Astrologia na História e Mitologia

Os Doze Signos e a Mitologia

ψ

Os Signos Astrais na Mitologia

Material Extraído do Blog:
Sandra Baptista Florais de Bach
Texto retirado da Revista Bons Fluídos – Edição Outubro de 2006.
&
Textos Complementares de Barbara Abramo

δ

Flechas com magias de amor, seres metade homem, metade cavalo, feras de pelo invulnerável, ninfas que habitam as águas profundas. As façanhas de deuses e heróis da mitologia greco-romana são mais do que meras fantasias de uma época. Nessas histórias e nesses personagens, se revelam padrões de comportamento comum a toda a humanidade ou, dizendo de outra maneira, traduzem arquétipos – imagens psicológicas presentes no inconsciente coletivo, conforme postulou o psicanalista suíço Carl Jung (1875-1961). Os seres mitológicos personificam Paixão, Medo, Ciúme, Perseverança, Raiva, Paciência e todas as emoções e experiências compartilhadas pelos homens de todos os tempos. Compreender o significado dos símbolos é parte fundamental da psicologia e de outras áreas ligadas ao autoconhecimento – e a astrologia não fica de fora.

“A Astrologia é mais antiga do que as civilizações da Grécia e de Roma. Ela surgiu na Mesopotâmia, há 8 mil anos, mas toda a sua vertente ocidental está estruturada nas lendas de deuses como Zeus, Afrodite e Hera e heróis do porte de Hércules, Jasão e Teseu”, diz Marina Ungarettim psicóloga e artista plástica. “As constelações associadas aos signos também fazem referência a passagens mitológicas”, completa.

Cada mito expressa atributos positivos e negativos dos nativos dos signos. Mas as lições contidas nessas histórias não valem apenas para quem é de Peixes, Sagitário ou Touro, por exemplo. “Podemos nos identificar com mais de um mito, pois temos, em maior ou menor grau, as 12 energias que compõe a roda astrológica. O mapa astral individual indica as áreas da vida em que cada força se manifesta”, explica Marina. Assim, as divindades gregas têm muito a dizer para quem quer se conhecer mais e melhor.

ψ

21 de março a 20 de abril

Jasão e os Argonautas: O Chamado da Aventura

Jasão era filho do rei de Iolco, cujo trono foi usurpado por seu meio-irmão, Pélias. O menino, então, cresceu escondido nas montanhas, educado pelo centauro Quíron, que ensinou a ele música, matemática e o manejo de arco e flecha. Quando o jovem saiu do exílio, o tirano, ameaçado convocou o rapaz para uma missão arriscadíssima: buscar o velocino de ouro – uma pele de carneiro mágica, em poder do rei da Cólquida, que era guardada por um dragão que nunca dormia. Ousado e um líder nato, Jasão reuniu os maiores aventureiros da época, como Teseu, Hércules, Orfeu e Nestor. Juntos, construíram um barco, que batizaram de Argos, e com outros 50 homens zarparam rumo à Cólquida. Depois de inúmeras aventuras chegaram ao destino. Ali, a feiticeira Medéia, filha do rei, se apaixonou por Jasão e o ajudou em sua empreitada, preparando uma poção que adormeceu o dragão. Assim os Argonautas recuperaram o velocino de ouro e voltaram em triunfo a Iolco, onde Jasão entregou a pele mágica a Pélias e recuperou o trono que era seu de direito.

Arianos: os nativos desse signo são ousados, empreendedores e voluntariosos. Movidos pelo espírito de aventura, juntam forças e não temem se lançar em empreitadas arriscadas, como Jasão. Impulsivos, muitas vezes se jogam de cabeça nas situações, não avaliando as circunstâncias. Áries em todos nós: O espírito ariano se manifesta quando nos abrimos para a vida de forma espontânea e calorosa e nos lançamos às metas sem medo. Esse impulso guerreiro nos habilita a tomar a dianteira e descobrir soluções objetivas para os problemas.

Áries em todos nós: O espírito ariano se manifesta quando nos abrimos para a vida de forma espontânea e calorosa e nos lançamos às metas sem medo. Esse impulso guerreiro nos habilita a tomar a dianteira e descobrir soluções objetivas para os problemas.

γ

O Mito de Áries

Primeiro signo associado à primavera, o mito do Carneiro envolve uma tragédia. O carneiro de pelo dourado – o Velocino de Ouro – nasceu da união de Poseidon com a filha de um rei. O carneiro é lembrado por ter levado pelo ar os irmãos Frixo e Hele (filhos do rei da Beócia, Atamas ou Atamante) até o Helesponto. Algumas fontes dizem que o carneiro deixou cair Hele quando chegou perto da Ásia; outros autores dizem que Poseidon raptou a princesa – para uma união sagrada com o deus – e que esta teria tido filhos desta união. Depois que Frixo chegou à Cólquida, sacrificou o carneiro a Zeus e pendurou a sua pele de penugem dourada no altar do templo.

Algumas fontes dizem que a mãe de Frixo e Hele colocou o carneiro entre as estrelas mas nem todos os autores concordam com esta versão. Mais tarde a pelugem dourada deste carneiro seria objeto da busca de Jasão e dos Argonautas. Intérpretes contemporâneos associam o mito ao costume de sacrificar o filho do rei
em tempos de fome e seca, como se sacrificava o carneiro a Zeus, animal que lhe é dedicado. O sacrifício era feito na primavera para que a colheita não ficasse comprometida, meses mais tarde.

O mito tenta apaziguar a tristeza dos pais pela perda de seus filhos, ao mesmo tempo em que indica a passagem possível de sacrifícios humanos aos deuses para sacrifícios animais.

A origem da ida dos irmãos para o Helesponto, montados no Velocino de Ouro, envolve o desentendimento entre o rei Atamas e suas esposas, Nefele e Ino, onde esta tramou contra as crianças temendo a sucessão; Nefele, para salvá-las, colocou-as sobre o carneiro e transformou-se em nuvem para ocultá-las. No final, Ino prevalece sobre Nefele e somente a deusa Hera será capaz de destruí-la.

ψ

21 de abril a 20 de maio

O Minotauro e o Labirinto: Instinto e Razão

No próspero reino de Creta, o rei Minos ordenou ao artesão Dédalo, que construísse um labirinto tão bem projetado que quem se aventurasse por seus corredores jamais fosse capaz de encontrar a saída. Nele, Minos abrigou uma criatura terrível, o Minotauro, que tinha corpo de homem e cabeça de touro. De tempos em tempos, os cretenses eram obrigados a entregar ao monstro, sete donzelas e sete rapazes, que entravam no labirinto para nunca mais sair.

Decidido a livrar Creta desse pesado tributo, o herói Teseu (veja signo de Áries), penetrou no labirinto como um dos jovens sacrificados. Teve o cuidado, porém de marcar o caminho de volta deixando atrás de si o fio de um novelo, tecido especialmente por Ariadne, que caiu de amores por ele e era filha de Minos. Com sua espada, Teseu matou o Minotauro e libertou Creta do jugo do rei sanguinário.

Taurinos: materialistas, ambiciosos, decididos, os nativos valorizam o poder e a segurança. Detêm a força do elemento terra, seu regente, mas devido ao excessivo enraizamento podem se acomodar, como os bois. Assim como o Minotauro exigia o sacrifício dos jovens, os taurinos podem se tornar escravos dos instintos e da busca pelo prazer.

Touro em todos nós: a cada momento em que adotamos uma postura prática frente à vida e trabalhamos com afinco e persistência, estamos imbuídos da energia taurina por excelência. Essa força nos move também a penetrar no labirinto interior de nossas emoções, assumindo o risco de encontrar uma fera irascível, o nosso Minotauro.

γ

O Mito de Touro

Uma das versões do mito se relaciona, segundo alguns autores, com a paixão que a princesa Europa, da Fenícia, despertou em Zeus. Para aproximar-se dela, o deus do Olimpo transformou-se em um touro de rara beleza cujo hálito recendia a açafrão. Quando Europa sentou-se sobre ele, o touro voou sobre os mares, levando-a até Creta. Outras versões associam a sacerdotisa de Hera, chamada Io, com Zeus.

Hera, enciumada da paixão que Io provocou em seu marido divino, transformou-a numa vaca errante, sempre atormentada por um moscardo que a perseguia, sempre observada pelo monstro Argos, o de muitos olhos. Como havia sido transformada em vaca, para fazer amor com ela Zeus tinha que transformar-se em touro. Zeus pediu a Hermes que matasse o monstro, e assim pôde encontrar-se com Io à vontade. O romance de Io e Zeus parece ter sido o início dos sucessivos adultérios do deus depois de casado com sua esposa e irmã Hera.

Outras versões asseguram que um dia, às margens do Nilo, Io pediu a Zeus que pusesse fim ao seu penar; Zeus transformou-a novamente em mulher e uniu-se a ela. Mais tarde, desta união sagrada nasceu Épafos, que tornou-se rei do Egito e que, em algumas versões, seria o próprio deus egípcio Ápis.

Com relação à constelação de Touro, há também o mito das cinco Hiades, filhas de Atlas que, entristecidas com a morte de seu irmão, haviam morrido e subido aos céus. Outro mito relacionado envolve a constelação das Plêiades, sete meio-irmãs das Híades, que se mataram em honra destas, segundo algumas versões. Casadas com deuses, tiveram muitos filhos envolvidos em lendas. Uma das Plêiades, Electra, a estrela menos brilhante, depois de ver o massacre e o exílio de seus descendentes em Troia, saiu por vontade própria da constelação, em sinal de pesar.

Electra move as Plêiades em seu movimento circular em torno do pólo, onde, sem sua cabeleira, pode ser vista em sua tristeza – nesse estado é chamada de Cometes ( “cabelos longos”). Os romanos chamavam as Plêiades de estrelas da primavera, porque acendiam depois do equinócio da primavera.

ψ

21 de maio a 20 de junho

Castor e Pólux: Múltiplos Talentos

Certo dia, o deus supremo, Zeus, desceu do monte Olimpo à terra para um de seus passeios. Viu Leda, esposa do rei Tindareu, de Esparta, banhando-se num rio. Para seduzi-la, Zeus se transformou em cisne. Leda engravidou e deu à luz aos gêmeos, Castor e Pólux. Um dos meninos, entretanto, era filho de Tindareu esposo de Leda e, portanto, mortal, enquanto o outro, gerado por Zeus, era um semideus.

Castor e Pólux cresceram inseparáveis e se tornaram rapazes dotados de talento, extraordinária inteligência e vigor físico. Tanto que foram convocados para a épica aventura de Jasão e os Argonautas em busca do velo de ouro (veja o signo de Áries).

A mão do destino interveio quando Castor, que era mortal, foi abatido numa batalha. Enlouquecido de dor, o imortal Pólux implorou a Zeus que o levasse também. Para uni-los o deus transformou os dois irmãos em estrelas, formando a constelação de Gêmeos. Havia, no entanto, uma condição: os rapazes deveriam passar metade do tempo no céu e a outra metade na terra.

Geminianos: versatilidade e pensamento independente são características dos nativos desse signo. Extremamente mentais, cultivam pontos de vista originais e gostam de se dedicar a várias atividades ao mesmo tempo, como se desdobrassem em mais de uma pessoa, tema do mito Castor e Pólux. Nesse afã, correm o risco de desperdiçar energias, sem levar as tarefas a cabo.

Gêmeos em todos nós: sentimos o despertar da energia típica dos gêmeos mitológicos ao fazer pleno uso das faculdades mentais, estabelecer associações rápidas e adotar posturas versáteis. A duplicidade geminiana sinaliza ainda uma exigência típica de nossos tempos: a necessidade de trocar continuamente de posição para olhar a vida. E mais: talento para ser múltiplo e conciliar trabalho, família e relacionamentos é qualidade de que ninguém pode prescindir.

γ

O Mito de Gêmeos

O mito se relaciona com os irmãos gregos Dióscuros (διος κουροι = filhos de Zeus), Polideuces (Πολυδεύκης) e Cástor (Κάστωρ), que o deus teve com Leda.

Sempre em harmonia, nunca faziam nada sem o consentimento um do outro. Seu culto era muito popular entre os gregos e no sul da Itália. Eram irmãos de Helena, nascida de um ovo e causadora da guerra de Troia. Outra versão associa Zeus com um caso de amor com Nêmesis, a Necessidade, filha da Nyx, a Noite, uma entidade divina que possui aparições variadas, contra as quais nem mesmo os deuses do Olimpo podem fazer nada.

Nêmesis, a mais bela, tem o nome da raiva justa que se abate contra os que desrespeitam a norma da natureza. (Nêmesis, aliás, empresta seu nome e seu caráter a um dos lotes (partes) gregos referidos pelos astrólogos alexandrinos, tais como Paulus).

Zeus, enamorado dela, sentiu tal desejo que perseguiu-a onde quer que ela fosse Nêmesis era uma deusa alada. Finalmente, conseguiu ter uma relação com ela – o deus transformado em cisne e a deusa em ganso – e desta união nasceram, de um ovo da cor do jacinto azul, Polideuces, Helena e Castor. Ais tarde o ovo foi parar nas mãos de Leda. Cástor era mortal, e durante uma guerra entre Esparta e Atenas, foi assassinado. Com grande pesar, Polideuces oferece metade de sua vida imortal ao irmão, então uma metade do ano Cástor submerge sob a terra, como quando a constelação se põe e por um dia os dois irmãos encontram-se juntos no Hades.

Os Gêmeos simbolizam o caráter dual do céu, ora dia, ora noite, com as estrelas da manhã e as do por-do-sol, assim como a cópia do que é criado – como exemplo, um dos Dióscuros é imortal enquanto o outro não o é.

ψ

21 de junho a 21 de julho

A Hidra de Lerna: Emoções Indômitas

Em um de seus 12 trabalhos, o herói Hércules foi convocado a matar a Hidra de Lerna, monstro que habitava um pântano na região de Argos. A fera tinha nove cabeças, que destilavam veneno, e uma delas era imortal. Caso uma fosse cortada, nasciam outras três no lugar.

Na luta, cada vez que Hércules decepava uma cabeça, seu servo, Iolau, imediatamente cauterizava a ferida com uma tocha, impedindo que as cabeças nascessem novamente. Foi quando a deusa Hera, inimiga do Herói, vendo que ele sairia vitorioso da empreitada, enviou um caranguejo para morder seu pé, e distraí-lo. Ele, entretanto, sem pestanejar, esmagou o crustáceo. Em seguida, decepou a cabeça imortal da Hidra e enterrou-a sob uma pedra. Assim, derrotou o monstro.

Entristecida, Hera colocou o caranguejo no céu, formando a constelação de Câncer.

Cancerianos: as várias cabeças da criatura simbolizam o turbilhão de afetos que muitas vezes nos arrebata. O embate entre Hércules e a Hidra fala da importância de dominar as emoções quando forças antagônicas estão em jogo. Os cancerianos, considerados como carentes e maternais, freqüentemente são vítimas de excessos emocionais, que os coloca em situações difíceis – pantanosas, por assim dizer, como o local onde vivia o monstro. O nome Hidra, aliás, significa “água”, o elemento de Câncer, signo representado pelo caranguejo.

Câncer em todos nós: a cada vez que expressamos sentimentos profundos e formamos vínculos emocionais duradouros – com a terra natal, a família e a infância, por exemplo -, estamos dando vazão ao nosso lado canceriano.

γ

O Mito de Câncer

O mito relacionado à constelação e ao signo fala do caranguejo-gigante que guardava a toca onde a Hidra de Lerna morava. Um dos 12 trabalhos de Hércules consistiu em matar a Hidra de Lerna. Quando ele lutava contra a serpente de muitas cabeças – chamada também de ‘cadela de Lerna’, irmã de Cérbero, que guarda o portão de Hades, ou de ‘cobra d’água’, cujo hálito matava animais e homens-, teve o pé picado pelo caranguejo. Este foi então esmigalhado, depois, pelo mesmo pé. Como sinal de reconhecimento pelo devotado animal, que tinha sido enviado por Hera, esta deusa transformou o caranguejo em constelação, no ponto onde as almas dos seres humanos descem para as regiões infernais, na metade subterrânea do céu.

Também há uma ligação entre o caranguejo e os asnos – que ficam nas costas do primeiro – na constelação.

O asno é um animal muito importante na mitologia dos povos. Sua força simbólica chegou até o Renascimento europeu. Alguns autores contam que, durante a guerra entre os Titãs e os deuses do Olimpo, os deuses Dionísio, Hefesto e os Sátiros lutaram com asnos, e a confusão que provocaram causou a fuga dos gigantes titânicos. Por isso, foram colocados na constelação, no lado ocidental do caranguejo.

O simbolismo dos asnos foi perdendo a associação com o caranguejo ao longo dos séculos, mas tem relação com a vida e a morte; com sabedoria, mas também com teimosia, poder e humildade, além do seu caráter fálico. Tanto o mito do leão de Neméia quanto o do Caranguejo remontam à antiguidade oriental.

ψ

22 de julho a 22 de agosto

O Leão de Neméia e o Orgulho Invencível

Vencer o sanguinário leão que devorava homens e rebanhos nos bosques de Neméia foi o primeiro trabalho dos 12 encomendados ao herói Hércules. Sob as ordens do rei Euristeus, que exigiu a entrega do animal depois de abatido, Hércules adentrou a floresta para descobrir que tanto sua pesada espada como as flechas envenenadas eram inúteis contra o monstro, de pele invulnerável. O herói, então, se atracou à fera numa luta corpo a corpo e estrangulou-a com as mãos nuas. Depois de levar o leão morto a Euristeus, Hércules passou a usar sua pele, tornando-se mais poderoso.

Leoninos: os nativos esbanjam autoconfiança e alegria de viver. Gosta de estar no centro das atenções e, como o animal rei da selva, sabem ser governantes e líderes. Protegidos sob uma couraça precisam, entretanto, aprender a controlar a cólera e o orgulho excessivo, da mesma forma como Hércules sufocou o Leão de Neméia.

Leão em todos nós: a força leonina se manifesta em nós por meio de ações confiantes e otimistas. E ter orgulho de nossas conquistas é justificado. Mas, quando o ego fica inflado demais e somos vítimas da soberba e da arrogância, é preciso cultivar a humildade e a modéstia.

γ

O Mito de Leão

O mito associa-se ao leão do vale de Neméia, presente no primeiro trabalho de Héracles. Algumas versões afirmam que o leão era filho da deusa-serpente Equidna, aparentado, portanto, com a esfinge de Tebas. Outras, que vinha da estirpe de Tífon. Há versões, ainda, que ligam o leão de Neméia à deusa Selene, a qual, cansada de sua companhia, atirou-o sobre o monte Apesa. O fato é que o leão aterrorizava a todos no lugar, e a tarefa de Héracles era matá-lo; coisa que o herói só conseguiu depois de um sono de 30 dias após o qual, desperto, enfeitou-se com uma grinalda de aipos- um vegetal associado aos infernos- e atacou o leão com uma maçã.

O leão corporificava a morte e o mundo subterrâneo – os túmulos quase sempre traziam leões esculpidos em sua parte superior. O herói atou o leão, retirou sua pele com as garras do próprio e a usava como um troféu, colocando-a invulnerável, que ela era -, como também a cabeça do leão, sobre a sua própria e seus ombros. Compadecido de seu filho, Zeus transformou o leão na constelação do Zodíaco.

O mito associado ao signo e à constelação do Leão remonta à Babilônia. Seu primitivo zodíaco se refere ao solstício de verão.

ψ

23 de agosto a 22 de setembro

Deméter, a Deusa das Colheitas

Uma das 12 divindades máximas do Olimpo, a morada dos deuses, Deméter era a responsável pela fertilidade da terra. A deusa – de cujo nome romano, Ceres, vem da palavra cereal – amava os campos e preferia passar o tempo em longos passeios pelas plantações, permanecendo no Olimpo apenas o necessário para participar de conselhos e julgamentos. Generosa em sua atribuição de prover o alimento era mais amada do que temida pelos homens.

De um romance com o supremo Zeus, Deméter teve uma filha, Perséfone. Certo dia, a moça colhia flores quando foi notada por Hades, o senhor do mundo subterrâneo, lugar por onde as almas vagavam após a morte (veja o signo de Escorpião). Impressionado pela beleza de Perséfone, Hades a raptou.

Deméter ficou furiosa. Sua dor e indignação foram tamanhas que o próprio Zeus se dispôs a impedir o casamento. Depois de muita negociação, os deuses chegaram a um acordo: Perséfone viveria nove meses com a mãe, na terra, e três meses com Hades, no reino dos mortos – em certas versões seriam seis meses em cada lugar. A partir daí, durante o tempo em que fica sem a filha, a desolação de Deméter a impede de exercer sua influência benéfica sobre a natureza: são os tempos invernais, em que a vida se recolhe e nada floresce.

Virginianos: pela capacidade instintiva de os nativos saberem separar o joio do trigo – o útil do inútil, o saudável do insalubre, o oportuno do prejudicial – o signo está associado à capacidade de discernimento. Meticulosos, diligentes e críticos, os virginianos, como Deméter, gostam de colocar seus talentos a serviço da humanidade. O problema é que focam tanto os detalhes que podem perder a noção do todo.

Virgem em todos nós: quando exercemos o espírito crítico e analítico e separamos os grãos da palha, estamos imbuídos do espírito desse signo. Colocar nossos dons e talentos em prol do bem-estar dos outros – como fazia a deusa das colheitas, abençoando as plantações – é outra atitude essencialmente virginiana.

γ

O Mito de Virgem

A constelação e o signo referem-se à deusa Diké (Δίκη), filha de Zeus e Têmis, que vivia entre os homens até o momento em que a humanidade se tornou injusta, tendo ido para os céus depois de desapontada com o rumo da vida na terra.

Outras fontes ligam o signo – e sua correspondente constelação – a Deméter, mãe de Perséfone e deusa da colheita e da agricultura. Existem ainda outras associações, com Ísis, Aragatis e também Tiké – ou Τύχη, a sorte (porque a constelação não tem cabeça e portanto não pensa, e
assim é a sorte, que cabe aleatoriamente aos seres humanos) e ainda Erígone, filha de Icário, que teria tido uma relação com Dionísio.

Cupid and Psyche by John Roddam Spencer Stanhope

ψ

23 de setembro a 22 de outubro

Eros e Psiquê: O Triunfo do Amor

Certo dia espalhou-se a notícia de que existia na terra uma mulher mais bela do que Afrodite, a própria deusa da beleza. Ela não suportou a ideia de uma concorrente – ainda mais sendo uma mortal – e pediu ao filho Eros, o deus do amor, que matasse a moça. Ele, porém, ao avistar Psiquê amarrada a uma rocha, com os olhos vendados, sem querer feriu a si mesmo com uma de suas setas mágicas e acabou se apaixonando. Levou-a para seu castelo e, a fim de que a moça nunca descobrisse sua identidade, advertiu-a para usar a venda em todos os momentos em que estivessem juntos.

Um dia, as irmãs de Psiquê foram visitá-la, e invejosas de sua felicidade, convenceram-na a tirar a venda, sugerindo que seu amado só poderia ser um monstro. Numa noite de amor, ela tirou a venda e Eros voou pela janela. Psiquê então suplicou a Afrodite que devolvesse seu amado. A deusa concordou desde que a moça cumprisse com uma série de tarefas – quase impossíveis. Ajudada pelos animais, Psiquê saiu vitoriosa dos desafios. A deusa então não teve remédio senão reunir os amantes, que viveram felizes para sempre.

Librianos: a busca da harmonia é a meta dos nativos, não apenas na arte, onde demonstram incríveis talentos, mas especialmente nos relacionamentos. Têm horror à solidão e fazem tudo para não ficar sozinhos, podendo até mesmo abdicar de um amor verdadeiro em prol de uma relação superficial, porém estável. Supervalorizam também a opinião alheia, como fez Psiquê ao dar ouvidos às irmãs invejosas.

Libra em todos nós: é sempre o lado libriano que nos abre a porta da crença no amor verdadeiro. Para alguns, esse chamado é tão forte a ponto de fazê-los se sujeitar a todas as provas para conquistá-lo – ou tê-lo de volta, como fez Psiquê, que reconquistou se amado Eros depois de cumprir uma por uma as tarefas ordenadas por Afrodite.

γ

O Mito de Libra

A constelação formou-se a partir das tenazes do Escorpião. Em alguns monumentos pré-históricos não há referência a Libra. Parece que a separação em duas constelações ocorreu durante a era romana, quando os pratos foram devotados à Balança. Começou a constar do calendário depois de sua instituição por César.

Ao marcar o equinócio de outono, a Balança passa a ser símbolo de justiça e equilíbrio, pois indica a época em que o dia é igual à noite.

ψ

23 de outubro a 21 de novembro

Orfeu e a Descida ao Mundo Subterrâneo

Poeta e trovador, Orfeu cantava e tangia sua lira com tamanho talento que os animais selvagens se calavam e as árvores se inclinavam para ouvi-lo. Quando sua esposa, a ninfa Eurídice, morreu ao ser picada por uma cobra, o jovem ficou tão inconformado que decidiu descer ao mundo do deus das profundezas, Hades, onde vagavam as almas, para resgatá-la. No reino das trevas, a música e a voz divinas de Orfeu lhe abriram passagem: o feroz cão Cérbero, que guardava a entrada, deixou-o passar e o barqueiro Caronte o conduziu na travessia do rio, onde os mortos se banhavam para esquecer o passado.

Sua prova de amor comoveu até o deus e sua esposa, Perséfone, que concordaram em devolver Eurídice. Com uma condição, porém: ao sair do mundo das sombras, Orfeu iria à frente, seguido pela mulher, mas não poderia olhar para trás em hipótese alguma. O poeta aceitou a imposição e estava quase fora quando foi dominado pela dúvida: e se tudo não passasse mesmo de um estratagema e Eurídice não estivesse ali, junto dele?

Orfeu não aguentou. Voltou-se e viu Eurídice se esvair como fumaça. O herói ainda tentou retornar, mas dessa vez sua entrada não foi permitida.

Escorpianos: os nativos desse signo de extremos não temem descer ao nível mais profundo das emoções, como fez Orfeu na visita ao mundo subterrâneo. Sempre arrebatados pela paixão, como o herói trovador, se sentem irresistivelmente atraídos pela exploração de tudo o que é oculto, secreto e reprimido. Nada pior, para Escorpião, que viver de forma superficial.

Escorpião em todos nós: A energia escorpiana se manifesta nos momentos em que experimentamos a sensação de morte e renascimento. Depois de descer às escuras profundezas do sofrimento, da tristeza e do desânimo, emergimos para a luz curados, renascidos e mais fortes. O espírito do Escorpião aparece também quando mergulhamos no mundo das emoções de forma intensa e apaixonada.

γ

O Mito de Escorpião

O mito vem da Babilônia e refere-se ao escorpião que a deusa da Lua, Ártemis, enviou para matar Órion. Os dois lutam e Zeus, para transformar o ocorrido em lição, transforma-os em constelações, como lembrete para os seres humanos controlarem a tendência a irem além de sua possibilidade e ao mesmo tempo para mostrar seu poder e sua força. Quando Órion surge no céu, o escorpião está abaixo do horizonte. Quando este ascende Órion, morre, pondo-se sob a terra. Outra versão explica que Ártemis quis matar Órion – por meio do escorpião – porque aquele perseguia as virgens Plêiades, que ela quis proteger.

A estrela vermelha Antares (Άρης)- anti Ares, contra Ares, deus grego da guerra – está associada com esta constelação. Desde tempos imemoriais, Ares, Marte, é o regente do signo do escorpião.

ψ

22 de novembro a 21 de dezembro

Quíron, o Centauro Curador

Metade homem, metade cavalo, os centauros eram seres grosseiros e viviam em constante arruaça. Tinha na mente e nas mãos a clareza e a destreza da raça humana, enquanto o corpo e as patas os ligavam à terra e ao mundo dos instintos. Seu rei, o sábio Quíron (Χείρων), filho do deus Cronos – Saturno na mitologia romana – destoava do restante do bando (veja signo de Capricórnio). A condição de semideus o tornava imortal, e ele ainda era filósofo e curandeiro, dominava astrologia, matemática, música, medicina e artes de guerra. Freqüentemente, era convocado como mestre de heróis como Aquiles, Hércules e Jasão (veja signo de Áries).

Em uma de suas proezas, Hércules atacou os centauros e, acidentalmente, feriu o pé do mestre com uma flecha envenenada. Quíron, como imortal que era não deixou a vida, mas não foi capaz de curar a si mesmo. Subiu, então, aos céus e se transformou na constelação de Sagitário.

Sagitarianos: o gosto por expandir horizontes (inclusive os interiores) move os nativos na busca do conhecimento, nos estudos elevados e nas viagens. Agem norteados por valores e convicções nobres, como fazia Quíron. O ponto fraco é a falta de humildade e a incapacidade de suportar críticas.

Sagitário em todos nós: ao desenvolver o raro talento de equilibrar razão e instinto – nossas porções, humana e animal – despertamos o lado sagitariano. É a energia desse signo que nos incentiva a viajar, estudar e conhecer novas culturas e modos de pensar. E depois compartilhar esse conhecimento com outros, como fazia Quíron com seus discípulos.

γ

O Mito de Sagitário

Uma das versões associa a imagem do centauro Quíron, mestre de muitos heróis, ao signo e à constelação.

Quíron era um curandeiro entendido nas artes das ervas medicinais, além de músico e filósofo. Ensinou Aquiles, Jasão, entre outros. Imortal, andava nos bandos de centauros – metade-homens, metade-animais, que gostavam de festas, bebida e tinham um desejo sexual esfuziante. Um dia, recebendo a visita de Héracles, após tomarem vinho, os centauros vizinhos resolveram lutar e o herói dos 12 trabalhos acabou flechando sem querer a perna de Quíron, com uma flecha envenenada com o veneno da Hidra de Lerna, que impedia a cicatrização.

O mestre, que era imortal, procurou por muito tempo curar-se, sem sucesso. Cansado, pediu a Zeus que o deixasse morrer, trocando sua vida pela liberdade de Prometeu, o qual, naquele momento, padecia o castigo de ter seu fígado comido durante o dia por uma águia pelo fato de ter roubado do carro de Apolo o fogo e presenteado à humanidade. Zeus, compadecido do amigo centauro, transformou-o em parte da constelação do Sagitário, libertando também Prometeu. Há uma outra versão que associa à constelação a figura do caçador Crotus, também músico e exímio cavaleiro.

ψ

22 de dezembro a 20 de janeiro

Cronos, O Senhor do Tempo

Filho de Urano e Gaia (O Céu e a Terra), Cronos destronou o próprio pai. Para isso, em conchavo com a mãe, esperou Urano dormir e o castrou, atirando seus genitais no mar – da espuma, nasceu Afrodite, a deusa do amor. Em outro acordo, dessa vez com o irmão primogênito, Titã, Cronos ganhou direito a governar seu reino. Titã, entretanto, impôs a Cronos uma condição: sacrificar sua descendência masculina para que a sucessão ficasse reservada a um filho seu.

Quando Cronos se casou com Rea, a fim de cumprir a promessa passou a devorar todos os seus filhos Entretanto, ela conseguiu salvar três meninos – Zeus, Poseidon e Hades – que por sua vez destronaram o pai e se tornaram, respectivamente, o deus supremo, o deus dos oceanos e o deus do mundo subterrâneo.

Derrotado por Zeus, Cronos foi aprisionado por um tempo no Tártaro, uma região subterrânea abaixo do reino de Hades. Libertado, coube a ele o papel de consolidador do Universo: sem sua atuação, nada tornaria a forma definitiva e duradoura.

Como Cronos em grego significa “tempo”, ele geralmente é representado como um velho de cabeços brancos e barba longa.

Capricornianos: pacientes e perseverantes, verdadeiros donos do tempo, os nativos trabalham com afinco para cumprir a tarefas assumidas, assim como fez Cronos. Geralmente tomam para si as responsabilidades e não descansam até concluir os planos iniciados. Com rara disciplina e senso de dever, preferem se ater padrões e estrutura estabelecidos a correr riscos.

Capricórnio em todos nós: sabe os momentos em que é preciso exercitar toda a paciência e persistência para alcançar um objetivo? É quando somos mais capricornianos do que nunca! Esse espírito se manifesta, também, nas vezes em que nos esforçamos e trabalhamos duro para consolidar conquistas, do mesmo modo que Cronos quis se manter no trono.

γ

O Mito de Capricórnio

Há dois mitos relacionados com a constelação e o signo.

O primeiro se refere a Pan. Como como há muitas gerações de Pan, este teria sido um dos filhos de Zeus com sua ama de leite, a cabra Aigoceros, ou Amaltéia – daí seu nome Egipan, sendo que pan significa “todo”. Nascido com os pés e o chifre de uma cabra, este Pan do mito ligado ao signo inventou a flauta de pastor a partir de uma de suas histórias de amor, que eram muitas. Seu grande amor foi Selene, a Lua. O pequeno deus era escuro, aterrorizante e fálico, e se tornava maligno quando acordado de seu sono nas tardes. Dirigia a dança das ninfas e era o arauto da manhã, de pé, nos cumes das montanhas.

Outra versão atribuída ao signo remonta a relatos mais antigos. Certa feita, em uma versão egípcia, Pan estava com outros deuses nas margens do Nilo e surgiu Tífon, inimigo dos deuses. O medo transformou cada um dos deuses em animais e Pan, assustado, mergulhou num rio e disfarçou assim metade de seu corpo, sobrando apenas a cabeça e a parte superior do corpo, que se assemelhava a uma cabra; a parte submersa adotou uma aparência aquática. Zeus considerou este estratagema de Pan muito esperto e, como homenagem, transformou-o em constelação.

Relaciona-se também com a dualidade do deus Janus, de duas faces, homenageado em Janeiro: uma face olha para o futuro; a outra, para o passado.

ψ

21 de janeiro a 19 de fevereiro

Prometeu e o Fogo Divino

Zeus, ao assumir o poder do Olimpo, decide impor aos homens a supremacia divina e negar a eles o poder de comandar o fogo, o grande elemento transformador. Símbolo de inteligência e sabedoria era o atributo capaz de diferenciar os seres humanos dos animais: sem ele, a humanidade permaneceria predestinada a viver na escuridão e a se alimentar de carne crua.

O Titã Prometeu cujo nome significa “previdente”, tinha o dom da profecia e, depois de receber da deusa Palas Atena conhecimentos de astronomia e navegação e entregá-los aos homens, decidiu fazer o mesmo com o fogo. Roubou de Hefestos uma centelha de sua forja, onde ele lavrava as espadas divinas, e o trouxe à terra. Indignado, Zeus acorrentou Prometeu ao monte Cáucaso e colocou uma águia a bicar-lhe eternamente o fígado. O órgão (que os antigos consideravam o mais importante do corpo por representar a vida), devorado de dia, se regenerava à noite, numa tortura sem fim.

Prometeu foi libertado por Hércules, quando este penetrou no mundo subterrâneo de Hades para capturar Cérbero (veja signo de Escorpião). Zeus permitiu que o herói soltasse Prometeu, pois precisava de seu dom de antever o futuro.

Aquarianos: Os nativos desse signo estão sempre engajados em ideais humanitários e sentem necessidade de colocar seu talento a serviço da comunidade. Antenados, têm o poder de antever tendências, como Prometeu tinha o dom da profecia. No mito, a águia, animal que vive nas alturas, simboliza a visão aguda e a clareza de pensamento, também atributos aquarianos.

Aquário em todos nós: nossa porção aquariana desperta sempre que nos engajamos em causas sociais ou na construção de benefícios em prol do próximo. Ou então quando exercemos tarefas criativas, que tragam inovações ou estejam ligadas a novas tecnologias. Às vezes, temos que pagar um preço pelos princípios de “liberdade, igualdade e fraternidade”, o lema aquariano, como fez Prometeu.

γ

O Mito de Aquário

O mito relaciona-se a um outro, antigo e universal, o do dilúvio, no qual quase toda a criação foi destruída pelas águas (sendo reconstituída posteriormente com a ajuda de experiência e conhecimento). Esta destruição seguida de uma reconstituição é a que se relaciona com a constelação.

Ganimedes, filho do rei Tros -ou de um pastor, segundo algumas outras fontes-, era muito belo. Zeus, transformado em águia, levou-o até o Olimpo, onde passou a servir aos deuses o néctar que lhes dava a eterna juventude. O que faz com que o Aguadeiro esteja sempre jovem e, ao mesmo tempo, pleno da sabedoria imortal, espalhando entre todos o conhecimento atemporal. É associado à constelação, vasos e ânforas, e também à estrela Pégaso, que representa o cavalo alado (cavalos representam a união da terra com o céu, da matéria com os planos superiores).

ψ

20 de fevereiro a 20 de março

Nereidas, as Belas do Fundo do Mar

Filhas de Nereu, o velho do mar, as nereidas eram ninfas das águas, lindas criaturas que passavam o tempo dançando nas profundezas. Um belo dia, Poseidon, o deus dos oceanos, passeando em seu coche puxado por cavalos marinhos, se apaixonou perdidamente pela mais bela nereida, Anfitrite. Mas ela, cheia de pudor, se refugiou nos escondidos domínios de seu pai.

Poseidon prontamente enviou um golfinho para perscrutar os mares em busca da sua amada. O animal, ao encontrar Anfitrite, convenceu-a a desposar o deus. A ninfa então subiu no bicho e, escoltada por todas as divindades marinhas, foi levada a Poseidon. As bodas foram celebradas com toda a pompa, e Anfitrite se tornou a rainha das dos mares. Agradecido ao Golfinho, Poseidon o transformou na constelação de Peixes.

Piscianos: como as nereidas, que viviam nas profundezas, os nativos mergulham em dimensões impalpáveis, ligadas à religiosidade e ao mundo psíquico. Como as águas profundas podem se tornar turbulentas e turvas, os sensíveis piscianos costumam ser vistos pelos outros como confusos e instáveis. Embrenham-se com facilidade no inconsciente coletivo, que abriga todas as experiências e emoções da humanidade.

Peixes em todos nós: vivemos momentos piscianos ao fazer um mergulho no mundo das emoções. Esses sentimentos, por vezes, se escondem nas inóspitas profundezas, como o reino de Nereu. Em toda experiência ligada à transcendência – o despertar espiritual, a manifestação da intuição e das fantasias – também se revela o misterioso universo pisciano.

γ

O Mito de Peixes

Já era o 12º signo no zodíaco babilônio antes de os gregos lhe atribuírem mitos olímpicos.

Uma versão fala de uma jovem que Derceto engravidara e que tivera o filho, Ictis, às margens do mar, não querendo assumir as conseqüências de seu desejo sexual.

Outra versão fala empreendida por Afrodite e Eros da perseguição de Tífon. Os dois esconderam-se no oceano e Poseidon, querendo ajudá-los, enviou até eles dois golfinhos, que os levaram para longe, até as margens do Eufrates, na Mesopotâmia. Como recompensa, tornaram-se imortais e foram transformados na constelação. Em uma versão semelhante, o contexto da fuga dos dois deuses por causa da perseguição de Tífon coloca em ação o rei Cadmo, de quem se diz ter inventado o alfabeto. Cadmo, vendo todos os deuses fugirem de medo de Tífon, vai ao encontro do monstro com a inteligência e fala da música, que envolve e enfeitiça o inimigo dos deuses. Começa a tocar para Tífon que fica maravilhado e lhe promete como prêmios várias deusas do Olimpo. Cadmo no final acaba ajudando Zeus a se armar novamente – Tífon havia roubado seus relâmpagos – e o equilíbrio do mundo retorna com a morte do monstro, que é atirado ao vulcão Etna pelo deus do Olimpo. Alguns autores interpretam esta relação com música, inteligência, e abalo do mundo com seu posterior ordenamento com as características do próprio signo.

Ω