Astrologia na Ciência e Filosofia

Os Astros e o Mar

O Verdadeiro Lugar da Astrologia Renascentista na História da Ciência Náutica Portuguesa

Geraldo Barbosa Neto

§

O título deste artigo faz referência à The True Place of Astrology in the History of Science, artigo escrito por Lynn Thorndike na década de 1950. Acentua-se a importância dessa publicação, visto que o campo de estudo da história das ciências, nesse período, ainda se apresentava contornado por pressupostos comtianos. George Sarton, um dos precursores dessa dimensão de pesquisa considerava saberes como o da astrologia, irrelevantes para se compreender a ciência. Seu principal argumento foi de que haveria um antagonismo entre a ciência e as práticas dogmáticas. Enquanto a ciência evoluía e progredia, saberes, adjetivados por ele como superstição e magia, seriam retrógrados e atrasados, circunscritos em explicações fictícias e supranaturais.

O tratamento que Thorndike forneceu a astrologia a retirou do paradigma comtiano e a inseriu na base da construção da ciência moderna. Ao analisar o papel da astrologia no desenvolvimento da ciência moderna, apontou como os nomes que ganharam notabilidade na história da ciência moderna dialogaram com concepções e procedimentos engendrados na astrologia. A astrologia foi constituída por ele como uma forma fóssil de ciência, que a precedeu e auxiliou fundamentalmente em sua elaboração.

Thorndike inaugurou uma polêmica que permeou os estudos que se concentraram nessa temática. Eugênio Garin, em 1976, escreveu Lo Zodíaco della Vita, onde acentuou o debate que ocorreu entre os astrólogos no período moderno. O cerne da discussão se concentrou na oposição ao caráter dogmático que envolvia a astrologia renascentista, o que teria preparado o terreno para o alvorecer da ciência moderna. Seguiu esse trajeto de pesquisa Paolo Rossi, em O Nascimento da Ciência Moderna na Europa, onde apontou como o misticismo conviveu com o experimentalismo na magia da Renascença e indicou como os mágicos, astrólogos e alquímicos renascentistas almejavam fornecer às suas artes um caráter de saber rigoroso, fazendo com que o natural e o místico coincidissem na magia e na astrologia. Também Francis Amelia Yates, em Giordano Bruno e a Tradição Hermética, abordou a questão de “(…) como eram incertas e movediças as fronteiras entre ciência genuína e o hermetismo na Renascença (…)”. Trata-se de uma forma de crença imbricada com procedimentos científicos.

Transferindo-se essa discussão para a historiografia que se debruçou sobre a construção da arte portuguesa de marear do período moderno, é possível traçar significativas aproximações. Apesar da amplitude de abordagem desse assunto, foi natural que preponderasse a atenção concentrada nessa temática na historiografia portuguesa. Entre os que investigaram a marinharia portuguesa se destacaram Joaquim Bensaude, Jaime Cortesão, Luís Mendonça de Albuquerque, Francisco Bethencourt, Gago Coutinho, Luciano Pereira da Silva e Fontoura da Costa. Uma avaliação das principais produções historiográficas desses renomados pesquisadores permite compreender que o recuo que fizeram ao período moderno para analisar a atividade de navegação portuguesa esteve permeado pelo paradigma científico do tempo no qual se situaram. Deste modo, se considerou a terminologia astrologia estritamente como designação sinônima à astronomia contemporânea, atribuindo à essa prática uma cientificidade que implica em uma compreensão anacrônica e fragmentada dessa prática na conjuntura em que as navegações portuguesas se alargaram por mares e regiões anteriormente desconhecidas. Por outro lado, ocorreu também que a astrologia foi considerada, à medida que servia de apoio ao que denominaram como ciência náutica, fornecendo-se a ela um tratamento tacitamente científico.

O que se propõe discutir nesse estudo é se os conhecimentos e técnicas da arte de marear portuguesa foram construídos em diálogo com os pressupostos da astrologia moderna. Trata-se de situar os descobrimentos portugueses na época em que a nova ciência experimental do renascimento ainda convivia com os estudos da astrologia. Assim, se definiu concentrar essa discussão em como incidiu a atuação da astrologia moderna na construção da arte portuguesa de marear. Para tanto, considera-se a astrologia renascentista como um saber hibrido, no qual a busca dos astrólogos em conferir um rigor à sua arte, a configurou como um conhecimento entrelaçamento entre culto e técnica, em que o misticismo conviveu com o experimentalismo, visto que o natural e o místico coincidiram, de modo que se apresentaram incertas e movediças as fronteiras entre a astrologia doutrinária e procedimentos metódicos e precisos de caráter matemático e astronômico. Se objetiva mostrar, neste texto, como muitos dos principais métodos empregados na arte portuguesa de marear foram antecipados na literatura astrológica.

I

O ha-Hibbur ha-gadol data de 1478. Suas tabelas partiram da posição solar, em 1473. A autoria do ha-Hibbur ha-gadol que se tornou conhecido posteriormente como Almanach Perpetuum é de Abraão Zacuto. Na construção dessas tabelas, Abraão Zacuto expressou um vínculo estreito com a tradição astronômica medieval moura e judaica. Ele fez várias referências à tabelas astronômicas anteriores que se vincularam com essa tradição. Sua obra foi produzida em idioma hebraico, o que a circunscreveu a um grupo social restrito de origem judaica. Esse recurso também é um indicativo de que o conhecimento astronômico se concentrou entre os judeus ibéricos. Em 1481, essa obra ganhou uma versão castelhana e, em 1496, em Leiria, foi traduzida para o latim. Ela ficou conhecida como Almanach Perpetuum, mas sua versão latina trouxe o título Tabule tabularum celestium motuum astronomi zacuto. Sua versão castelhana foi produzida com a ajuda de Zacuto, por Juan de Salaya, com quem trabalhou na Universidade de Salamanca. Na tradução latina de Leiria, há uma inscrição que indicou a autoria de sua tradução à Josef Vecinho. Também há uma versão castelhana identificada com mestre Josef Vecinho (mestre Jusepe Vezino). Josef Vecino foi muito atuante na marinharia portuguesa do século XV.

Nessas tabelas, Zacuto dispôs os cálculos do trajeto anual solar em relação às constelações zodiacais, organizando-as no calendário juliano. O Almanach Perpetuum inspirou ainda os judeus José Vizinho e Mestre Rodrigo, no preparo de livros de marinharia. O Almanach serviu também como base para a elaboração de guias náuticos, como o de Munique e de Évora. No uso dessas tabelas residiu o hibridismo entre o misticismo e a praticidade que elas possibilitaram.

Tábua solar do Almanach Perpetuum, Abraão Zacuto, edição de 1502

Zacuto escreveu no Almanach Perpetuum: “… yo no ordene este libro sinon por la sciencia e no por otro prouecho…”. Localizar o Sol nos signos do zodíaco, situar e estabelecer o movimento e a latitude da Lua, de Saturno, de Marte, de Vênus e de Mercúrio, e instituir as conjunções, oposições e eclipses lunares e solares que estiveram entre os procedimentos, ora denominados pelas formas diversificadas da palavra astrologia e ora vinculados com as diferentes maneiras sinônimas ao termo astronomia, foram identificados por Zacuto como sciencia. Abraão Zacuto, ao ter utilizado o termo “otro prouecho”, admitiu que os temas abordados em seu Almanach pudessem ser empregados também em outras circunstâncias, situadas, contudo, fora do que denominou como “sciencia”. Essa explicitação permite inferir que haveria fora dessa “sciencia”, práticas que compartilharam do conteúdo e dos métodos do Almanach. A aproximação entre o Almanach Perpetuum e essas práticas seria estreito, o que levou Zacuto a elucidar seu objetivo de maneira estrita, visto que sua obra poderia ser confundida e relacionada com atividades que empregavam os mesmos aspectos tratados em seu Almanach.

O próprio Zacuto fez uso da dimensão de seu Almanach que se confundiu com os métodos dos prognósticos astrológicos. No Almanach Perpetuum, entre os temas que Zacuto reuniu dentro do termo “sciencia”, estiveram os eclipses. Ele escreveu: “… fezimos eclipses ygualadas para 50 años…”. Através de procedimentos matemáticos, Zacuto previu seis eclipses solares e dezesseis eclipses lunares para o período entre 1493 e 1525. Um desses eclipses, um eclipse solar, foi fixado para Junho de 1518. Zacuto forneceu a data exata desse evento celeste e registrou o início e o término desse acontecimento celeste.

Esse evento celeste, articulado ao fenômeno da conjunção – uma vez que para que ocorra o eclipse solar a Lua assume uma posição entre a Terra e o Sol, o que caracteriza a conjunção – acontecimento também presente entre o que Zacuto denominou como “sciencia”, se encontrou em um escrito astrológico de Zacuto. Nesse escrito, acontecimentos como guerras, ódio e destruição da lavoura foram vinculados ao eclipse solar de 1518. Abraão Zacuto previu esses acontecimentos para os cristãos, em especial, os da Espanha:

“…Year (June 8, 1518). the Sun will eclipsed; it indicates great changes and that peace and agreements between kings and peoples will not be fulfilled; and sour fruits will be blighted; and it indicates hatred between peoples, brothers, and loved ones; and gout; and locusts that will destroy the wheat in some countries; and woe for Christians, especially in Spain…”.

II

Em 1500, Mestre João e dois pilotos estiveram em terra na costa ocidental do Atlântico sul. Quando o Sol atingiu seu zênite, eles utilizaram o astrolábio e tomaram a sua altura, significando que o observaram e estabeleceram, com o uso do astrolábio, a medição de 56 graus. Observando a sombra que fazia o Sol, verificaram que ela se inclinava para o norte. Utilizaram uma tabela astronômica, e efetuaram um cálculo que possibilitou fixarem sua localização em 17 graus da linha equinocial.

Esse acontecimento foi descrito por Mestre João em uma carta destinada à D. Manuel:

“…segunda feria que fueron 27 de abril deçendimos em terra yo e el, pyloto do capitan moor e el pyloto de Sancho de Touar e tomamos el altura del sol al medio dia e fallamos 56 grrados e la sonbrra era septentrional por lo qual segund las reglas del estrolabio jusgamos ser afastados de la equinocial por 17 grrados…”.

A pesar do procedimento de tomada da altura do Sol demonstrar uma feição estritamente metódica, ela ainda se reservou uma penumbra de similaridade com atuações divinatórias. Evidentemente que não se trata, nesse ponto, de atribuir ao procedimento de Mestre João uma finalidade divinatória. Contudo, uma vez que esse método foi inspirado em uma técnica que serviu a astrologia, dificilmente se sucederia de forma completamente emancipada do saber que lhe deu origem.

Uma sobreposição das ações registradas na missiva que Mestre João escreveu para D. Manuel à obra astrológica De Magia permite atestar alguns pontos de contato. O primeiro aspecto relacionado no De Magia para se adivinhar pelos astros o destino do nascido foi o de fixar “el punto” (o ponto), ou seja, o local de seu nascimento. Essa atitude forneceria à predição um caráter mais preciso. O mesmo ocorreu quando Mestre João escreveu que para tomar a altura do Sol: “deçendimos em terra”… A agitação do mar acarretava em uma significativa alteração na medição da altura dos astros, o que distorcia substancialmente a exatidão da medição. Em vista disso, a técnica foi empregada em terra firme. Mesmo com finalidades distintas, porém com objetivos próximos de alcançar uma exatidão nas medições, a constituição de um espaço de observação foi decisiva na prática divinatória da astrologia e na localização de uma região acessada pelas navegações portuguesas.

Além do local, o De Magia indicou também o conhecimento de la ora,  dya y año (da hora do dia e do ano) para se emitir um juízo astrológico sobre a vida do nascido. Da mesma forma se anotou a hora (tomamos el altura del sol al medio dia), o dia (segunda feria que fueron 27 de abril) e o ano (1500). No estabelecimento da latitude do local onde ancoraram as embarcações cabralinas, na costa ocidental do Atlântico Sul, na carta que Mestre João enviou à D. Manuel. Seja na prática astrológica presente no De Magia ou no estabelecimento da latitude realizada por Mestre João em sua carta, se elencou ainda o auxilio do astrolábio para uma maior exatidão. No De Magia foi escrito que “…sipudiere ser sabid…n astro labio esto sera cosa çierta…” (se puder ser sabido no astrolábio isto será coisa certa), significando que com o uso do astrolábio se obteria mais certeza na predição para o nascido. Da mesma forma, Mestre João além de utilizar esse instrumento de observação dos corpos celestes e mostrar predileção por ele, fez uso de uma tabela elaborada com o astrolábio, que chamou de “reglas del estrolabio”… Essa tabela foi inspirada em Zacuto, que apresentou em seu Almanach os mesmos aspectos contemplados no De Magia e na carta de Mestre João: o local, a data, a hora, o dia, o mês, o ano e o astrolábio.

O procedimento empregado por Mestre João na costa brasileira foi antecedido, em uma longa duração, pela experiência dos astrólogos. Isso significa que o processo cumprido pelos astrólogos para realizar suas presciências foi apropriado para uma conjuntura de navegação. Evidentemente que a aplicação dos métodos astrológicos na navegação não se efetuou sem que sofressem uma transformação, o que se exemplifica na distinção de seus objetivos. Mesmo que o método utilizado por Mestre João tenha apresenta suas peculiaridades, mutatis mutandis, conservou aspectos de proximidade com uma das principais atividades do astrólogo do período moderno, que foi a astrologia judiciária.

III

Duarte Pacheco Pereira, em Esmeraldo de Situ Orbis, filiou a cartografia portuguesa da primeira década do século XVI com a tradição cartográfica maiorquina trazida pelo Infante D. Henrique no século anterior. Essa tradição foi apresentada nessa obra como transmitida por Jacob ben Abraham Cresques, renomado cartógrafo judeu muito hábil na produção de cartas náuticas, que centralizou suas produções em Malhorca junto à outros cartógrafos judeus.

Os portulanos de Gabriel de Vallseca, da primeira metade do século XIV, já traziam as técnicas peculiares empregadas nos mapas catalães. Um registro remanescente dessa tradição, o Atlas Catalão atribuído à Abraão Cresques, elaborado na segunda metade do século XIV, permite situarmos a cartografia portuguesa do século XVI. Os mapas catalães, a partir da rosa dos ventos, elemento introduzido por eles de forma pioneira, traziam traçados e coordenadas que serviram de referência para o desenho das regiões navegadas pelos europeus até o período.

Esse estilo cartográfico maiorquino figurou nos portulanos produzidos por Pedro Reinel em 1485 e em 1504. O planisfério de Cantino, de 1502, e o planisfério de Nicolo Caveri, de 1504 ou 1505, que pelas inscrições e informações dá indicações de ter sido feito em Portugal, se inseriram no modelo de cartografia maiorquina. Os planisférios de Cantino e Caveri incorporaram a esse estilo cartográfico as terras acessadas pelas expedições européias dos séculos XV e XVI.

Os conhecimentos e técnicas empregados na cartografia portuguesa se originaram em uma cultura que reunia o experimental e o místico. Convivem com esse conhecimento objetivo e aplicável, concepções oriundas da arte astrológica do período. Afigurou-se no Atlas um homem que apresenta partes do corpo associadas aos planetas. O Atlas também trouxe a flor de lis, simbologia que remete a mística judaica do período, e que figurou na literatura técnica e cartográfica portuguesa.

Reinel_compass_rose_web

Detalhe da rosa dos ventos com a flor de lis

O Atlas Catalão nos permite uma inserção na cultura cartográfica maiorquina. Trouxe além das técnicas empregadas nas confecções cartográficas e meios sofisticados de cálculos, as concepções presentes na tradição judaico maiorquina.

Carta atlântica de Pedro Reinel com a rosa dos ventos e a flor de lis indicando o norte, Bayerische Staatsbibliothek, Munique, 1504

A inserção dessa minoria judaico-astróloga, que conservou e reelaborou os conhecimentos mouriscos reminiscentes na península ibérica, no desenvolvimento da arte de marear, elemento principal que convergiu para os intuitos expansionistas e comerciais dos monarcas portugueses, lhes rendeu um prestígio e uma condição social elevada junto à coroa.

Abraão Cresques, o rabino Abraão Zacuto, e muitos outros judeus ibéricos, por seu conhecimento da arte astrológica, abandonaram uma situação de perseguição nos reinos espanhóis, gozando de prestígio junto aos monarcas do reino português por seus serviços ao desenvolvimento da ciência náutica construída pelos portugueses, pelo menos até 1506, quando Portugal inicia sua perseguição aos judeus.

A astrologia renascentista, principalmente em sua dimensão operacional, apresentou uma junção entre esoterismo e experimentalismo, fornecendo cálculos, métodos e técnicas que auxiliaram na criação de uma ciência que permitiu aos portugueses a navegação oceânica. Com essa ciência, Portugal ganhou uma posição de destaque no período moderno, promovendo o pioneirismo de uma expansão marítima e comercial de proporção mundial. Assim, os “descobrimentos” mantiveram também uma penumbra de astrologia, uma vez que o aspecto objetivo e aplicável engendrado na arte astrológica foi fundamental para o desenvolvimento da arte de marear portuguesa. A ciência náutica portuguesa se adiantou, em muitos aspectos, ao surgimento da ciência experimental moderna.

§

Bibliografia
 Abraham Zacuto (ca.1450). Almanach perpetuu[m] exactissime nuper eme[n]datu[m] omniu[m] celi motuum : cum additionib[us] in eo factis tenens complementum . Impressum Venetiis per Petru[m] Liechtenstein coloniensem,1502. P.72-73.
Ana Maria Alfonso-Goldfarb, Maria Helena Roxo Beltran (orgs). Escrevendo a história da ciência: tendências, propostas e discussões historiográficas. Editora Livraria da Fisica, 2004.
ALBUQUERQUE, Luís de. Guia Náutico de Munique e guia náutico de Évora. Ed. fac-similada. Lisboa:Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos, 1991.
 ALBUQUERQUE, Luís de, Introdução à História dos Descobrimentos Portugueses, 4ª ed., [s.l.],. Publicações EuropaAmérica,D.L. 1989. Atlas Catalão IN: Acesso em 07/03/2011. Carta atlântica de Pedro Reinel na Bayerische Staatsbibliothek, Munique, 1504. IN: Acesso em 07/03/2011.
 CHABAS, J.; GOLDSTEIN, B. Astronomy in the Iberian Peninsula: Abraham Zacut and the Transition from Manuscript to Print. Transactions of the American Philosophical Society, New Ser., Vol. 90, No. 2 (2000).
 BUENO, J.M.C. La medicina en un manuscrito de astrologia del siglo XV. LLULL, vol.23, 2000, 265-294.
 DUCHOWNY, A. De magia (Ms. Laud. Or 282, Bodleian Library): edição e estudo. Tese de doutorado. UFMG, 2007.
 GARIN, Eugénio. O zodíaco da vida: a polêmica sobre a astrologia do séc. XIV ao séc. XVI. Lisboa: Estampa, 1988.
 PEREIRA, Duarte Pacheco. Esmeraldo de Situ Orbis. Joaquim Barradas de Carvalho (Ed). Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1991.
PEREIRA, Paulo Roberto (org). Os Três Únicos Testemunhos do Descobrimento do Brasil. Rio de Janeiro: Lacerda Ed, 1999.
 ROSSI, Paolo. O Nascimento da Ciência Moderna na Europa. Trad. Antonio Angonese. São Paulo: Edusc, 2001.
 SEED, Patricia. Cerimônias de posse na conquista européia do novo mundo (1492 – 1640). São Paulo: Editora UNESP, 1999. – (UNESP/Cambridge).
 STUCKRAD, Kocku Von. Historia da astrologia: da antiguidade aos nossos dias. trad. Kelly Passos. Sao Paulo: Globo, 2007.
 THOMAS, Keith. Religion and the Decline of the Magic: studies in popular beliefs in sixteenth and seventeenth century England. New York: Oxford University Press, 1999.
 THORNDIKE, Lynn. The True Place of Astrology in the History of Science In: Isis, Vol. 46, No. 3 (Sep., 1955), pp. 273-278 Published by: The University of Chicago Press on behalf of The History of Science Society.
 YATES, F. A. Giordano Bruno e a tradição hermética. São Paulo: Cultrix, 1995.

ψ

No signo dos novos tempos: a astrologia moderna através da obra Almanach Perpetuum de Abraham Zacuto.

Geraldo Barbosa Neto

Mestrando em História Social pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Bolsista pelo CNPQ.

§

Não se escreve a história da ciência moderna sem a astrologia. Conforme Keith Thomas, “Durante a Renascença […] a astrologia permeava todos os aspectos do pensamento científico. Não se tratava de uma doutrina de um círculo fechado, mas um aspecto essencial da estrutura intelectual em que os homens eram educados. Este artigo pretende situar o Almanach Perpetuum de Abraham Zacuto nesse período em que o novo conhecimento experimental do renascimento convivia com os estudos da astrologia.

De um modo bastante geral, a astrologia (do grego “ciência das estrelas”) busca a conexão entre os fenômenos celestes e os acontecimentos na Terra. Até pouco tempo, a pesquisa sobre essas conexões não se diferenciava absolutamente da ciência matemática dos astros – que hoje chamamos astronomia – embora na Antiguidade já se soubesse que a astronomia e a astrologia representam dois enfoques diferentes dos acontecimentos celestes. […] A ciência matemática dos astros era a ferramenta que deveria fornecer os dados para a ciência interpretativa dos astros.

Almanach e Astrologia

Esse instrumento que deveria munir de informações a arte de interpretar o céu era o almanaque. Uma das hipóteses etimológicas do termo almanaque indica que sua origem é árabe. O vocábulo al-manakh designaria o local onde o camelo se ajoelhava. Presume-se que no transcorrer do medievo, os astrólogos árabes tenham empregado essa palavra para denominar o movimento dos astros. Tal como as caravanas árabes percorriam longas distâncias e ajoelhavam seus camelos, isto é, interrompiam suas viagens realizando uma estadia temporária em determinado lugar, conjetura-se que os corpos celestes percorriam o círculo do zodíaco cumprindo uma estada em cada um dos doze signos que o dividiam.

[…] os almanaques mais elaborados incluíam efemérides, tabelas que mostravam a posição diária dos corpos celestes ao longo de todo o ano. Com a ajuda delas, o leitor podia prever o movimento dos planetas através dos signos do zodíaco […].

No artigo The True Place of Astrology in the History of Science, Lynn Thorndike afirmou que antes de serem suplantados pelas leis propostas por Isaac Newton, os princípios gerais que organizavam o universo eram astrológicos. Em conformidade com essa asseveração, a premissa é de que o Almanach perpetuum celestium motuum astronomi zacuti, foi construído sobre a hipótese cosmológica dos astrólogos, pois seu autor, Abraham Zacuto (1452-1515), exprimiu em seu Tratado breve en las ynfluencias del cielo o conceito de movimento que fundamentava a trajetória dos planetas: “[…] las siete planetas non corren saluo debaxo de los doze signos […]”.

Lê-se resumidamente o Almanach Perpetuum de Abraham Zacuto. O fólio de abertura traz abaixo do título Almanach perpetuum celestium motuum astronomi zacuti. Cium radix est 1473, uma pequena tabela cujo cabeçalho foi intitulado characteres signos zodiaci, trazendo uma lista dos doze símbolos do zodíaco e seus respectivos nomes. Segue-se nos próximos dois fólios uma dedicatória, a Epistola actoris ad episcupum salamantine. Após essa epístola consta o índice da obra. Lista-se de ascendente et duodecim domibus (o ascendente e as doze casas, Canon primus), de vero loco solis habendo (o lugar do Sol, Canon secundus), de introitu solis in quolibet signorum (a entrada do Sol em qualquer dos signos, Canon tertium), de vero loco lunis habendo (o lugar da Lua, Canon quartus), de coniuntinibus et opositionibus luminarium (a conjunção e a oposição do Sol e da Lua, Canon quintus), de eclipsibus luminarium et primo de sole (os eclipses e dos primeiros do Sol, Canon sextus), de vero loco saturni (o lugar de Saturno, Canon septimus), de vero loco Jovis per has tabulas habendo (o lugar Jupiter para cada dia, Canon sextus), de vero loco martis habendo (o lugar de Marte, Canon nonus), de vero loco veneris habendo (o lugar de Vênus, Canon decimus), de vero loco mercurii per has tabulas invenire (para saber o lugar de Mercúrio, Canon undecimus) e de animodar (de animodar, Canon ultimus). A partir desse fólio segue uma prolixa lista de tábuas astronômicas correspondentes a cada um dos capítulos anteriores. Essas tábuas astronômicas que preenchem grande parte dos 168 fólios desse estudo, apresentam em suas fileiras e colunas uma descrição aritmética do movimento dos corpos celestes em correspondência com os signos do zodíaco. No derradeiro fólio, lê-se que se trata de uma obra de Abraham Zacuto, astrônomo de D. Manuel, traduzida do hebraico para o latim por seu discípulo José Vizinho e impressa na oficina do judeu Abraão D’Ortas. Por fim a data e o local de sua publicação: 1496, quando o Sol estava 15 graus, 33 minutos e 35 segundos em Peixes, sob o céu da cidade portuguesa de Leiria.

No Almanach Perpetuum, a astrologia era traduzida nas fileiras, colunas e números de suas tábuas astronômicas. O elo entre os fenômenos celestes e os eventos terrenos, proposição que ocupava um lugar central nas interpretações astrológicas, parece escapar às tabulações que dominam as páginas dessa obra. Os aspectos subjetivos desse conhecimento se suprimiram em seu domínio objetivo. Esse estudo transformou as teorias astrológicas em uma linguagem geométrica e matemática. Entretanto, embora de maneira opaca e subjacente, o pensamento astrológico está presente sob uma imagem objetiva das tábuas astronômicas que lhe davam expressão.

Contudo, ainda que à penumbra das tábuas astronômicas do Almanach Perpetuum, os conhecimentos da astrologia se entremeavam na urdidura desse gênero de descrição matemática do movimento celeste. Essa condição oculta da astrologia ganha um exemplo na Tábua da duração da criança no útero materno (Tabula more infantis in utero matris). Ajustada com a De animodar ptholomei, tábua da obra Almagesto de Ptolomeu, ela possibilitava fixar os signos ascendentes. Consoante com a catalogação do Abrahe zacuti tractatus Astronomie manu et hispanico sermone scriptus, título pelo qual Fernando Colombo (1488-1539) inventariou o manuscrito astrológico Tratado breue de las ynfluencias del cielo conservado em sua biblioteca, manuscrito redigido por Abraham Zacuto em Gata, atual província espanhola de Cáceres, em 1486, ele era acompanhado de um fragmento da Tabula more infantis in utero matris: “Postea sequitur quoddam fragmentum de more infantis in utero matris”. Portanto, se assinalava nesse tratado astrológico de Zacuto uma conjugação entre as doutrinas da astrologia e a matemática da astronomia. Nesse Tratado breve en las ynfluencias del cielo, Zacuto instruiu sobre a doutrina dos cinco lugares principais para que os astrólogos investigassem o nascimento:

“Los cinco lugares principales del nascimjento que significan la uida y se nonbran. ylex. son estos. el grado del ascendente. y el grado del sol. y el grado de la luna. y el grado de parte fortuna. y el grado de la conjuncion o oposicion precedente […]

Nessa doutrina dos cinco lugares principales del nascimjento foi elencado como tópico para a investigação astrológica desse evento el grado del ascendente (o grau do ascendente). No Almanach Perpetuum, se reproduz do Centiloquium, um tratado de cem aforismos atribuído a Ptolomeu, uma regra delineada nessa doutrina para fixar o signo ascendente:

Dixit ptohlomeum in suo centiloquio verbo 51 locum lune in nativitate est ipso gradum ascendens in circulo hora casum spermatis in matricem. In locum lune hora casum spermatis est gradum ascendens hora nativitates.

Nesse exemplo da Tabula more infantis in utero matris ganha expressão intrínseca entre a matemática dos astros e as influências celestes, característica que preencheu as páginas do Almanach Perpetuum de Abraham Zacuto.

δ

Almanach e os Regimentos Náuticos Portugueses

Mais emblemáticas do que essas tábuas astronômicas foram a Tabula prima solis cuium radix e anno 1473, o Residuum tabule prime Solis, a Tabula secunda Solis, o Residuum tabule Solis secunde, a Tabula tertia solis, o Residuum tabule tertie Solis, a Tabula quarta solis e o Residuum tabule quarte Solis. A doutrina dos cinco lugares principales del nascimjento apresentou o tópico el grado del sol (o grau do Sol) para o exame dessa matéria. Na primeira fileira dessas tábuas indica-se os dias do mês (dies mesium). Na linha correspondente a cada um desses dias, constam os graus que indicam o lugar do Sol, destinados a determinar a posição solar diária. No cruzamento dessa primeira fileira com a primeira fileira superior se escreve os doze meses, de março (martium) até fevereiro (februã). Essas tábuas cobrem o período entre 1473 e 1476, portanto, possibilitaram situar o Sol em um período de quatro anos. Abaixo da inscrição de cada mês, se inscreve nessas tábuas um signo do zodíaco correspondente. Sob março (martium), por exemplo, foi mencionado Peixes (pisces), fato que se repete com os outros meses e signos. Por conseguinte, ganhou expressão nessas tábuas astronômicas a hipótese cosmológica de que o

Sol se movia pelos signos do zodíaco: “[…] las siete planetas [e o Sol era designado por planeta] non corren saluo debaxo de los doze signos […]”.

No Regimento do astrolábio e do quadrante para saber/ a declinação do sol em cada um dia/ e assim para saber a estrela do norte, por exemplo, conhecido como Guia Náutico de Munique, datado de 1509, tratado mais antigo remanescente da náutica portuguesa quinhentista, foi reproduzido o modelo das fileiras, colunas, graduações, dias, meses e signos do zodíaco, legado por essas tábuas de Zacuto. Quando as expedições portuguesas estenderam o costeamento do continente africano na direção do austro, Cadamosto observou que não era possível avançar mais ao sul “[…] senão perdendo a nossa estrela do norte”. Em 1500, Mestre João Faras, como resultado das observações que realizou na costa brasileira, anotou e esboçou em uma missiva apenas as primeiras considerações para que estudos posteriores pudessem estabelecer um método para se rumar pelo pólo sul. Cristóvão Colombo, na sua terceira viagem para as “Índias”, escreveu: “[…] yo seguí al Poniente, mas no osé declinar abaxo al austro, porque fallé grandíssimo anudamiento en el cielo y en las estrellas” e surpreendeu-se pelo fato de “[…] que en poco espaçio haga tanta differencia el cielo […]”. Os estudos do movimento do Sol, astro que oferecia a possibilidade de uma observação comum aos dois hemisférios, mais visível no céu e com mais luminosidade, supriam essa lacuna de referência celeste suscitada nas viagens para o austro. Segundo Camenietzki, “O Sol se move com uma trajetória simples, com uma velocidade praticamente constante, retornando sempre ao mesmo ponto do céu em um ano”. O Almanach Perpetuum de Abraham Zacuto era a única obra impressa em Portugal que continha estudos sobre esse movimento.

A contribuição final de Zacuto foi um meio de traduzir os dias corretos do ano solar nos dias do calendário juliano. Para indicar os períodos corretos de um ano solar, ele utilizava os símbolos não religiosos do zodíaco. Numa lateral da tabela, indicava-se a localização do Sol no zodíaco em graus e minutos, juntamente com a data do calendário juliano, o que permitia que os pilotos tivessem um meio de verificar seus cálculos do dia para garantir que estavam tomando os valores corretos para a declinação solar.

Na conjuntura da expansão marítima portuguesa, a arte de interpretar os céus partilhava sua dimensão matemática com uma operação que fazia uso de instrumentos técnicos e empreendia um esforço colaborativo entre astrólogos e pilotos para localizar as armadas portuguesas nas regiões ultramarinas pela posição do Sol, conforme demonstrou a missiva redigida pelo astrólogo Mestre João Faras, em 1500:

[…] segunda feria que fueron 27 de abril desçendimos en terra yo e el pyloto do capytan moor e el pyloto de Sancho de touar e tomamos el altura del sol al medio dia e fallamos 56 grrados e la sombrra era septentrional por lo qual segund las rreglas del estrolabjo Jusgamos ser afastados de la equinoçial por 17 grrados […].

Os cosmógrafos portugueses herdaram sua cosmologia dos astrólogos. No Esmeraldo de Situ Orbis, um manuscrito de “[…] cosmografia e marinharia […]”, o Sol:

[…] anda trabalhando e halumiando com seus Rayos solares per todo o anno correndo todolos doze synos do zodiaco cada mez entrando em hum syno fazendo sua morada sayndo de hum entrando em outro […].

A astrologia e cosmografia náutica portuguesa movem-se no mesmo quadro teórico da doutrina astrológica do movimento celeste.

Dessa teoria, se formulou que:

[…] Item pellos estrologos he detriminado que a distancia que ha da linha equinocial pera cada hum dos tropicos se chama tom da zona e mesa do sol e todolos meses do anno corre ho sol por esta mesa […]”.

Assim, Duarte Pacheco Pereira registrou que:

[…] as cousas da estcolomia som asy fundadas qua para este caso podem muito aproueitar nos pareçeo bem escreuer aqui em quantos graaos se alguns luguares de nos sabidos hapartam em ladeza [latitude] da linha equinosial pera ho pollo artico ou antartico […].

Na segunda parte do Tratado breve en las ynfluencias del cielo, o tratado astrológico de Zacuto, foi abordado o tema dos quatro tienpos:

Lo primero que es de saber los quatro tienpos del año que la primauera que es desde que entra el sol en aries hasta la cabeça de cancer es caliente e humjda y en este tienpo se mueue la sangre. y e el estio [verão] que es decancer hasta libra es caliente y seco y tiene la colora. el otoño que es de libra hasta capricornjo. es frio y seco y tiene la melancolia. y es inuerno que es de capricornjo hasta el fin de picis es frio y humjdo.

Essa mesma doutrina foi empregada por Duarte Pacheco em sua descrição do movimento do Sol:

O sol entra duas vezes no anno na linha equinocial e faz dous equinoçios hum he em onze do mez de março que entra neste circolo no siño de aries, ho outro em quatorze dias do mês de setembro que tambem nas mesma linha entra no syno de livra no qual tempo he jgual o dia da noyte per todo o mundo // e mouendose o sol de aries fazendo seu curso faz há nos hum alto solestício e correndo atee doze dias do mês de Junho entre no tropico do syno de Cancer do qual luguar nom passara pera sempre dos sempres // e este chama solestiçio estiual e sua mayor decrinaçam da equinocial contra esta parte he vinte tres graaos trinta e tres minutos e tanto que o sol torna a descer de cancer e emtra em libra em quatorze dias do mês de setembro como asima he dito daly correndo outra uez faz a nos hum baixo solestiçio atee que uai ter no tropico e sino de capricornio em doze dias do mês de dezembro // e este se chama solestiçio yemal e sua mayor decrinaçam he vinte e tres graos e trinta minutos […].

Em suma, o Almanach perpetuum celestium motuum astronomi zacuti, a um só tempo, foi a expressão de uma astronomia definida como “[…] la sciencia de la astronomia adquire e estudia de que parte uiene esta mu[ta]cion en el mundo de los elementos de las ynf[lu]encias celestes […]” e a obra precursora de uma antologia dos regimentos náuticos empregados pelos mareantes portugueses quinhentistas. Reúne-se no mesmo compêndio de tábuas astronômicas, a scientia contenplativa da astrologia e a sciencia activa et operativa da astronomia náutica portuguesa, uma conjunção ambígua entre as teorias dos eruditos astrólogos e a praxis dos navegantes.

Considerações Finais

No renascimento, o conhecimento matemático e o conhecimento interpretativo dos astros se enlaçam e se completam. O primeiro resultou na construção de almanaques, materiais de consulta que possibilitavam definir a posição dos corpos celestes em uma determinada data. O segundo implicou o emprego do almanaque para dar significação aos fenômenos terrenos, dos quais se presumia poder explicar pelas influências celestes. Ambientado nas exigências modernas de Portugal, esses saberes contribuíram para o projeto marítimo e expansionista que se empreendia nesse reino, municiando teoricamente os mareantes para que se situassem no ultramar pela posição do Sol. Assim, neste artigo se demonstra como os astrólogos anteciparam em suas conjecturas revestidas de objetividade, uma forma de compreender e domesticar a natureza consoante com as ambições humanas. A epistemologia da época apresentava uma fronteira maleável, incorporando teorias, conceitos e métodos que soam estranhos à nossa compreensão de ciência. Ainda que assentada sobre os mesmos pressupostos, a náutica portuguesa certamente pode reivindicar um distanciamento com a prática prognóstica dos astrólogos. Todavia, não pode excluir a astrologia de sua genealogia, o que instrui que sua elucidação é completa à medida que também se escreve a história daquilo do que ela emergiu.

δ

Referências Bibliográficas
ALBUQUERQUE, Luís de. Os Guias Náuticos de Munique e Évora. Lisboa (Portugal): Junta de Investigações do Ultramar, 1965.
CAMENIETZKI, Carlos Ziller. A cruz e a luneta: a ciência e a religião na Europa Moderna, Rio de Janeiro, Acess, 2000.
CARVALHO, Joaquim Barradas de. Estudos sobre a cultura portuguesa do século XVI. Coimbra: Universidade de Coimbra, 1947.
____. La Traduction Espagnole du “De Situ Orbis” de Pomponivs Mela par Maitre Joan Faras et les notes marginales de Duarte Pacheco Pereira. Lisboa: Junta de Investigações Científicas do Ultramar, 1974. (Centro de Estudos de Cartografia Antiga, Secção de Lisboa, 15).
COLÓN, Cristóbal. Los cuatro viajes: testamento. ed. Consuelo Varela. Madrid: Alianza, 2004.
MARQUES, João Martins da Silva. Descobrimentos Portugueses. Lisboa: Edição Comemorativa dos Descobrimentos Portugueses, 1988.
PEREIRA, Duarte Pacheco. Esmeraldo de Situ Orbis. Joaquim Barradas de Carvalho (Ed). Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1991.
SEED, Patricia. Cerimônias de posse na conquista européia do novo mundo (1492–1640). São Paulo: Editora UNESP, 1999. (UNESP/Cambridge).
STUCKRAD, Kocku Von. Historia da astrologia: da antiguidade aos nossos dias. trad. Kelly Passos. São Paulo: Globo, 2007.
THOMAS, Keith. Religião e o Declínio da Magia: crenças populares na Inglaterra, séculos XVI e XVII. São Paulo: Companhia das Letras, 1991.
THORNDIKE, Lynn. The True Place of Astrology in the History of Science In: Isis, Vol. 46, No. 3 (Sep.,1955), pp. 273-278 Published by: The University of Chicago Press on behalf of The History of Science Society Stable.
ZACUTO, Abraão. Almanach Perpetuum. Leiria: Abraão da Ortas, 1496.

Ω