Cosmologia e Calendários

Uma História do Mundo em Doze Mapas

A Geografia de Ptolomeu, c.150 d.C.

Jerry Brotton

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Alexandria, Egito, c.150 d.C.

Ao se aproximar de Alexandria pelo mar, vindo do leste, a primeira coisa que um viajante clássico via no horizonte era a colossal torre de pedra do Farol, numa pequena ilha situada na entrada do porto da cidade. Com mais de cem metros de altura, a torre funcionava como um marco para os marinheiros que percorriam a costa egípcia, em grande parte uniforme. Durante o dia, um espelho posicionado em seu ápice acenava para os marinheiros, e à noite acendiam-se fogueiras para guiar os pilotos até a costa. Mas a torre era mais do que um simples marco de navegação. Ela anunciava aos viajantes que estavam chegando a uma das grandes cidades do mundo antigo. Alexandria foi fundada em 334 a.C. por Alexandre, o Grande, que deu o próprio nome à cidade. Após sua morte, ela tornou-se a capital da dinastia ptolomaica (nome derivado de Ptolomeu, um dos generais de Alexandre), que governaria o Egito por mais de trezentos anos e difundiria as ideias e a cultura gregas por todo o Mediterrâneo e Oriente Médio. Depois de passar pelo Farol, o viajante que entrava no porto no século III a.C. se via diante de uma cidade disposta em forma de uma clâmide, o manto retangular de lã usado por Alexandre e seus soldados, uma imagem icônica do poderio militar grego. Alexandria, tal como o resto do mundo civilizado na época, estava envolta no manto da influência grega, o “umbigo” do mundo clássico. Era um exemplo vivo de uma pólis grega transplantada para solo egípcio.

A ascensão da cidade representou uma mudança decisiva na geopolítica do mundo clássico. As conquistas militares de Alexandre haviam transformado o mundo grego, de um grupo de cidades-estados pequenas e insulares em uma série de dinastias imperiais espalhadas por todo o Mediterrâneo e pela Ásia. Essa concentração de riqueza e poder em impérios como a dinastia ptolomaica trouxe consigo mudanças para a guerra, tecnologia, ciência, arte, comércio e cultura. Levou a novas formas de interação, comércio, troca de ideias e aprendizado entre as pessoas. No centro desse mundo helenístico em evolução, que ia de Atenas à Índia, entre c.330 a.C. e c.30 a.C., estava Alexandria. Do oeste, ela recebia os mercadores e comerciantes dos grandes portos e cidades mediterrâneos, tão distantes quanto a Sicília e o sul da Itália, e enriquecia com o comércio feito com Roma, potência em ascensão. Do norte, recebia a influência cultural de Atenas e das cidades-estados gregas. Reconhecia a influência dos grandes reinos persas do oriente e absorvia do sul a riqueza do fértil delta do Nilo e das vastas rotas de comércio e reinos antigos do mundo subsaariano.

Tal como a maioria das grandes cidades que se situam numa encruzilhada de povos, impérios e comércio, Alexandria tornou-se também um núcleo de saber e erudição. De todos os grandes monumentos que definem a cidade, nenhum é mais potente no imaginário ocidental do que sua antiga biblioteca. Fundada pelos Ptolomeu por volta de 300 a.C., a biblioteca de Alexandria foi uma das primeiras bibliotecas públicas, projetada para manter uma cópia de cada manuscrito conhecido escrito em grego, bem como traduções de livros de outras línguas antigas, especialmente o hebraico. A biblioteca continha milhares de livros, escritos em rolos de papiro, e todos catalogados e disponíveis para consulta. No coração de sua rede de palácios reais, os Ptolomeu criaram um “mouseion” (museu), originalmente um santuário dedicado às nove Musas (ou deusas), mas que eles redefiniram como um lugar para o culto das musas do saber e da erudição. Ali, os pesquisadores eram convidados a estudar, com promessas de hospedagem, pensão e, o melhor de tudo, acesso à biblioteca. Algumas das melhores cabeças de toda a Grécia daquele período foram atraídas para trabalhar no museu e sua biblioteca. Euclides (c.325-265 a.C.), o grande matemático, veio de Atenas; o poeta Calímaco (c.310-240 a.C.) e o astrônomo Eratóstenes (c.275-195 a.C.) vieram ambos da Líbia; o matemático, físico e engenheiro Arquimedes (c.287-212 a.C.) veio de Siracusa.

A biblioteca de Alexandria foi uma das primeiras tentativas sistemáticas de reunir, classificar e catalogar o conhecimento do mundo antigo. Os Ptolomeu decretaram que todos os livros que entrassem na cidade deveriam ser apreendidos pelas autoridades e copiados pelos escribas da biblioteca (embora seus proprietários descobrissem, às vezes, que apenas uma cópia de seu livro original era devolvida). As estimativas da quantidade de livros guardados na biblioteca mostraram-se muito difíceis de fazer, devido a afirmações desvairadamente contraditórias de fontes clássicas, mas até mesmo as avaliações conservadoras falam em mais de 100 mil textos. Um comentarista clássico desistiu de tentar contar: “Quanto ao número de livros e criação de bibliotecas, por que preciso falar, se são toda a memória dos homens?”, escreveu ele. Com efeito, a biblioteca era um vasto repositório da memória coletiva do mundo clássico contido nos livros que catalogava. Para tomar emprestada uma expressão da história da ciência, era um “centro de cálculo”, uma instituição com recursos para reunir e processar informações diversas sobre uma gama de assuntos, onde “gráficos, tabelas e trajetórias estão comumente à mão e são combináveis à vontade”, e da qual os estudiosos podiam sintetizar essas informações em busca de verdades mais gerais e universais.

World from the Nuremberg Chronicle

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Foi ali, em um dos grandes centros de cálculo e conhecimento, que nasceu a moderna elaboração de mapas. Por volta de 150 d.C., o astrônomo Cláudio Ptolomeu escreveu um tratado intitulado Geographiké Hyphêgesis (“Esboço geográfico”), que viria a ser conhecido simplesmente como a Geografia. Sentado nas ruínas da outrora grande biblioteca, Ptolomeu compilou um texto que afirmava descrever o mundo conhecido e que definiria a cartografia pelos dois milênios seguintes. Escrito em grego em um rolo de papiro, com oito seções ou “livros”, a Geografia resumia mil anos de pensamento grego sobre a forma, o tamanho e o alcance do mundo habitado. Ptolomeu definia sua tarefa de geógrafo como sendo a de “mostrar o mundo conhecido como uma entidade única e contínua, sua natureza e como ela se situa, levando em conta somente as coisas que estão associadas a ele em suas linhas gerais mais amplas”, que ele listava como sendo “golfos, cidades grandes, os povos e os rios mais notáveis, e as coisas mais dignas de nota de cada espécie”. Seu método era simples: “A primeira coisa que é preciso investigar é a forma, o tamanho e a posição da Terra em relação ao seu ambiente, de modo que seja possível falar de sua parte conhecida, quão grande ela é e como ela é” e “em que paralelos da esfera celeste cada uma das localidades é conhecida.” A Geografia que resultou disso era muitas coisas ao mesmo tempo: um relato topográfico da latitude e longitude de mais de 8 mil lugares na Europa, Ásia e África; uma explicação sobre o papel da astronomia na geografia; um guia matemático detalhado para fazer mapas da Terra e suas regiões; e o tratado que proporcionou à tradição geográfica ocidental uma definição duradoura de geografia – em suma, um kit completo para a confecção de mapas tal como concebido pelo mundo antigo.

Claudio Ptolomeu – Geografía

Nenhum texto antes ou depois de Ptolomeu ofereceria uma exposição mais abrangente da Terra e como fazer para descrevê-la. Após sua conclusão, a Geografia de Ptolomeu desapareceu por mil anos. Nenhum exemplar original da época de Ptolomeu sobreviveu, e ela só reapareceu no século XIII, em Bizâncio, com mapas desenhados por escribas bizantinos que se baseavam claramente na descrição de Ptolomeu da Terra e da posição de seus 8 mil lugares, e que mostram o mundo clássico como ele via em Alexandria, no século II. Em ordem crescente, o Mediterrâneo, a Europa, o norte da África, o Oriente Médio e partes da Ásia parecem relativamente familiares. As Américas e a Australásia (Oceania), a África meridional e o Extremo Oriente, desconhecidos de Ptolomeu, estão todos ausentes, assim como o Pacífico e a maior parte do oceano Atlântico. O oceano Índico aparece como um enorme lago, com o sul da África contornando a metade inferior do mapa para unir-se a uma Ásia cada vez mais especulativa a leste da península da Malásia. Não obstante, trata-se de um mapa que parecemos entender: com o norte no alto, tem nomes de lugares que marcam as regiões-chave, e é construído com o uso de uma retícula. Tal como a maioria de seus antepassados gregos, desde Platão, Ptolomeu entendia que a Terra era redonda, e usou essa grade para enfrentar a dificuldade de projetar uma Terra esférica sobre uma superfície plana. Ele reconhecia que para desenhar um mapa retangular era necessária uma retícula, “para conseguir uma semelhança com uma imagem de um globo, de tal modo que sobre uma superfície plana os intervalos estabelecidos nela também estejam em proporção tão boa quanto possível aos intervalos reais”.

Embora a Grécia arcaica não tivesse nenhuma palavra para “geografia”, desde pelo menos o século III a.C., os gregos antigos se referiam ao que chamaríamos de “mapa” com a palavra pinax (πίναξ). O outro termo utilizado com frequência era periodos gés, literalmente “circuito da Terra” (uma expressão que formaria a base de muitos tratados posteriores sobre geografia). Embora ambos os termos viessem a ser substituídos pelo termo latino mappa, a formulação grega clássica tardia da geografia resistiu, composta pelo substantivo (Terra) e o verbo graphein (desenhar ou escrever). Estes termos oferecem alguma luz sobre a maneira como os gregos viam os mapas e a geografia. Um pinax é um meio físico no qual imagens ou palavras são inscritas, e periodos gés implica uma atividade física, especificamente “dar uma volta” na Terra, de forma circular. A etimologia de geografia também sugere que ela era tanto uma atividade visual (desenhada) como uma declaração linguística (escrita). Embora todos esses termos fossem cada vez mais usados a partir do século III a.C., eles estavam incluídos nos ramos mais reconhecíveis do saber grego, ou seja, mythos (mito), historia (história), ou physiologia (ciência natural).

Uma História do Mundo em Doze Mapas

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Desde seus primórdios, a geografia grega surgiu de especulações filosóficas e científicas sobre as origens e a criação do universo, em vez de derivar de alguma necessidade especificamente prática. Por volta da época do nascimento de Cristo, o historiador grego e autodenominado geógrafo Estrabão (c.64 a.C.-21 d.C.), remontando às suas origens ao escrever sua própria Geografia em dezessete livros, afirmou que “a ciência da geografia” era “uma ocupação do filósofo”. O conhecimento necessário para a prática da geografia era, para Estrabão, “possuído somente pelo homem que investigou as coisas humanas e divinas”. Para os gregos, mapas e geografia faziam parte de uma investigação especulativa mais ampla sobre a ordem das coisas: explicações, escritas e visuais, das origens do cosmos e do lugar da humanidade dentro dele.

O relato mais antigo do que poderíamos chamar de geografia grega aparece na obra do poeta que Estrabão chama de “o primeiro geógrafo”: Homero, cujo poema épico Ilíada é geralmente datado do século VIII a.C. No final do livro 18, quando a guerra entre gregos e troianos atinge o clímax, Tétis, mãe do guerreiro grego Aquiles, pede a Hefesto, o deus do fogo, que dê a seu filho uma armadura para lutar contra o seu adversário troiano Heitor. A descrição feita por Homero do “escudo enorme e poderoso” que Hefesto molda para Aquiles é um dos primeiros exemplos literários de ekphrasis, uma descrição vívida de uma obra de arte. Mas também pode ser vista como um “mapa” cosmológico, ou o que um geógrafo grego chamaria de “kosmou miméma”, “imagem do mundo”, uma representação moral e simbólica do universo grego, neste caso composto por cinco camadas ou círculos concêntricos. Em seu centro estavam “a terra, o céu, o mar, o sol incansável, a lua cheia e todas as constelações que coroam os céus”. No círculo exterior, o escudo retratava “duas belas cidades de homens mortais”, uma em paz, outra em guerra; a vida agrícola mostrando a prática de arar, colher e a vindima; o mundo pastoral de “gado de chifres eretos”, “ovelhas de lã branca”; e, finalmente, “o poderoso rio Oceano, correndo na orla extrema do forte escudo”.

This is a design of the Shield of Achilles based on the description in the Iliad. It was completed by Angelo Monticelli c. 1820.

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Embora o leitor moderno possa não ver de imediato na descrição de Homero do escudo de Aquiles um mapa ou um exemplo de geografia, as definições de ambos os termos gregos sugerem o contrário. Estritamente falando, Homero fornece uma geografia – uma descrição gráfica da Terra – que faz uma representação simbólica, neste caso, das origens do universo e do lugar da humanidade dentro dele. Ele também segue as definições gregas de um mapa como pinax ou periodos gés: o escudo é tanto um objeto físico em que as palavras estão escritas como também um circuito da Terra, circunscrita aos limites do “poderoso rio Oceano”, que define a fronteira (peirata) de um mundo potencialmente ilimitado (ápeiron). Para comentaristas gregos posteriores, a descrição de Homero oferece não apenas uma geografia, mas também uma história da própria Criação: uma cosmogonia. Hefesto, deus do fogo, representa o elemento básico da Criação, e a construção do escudo circular é uma alegoria da formação de um universo esférico. Os quatro metais do escudo (ouro, prata, bronze e estanho) representam os quatro elementos, enquanto suas cinco camadas correspondem às cinco zonas da Terra.

Além de uma cosmogonia, o escudo de Aquiles é também uma descrição do mundo conhecido como aparece a quem olha para cima do horizonte e observa o céu. A Terra é um disco plano, cercado de mar por todos os lados, com o céu e as estrelas acima e o sol nascendo no leste e se pondo no oeste. Essa era a forma e o alcance do oikoumené, termo grego para mundo habitado. Sua raiz está em oikos, “casa” ou “espaço de habitação”. Como a palavra nos diz, a percepção grega antiga do mundo conhecido, como a da maioria das comunidades arcaicas, era essencialmente egocêntrica, emanando para fora do corpo e de seu espaço doméstico de sustentação. O mundo começava com o corpo, era definido pelo lar e terminava no horizonte. Qualquer coisa além disso era um caos sem limites.

Para os gregos, a geografia estava intimamente ligada a uma compreensão da cosmogonia, porque entender as origens da Terra () era compreender a Criação. Para poetas como Homero e mais explicitamente Hesíodo, em sua Teogonia (c.700 a.C.), a Criação começa com o Caos, a massa informe que precede as três outras entidades: Tártaros (o deus primordial do poço sombrio debaixo da terra), Eros (o deus do amor e da procriação) e, mais importante, Gaia (a personificação feminina da Terra). Tanto Caos como Gaia produzem filhos, Nyx (Noite) e Uranôs (Céu). De sua união posterior com Uranôs, Gaia produz as doze divindades dos Titãs: seis filhos – Oceanôs, Hiperion, Coios, Cronos, Iápetos e Crios – e seis filhas – Mnemosine, Febe, Reia, Tétis, Teia e Têmis –, que por sua vez são derrotados pelos deuses do Olimpo liderados por Zeus. Ao contrário da tradição cristã, a criação humana nos primeiros relatos gregos é contraditória e, muitas vezes, secundária em relação às lutas dos deuses. Homero nunca faz um relato explícito da criação dos mortais, em contraste com Hesíodo, que afirma que a humanidade foi criada pelo titã Cronos, mas dá pouca explicação sobre o motivo disso. Em outras versões do mito, os mortais são criados pelo titã Prometeus, que provoca a ira de Zeus ao dar aos seres humanos o dom do “fogo”, ou espírito do conhecimento autoconsciente. Em outras versões do mito da Criação, em Hesíodo e outros, é negada qualquer identidade explicitamente divina à humanidade, que nasce do solo ou terra.

Essas explicações ambíguas do nascimento da humanidade nos primeiros relatos míticos gregos da Criação contrastam com as explicações científicas e naturalistas da “ordem das coisas” que começaram a surgir no século VI a.C. na cidade jônica de Mileto (na atual Turquia), onde floresceu um grupo de pensadores que apresentavam um argumento de aspecto científico para explicar a Criação. Mileto estava bem-situada para absorver a influência das teorias babilônicas da Criação e observações astronômicas sobre o movimento das estrelas que remontavam até 1800 a.C., representadas, como vimos no início deste livro, em tabuletas de argila que mostravam a Terra cercada por água e com a Babilônia perto de seu centro. O filósofo Anaximandro de Mileto (c.610-546 a.C.) foi, segundo o biógrafo do século III Diógenes Laércio, “o primeiro a desenhar o contorno do mar e da terra”, e que “publicou o primeiro mapa geográfico [geographikon pinaka]”.

Tal como a maioria dos escritores gregos que trataram de geografia antes de Ptolomeu, muito pouco dos escritos ou mapas de Anaximandro sobrevive; para tentar montar uma história coerente da geografia grega, temos de confiar na reconstrução mnemônica e em relatos de autores gregos posteriores, os assim chamados doxógrafos. Entre eles, temos figuras como Plutarco, Hipólito e Diógenes Laércio, que relatam as vidas e doutrinas fundamentais de autores antigos. Muitas vezes, é difícil avaliar o significado de muitos autores posteriores que tratam de geografia, inclusive Estrabão e sua Geografia, que é desproporcionalmente influente apenas porque sobreviveu. Não obstante, praticamente todos os autores gregos afirmam que Anaximandro foi o primeiro pensador a fornecer uma explicação convincente do que se acredita que ele mesmo chamou de “ordem das coisas”. Anaximandro apresenta uma variação do caos originário de Hesíodo, propondo que no início havia um ilimitado eterno, ou ápeiron. O ilimitado secretou de alguma forma uma “semente” que produziu então uma chama, “que cresceu em torno do ar sobre a terra como casca em torno de uma árvore”. Quando a Terra começou a se formar, a “chama” envolvente se afastou para criar “anéis” de planetas, estrelas, a lua e o sol (em ordem crescente). Esses anéis cercaram a Terra, mas eram visíveis somente devido a “aberturas” através das quais os corpos celestes podiam ser vistos da Terra como objetos circulares. Anaximandro sustentava que a vida humana vinha da umidade primordial (em algumas versões, a humanidade nasce de uma casca espinhosa, em outras, ela evolui dos peixes). Como explicação naturalista da criação do universo e da humanidade, trata-se de um avanço significativo em relação aos relatos anteriores baseados em deuses e mitos, mas é a explicação de Anaximandro do lugar da Terra nessa cosmogonia que é particularmente original. Os doxógrafos nos dizem que Anaximandro afirmava que “a Terra está em suspenso, não dominada por nada; que permanece no lugar em virtude da distância semelhante de todos os pontos [da circunferência celestial]”, e que sua forma “é cilíndrica, com a profundidade de um terço de sua largura”. A partir dessa cosmogonia veio uma nova cosmologia – o estudo do universo físico. Abandonando as crenças babilônicas e gregas mais antigas de que a Terra flutuava sobre água ou ar, Anaximandro introduziu uma cosmologia puramente geométrica e matemática, em que a Terra está no centro de um cosmos simétrico em perfeito equilíbrio. É o mais antigo conceito conhecido de um universo geocêntrico cientificamente defendido.

A argumentação racional de Anaximandro em defesa das origens físicas da Criação definiu toda a especulação metafísica grega posterior. Seu impacto sobre a geografia grega também foi profundo. Apesar de não termos uma descrição de seu mapa do mundo, a doxografia proporciona uma ideia de como ele poderia ser. Imagine a Terra como um tambor circular, em torno do qual estão os anéis celestiais: de um lado do tambor encontra-se um mundo desabitado e do outro, o oikoumené, cercado pelo oceano. Em seu centro estava Mileto, a cidade natal de Anaximandro, ou a pedra sagrada do omphalós, (Ὀμφαλός) o “umbigo” do mundo, recentemente instalada no templo de Apolo, em Delfos, e de onde a maioria dos mapas gregos posteriores tomaria a orientação. Descrições escritas provavelmente complementavam o mapa de Anaximandro: as viagens míticas dos Argonautas e de Odisseus; periploi (περίπλους), descrições náuticas de viagens marítimas pelo Mediterrâneo; e relatos da colonização antiga de regiões do mar Negro, Itália e Mediterrâneo oriental. O mapa resultante continha provavelmente um contorno rudimentar da Europa, Ásia e Líbia (ou África) como enormes ilhas, separadas pelo Mediterrâneo, o mar Negro e o Nilo.

Escritores posteriores sobre geografia refinariam e desenvolveriam o mapa de Anaximandro, mas poucos poderiam igualar sua convincente cosmologia. O estadista e historiador Hecataios (ou Hecateu) de Mileto (500 a.C.) escreveu o primeiro tratado explicitamente geográfico com o título de Periodos gés, ou “Circuito da Terra”, acompanhado por um mapa do mundo. O mapa se perdeu e restam apenas fragmentos do tratado, mas eles fornecem alguma indicação de como Hecataios se baseou na geografia anterior de Anaximandro. Periodos descreve Europa, Ásia e Líbia, começando no ponto mais ocidental do mundo conhecido, as Colunas de Hércules (ou estreito de Gibraltar); segue para o leste, ao redor do Mediterrâneo, através do mar Negro, Cítia, Pérsia, Índia e Sudão, e termina na costa atlântica do Marrocos. Além de escrever sobre a geografia física, Hecataios envolveu-se na revolta jônica (c.500-493 a.C.), na qual várias cidades jônicas se rebelaram, sem sucesso, contra o domínio persa.

O mapa de Hecataios permanece preso à percepção do mundo com a forma de um disco (como em Homero) ou de um cilindro (como em Anaximandro). Essas suposições míticas e matemáticas sofreram ataques constantes do primeiro e possivelmente maior de todos os historiadores gregos, Heródoto de Halicarnasso (c.484-425 a.C.). No quarto livro de sua vasta História, Heródoto interrompe a discussão do poder da Pérsia e os limites setentrionais do mundo conhecido na Cítia, para ridicularizar geógrafos como Hecataios: “Não posso deixar de rir do absurdo de todos os fazedores de mapas – há muitos deles – que mostram o Oceano correndo como rio em torno de uma Terra perfeitamente circular, com a Ásia e a Europa do mesmo tamanho.” Como viajante e historiador, Heródoto não se interessava pela pura simetria geográfica do mito de Homero ou da ciência de Anaximandro. Embora reiterasse a divisão tripartida do mundo estabelecida por Hecataios entre Europa, Ásia e Líbia (África), Heródoto também listava cuidadosamente os povos, impérios e territórios conhecidos por seus contemporâneos, antes de concluir que “não posso deixar de me surpreender com o método de mapear Líbia, Ásia e Europa. Os três continentes diferem, de fato, bastante em tamanho. A Europa é tão comprida quanto os outros dois juntos, e quanto à largura, não pode, em minha opinião, ser comparada com eles”. Ele descartava a hipótese de que o mundo habitado era completamente cercado por água, e questionava por que “três nomes femininos distintos foram dados ao que é realmente uma única massa de terra” – Europa (uma princesa libanesa raptada por Zeus), Ásia (a esposa de Prometeus, embora em outras tradições seja o filho de Cotis, rei da Trácia) e Líbia (filha de Épafos, filho de Júpiter). Heródoto tinha pouco interesse por geometria ou pela nomenclatura dos mapas do mundo planos, em forma de disco, que ele descreve (nenhum dos quais sobrevive). No que lhe dizia respeito, essas idealizações abstratas deveriam ser substituídas pela realidade verificável das viagens empíricas e encontros pessoais.

Heródoto levantou implicitamente questões sobre a cartografia que a definiriam –e, às vezes, a dividiriam – por séculos. As alegações de objetividade da ciência e, em particular da geometria, são suficientes para fazer mapas precisos do mundo? Ou a cartografia deveria confiar mais nos relatos ruidosos, muitas vezes contraditórios e pouco confiáveis de viajantes para desenvolver uma visão mais abrangente do mundo conhecido? Uma consequência dessas distinções era perguntar se a elaboração de mapas era uma ciência ou uma arte: era principalmente espacial ou temporal, um ato visual ou escrito? Embora a cartografia grega continuasse baseada em cálculos matemáticos e astronômicos, Heródoto levantou a questão de como ela reunia, avaliava e incorporava os dados brutos recolhidos por viajantes na criação de um mapa mais abrangente do mundo.

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As preocupações de Heródoto encontraram pouca ressonância imediata entre seus contemporâneos, que continuaram a discutir questões matemáticas e filosóficas relativas à natureza da Terra. A crença de Anaximandro em um universo geometricamente simétrico foi desenvolvida por Pitágoras (530 a.C.) e seus discípulos, bem como por Parmênides (480 a.C.), a quem é atribuído o avanço lógico de sugerir que, se o universo era esférico, então, a Terra também o era. Mas a primeira declaração registrada sobre a esfericidade da Terra está perto do final do Fédon (c.380 a.C.), célebre diálogo de Platão sobre os últimos dias de Sócrates. O diálogo é mais conhecido por sua explicação filosófica das ideias platônicas a respeito da imortalidade da alma e pela teoria das formas ideais, mas, perto de seu final, Sócrates apresenta uma imagem do que chama de “regiões maravilhosas da Terra”, tal como vistas pela alma virtuosa após a morte. “Fiquei convencido”, diz Sócrates, “de que, se a Terra é de forma esférica e está colocada no meio do céu, para não cair não precisará nem de ar nem de qualquer outra força da mesma natureza: porque para sustentar-se é suficiente a perfeita uniformidade do céu e o equilíbrio natural da Terra.” O que se segue é uma visão singularmente platônica da Terra. Sócrates explica que a humanidade habita apenas uma fração de sua superfície, morando em uma série de concavidades, “de forma e tamanho variáveis, para as quais convergem água, vapor e ar. Porém a própria Terra se acha pura no céu puro, onde estão os astros”. Sócrates explica que “esta nossa Terra” é uma cópia pobre, “corrompida” da “verdadeira Terra”, um mundo ideal, que é visível somente para a alma imortal. Finalmente, em uma notável descrição de transcendência global, ele prevê sua própria morte, enquanto se descreve elevando-se e olhando para o mundo esférico:

O que dizem, companheiro, para começar, é que, se essa terra fosse vista de cima por alguém, pareceria um desses balões de couro de doze peças de cores diferentes, de que são simples amostras as cores conhecidas entre nós que os pintores empregam. Toda aquela terra é assim, porém de cores muito mais puras e brilhantes; uma parte é de cor púrpura e admiravelmente bela; outra é dourada; outra, ainda, branca, é mais alva do que o giz e a neve, o mesmo acontecendo com todas as cores de que é feita, em muito maior número e mais belas do que quantas possamos já ter visto.

Esse espectro sem precedentes de um mundo ideal esférico, brilhante, visto pela alma imortal em um momento de transcendência espiritual, seria adotado em uma série de subsequentes imaginações geográficas do globo, especialmente dentro da tradição cristã da salvação e ascensão espiritual. Também definiria a crença de Platão na criação do mundo por um demiurgo divino, ou “artesão”, apresentado no Timeu. Essa visão da Terra é fundamental para a defesa platônica da teoria das formas e da imortalidade da alma. Somente a alma imortal pode apreender a forma ideal do mundo; mas o intelecto e a imaginação dos seres mortais, em forma de pintores, cartógrafos ou matemáticos, são capazes de representar sua ordem divina e celestial, ainda que através de reproduções pobres. Até mesmo os matemáticos só poderiam oferecer aproximações pálidas da Terra ideal; a alusão de Platão ao balão de couro de doze peças é uma referência à teoria de Pitágoras do dodecaedro, o sólido mais próximo da esfera. A visão de Platão – mais de dois milênios antes que o sonho de se elevar acima da Terra e vê-la em toda a sua glória se tornasse realidade na era da viagem espacial extraterrestre – viria a ser um ideal irresistível, embora ilusório, para gerações de geógrafos.

Tendo definido a Terra dentro do contexto mais amplo da Criação, os pensadores gregos clássicos começaram a especular sobre a relação entre esferas celeste e terrestre, e como a primeira poderia ajudar a medir a forma e a extensão da Terra. Um dos alunos de Platão, o matemático e astrônomo Eudoxo de Cnidos (c.408-355 a.C.), criou um modelo de esferas celestes concêntricas girando em torno de um eixo que passava pelo centro da Terra. Eudoxo deu o salto intelectual de sair dos limites do mundo terrestre para imaginar o universo (e a Terra em seu centro) para além do espaço e do tempo, desenhando um globo celeste visto “de fora” para dentro, em que as estrelas e a Terra são observadas de uma perspectiva divina. Isso lhe possibilitou traçar os movimentos dos céus em um globo terrestre e mostrar como os principais círculos celestes (criados ao imaginar-se a extensão do eixo da Terra no espaço, em torno do qual as estrelas parecem girar), inclusive o equador e os trópicos, atravessavam a superfície da Terra.

O universo geocêntrico de Eudoxo foi um grande avanço na cartografia celeste. Possibilitou-lhe desenvolver uma versão personificada do zodíaco (zodiakos kuklos, ou “círculo de animais”), que moldaria toda a cartografia celestial e a astrologia posteriores, e que ainda influência a linguagem da moderna geografia, como nos trópicos de Câncer e Capricórnio. Além de seus cálculos astronômicos, Eudoxo escreveu um texto perdido, o Circuito da Terra, no qual consta ter feito uma das primeiras estimativas da circunferência da Terra, 400 mil estádios (o método grego famigeradamente difícil de medição, definido como a distância percorrida por um arado em uma única puxada e estimado entre 148 e 185 metros). Ao unir a observação empírica dos céus e da terra com as especulações filosóficas de Anaximandro e Platão, os cálculos de Eudoxo influenciaram a obra do mais importante de todos os filósofos antigos e suas percepções do mundo conhecido: Aristóteles (384-322 a.C.).

Várias obras de Aristóteles contêm descrições detalhadas da forma e do tamanho da Terra, entre elas, seu tratado cosmográfico Sobre os céus e Meteorologia (que traduzido literalmente significa “o estudo de coisas no ar”), ambos escritos por volta de 350 a.C. Em Sobre os céus, Aristóteles apresenta o que poderíamos considerar como prova adequada de que a Terra é esférica. Baseado na cosmogonia de Anaximandro, ele acreditava que a massa da Terra “é em todos os lugares equidistante de seu centro”, em outras palavras, esférica. “A evidência dos sentidos”, continua Aristóteles, “corrobora ainda mais isso”. E pergunta: “De que outro modo os eclipses da lua mostrariam segmentos [curvos] como nós os vemos?” Ademais, por que “uma pequena mudança de posição para o sul ou para o norte causa uma manifesta alteração do horizonte”, a menos que a Terra seja redonda?

Sylvanus world map, from an edition of Ptolemy’s Geographia.

α

Meteorologia levou esses argumentos ainda mais longe. Aristóteles definiu seu tema como “tudo o que acontece naturalmente”, e “que tem lugar na região que está mais perto dos movimentos das estrelas” e mais próximo da Terra. Embora o livro pareça agora uma descrição esotérica de cometas, estrelas cadentes, terremotos, trovões e relâmpagos, ele fazia parte da tentativa de Aristóteles de dar forma e sentido a um universo geocêntrico. No segundo livro de Meteorologia, Aristóteles descreve o mundo habitado. “Pois há dois setores habitáveis da superfície da Terra”, “um, em que vivemos, próximo ao polo superior, o outro em direção ao outro, que é o polo Sul … esses setores têm a forma de tambor”. Ele concluía que “os mapas atuais do mundo”, que mostravam o oikoumené como um disco circular e plano, eram “absurdos” por razões filosóficas e empíricas:

Pois o cálculo teórico mostra que ele é limitado em largura e poderia, no que diz respeito ao clima, se estender ao redor da Terra em um cinturão contínuo, pois não é a diferença de longitude, mas de latitude, que provoca grandes variações de temperatura. … E os fatos conhecidos por nós a partir de viagens por mar e por terra também confirmam a conclusão de que seu comprimento é muito maior do que sua largura. Pois, se considerarmos essas viagens e jornadas, tanto quanto são capazes de produzir alguma informação precisa, a distância das Colunas de Hércules até a Índia supera aquela que vai da Etiópia ao lago Maeotis [mar de Azov, ao lado do mar Negro] e aos confins da Cítia por uma proporção maior do que de 5 para 3. No entanto, conhecemos toda a largura do mundo habitável até as regiões inabitáveis que o limitam, onde a habitação deixa de existir, de um lado por causa do frio, do outro por causa do calor; enquanto que para além da Índia e das Colunas de Hércules é o mar que corta a terra habitável e impede a formação de um cinturão contínuo ao redor do globo.

O globo de Aristóteles estava dividido em cinco zonas climáticas, ou klimata (que significa “inclinação”, “declive”): duas zonas polares, duas zonas temperadas, habitáveis de ambos os lados da linha do equador, e uma central, ao longo do equador, inabitável devido ao seu extremo calor. Baseava-se na ideia de klimata proposta por Parmênides e foi a primeira tentativa de criação de uma etnografia do clima. Segundo Aristóteles, o “clima”, ou “inclinação” dos raios do sol diminuía à medida que alguém viajasse para o norte, cada vez mais distante do equador. Assim, nem o calor insuportável do equador, nem as zonas polares setentrionais congelantes e “frígidas” poderiam sustentar a vida humana, que era possível somente nas zonas “temperadas” do norte e do sul. A crença de Aristóteles na importância da experiência e do que ele considerava fatos empíricos que definiam a largura e o comprimento do mundo conhecido teria agradado Heródoto, mas também expandiu muito a extensão do mundo conhecido à luz das conquistas militares do pupilo mais famoso do filósofo, Alexandre, o Grande, dos Balcãs à Índia, em 335-323 a.C. Juntamente com o tratado posterior de Ptolomeu, a descrição da Terra feita por Aristóteles dominaria a geografia por mais de mil anos.

A Meteorologia de Aristóteles representa o ápice da especulação teórica grega clássica sobre o mundo conhecido. Sua confiança nos sentidos e na importância da observação prática era um avanço em relação às cosmologias de Anaximandro e Platão, mas a geografia grega antes dele não havia sido exclusivamente teórica. Há referências esparsas (muitas retrospectivas) ao uso prático de mapas já na época da revolta jônica contra os persas. Heródoto conta como Aristágoras de Mileto procurou ajuda militar de Cleómenes, rei de Esparta, contra os persas e que ele “levou para a entrevista um mapa do mundo gravado em bronze, mostrando todos os mares e rios”, e “as posições relativas das diversas nações”. A detalhada geografia mostrada no mapa de Lídia, Frígia, Capadócia, Chipre, Armênia e “toda a Ásia” parece se basear em muito mais do que no mapa contemporâneo de Anaximandro e inclui “estradas reais” da Babilônia, as rotas desmatadas que se irradiavam da Babilônia, projetadas por volta de 1900 a.C. para comportar carros de guerra, e que também possibilitavam o comércio e a comunicação. Aristágoras não consegue o apoio militar de Cleómenes quando admite que o mapa revela a distância proibitiva que o exército espartano teria de viajar desde o mar: trata-se, portanto, de um dos primeiros exemplos do uso político e militar dos mapas.

Em tom mais leve, a comédia de Aristófanes do século V a.C. As Nuvens mostra um cidadão ateniense chamado Strepsiades arguindo um estudante e sua parafernália acadêmica. O estudante diz: “Aqui temos um mapa do mundo inteiro. Está vendo? Aqui é Atenas”. A resposta cômica de Strepsiades é de descrença: “Não seja ridículo. Não vejo nem mesmo um único tribunal.” Quando o estudante aponta a localização do Estado inimigo de Esparta, Strepsiades diz: “Está perto demais! Seria de bom alvitre afastá-la para mais longe”. Esses exemplos mostram que já no século V a.C. os mapas mundiais gregos eram objetos físicos, públicos, usados nas artes da guerra e da persuasão. Eles eram extremamente detalhados, inscritos em bronze, pedra, madeira, ou até mesmo no chão, e mostravam um certo grau de conhecimento geográfico. Mas eram também próprios da elite: Aristófanes satiriza a ignorância comum da sofisticação de representação dos mapas, mas suas piadas só funcionam no pressuposto de que o público sabe que o mapa é apenas uma representação do território, e que não é possível mudar de lugar países que parecem desconfortavelmente próximos.

Esse era o estado da geografia grega no século IV a.C. As conquistas militares de Alexandre, o Grande, impulsionaram a cartografia numa direção mais descritiva, baseada na experiência direta e em registros escritos de terras distantes, que culminaria na criação da Geografia de Ptolomeu. As conquistas de Alexandre não foram significativas apenas para a expansão do conhecimento grego do mundo conhecido. Tendo aprendido a importância da observação empírica com seu tutor, Aristóteles, Alexandre nomeou uma equipe de estudiosos para coletar dados sobre a flora, a fauna, a cultura, a história e a geografia dos lugares que visitavam e fazer relatórios escritos sobre o avanço diário do exército. A união do conhecimento teórico de Aristóteles e seus predecessores com a observação direta e as descobertas das campanhas de Alexandre mudaria o modo de elaborar mapas no período helenístico que se seguiu à morte de Alexandre.

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