Astrologia na História e Mitologia

A Astrologia e a Maçonaria

Carlos Antonio Porto de Sousa

O autor é Membro Efetivo da Loja Maçônica de Estudos e Pesquisas Renascença n° 1 e filiado da Loja Simbólica Regeneração Campinense n° 2. É licenciado em História pela Universidade Federal de Campina Grande.

O Buscador – Campina Grande- PB Brasil Ano I N° 4 pag. 11 – 15 out/dez – 2016

Sumário

O presente artigo tem como objetivo realizar um pequeno estudo sobre a astrologia e a presença de seus símbolos nos templos maçônicos. De onde vem essa cultura e a curiosidade do homem, maçom ou não, para olhar para o céu e fazer perguntas sobre a influência dos astros em sua vida, em seu cotidiano. Conclui com um estudo sobre a presença nos templos maçônicos das colunas zodiacais e simbolismos nos cargos maçônicos.

A escuridão do espaço infinito me assusta.
Quem poderá dizer-me o que encontraremos lá?

Carlos A. P. de Sousa

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Introdução

Crescemos aprendendo que tudo o que o homem toca é fruto de convenções, surge em sua mente como uma ideia que tem o objetivo tornar a sua luta pela sobrevivência mais fácil. Assim, ele estabelece formas para sua identificação e também das coisas que o cerca. Surgem desta forma as nomenclaturas – nossos nomes, nomes dos objetos, os títulos, cidades, nações, famílias, etc. Desta forma, entendemos que ter uma referência para sua orientação em suas andanças tenha sido mais do que natural. Assim, utilizar as estrelas como “endereço” é lógico e racional. Atribuir valores a uma estrela ou grupo de estrelas é fruto de sua capacidade de observação e imaginação. Assim sendo, a criação de calendários, zodíaco, sistemas numéricos, gramáticas para reger sua linguagem, normas de comportamento e conduta social é natural em uma sociedade que procura estabelecer normas e convenções que tornem a vida social mais aprazível, mais fácil.

Criar um calendário de 12 meses, um horóscopo composto de 12 signos zodiacais, o dia de 24 horas é a prova mais cabal da capacidade do homem de estabelecer convenções. Elas são fruto da sua racionalidade e não do seu misticismo e, diga-se de passagem, que este misticismo surge da sua racionalidade por não conseguir explicar as coisas que fogem à sua compreensão. Mudar estes critérios a tanto estabelecidos é, no mínimo, menosprezar toda a criação da ciência e racionalidade da história humana. Refiro-me ao fato de que um astrônomo americano quer acabar com o zodíaco de doze signos. Para ele seriam, hoje, treze signos. Ele fala como se este novo signo fosse um complemento para uma lacuna, uma fresta, aberta pelo movimento dos astros.

Qual a razão para termos nossas colunas adornadas por símbolos do zodíaco? O que eles têm a contar ou nos informar? Estariam querendo nos dizer que devemos ter nossas mentes abertas para apreendermos um pouco que seja das instruções que aqui são ministradas? Ou estaria nos dizendo para olharmos para além das nossas fronteiras? Pois é lá ou de lá que as respostas para nossas indagações existenciais estariam ou viriam? Quem somos nós? O que somos? Por que existimos? Por que somos conscientes da nossa existência? De onde viemos? Será que os astros responderiam a estas e tantas outras questões? Estas são questões complexas que pensadores, filósofos têm tentado responder deste o momento que o homem a fez. No entanto, desde os pensadores gregos até hoje, só temos especulações sobre as mesmas, nenhuma resposta racional e clara. Talvez olhemos para o espaço infinito em busca de uma resposta. E, como na ficção, isto nos leve além da fronteira final, indo em direção ao espaço infinito. Ou, quem sabe…, de tanto olhar para ele, ele nos perceba em mossa ínfima poeira cósmica, à qual chamamos de planeta Terra, nosso Lar. Alguns escritores maçons dizem que os símbolos zodiacais que compõem as Colunas do Templo são meras peças decorativas, que elas não trazem nenhum significado ou ensinamento para as nossas instruções. Não concordo com esta postura. Talvez, por não sabermos transmitir estes ensinamentos, ao longo do tempo eles foram sendo deixados nas gavetas das nossas memórias e lá esquecidos.

O racionalismo presente no pensamento ocidental do século XVIII pode ter excluído as formas de transmissão do conhecimento contido no zodíaco. Esta teria sido a forma de tornar a maçonaria mais aceitável para os pensadores iluministas que combatiam toda e qualquer manifestação de misticismo e, acredito que esta foi a maneira que encontraram para tirar a maçonaria do seu “caráter especulativo” para entrar no mundo do cientificismo tão em voga naquele momento de rupturas com o que chamaram de obscurantismo medieval. Ficaram apenas estes “adornos nas colunas” que não sabemos explicar sua razão de existência em nossos templos e, contraditoriamente, apenas especulamos sobre seu simbolismo, já que desconhecemos seu conteúdo mais profundo e sua ligação com a maçonaria, a não ser a de que sua origem está no Templo de Salomão como símbolos representativos das Doze Tribos de Israel. Seria só isto?

Não sabemos ao certo quando o homem passou a ter interesse na observação dos astros. O que nos chama a atenção é que povos de diferentes partes do planeta, culturalmente distantes no tempo e no espaço e em fazes diferentes de sua evolução cultural, olham para o espaço e buscam informações como que pedindo uma negação ou confirmação de nossa solidão no universo. Chineses, hindus, egípcios, maias, astecas, incas e tantos outros povos tiveram a mesma ideia. Seria isto pura coincidência histórica ou teriam vínculos que hoje desconhecemos? Embora a astrologia seja muito antiga, remontando à época dos sumérios, foi na Idade Média que ela cresceu em importância, depois de ter passado por um período obscuro, nos primeiros anos do cristianismo.

Numa época em que tudo gira em torno das regras ditadas pela Igreja de Roma, como é que a astrologia tem seu principal período de crescimento justamente nele? O que sabemos é que a postura da Igreja muda após os postulados de Santo Alberto Magno (1200 – 1280) e São Tomás de Aquino (1225-1274), tanto que os astrólogos não foram importunados pela Inquisição. Por quê? O que a Igreja viu de tão importante no estudo da astrologia que a levou a dar permissão aos seus membros mais instruídos para dedicarem seu tempo a estudá-la? Ou, quais as explicações para uma mudança tão radical de postura? Não foi apenas a opinião de seus santos que a fez mudar sua postura, ou sua visão. Muito menos a explicação de que os astros não têm influência sobre nossa alma, mas que pode tê-la sobre nossos corpos e atividades. De onde e como tiraram estas conclusões?

A palavra astrologia tem origem grega e é formada a partir de “aster” (astro, estrela, corpos celestes) e “logos” (discurso, relato, razão, definição, faculdade racional, estudo), ou seja, a palavra astrologia significa literalmente o estudo dos astros, das estrelas, dos corpos celestes. Isto por si só não é explicativo, até porque a palavra astronomia também teria o mesmo significado. A astrologia é, portanto, o estudo dos astros e suas influências sobre nossas vidas. Como eles podem interferir em nossas vidas e como podemos tirar proveito deste conhecimento? E na maçonaria?

A Astrologia teve sua origem, por volta de 3.000 a.C., provavelmente na cidade de “Ur”, fundada por um povo do norte da Mesopotâmia, os sumérios. Este povo tinha um grande interesse pela observação do céu. Notaram que além do Sol e da Lua, cinco astros, aos quais chamaram de estrelas, apresentavam um movimento mais rápido do que os outros; eram os planetas Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno. Uma das mais antigas referências sobre o Zodíaco encontra-se no Livro de Jó, Capitulo 38, Versículos 31 a 38. Ainda na Bíblia, em Gênesis 49: 24 encontramos a seguinte passagem: “Mas seu arco permanece firme, e seus braços e suas mãos se fortaleceram, em virtude das mãos do Poderoso de Jacó, pelo nome do Pastor e Rocha de Israel.”

As palavras “arco e Pastor” seriam referências ao signo de Sagitário, o vigilante, aquele que guarda e protege o rebanho e a vida na terra. Aponta o fato de que a morte de José no Egito ocorre sob o signo de Sagitário durante o Solstício de Inverno no Hemisfério Norte. Além do fato de que a história de José está relacionada à proteção do seu povo (rebanho) e à vida do povo egípcio e hebreu. Assim como Sagitário, José é o guardião, o protetor.

Pode-se imaginar que tudo começou quando o homem em vigília a zelar pelos rebanhos observava os corpos celestes no firmamento intrigando-se com os seus movimentos. Percebeu que mudavam de posição em relação ao nascer do Sol, e que depois de determinado tempo voltavam com absoluta regularidade ao mesmo ponto no firmamento.

Não pôde deixar de observar que o nascimento helíaco (nascimento helíaco de um astro é o seu aparecimento logo acima do horizonte imediatamente antes do nascer do Sol.) de certos grupos de estrelas se repetia em períodos coincidentes com determinados acontecimentos importantes de sua vida, como o nascimento de crias nos rebanhos, a recorrência regular de épocas de chuva, a germinação de culturas sazonais, e outros fatos de sua vida repetitiva de pastor-agricultor. Sentiu a necessidade de memorizar e registrar esses fatos astronômicos que começavam a se tornar importantes para orientação de suas atividades. Foi uma consequência inevitável que aos poucos tentasse melhor identificar esses tão importantes grupos de estrelas com nomes próprios, que naturalmente se relacionavam com suas atividades. Recorrer ao nascimento helíaco como ponto de referência foi um passo inicial importante, foi a descoberta de um referencial, foi o início da marcação e medição do tempo.

Assim os grupos de estrelas referenciais de tempo foram recebendo nomes tirados da vida quotidiana daqueles primeiros astrônomos. Esses nomes nada tinham a ver com a formação característica dos conjuntos estelares. Eram simples nomes apenas, nada relacionados com poderes mágicos e premonições.

O zodíaco, que em grego significa ciclo dos animais, é uma faixa celeste imaginária, que se estende entre 8 a 9 graus em cada lado da eclíptica e que com esta coincide (Eclíptica é o caminho que o Sol, do ponto de vista da Terra, parece percorrer anualmente no céu.). Essa faixa foi dividida em 12 casas de 30 graus cada uma, e o Sol parece caminhar 1 grau por dia. Os planetas conhecidos na antiguidade (Mercúrio à Saturno) também faziam parte do zodíaco, pois suas órbitas se colocavam no mesmo plano da órbita da Terra. O zodíaco então é dividido em doze constelações, que são percorridas pelo Sol, uma vez por ano.

A maior evidência de que os nomes das constelações que formam o zodíaco tiveram uma origem conforme descrito anteriormente está na sua relação com a vida pastoril. Podemos classificar os signos do Zodíaco em grupos de três, formando quatro categorias distintas: I. Os três reprodutores de seus rebanhos: Touro, Capricórnio (bode), Áries (carneiro); II. Os três inimigos naturais dos rebanhos e dos pastores: Leão, Escorpião, Câncer (caranguejo); III. Os três auxiliares mais importantes dos pastores: Sagitário (defensor, arqueiro), Aquário (aguadeiro ou carregador de água), Libra (pesador e sua balança); IV. Os três mais destacados valores sociais da comunidade pastoril: Virgem, Gêmeos (benção dos Deuses), Peixes (alimentação).

No sempre presente afã humano de mistificar tudo o que não conhece ou não consegue explicar, já desde remota antiguidade começaram os homens a cercar de mistério as constelações do zodíaco, atribuindo-lhes poderes místicos e premonitórios e assim, creditando aos astros seus sucessos e infortúnios.

Os doze signos mantêm correspondência com os quatro elementos estando associados três signos a cada elemento: I. Câncer, Escorpião e Peixes = Água; II. Touro, Virgem e Capricórnio = Terra; III. Gêmeos, Libra e Aquário = Ar; IV. Áries, Leão e Sagitário = Fogo.

Essa associação oferece algumas interpretações interessantes: O Fogo representa a intuição, traz luz à escuridão, não tem forma nem tamanho, é volátil e imprevisível; corresponde também ao espírito. A Terra representa a sensação, a percepção das coisas conforme as experiências reais. É prática, objetiva, concreta, tem medo da desordem. O Ar significa o pensamento, a elaboração intelectual, o raciocínio, a abstração. É o único elemento que não tem representação animal no zodíaco. A Água é o sentimento, a percepção pela via emocional; é instinto, fertilidade, mediunidade.

Além dos quatro elementos Fogo, Terra, Ar e Água, também os planetas mais o Sol e a Lua, estão relacionados com os Signos, da seguinte maneira: O Sol rege Leão e é exaltado em Áries. A Lua rege Câncer e é exaltada em Touro. Mercúrio rege Gêmeos e Virgem e é exaltado em Virgem. Vênus rege Touro e Libra e é exaltado em Peixes. Marte rege Áries e é exaltado em Capricórnio. Júpiter rege Sagitário e é exaltado em Câncer. Saturno rege Capricórnio e é exaltado em Libra. Saturno rege Aquário e é exaltado em Escorpião. Júpiter rege Peixes e é exaltado em Leão. Marte rege Escorpião.

Portanto cada signo é caracterizado por um planeta e por um dos quatro elementos, o que lhes dá as suas características místicas, como segue: Áries: caracterizado por Marte e pelo Fogo. Está relacionado com o fogo interior do homem, ou seja, a força que estimula o crescimento e o desenvolvimento. Touro: caracterizado por Vênus e pelo elemento Terra. Está relacionado com a matéria na qual se efetua a fecundação, a elaboração interior. Gêmeos: caracterizado por Mercúrio e pelo Ar. É relacionado com a versatilidade, a engenhosidade e a vitalidade criadora. Câncer: caracterizado pela Lua e pela Água. É relacionado com a tenacidade e a cautela. Leão: caracterizado pelo Sol e pelo Fogo. Representa o emprego da razão a serviço da crítica. Virgem: caracterizado por Mercúrio e pelo elemento Terra. Seu traço fundamental é o espírito analítico. Libra: caracterizado por Vênus e o Ar. Simboliza o equilíbrio entre as forças construtivas e destrutivas. Escorpião: caracterizado por Marte e pela Água. Representa emoções e sentimentos poderosos, rancor, obstinação. Sagitário: caracterizado por Júpiter e pelo Fogo. Representa a mente aberta e o julgamento crítico. Capricórnio: caracterizado por Saturno e pelo elemento Terra. Simboliza determinação e perseverança. Aquário: caracterizado por Saturno e pelo Ar. Representa o sentimento humanitário e prestativo. Peixes: caracterizado por Júpiter e pela Água. Simboliza o desprendimento das coisas materiais.

As Eras da Astrologia

Grande Ano, na astrologia, é o período de 25.858 anos que a Terra leva para percorrer todos os signos do zodíaco. Esse período é constituído por doze Grandes Meses, cada um dos quais com uma duração aproximadamente de 2.000 anos. Um Grande Mês, assim, corresponde a uma Era, regida por um dos doze signos, que se seguem, em sentido decrescente.

Era de Leão, cujo astro regente é o Sol; teve início a agricultura, a pecuária e o aparecimento de ferramentas mais elaboradas. Corresponde ao Período da Pré-História denominado Neolítico ou Idade Pedra Polida.

Era de Câncer, sob a regência de Câncer, signo da maternidade e do lar a humanidade começou a estruturar-se socialmente por meio da família.

Era de Gêmeos, governada por Gêmeos foi uma Era de grande efervescência intelectual e de muita curiosidade, produzindo um dos seus mais valiosos tesouros: a escrita. O homem começou a fixar as suas ideias e a registrar a sua própria memória. Começava, aí, a História.

Era de Touro, representando a força criativa de Touro, transformada nos poderes de fecundação e procriação da natureza, caracterizou-se pelo florescimento das grandes civilizações da antiguidade e do progresso material e da vida urbana.

Era de Áries, regida por Marte, deus da guerra na mitologia romana, essa Era foi caracterizada por grande atividade bélica, com muitas invasões e muitas lutas entre os povos.

Era de Peixes, regido por Peixes, signo da fé, da piedade, da compaixão, do espírito de sacrifício e do misticismo, esse período viu surgirem os seus fatos mais marcantes: o Cristianismo e do Islamismo.

Era de Aquário, com início no ano 2000 (aproximadamente), terá o humanitarismo como mensagem especial. Ocorrerá a reconciliação entre a ciência e o homem., entre as mais fantásticas descobertas da mente científica e as verdades eternas, que tem sido motor e dínamo da humanidade.

Regida por Aquário – signo da originalidade, da independência, da lealdade, da ação – haverá vontade de mudar e de criar, além de uma grande preocupação com o futuro da humanidade. Neste período, os homens terão a oportunidade de transformar o mundo, tornando-o feliz e próspero. Mas poderão, também, destruí-lo, mesmo que a prudência seja uma característica de Aquário.

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As Colunas Zodiacais do Templo Maçônico

A Maçonaria, com seus templos onde sempre são representados os signos do zodíaco e a abóbada celeste, sempre serviram de veículo para a difusão de ensinamentos da Astrologia.

Os signos, no misticismo maçônico, representam todo o caminho percorrido pelo Iniciado, desde a sua Iniciação até o cume de sua trajetória, no Grau de Mestre Maçom. No Rito Escocês Antigo e Aceito, essa representação é mostrada, fisicamente, com os símbolos alusivos aos signos, presentes no Templo Maçônico.

Uma das formas dessa representação se dá por intermédio das chamadas colunas zodiacais que são colunas da ordem jônica tendo, cada uma, sobre seu capitel, o pentaclo correspondente (pentaclo é a representação de cada signo com o planeta e o elemento que o caracterizam). As colunas são postadas longitudinalmente junto às paredes, sendo seis ao Norte e seis ao Sul. A sequência das colunas é de Áries a Peixes, iniciando-se com Áries ao Norte, próxima à parte Ocidental, e terminando com Peixes ao Sul, também próxima à parte Ocidental.

Os signos zodiacais relacionados com o Grau de Aprendiz Maçom são: Áries, Touro, Gêmeos, Câncer, Leão e Virgem; relacionado com o Grau de Companheiro esta o signo de Libra; e os inerentes ao Grau de Mestre Maçom são os signos de Escorpião, Sagitário, Capricórnio, Aquário e Peixes.

A relação citada no parágrafo anterior pode ser simbolizada para o grau de Aprendiz da seguinte maneira: Áries – Fogo – Marte, o ardor iniciático conduzindo à procura da Iniciação; Touro – Terra – Vênus, o Recipiendário (Aquele que é solenemente recebido em uma agremiação), judiciosamente preparado, foi admitido às provas; Gêmeos – Ar – Mercúrio, o Neófito recebe a luz; Câncer – Água – Lua, o Iniciando instrui-se, assimilando os ensinamentos iniciáticos; Leão – Fogo – Sol, o Iniciando julga, por si próprio e com severidade, as idéias que puderem seduzi-lo; Virgem – Terra – Mercúrio, tendo feito sua escolha, o Iniciando reúne os materiais de construção para desbastá-los e talhá-los, segundo o seu destino. Para o grau de Companheiro Maçom temos: Libra – Ar – Vênus, o Companheiro em estado de desenvolver seu máximo de atividade utilmente empregada.

O Zodíaco exerce influência sobre os desejos, as sensações e os sentimentos humanos, reprimindo-os ou amplificando-os, de acordo com o signo em ascendente no momento de seu nascimento. Este signo é o que ocupa a posição mais próxima do Sol neste momento.

As Colunas Zodiacais, pela sua distribuição no Templo Maçônico, mostram que o grande candidato à Iniciação se relaciona com Áries, cuja impetuosidade o leva a forçar as portas do Templo. Ele é colocado na Câmara de Reflexões, onde se submete à prova da Terra, enquanto o Sol está em Touro.

Morrendo para a vida profana, sob a influência de Gêmeos e seguindo a fórmula alquímica V.I.T.R.I.O.L. (Visita Interiora Terrae Rectificandoque Invenies Occultum Lapidem), literalmente seu significado é: “visita o interior da terra e, retificando-te, encontrarás a pedra oculta”, ou seja, indica o caminho para que o candidato faça um profundo exame de consciência, analise os aspectos negativos de seu caráter e se proponha abandoná-los, começando a descobrir a Pedra Polida que existe em seu coração.

Em seguida o Sol se levanta e o recipiendário sai do interior da Terra, para passar pela Prova do Ar. O Sol inicia em seguida o seu curso descendente em Câncer, e o recipiendário passa pelas provas da Água e do Fogo, que é presidido por Leão, que devora tudo o que ele ainda possua de impuro. Fortificado pela energia de Leão, o neófito esposa Virgem, que o eleva às alturas do mais puro ideal. Já na Coluna do Sul, o obreiro aprende com o signo da Balança a raciocinar com clareza e a expor suas ideias com firmeza. Passando à influência de Escorpião, o obreiro adquire uma vida interior rica, elevando a sua parte intelectual e espiritual.

Em Sagitário, o Iniciado desce ao fundo de seu Eu interior e, usando os conhecimentos já adquiridos, acelera o aperfeiçoamento do seu caráter. Com o Sol em Capricórnio, domicílio de Saturno, o Maçom busca a via ascensional e se compraz na Câmara do Meio.

Após ter visto a estrela Sirius no céu de Sagitário, o Iniciado se recolhe e se isola para se lamentar junto túmulo do Mestre. Esta é a prova suprema, que o leva a renovar os seus votos de trabalhar em prol da Humanidade, sob os auspícios de Saturno, agora menos sombrio e mais favorável à meditação construtiva. Neste momento, o Sol acelera a sua marcha ascendente, a partir do oceano de Peixes, para recomeçar um novo ciclo, que se inicia em Áries, ou Carneiro.

Pitágoras elaborou toda uma teoria sobre as relações do Zodíaco com a migração das Almas. Quer para descer na geração, quer para tornar a subir no caminho da espiritualização da matéria, as almas deviam transpor uma das duas portas do céu. Estas portas são os pontos extremos alcançados pelo Sol em sua marcha anual, onde ele parece deter o seu movimento. Daí o nome de solstícios (paradas do Sol), ou portas solsticiais.

Os Cargos em Loja e os Sete Planetas Esotéricos

Ven. M. – assimilado ao planeta Júpiter, (número 6) que, no panteão dos deuses babilônicos, simbolizava a sabedoria. Rege a visão, a prosperidade, a misericórdia, a liturgia, o sacerdócio, o mestre e a felicidade.

Ord. – está relacionado a Mercúrio (número 2), o planeta que rege a expressão da Verdade, pois é o “enviado de Deus”. Mercúrio é o porta-voz, aquele que dá as boas-vindas e domina os escritos. Associado ao Sol, pois dele emana a luz, como guarda da lei maçônica que é responsável pelas peças da arquitetura.

1ª Vig. – associado ao planeta Marte, que era o senhor da guerra, simbolizando a força. Marte rege o início, a coragem, o pioneirismo e o impulso.

2ª Vig. – assimilado ao planeta Vênus, feminilizado na mitologia babilônica e que, sendo a deusa mágica da fertilidade e do amor, simboliza a beleza. Vênus rege a harmonia, o prazer, a alegria e a beleza, como reflexos da manifestação do G.A.D.U.

Secr. – relaciona-se ao planeta Saturno (número 7). É ele o responsável por gravar os fatos de forma fria e exata para a eternidade. Ele é o controlador rígido da ordem dos processos e cioso pela documentação dentro das normas. Assemelha-se à Lua, pois reflete as conclusões legais do Orador.

Tes. – associado a Cronos (Saturno, para os romanos), pai de Zeus e filho de Urano – um dos deuses primordiais, que estava com Geia (a Terra) no início de todas as coisas. Simboliza a riqueza e recebe a influência da Lua (número 1) em sua atividade. A atividade de receber os metais e de organizar o movimento financeiro da Loja é considerada calculista, além de inflexível, por lidar com a frieza dos números. A Lua rege a família, a cidade, o lar e o corpo; portanto rege o Templo.

M. de Cer. – assimilado ao planeta Mercúrio, o deus veloz e astuto. Está relacionado ao planeta Sol (número 4), este caminha diariamente pelo Céu, levando e trazendo a existência, a verdade e a justiça. É ele que anima a vida e que circula no Oriente e no Ocidente.

Bibliografia

Ritual do Mestre Maçom do REAA da Grande Loja Maçônica do Estado da Paraíba – 2005.
Bíblia Sagrada – Livro de Jó – Capítulo 38: 31;38.
VASCONCELOS, Jayro Boy. A Fantástica História da Maçonaria – analisada por um evangélico à luz da Bíblia Sagrada : Edição autônoma. Caratinga, MG, 1999.
REVISTA VEJA – Edição 2.201 – Ano 44 – n° 4 – 26/01/2011 / (Tem confusão no céu da Ciência e no da Cabeça. – pagina 84-90).

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