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Mais sobre a Transmissão do Zodíaco Babilônico para a Grécia

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O Caso das Previsões de Natividade e seu Legado Moderno

Dr. Nicholas Campion

Director of the Sophia Centre for the Study of Cosmology in Culture and Senior Lecturer, School of Archaeology, History and Anthropology.
University of Wales Trinity Saint David

Tradução:
César Augusto – Astrólogo

Traduzido com a permissão do autor.

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Resumo

Este artigo considerará evidências da transmissão do zodíaco babilônico para a Grécia. Os chamados “Nativity Omens”, datados do início do quinto século, descrevem um zodíaco que, representado através de relações zodiacais com os planetas, possui personalidade e significado da mesma maneira que o zodíaco grego retratado em textos do Tetrabiblos de Claudius Ptolomeu no 2° século d.C., e o conceito visual do zodíaco como uma imagem viva. Este artigo argumentará que o que normalmente é considerado um recurso da cosmologia grega deve agora ser visto como babilônico, e é significativo para nossa compreensão o tardio conceito babilônico do zodíaco. A continuidade entre o babilônico e astrologia moderna também é discutida.

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Este artigo diz respeito à relação entre a astrologia babilônica e grega, algo que, para os estudiosos modernos, tem sido frequentemente controverso: durante a maior parte dos séculos XIX e XX, eruditos clássicos enfatizaram as diferenças entre as duas culturas, enquanto os estudantes de escrita cuneiforme têm enfatizado as semelhanças. A questão pode ser vista como descontinuidade versus continuidade. Eu também estendo a discussão à astrologia moderna, levantando a possibilidade da continuidade entre a astrologia babilônica e os esquemas ensinados nas escolas astrológicas do século XX. O material antigo que considero neste artigo é fragmentário e minha discussão, portanto, necessariamente especulativa, mas espero que não seja excessivamente.

Os argumentos relativos aos detalhes específicos da transmissão da astrologia da antiga cultura para a tardia pode ser entendido dentro do problema mais amplo do corpo de estudo como um todo. Como G.E.R. Lloyd escreveu:

A questão da dívida da ciência grega ao Egito e à Babilônia tem sido, desde a antiguidade, um tema emotivo; muitas vezes tem sido argumentado, por antigos e modernos escritores, tanto que os gregos deviam tudo ou que não deviam nada, à sabedoria oriental, enquanto questões fundamentais relacionadas aos processos de transmissão e da interpretação do que foi transmitido foi ignorado.

A natureza do emotivo debate sobre a relação entre o grego e o conhecimento babilônico tem tendido a ofuscar os recentes avanços acadêmicos sobre a compreensão do mundo antigo. Como Peter Kingsley, que é um duro crítico da ortodoxa Helenofilia ocidental – amor por todas as coisas do Grego – coloca, ‘mitos sobre o assunto de um único mundo grego auto-fechado ainda abundam na imaginação acadêmica.3 E, como Walter Burkert argumentou, nós devemos abandonar a visão de que os gregos marcharam todo o caminho do mythos aos logos, da superstição à razão, isoladamente de seus vizinhos orientais.4 A natureza da transição da astrologia e astronomia babilônica para a Grécia, especialmente após o quinto século a.C., agora é bem compreendida dentro deste campo, especialmente entre os estudiosos cuneiformes.5 No entanto, no histórico mais amplo do mundo, a noção de uma ruptura acentuada entre o caráter grego e babilônico persiste no corpo de estudo. Por exemplo, em um livro recente, a suposta ‘ânsia’ dos gregos pela novidade é contrastada com os ‘impérios monolíticos e eternos da Babilônia e do Egito’. Tais caricaturas podem ser compostas por pecados de omissão. Para exemplo Jim Tester começou sua própria história da astrologia ocidental, um trabalho padrão publicado em 1987, com apenas uma menção da contribuição babilônica. O erro é ainda agravado pela noção, compartilhada por muitos historiadores, de que a tradição astrológica no mundo ocidental efetivamente morreu no século XVII.

3 Kingsley, Peter, Ancient Philosophy, Mystery and Magic: Empedocles and Pythagorean Tradition, Oxford: Clarendon Press 1995, p. 9. See also Pingree, David, ‘Hellenophilia versus the History of Science’, ISIS 1991, Vol. 83, pp. 554-563, Tester, Jim, A History of Western Astrology, Woodbridge, Suffolk: Boydell Press 1987, pp. 17-18 and For discussion see Finkelstein, J, ‘The Ox That Gored’, Transactions of the American Philosophical Society, Vol. 71, part 2, 1981, Philadelphia 1981.
4 Burkert, Walter, Babylon Memphis Persepolis: Eastern Contexts of Greek Culture, Cambridge, MA: Harvard University Press, 2004, p. 66.
5 See example, Neugebauer, Otto, ‘The Survival of Babylonian Methods in the Exact Sciences of Antiquity and Middle Ages’, in Proceedings of the American Philosophical Society, Vol. 107, no 6, December 1963, p. 531; Rochberg-Halton, Francesca, ‘Elements of the Babylonian Contribution to Hellenistic Astrology’, Journal of the American Oriental Society , Vol. 108, no 1, January-March 1988, p. 52; Jones, Alexander, ‘Babylonian Astronomy and its Legacy’, Bulletin of the Canadian Society for Mesopotamian Studies, Quebec, 32, 1977, pp. 11-17; Jones, Alexander, ‘Evidence for Babylonian Arithmatical Schemes in Greek Astronomy’, in Die Rolle der Astronomie in den Kulturen Mesopotamiens, Grazer Morganländische Studien, 3. pp. 77-94, ed. Hannes D. Galter, Graz:: RM-Druck-& Verlagsgesellchaft m.b.H 1993.

Uma característica significativa da astrologia no período babilônico tardio, para o qual a evidência existente data do quinto século a.C., é a aparente imposição de uma ordem matemática abstrata para os céus. O exemplar icônico de essa nova ordem era o zodíaco de doze signos de tamanho igual, uma divisão do céu em seções puras que desconsideraram as dimensões desiguais das constelações, e que foi primeiramente atestada em um tablet datado de 475 a.C.9 A invenção dos doze signos do zodíaco foi complementada pela primeira aplicação da genetialogia conhecida, o uso do mapa de nascimento com a aplicação de posições astronômicas no nascimento a fim de fazer previsões sobre o futuro e qualidade de vida, os primeiros exemplos existentes datam de Janeiro e Abril de 410 a.C., respectivamente.10 Essa prática foi influentemente associada por August Bouché-Leclercq como cosmologia grega, especificamente como fatalismo estoico.

9 Bartel van der Waerden, ‘History of the Zodiac’, in Bulletin fur Orientforschung, 1952 – 3, Vol. 16, pp. 216-30.
10 Francesca Rochberg, Babylonian Horoscopes, Philadelphia: American Philosophical Society, 1998, pp. 51-6.

A noção de Bouché-Leclercq de que a astrologia horoscópica era fundamentalmente de caráter grego é tão persistente quanto a ideia de que a aprendizagem grega era fundamentalmente diferente ao caráter babilônico. Jim Tester assumiu que esse foi o caso, buscando apoio na declaração de Otto Neugebauer de que “a principal estrutura da teoria astrológica é, sem dúvida, helenística.12 Bouché-Leclercq, no entanto, não levou em consideração a publicação do texto do mapa de nascimento de 410 a.C., de um horóscopo cuneiforme, em A. J. Sachs na terminologia 1888-9, dez anos antes de seu próprio trabalho ser publicado.13 A terminologia indica, portanto, que as primeiras cartas de nascimento da Babilônia conhecidas foram feitas pelo menos um século antes da exposição da astrologia babilônica ao mundo grego, seguindo as conquistas de Alexandre no final do século IV a.C.

12 Neugebauer, Otto, The Exact Sciences in Antiquity, 2nd edition, New York: Dover Publications, 1969, p. 80, Tester, Western Astrology, p. 12.
13 Sachs, A.J., ‘Babylonian Horoscopes’, Journal of Cuneiform Studies, 1952, Vol. 6, pp. 49-75.

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O Zodíaco: O Contexto Grego

A natureza fragmentária das obras astronômicas clássicas sobreviventes torna impossível estabelecer a discussão do primeiro zodíaco em grego. O uso mais antigo da palavra Zōidion (ζῴδιον)  foi feito pelo historiador Heródoto, por volta de 500 a.C., e claramente significava uma imagem esculpida. Em um contexto religioso, imagens esculpidas de divindades continham a essência divina que estava representada. O segundo exemplo conhecido, de Aristóteles, se conforma ao moderno significado do zodíaco como um trajeto das constelações. Por exemplo, não temos indicação definitiva se Platão, o professor de Aristóteles, sabia disso no quarto século a.C. Ele certamente considerou o sólido mais perfeito depois da esfera, representando os céus, como as doze faces do dodecaedro, se embora as faces sejam meses, constelações ou signos do zodíaco, ele não nos dá nenhuma ideia. Seja qual for a intenção de Platão, a aparência anterior do zodíaco na Babilônia não é a questão concernente no debate.

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Continuidade da Astrologia Babilônica na Astrologia Grega

Francesca Rochberg chamou a atenção para uma série de características técnicas da astrologia babilônica, que anteriormente eram consideradas como características da arte grega. Estas características dizem respeito a um refinamento do zodíaco em que foi alocado de relações específicas com os planetas, fornecendo um meio através do qual eles se moviam. O funcionamento do zodíaco e, de fato, o zodíaco como um fenômeno, portanto, torna-se inseparável dos movimentos dos planetas. Os próprios planetas então se comportavam de maneiras diferentes enquanto se moviam, e seu significado para os astrólogos mudou quando eles passaram de um zodíaco para outro. Por exemplo, Rochberg chama a atenção para o nisirti, ou locais de segredo, signos do zodíaco ou constelações, em que os planetas são fortes.15 Ela argumentou que estes foram adotados na astrologia grega como as exaltações, sete signos do zodíaco em cada um dos quais um dos planetas era considerado forte. Ela também chamou a atenção para a evidência da divisão dos planetas em qualidades, inerentemente benévolos ou essencialmente malévolos; Júpiter, Vênus e Mercúrio parecem ser benéficos, enquanto Saturno e Marte eram maléficos.17 O sistema é atestado na literatura grega em que, conforme relatado pelo astrônomo alexandrino Cláudio Ptolomeu no segundo século d.C., os planetas foram divididos em dois grupos, “benéficos”, “maléficos”, com uma terceira categoria, neutro. Em uma ligeira variação com o esquema babilônico, Júpiter e Vênus, junto com a Lua, eram benéficos, Saturno e Marte eram maléficos. O Sol e Mercúrio constituíam um terceiro par, fora da estrutura dualista, e eram neutros.

15 Rochberg-Halton, Francesca, ‘Elements of the Babylonian Contribution to Hellenistic Astrology’, Journal of the American Oriental Society, Vol. 108, no 1, January-March 1988a, pp. 51-62. For a response see Chris Brennan.
17 Rochberg-Halton, Francesca, ‘Benefics and Malefics in Babylonian Astrology’, in E. Leichty et al., eds., A Scientific Humanist: Studies in Memory of Abraham Sachs (Occasional Publications of the Samuel Noah Kramer Fund 9, Philadelphia, Pa, 1988), pp. 323-328.

É tentador ver o aparecimento do primeiro presságio de natividade e depois as cartas nascimento, sob o domínio persa no quinto século a.C., como evidência de um aumento da preocupação zoroastriana com o destino individual no contexto de um cosmos que foi dominado pela polarização entre o mal escuro e a boa luz. Isso, em certo índice foi o argumento proposto por Bartel van der Waerden na década de 1970. A teoria não é favorecida por nenhum estudioso cuneiforme, alegando que não há evidência textual direta dos sacerdotes zoroastrianos sobre os astrólogos babilônios, e Rochberg identifica um ancestral sistema para o catálogo de estrelas, no Mul Apin, possivelmente datado do final do segundo milênio a.C. e, portanto, anterior a ocupação persa. A aparente coincidência de uma mudança dualista da religião com a astrologia permanece provocativa.

Signos do Zodíaco – Nomes dos Deuses – Marduk, Ishtar, Nergela, Ninib e outros.

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Planetas Maléficos e Benéficos em Horóscopos Babilônicos

Rochberg comentou que ‘Infelizmente, a conexão entre o ordem dos planetas’, referindo-se à seqüência em que eles são comumente listados em textos cuneiformes, ‘e sua identidade como benéfica ou maléfica não pode ser mostrada em horóscopos’. Este pode ser o caso se correspondermos à ordem planetária com a qualidade planetária e as evidências dos horóscopos. Contudo, deixando a ordem planetária de lado, pode ser possível ligar a qualidade planetária dos horóscopos, e as evidências podem ser identificadas no mapa de nascimento calculado para 29 de abril de 410 a.C., o primeiro a incluir uma interpretação. O texto fornece as seguintes posições planetárias; lua “abaixo do chifre do Escorpião (isto é, Libra), Júpiter em Peixes, Vênus em Touro, Saturno em Câncer e Marte em Gêmeos. Mercúrio era invisível, estando muito perto do sol para ser visto, e assim foi ignorado. O sol em si não foi mencionado. Isso é seguido pela interpretação “(coisas?) vai (?) ser bom antes de você”, de acordo com Sachs, ou, na versão de Rochberg, “(coisas?) será propício para você.” seu status como a mais antiga previsão astrológica conhecida feita com base em posições planetárias de nascimento, nos apresenta a questão de saber se podemos reconstruir as premissas sobre as quais o astrólogo alcançou sua conclusão.

Na astrologia grega, o sistema planetário dos benéficos e malévolos era complementado por um sistema em que cada planeta governava um ou dois signos zodiacais. Se localizado em um signo governado, o poder do planeta é fortalecido. Se nisirti babilônico, ou as exaltações gregas, benéficas e malévolas da regência planetária babilônica, e os regentes planetários dos gregos, forem depois aplicados a previsão do mapa de nascimento de abril de 410 a.C., os dois grandes planetas “benéficos”, Júpiter estarão em Peixes, que, no sistema grego governava, enquanto Vênus estará em Touro, seu regente. Saturno, o planeta mais destrutivo, estará em Câncer, em frente ao seu regente Capricórnio. Este último é um enigma. Evidências da astrologia moderna sugere que o poder maléfico de Saturno pode ser enfraquecido em tal posição, embora tal interpretação não seja apoiada no textos.25 O Sol, não é mencionado no texto, porém, estava em sua exaltação e, portanto forte, somando-se a uma leitura possivelmente benevolente. O argumento pode ser tênue, dados os textos atualmente disponíveis, mas pelo menos há evidência para o uso dos perfis planetários codificados que estavam sendo formulados a partir de meados do primeiro milênio a.C. Teríamos que aceitar, no entanto, que os regentes, como o nisirti e as qualidades benéficas e maléficas, são de origem babilônica.

25 Margaret Hone, The Modern Textbook of Astrology, London: L.N. Fowler, fourth edition reprinted 1973, [1951], p. 144.

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Os Presságios da Natividade

A principal evidência para um sistema dualista de qualidade planetária é encontrada nos chamados presságios da natividade. Não sabemos o quão remota a tradição da natividade data, por isso temos que trabalhar com a suposição de que a data, como os textos existentes indicam, é a partir do início do quinto século a.C., parte desta mesma série de inovações incluiu o zodíaco de doze signos iguais. Os presságios eles mesmos consistiam em declarações padronizadas, claramente projetadas para avaliar perspectivas da criança no nascimento. Estes foram compostos em um formulário padrão, lê-se, por exemplo, “Se uma criança nasce e Júpiter surge”.26

26 Sachs, A.J., ‘Babylonian Horoscopes’, Journal of Cuneiform Studies, 1952, Vol. 6, p. 68. See also Rochberg, The Heavenly Writing, pp. 202-8.

As leituras cruciais são estas:27

a criança nascida sob Júpiter terá uma “vida normal” … ficará rica (e) vai envelhecer.
a criança nascida “quando Vênus tiver surgido”, terá uma vida que é “excepcionalmente calmo (e) favorável ‘e marcado pela longevidade.
a criança nascida com Marte pode ter um temperamento quente.
a criança nascida quando Saturno tiver surgido viverá uma vida que é “sombria, obscura, doentes e constrangidos ».

27 Sachs, A.J., ‘Babylonian Horoscopes’, p. 68. See also Rochberg, Francesca, The Heavenly Writing: Divination and Horoscopy, and Astronomy in Mesopotamian Culture, Cambridge: Cambridge University Press, 2004; Rochberg-Halton, ‘Benefics and Malefics’, p. 325.

Origins of the Tājika System of Astrological Aspects and Dignities

O tom dessas descrições é fascinante. Eles lidam parcialmente com circunstâncias externas, tais como riqueza e pobreza, mas também são internas e psicológicas, como vemos especialmente nas leituras de Marte e Vênus. Isso realmente é absolutamente notável: no quinto século a.C., vemos o surgimento de uma sistema que depende de uma compreensão relativa da relação entre espaço e tempo. A disposição psicológica de uma criança é dependente no momento do nascimento, e a disposição dos planetas no espaço  e tempo daquele momento. A característica significativa destas passagens em termos do desenvolvimento histórico de significado astrológico, é que as personalidades dos planetas parecem se tornar padronizadas nas formas em que são retratadas na literatura grega: Vênus é benevolente, Júpiter confere riqueza, Marte traz um temperamento quente e Saturno significa restrições.

Em seu sistema psicológico, setecentos anos depois, Cláudio Ptolomeu aceita que cada planeta tenha uma função benigna e difícil, dependente em sua localização no zodíaco e relação com outros planetas. Assim, ele argumentou, Marte pode tornar as pessoas majestosas, nobres e fortes quando honrosamente colocado, mas quando difícil, é “imprudente, desregrado, indiferente, teimoso, perspicaz, obstinado, desdenhoso, tirânico (e) facilmente irritável. Isto é um pouco semelhante a afirmação dos presságios da natividade que, na tradução de Rochberg-Halton, ‘(ele será) rápido para se irritar.29

29 Rochberg-Halton, ‘Benefics and Malefics’, p. 325; Sachs ‘Babylonian Horoscopes’, p. 68.

Ptolomeu continuou: ‘Se somente Vênus assumir o domínio da alma em uma honrosa posição, ela faz seus assuntos agradáveis, bons, eloquentes, puros, alegres, amante da dança, ansioso de beleza’ e assim por diante. Ele estava claramente referindo-se a ao extrato do presságio da natividade que ‘Se uma criança nasce quando Vênus vem adiante (então a sua vida? será excepcionalmente (?) calma; os dias (dele) serão longos’. Mesmo em relação ao ferimento, Ptolomeu argumentou que as feridas são ocultadas através da ajuda da riqueza e honra quando Júpiter está envolvido, e quando Vênus está envolvido, manchas (são) graciosas e atraentes.

No caso de Saturno, o perfil psicológico do presságio da natividade (‘sombrio, obscuros, doentes e constrangidos’) corresponde a isso para um local “desonroso” no modelo de Ptolomeu (‘sórdido, mesquinho … maligno … solitário … sombrio’ e sem cuidados com o corpo’). A admirável disposição psico-fisiológica de Júpiter no presságio da natividade (regulares, ricos e longevos) de Ptolomeu combinava com um Júpiter honroso (‘magnânimo, generoso … justo’).

Estas designações revelaram-se notavelmente duradouras e sobreviveram no cerne da linguagem astrológica interpretativa até os dias de hoje, pela via da astrologia medieval. A astrologia cristã de William Lilly, tem uma abordagem indiscriminada, mas altamente influente num compêndio de regras astrológicas acumuladas desde o período helenístico, incluindo acréscimos do mundo cristão islâmico e medieval, e conhecido por ser o primeiro trabalho astrológico composto em inglês, foi marcante. Publicado em Londres em 1657, continha leituras padrões para os planetas que parecem representar uma direta linhagem de volta ao presságio da natividade através das leituras positivas de Ptolomeu. Vênus era a menor fortuna (Júpiter era o maior), e significa um “homem quieto, não dado a brigas ou disputas”, Júpiter, a maior fortuna, era magnânima, fiel (e) amante da lealdade.35 Dos dois maléficos, a descrição de Saturno feita por Lilly repetiu a leitura negativa de Ptolomeu (“invejoso, cobiçoso, ciumento … sórdido, malicioso”), enquanto o retrato de Lilly de Marte “quando doente” foi mais obviamente perto da suposição do presságio da natividade de temperamento quente (‘um amante de… Assassinato… Erupção violenta, furiosa’).

35 William Lilly, Christian Astrology, London 1647, facsimile edition, London: Regulus Publishing, 1985, pp. 62, 73.

Essas personalidades planetárias sobreviveram em grande parte incólumes ao moderno vezes ilustrando uma consistência notável ao longo de dois mil anos e meio. O Livro Texto da Moderna Astrologia, de Margaret Hone, publicado em 1951 e tornou-se o livro texto padrão da língua inglesa até a década de 1970, como Ptolomeu e Lilly influenciados pelo presságio da natividade, registrou Vênus como “harmonioso, amante da paz (e) plácido”, Júpiter como “Afortunado, generoso e otimista”, Marte em sua forma negativa como “agressivo, zangado (e) impaciente”, e Saturno, também em sua forma negativa como depressivo, maçante, limitado (e) pretensioso. A continuidade é impressionante. O livro de Hone foi o principal texto de ensino da Faculdade de Estudos Astrológicos, fundada em Londres em 1948, e ainda uma das principais escolas privadas de astrologia do mundo. A Faculdade, simplesmente, tem estado, e ainda está, ensinando a astrologia do Oriente Médio do primeiro milênio a.C.

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Conclusão

A evidência sugere que a visão dominante na erudição clássica de que não há diferença essencial entre a astrologia de meados do primeiro milênio a.C. na Babilônia e a região oriental, e a Grécia clássica e helenística, não podem ser sustentadas. Meu argumento é que o desenvolvimento do zodíaco como uma estrutura do significado planetário, que é característico da astrologia grega, tomou lugar na Babilônia. A posição dos estudiosos do Oriente Próximo, como Francesca Rochberg e Alexander Jones, que defendem uma forte dependente da ciência grega nas origens babilônicas, é, portanto, suportada. A este respeito podemos, portanto, defender a continuidade cultural entre a cultura do Oriente Próximo e a cultura grega. Em contraste para Rochberg, porém, eu mantenho aberta a possibilidade, no entanto especulativa, do zoroastrismo na influência da psicologia dualista evidente nos presságios da natividade. Além disso, o argumento da continuidade pode ser estendido aos dias de hoje, no ensino pelas escolas modernas de astrologia das qualidades planetárias que surgiram no quinto século a.C. Podemos, portanto, argumentar que a astrologia ocidental moderna é uma extensão de uma forma de cosmologia do Oriente Próximo que se pensava ter morrido e foi substituída por um modelo grego. Notavelmente, o antigo Oriente Próximo e a psicologia encontraram uma voz na cultura popular moderna.

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Dr. Nicholas Campion,
Associate Professor in Cosmology and Culture
Director, Sophia Centre for the Study of Cosmology in Culture,
Director, Harmony Institute,
Programme Director, MA Cultural Astronomy and Astrology and MA Ecology and Spirituality,
Principal Lecturer Faculty of Humanities and the Performing Arts,
Editorial Director, Sophia Centre Press,
Editor, Culture and Cosmos
General Editor, Cultural History of the Universe,
University of Wales Trinity Saint David.

Ω