente a maneira como o indivíduo percebe as coisas ao seu redor e é um método básico e crucial para a identificação das motivações do turista.

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3.2 Elementos astrológicos

“Os elementos são a essência energética da experiência”. Os elementos na astrologia são Fogo, Terra, Ar e Água. Cada um deles representa um conjunto de características relacionadas a um perfil ou a qualidades de energias diferentes e que estão presentes em todos os indivíduos. Na astrologia e em relação ao ser humano, os elementos determinam o modo de ver e perceber objetos, fenômenos, situações etc., cada elemento representa um modo básico de ver a vida e é a primeira parte de diferenciação ou individuação do ser humano, ou seja, os elementos astrológicos são a primeira coisa que precisa ser analisada em um mapa natal para se começar a ter uma noção da personalidade do indivíduo e, de acordo com Lundsted,

Todos nós estamos buscando alguma coisa: alguns lutam por poder, alguns por espiritualidade; uns procuram riqueza ou segurança material e outros procuram experiências emocionais ou prazer num nível sensual. Todos vivemos e morremos, todos rimos e choramos – mas o que estimula uma pessoa pode não estimular a outra. A divisão […] FogoTerraArÁgua no horóscopo pessoal pode dar um insight nos impulsos e necessidades individuais. Esses […] elementos indicam, num nível […] básico, qual é o fluxo de energia natural do indivíduo e o que esta pessoa está buscando em sua vida.

Cada elemento, Fogo, Terra, Ar, Água, possui características que determinam padrões básicos de consciência e energia, os quais agem dentro das pessoas. De modo consciente, algumas pessoas se identificam ou se sintonizam mais com certos tipos de energia, ou seja, de elementos do que outras. Dentre desses quatro tipos básicos de energia, existem dois que são considerados dominantes na consciência do indivíduo, ou seja, estamos mais conscientemente conectados com dois elementos. Então a consciência do indivíduo opera, em termos de percepção básica, em dois elementos astrológicos.

A autora Karen Hamaker-Zondag, em seu livro Os Quatro Elementos e os Caminhos da Energia fala detalhadamente sobre os elementos e sua importância na influência da personalidade do indivíduo. Ela defende a ideia de que os elementos são a base da construção da personalidade e representam a percepção do indivíduo perante o mundo e os acontecimentos ao seu redor. Segundo a autora existe uma maneira de calcular quais são os elementos mais presentes no comportamento consciente de um indivíduo. Este cálculo é feito a partir dos planetas, luminares (Sol e Lua), ascendente e meio do céu e são suas respectivas localizações nos signos do zodíaco e nas casas astrológicas do mapa natal que indicam a maior ou menor absorção da energia de cada elemento. Verificam-se primeiramente os planetas presentes nos signos e seus respectivos elementos, depois identificam-se os planetas presentes nas casas astrológicas e também seus respectivos elementos. Utilizando o mapa natal de maior tamanho da Figura 2 como exemplo, a contagem dos elementos – através da localização dos planetas – funciona da seguinte maneira (Quadro 2):

Quadro 2 – Soma da quantidade de cada elemento astrológico presente no mapa natal

Para a elaboração do Quadro 2 primeiramente foram identificadas as localizações dos planetas e luminares no mapa natal – primeiro nos signos do zodíaco e depois nas casas astrológicas. O que é considerado no momento de verificar a localização dos planetas e luminares nos signos e nas casas não é o signo do zodíaco em si e nem o signo correspondente à casa astrológica, mas sim o elemento astrológico relativo ao signo e à casa.

Na segunda coluna foram observados os planetas e luminares presentes nos signos do zodíaco, ao mesmo passo que foram observados os elementos destes signos. Então foi verificado, no mapa natal da Figura 2, que o Ascendente e Urano se encontram em signos do elemento Fogo (Áries e Sagitário respectivamente); o Meio do céu, Lua, Marte e Netuno se encontram em signos do elemento Terra (Capricórnio e Virgem); Sol, Vênus e Júpiter se encontram em signos do elemento Ar (Libra e Aquário); e Mercúrio, Saturno e Plutão encontram-se em signo do elemento Água (Escorpião).

Na terceira coluna foram observados os planetas e luminares presentes nas casas astrológicas, ao mesmo tempo que seus elementos correspondentes também foram observados. Foi verificado então que Urano está localizado em uma casa de Fogo (casa 9); Lua, Marte e Netuno estão localizados em casas de Terra (casas 6 e 10); Sol, Vênus e Júpiter estão presentes em casas de Ar (casas 7 e 11); e Mercúrio, Saturno e Plutão estão presentes em uma casa de Água (casa 8).

A soma do número de planetas, luminares, ascendente e meio do céu em cada elemento astrológico é o que determina os elementos dominantes e os elementos que agem no inconsciente de cada pessoa. No mapa natal da Figura 2 o primeiro elemento dominante é Terra (com somatório de sete pontos), pois foi o elemento com maior número de planetas, luminares, ascendente e/ou meio do céu localizados nele. O segundo elemento dominante é Ar (com somatório de seis pontos). O segundo elemento dominante é Ar, e não Água, porque o que determina um elemento dominante em caso de empate é o Sol, como Hamaker-Zondag mesmo diz: “o Sol desempenha um papel especial em qualquer conclusão sobre os elementos”; isto porque ele “representa o espírito, ou o verdadeiro self.”. Na Figura 2 o Sol está posicionado em signo e casa de elemento Ar, então Ar é o segundo elemento dominante neste caso.

Este cálculo é utilizado então para mostrar os elementos que agem no consciente e os que costumam agir no inconsciente de cada pessoa. Os dois elementos que estão mais presentes no consciente são os de maior pontuação e são eles que vão determinar a maneira de perceber do indivíduo. Sem esquecer, é claro, que o Sol, a Lua e o Ascendente influenciam também de modo determinante. Isto porque o Sol representa a auto expressão, a vitalidade, o senso de individualidade e a energia criativa; a Lua representa a maneira de refletir e reagir, os sentimentos, emoções, instintos e a imagem que o indivíduo tem de si mesmo; e o Ascendente representa a personalidade externa, aquela que é reconhecida pelos outros e também influencia no modo de agir. Por isso eles também contam no momento de calcular os elementos dominantes de uma pessoa.

Mesmo que existam um ou dois elementos que sobressaiam conscientemente, ou seja, que dominam a maneira de perceber objetos e situações, todos os seres humanos acolhem os quatro elementos em seu ser. A seguir serão apresentadas as características dos quatro elementos astrológicos de acordo com Arroyo, Hamaker-Zondag, Banzhaf e Haebler e Lima.

3.2.1 Fogo

Pessoas de elemento Fogo são movidas por dinamismo, espontaneidade e intuição. Sua percepção em relação a como as coisas são ou deveriam ser é intuitiva. Têm receptividade às experiências, tentando sempre encontrar seu sentido ou o que está por trás delas. Têm uma grande necessidade de se expressarem, de mostrar seu próprio eu, já que têm muita fé neles mesmos, e também necessitam de liberdade para essa auto-expressão. Expansividade, impulsividade, vitalidade e entusiasmo são palavras-chave do elemento Fogo. Suas motivações se encontram na espontaneidade de entusiasmo, na criatividade e generosidade e no encontro de um sentido para as coisas. Buscam aprimoramento da vontade, alcance de objetivos, melhor maneira de se expressar e ideais.

3.2.2 Terra

A realidade do momento presente é valorizada por indivíduos de elemento Terra. São muito ligados ao mundo material, ao que é concreto e perceptível pelos sentidos. A beleza é essencial para seu mundo e ela pode ser sentida através dos cinco sentidos (visão, audição, olfato, paladar e tato). Geralmente contam mais com suas sensações e com sua praticidade. Cautela e segurança são imprescindíveis para se sentirem à vontade. Costumam ser pacientes e disciplinados. São motivados pela rotina e a satisfação perante ao que é conhecido, pelo valor aos detalhes e pela responsabilidade. Buscam segurança, a apreciação e a realização e concretização.

3.2.3 Ar

Em Ar o pensamento, as ideias e as teorias são muito importantes. O entendimento das experiências passa por uma análise objetiva e lógica e podem ter uma maneira imparcial de enxergar as coisas. Não necessariamente seus pensamentos e conceitos estão certos, mas representam a realidade do próprio indivíduo e por isso nem sempre a praticidade faz parte de seus raciocínios. São comunicativos e gostam de trocar ideias com outras pessoas, já que a socialização também é muito importante para pessoas de elemento Ar. Geralmente possui flexibilidade nas suas falas nas suas ações. O que os motiva é a originalidade, a curiosidade e a vontade de conhecer. Buscam a diversidade, a harmonia, o conhecimento e o equilíbrio.

3.2.4 Água

Pessoas de elemento Água percebem o mundo de maneira emocional. Sentimentos despertados por momentos, pessoas ou objetos são muito importantes. Sua sensibilidade os torna vulneráveis e muitas vezes esconde o que sente e pode ser difícil expressar seus sentimentos com palavras. Tem a possibilidade de compartilhar dos sentimentos das pessoas a sua volta e da energia do ambiente. O que é intangível é valorizado pelas pessoas de elemento Água. Motivações para indivíduos de Água são a solicitude, o que é profundo e a vontade de viver experiências além do corpo. Suas buscas incluem confiança, segurança para se expressar, controle emocional e união com o divino.

Os quatro elementos astrológicos apresentados anteriormente se referem a um conjunto de características, percepções e energias que motivam um indivíduo internamente e externamente. Estas características podem ser perceptíveis pelas próprias pessoas e pelos outros. Estas mesmas características dos elementos astrológicos podem ser também referentes a atividades externas, como as atividades turísticas. No próximo capítulo os temas turismo e astrologia serão ligados, assim como as percepções do turista e as atividades turísticas correspondentes com os tipos de percepções, ambos baseados nos elementos astrológicos.

4. Turismo e Astrologia

A astrologia já foi assunto abordado e pesquisado na área do marketing. Gulmez, Kitapci e Dortyol, Mitchell e Mitchell e Haggett são autores que pesquisaram a influência da astrologia no comportamento do consumidor. Este conhecimento já é utilizado no mundo dos negócios como cita Mitchell:

A astrologia entrou também no mundo dos negócios. Já em 1973, Herzberg registrou que os astrólogos foram consultados sobre problemas como locais de plantas, recrutamento e mudanças no mercado. Ele relatou entrevistas com dois consultores astrológicos. A primeira, Katina Theodossiou, disse que ela tem 52 clientes corporativos na Europa e nos EUA. O segundo, Hans Genuit, afirmou que ele aconselhou mais de 80 empresas em 28 países. Herzberg sugeriu que uma das razões para esse interesse em astrologia era que ‘todos nós temos a sensação subjetiva que existem coisas não probabilísticas acontecendo. A astrologia ajuda psicologicamente as pessoas a impor um padrão nisso’.

Também é possível que a astrologia se encaixe nas tendências que surgem nos dias atuais sobre a prática do turismo relacionada à máxima satisfação do turista e sobre como o mercado pode satisfazê-los e atender a desejos específicos e ainda, saber conduzir e direcionar esses desejos para que haja satisfação. E em se tratando de como seria possível fazer isto, Gulmez, Kitapci e Dortyol se prontificam:

Os comerciantes devem saber quem o consumidor é e quais são os fatores internos e externos que criam os consumidores. Isso porque o consumidor toma a decisão de compra em relação à pressão desses fatores. A psicologia e a sociologia têm sido utilizadas para determinar os fatores internos e externos. Em geral, os fatores psicológicos ou internos são personalidade, percepção, atitude e motivação.

E Cohen finaliza:

Não existe o turista enquanto tal, mas uma variedade de tipos de turistas ou modos da experiência turística. […] Aquilo que ele denomina o ‘experiencial’, o ‘experimental’ e o ‘existencial’ não se apoia na bolha ambiental dos serviços turísticos convencionais.

Precisa-se pensar no indivíduo se quisermos que o turismo seja uma atividade consciente. Precisa-se de serviços que atendam e ofereçam atenção e cuidado relativos à personalidade do turista. Deste modo começa a ser viabilizado um olhar mais humano a esta atividade que tem (ou deveria ter) o ser humano como foco principal.

Os elementos são imprescindíveis para se ter uma noção de como o ser humano percebe os objetos e fenômenos a sua volta, por isso eles foram escolhidos para a elaboração dos perfis do turista. Obviamente é necessário avaliar todo o seu mapa natal para se ter uma ideia bem formulada de quem a pessoa é, que atividades ela encara com mais facilidade e quais são vistas como difíceis, que tipo de viagem poderia ajudá-la a desenvolver potencialidades e a enfrentar obstáculos. Esta parte será desenvolvida em estudos posteriores.

Será apresentado aqui atividades turísticas que podem corresponder às características dos quatro elementos astrológicos. Foi analisada a energia de cada elemento e as energias que as atividades podem proporcionar. A seguir (Quadro 3) será feita uma relação entre as formas de percepção do turista com base nos elementos astrológicos, apresentadas anteriormente, e as atividades turísticas que potencialmente proporcionam as energias e sensações semelhantes ao conceito de cada elemento astrológico.

Quadro 3 – Os elementos astrológicos e as respectivas atividades turísticas

No presente trabalho, destacaremos os gostos aparentes, os desejos e as motivações que estão relacionados à personalidade consciente. Não há uma regra concreta, na astrologia, que indique qual a melhor maneira de identificar apenas em uma rápida análise do mapa natal de uma pessoa quais são os componentes do mapa que ditam sua personalidade mais aparente. Mas existem alguns planetas e luminares, ascendente e método de análise baseado nos elementos que podem definir a personalidade do indivíduo. O método de análise baseado nos elementos astrológicos indica principalmente a maneira como o indivíduo percebe as coisas ao seu redor e é um método básico e crucial para a identificação das motivações do turista.

Em algumas tipologias do comportamento do turista é possível identificar a semelhança das características de cada componente motivacional com os elementos da astrologia (Fogo, Terra, Ar e Água), os quais definem a percepção do indivíduo perante o mundo. Dentre as tipologias criadas por Beard e Ragheb, Cohen, Plog e Westvlaams Ekonomisch Studiebureau, algumas foram selecionadas para mostrar esta semelhança. Mesmo assim é necessário deixar esclarecido o fato de que a intenção deste trabalho é dar início a uma exploração das possibilidades de ser e de expressão do turista. O objetivo aqui não é delimitá-los somente em um tipo de perfil, pois todos os indivíduos possuem a combinação dos quatro elementos astrológicos e que todos têm influência nas suas personalidades, mesmo que alguns elementos sobressaiam mais que outros. Mas como foram encontradas certas semelhanças nas tipologias de perfil do turista dos autores citados, foi escolhido apresentá-los para uma referência mais clara das características dos elementos astrológicos.

4.1 Tipologias do comportamento do turista semelhantes ao elemento Fogo

As seguintes tipologias possuem semelhanças com as características do elemento Fogo da astrologia:

Beard e Ragheb: “O componente domínio-competência, que determina até que ponto os indivíduos se envolvem em atividades de lazer para alcançar, dominar, desafiar e competir”. Esta tipologia está ligada ao espírito dinâmico, explorador e expressivo do elemento Fogo.

Cohen: “O explorador, que compõe sua própria viagem de férias, empreendendo-a de forma a deliberadamente evitar contatos com outros turistas. Se por um lado pretende encontrar pessoas locais, por outro espera certo nível de conforto e segurança”. Esta tipologia traduz de forma clara o comportamento geral de um indivíduo de elemento Fogo dominante, pois nela encontramos a característica do explorador, do pioneiro, do descobridor e do ativo.

“O turista existencial, que pretende imergir totalmente na cultura e nos estilos de vida de sua destinação de férias” Cohen. Aqui as características ligadas à espiritualidade, autenticidade, captação do essencial são destacadas na semelhança com o elemento Fogo.

Plog: “Quase-alocêntricos: procuram desafios, e muitos optam pelo ecoturismo”. Esta tipologia de Plog também destaca o lado explorador, ativo e aventureiro do elemento Fogo.

Westvlaams Ekonomisch Studiebureau: “Os exploradores, que gostam de férias culturais e alguma aventura, mas também desejam conhecer outras pessoas”.

4.2 Tipologias do comportamento do turista semelhantes ao elemento Terra

Cohen: “O turista de massa organizado, que compra suas férias num pacote para uma destinação popular e prefere excursionar com um grupo numeroso de outros turistas, seguindo um itinerário predeterminado e inflexível. Em geral, esse tipo de turista não costuma se aventurar para muito longe da praia ou de seu hotel”. Esta tipologia pode ou não caber para indivíduos de elemento Terra dominante, pois a descrição do turista de massa organizado é demasiado rígida. Esta tipologia não deixa de possuir semelhança com algumas características do elemento Terra – como segurança e inflexibilidade –, porém existem outras características do elemento Terra que podem fugir desta descrição, como veremos a seguir.

Plog: “Psicocêntricos: turistas de massa que procuram segurança, viajando acompanhados de guias turísticos. A denominação deriva de psyche ou autocentrado, sendo este tipo de turista caracterizado por uma personalidade mais inibida e avessa a aventuras. Os psicocêntricos preferem um ambiente familiar (‘ocidentalizado’), em que podem manter seus hábitos de vida, mesmo quando estão em viagem. São os turistas que procuram resorts já popularizados”.

4.3 Tipologias do comportamento do turista semelhantes ao elemento Ar

Beard e Ragheb: “O componente intelectual, que determina até que ponto os indivíduos são incentivados a práticas de lazer envolvendo atividades mentais, como aprender, explorar, descobrir, pensar ou imaginar”. Como o elemento Ar é intimamente ligado aos pensamentos e ao intelecto, esta tipologia descreve muito bem a essência deste elemento. O elemento Ar rege a curiosidade mental e a necessidade de entendimento dos fenômenos.

Plog: “Alocêntricos: são aqueles que querem descobrir novos destinos, explorando culturas estrangeiras e com espírito de aventura”. Assim como o elemento Fogo, o Ar também é um explorador. Mas o elemento Ar atribui ao verbo “explorar” um significado mais intelectual. As limitações do elemento Ar em relação a explorações e descobertas são menores em relação ao elemento Fogo, pois o pensamento não tem limites e o mesmo é confundido com a matéria no elemento Ar.

Cohen: “Alternativos: este tipo de turista busca o ineditismo a todo custo, e até mesmo o desconforto e o perigo. Eles tentam evitar qualquer contato com os ‘turistas’. A novidade é seu objetivo total”. O elemento Ar precisa de exclusividade, a descoberta do novo é muito prazerosa.

Cohen: “O turista experimental, cujo desejo primordial é o de estar em contato com a população local”. Um ponto importante para o elemento Ar são as relações

interpessoais, a importância de trocar experiências com os outros e de aprender com o outro.

4.4 Tipologias do comportamento do turista semelhantes ao elemento Água

Cohen: “O turista individual de massa, que compra um pacote mais flexível que lhe proporcione mais liberdade, por exemplo, férias incluindo a passagem aérea e o uso do carro. É mais provável que o turista individual de massa busque, ocasionalmente, uma experiência nova”. O elemento água é um pouco mais flexível que o elemento Terra, ele vai buscar emoções e acontecimentos e paisagens que o toque sentimentalmente.

Westvlaams Ekonomisch Studiebureau: “Os que visam ao contato com as pessoas, para fazer novos amigos nas férias e serem bem recebidos pelas pessoas locais”. Esta tipologia está ligada ao caráter social do elemento água e também à necessidade de se sentir em casa e acolhido em um local.

O problema de se basear somente nestas tipologias acadêmicas do perfil do turista é que elas acabam por limitar o turista em um só tipo de perfil, enquanto aqui está claro que o indivíduo possui a combinação de todos os elementos – mesmo que alguns se sobressaiam mais que outros – e que os elementos representam o tipo de percepção básica do indivíduo e não todo o conjunto de características que formam a sua personalidade. Outro aspecto que é importante destacar é que conforme os turistas amadurecem e viajam eles vão ganhando experiência e grandes chances de desenvolverem os outros elementos menos conscientes ou inconscientes.

É importante deixar claro que as referências e explicações feitas aqui são relativas diretamente aos elementos astrológicos e não aos indivíduos especificamente. Os indivíduos absorvem as características e qualidades dos elementos, contudo a astrologia é complexa e há outros aspectos da mesma que tem influência sobre o indivíduo, como o signo solar, a posição dos planetas e luminares, os aspectos entre esses planetas etc. bem como a cultura e a história do mesmo. O presente trabalho foca primeiramente na base da energia humana, ou seja, nos elementos astrológicos.

De fato, há pesquisas relacionando marketing e astrologia, os estudos realizados por Gulmez, Kitapci e Dortyol, Mitchell e Mitchell e Haggett nesta área elaboram uma ligação do comportamento do consumidor com seu signo solar astrológico. O comportamento do consumidor possui relação com o turismo no momento em que se analisa o comportamento do turista e que destinos e serviços turísticos ele prefere consumir. Porém não foram encontrados materiais que relacionem turismo e astrologia no Brasil. Esta pesquisa possui, em um primeiro passo, caráter exploratório. No item a seguir – Metodologia de Pesquisa – será apresentado o modelo de pesquisa escolhido para a elaboração do presente trabalho.

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