Astrologia na Medicina e Psicologia

O Conceito de Melothesia e Dodecatemoria na Medicina Astrológica

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Trânsitos e Migrações entre Oriente e Ocidente

Jefferson de Albuquerque Mendes

Universidade Federal Fluminense (UFF)
Instituto de História (IHT)
Programa de Pós-graduação em História (PPGH)
Núcleo de Estudos de Representações e de Imagens da Antiguidade (NEREIDA)
REVISTA HÉLADE
Ano 5, Volume 5 – Número 3 – Dezembro de 2019

Resumo

A melothesia surge como práxis do que conhecemos como medicina astrológica. A prática da medicina astrológica já era um procedimento usualmente adotado pelos babilônicos. Essa medicina de base astrológica é totalmente fundada sobre afinidades que se estabeleciam entre as partes do corpo humano e os medicamentos que poderiam ser utilizados para o tratamento. Dessa forma, o presente artigo pretende analisar como o conceito de melothesia, e sua subdivisão, a dodecatemoria, contribui para a difusão da astrologia médica-babilônica, impacta o mundo helenístico, sobretudo nas obras de Astronomicas, de Manilius e o Tetrabiblos, de Ptolomeu. Para isso, será analisada a prancha SBTU I 43, no intuito de demonstrar como os babilônicos relacionavam os impactos dos influxos astrais no corpo humano.

I. Introdução

A observação dos astros e das estrelas é mais antiga do que a própria filosofia, e muito mais do que a história. Desde tempos remotos o interesse pelo céu era algo inerente ao ser humano e ao seu desenvolvimento – físico, cognitivo, social, entre outras instâncias – de forma que, tudo aquilo que provinha da esfera celeste, inevitavelmente, modificava um modo operacional – tanto social quanto psicológico. O céu e toda a sua estrutura causava as mais variadas sensações nesse ser humano: medo, espanto, dúvida, e principalmente, fascínio. Pois, de toda forma, se conseguia estabelecer uma conexão – mesmo que primária – entre o que acontecia na esfera terrena e na esfera cósmica. Quando o ser humano consegue ter uma visão mais “plena” dessa relação as suas estruturas de ver e agir no mundo se modificam.

De início, a visão cosmológica de mundo foi pautada e transpassada por uma visão mítica-teológica de mundo (o mundo mesopotâmico e o mundo helenístico, por exemplo). As coisas que acontecem sobre nossas cabeças são, em certa medida, manifestações divinas que incidem sobre nós. Assim, enfrentar e desbravar o cosmos era, no fundo, compreender as forças que agem sobre o ser humano, que agem sobre o mundo terrestre num todo. Tentar compreender os mecanismos do funcionamento do cosmo era desvendar as diversas formas de ordenação e orientação astrais. Desvelar as estrelas era revelar a vontade divina. As civilizações que foram se estabelecendo ao curso do tempo, como os babilônicos, que sempre deram a devida importância aos astros, as estrelas e a todo o funcionamento deste conjunto. Os registros que sobreviveram até nós, nos revelam todo um grande mecanismo formado na tentativa e vontade de se orientar pelo cosmos. Essa orientação se radica muito mais sobre a relação ser humano/objeto, em sua aproximação que surge nessa empreitada perante a imensidão cósmica do que, simplesmente, na ordenação simétrica do firmamento, por exemplo.

Hoje é certo que a astrologia teve seu lugar na cultura do Oriente, na planície ardente do Tigre e do Eufrates, onde o ar extraordinariamente claro, celebrado pelos antigos, faz os corpos celestes parecerem mais próximos e mais enormes do que para o céu nórdico opaco. Não apenas depoimentos clássicos, mas especialmente a literatura assíria-babilônica, relatou graças às escavações de meados do século XIX, nos permitem estabelecer que o início da interpretação e da fé nas estrelas são atribuídos à Mesopotâmia, a Terra dos dois Rios, embora a condição incompleta em que esta literatura seja encontrada é tal que impede a imagem completa e unitária do culto das estrelas e sua irradiação na interpretação das estrelas.

Quase todos os textos astrológicos cuneiformes, segundo Carl Bezold, conhecidos até agora derivam da biblioteca do rei Assurbanipal (668-626 a.C.), hoje conservada no British Museum que comporta cerca de 4000 tabuas e fragmentos de escritura cuneiforme. A tarefa deste artigo é mostrar, de maneira sucinta, como nas sensações de resgate do mundo antigo das práticas astrais o movimento duplo da cultura babilônica é revelado. Assim, pode-se supor que as representações nas pedras mostram elementos ou divindades astrais com seus emblemas, que são então representados isolados em relevos, amuletos ou mesmo na escrita cuneiforme.

De acordo com alguns pesquisadores, como Bober (1948), Bouché-Leclerq (1899) e Bezza (1995), o conceito clássico de melothesia surge no período helenístico representando a “doutrina de dominação dos doze signos zodiacais através das indicações de certas regiões anatômicas do corpo do homem”. Ou seja, num primeiro momento, a melothesia seria o impacto das influências celestes – de cunho planetário, zodiacal, ou até mesmo pelo decanato – nas partes do corpo humano. Num primeiro olhar, esse conceito se mostra básico em sua estrutura teorética, no entanto, num olhar mais atento ao seu percurso nos revelará todos os meandros pela qual é construído esse arcabouço.

A melothesia surge como práxis do que conhecemos como medicina astrológica. A prática da medicina era um procedimento usualmente adotado pelos egípcios, mas fora na escola desenvolvida em torno da medicina hipocrática que o conceito de melothesia ganha contornos médicos. Segundo Bouché-Leclerq, essa medicina de base astrológica é totalmente fundada sobre afinidades que se estabeleciam entre as partes do corpo humano, como os órgãos, de um lado; os medicamentos que poderiam ser utilizados para o tratamento, de outro, com os astros, amalgamando toda uma série de sortilégios e superstições populares.

Há uma relação inexorável que liga a melothesia ao conceito de microcosmo. O ser humano é, por excelência, o animal que atrai toda a atenção dos deuses, concentrando nele todas as emanações e energias provindas dos astros. Assim, há uma relação causal direta na confluência dos astros e a saúde de cada ser. Para o astrólogo-médico, o corpo humano era dividido, em linhas gerais, membros externos e os órgãos internos, ou até mesmo, pelos elementos, que eles acreditavam ser constitutivos da vida humana, como os ossos, o sangue, os humores, os calores vitais, a respiração, que correspondiam também com os quatro elementos cósmicos (água, terra, fogo, ar) acrescido do éter.2

2 Bouché-Leclerq enfatiza a importância da categorização e relevância do que os antigos tinham como partes do corpo humano. De toda forma, sempre havia uma relação analógica até mesmo no corpo, havia hierarquização dos membros com os órgãos internos, entre outras coisas.

Dentro desse escopo, o próprio conceito de melothesia se desdobrou em outras práticas dentro e fora do mundo grego. Os astrólogos, com isso, identificavam dois tipos básicos de melothesia: uma baseada na influência dos signos zodiacais; e outra baseada nos planetas. Assim, cria-se uma espécie de concorrência entre a astrologia zodiacal e a astrologia planetária.

Logo, começa a ser traçado todo um caminho que revela a perambulação e os processos migratórios desses saberes que envolviam tanto a prática médica quando o conhecimento astrológico. O cosmos tem poder sobre os corpos e a melothesia, então seria, a forma e a capacidade de sincronismo entre os objetos e as conjunções celestes (planetas, signos zodiacais, decanato), sendo a instância terrestre capitaneada pela figura do ser humano. As teorias do macrocosmo e microcosmo tem sua vez e práxis nessa correspondência.

De fato, seria de um esforço hercúleo tentar percorrer e mapear todo o caminho que as práticas astrológicas-medicinais concluíram (os inúmeros lapsos e buracos de informações não nos possibilitam adentrarmos como se deveria nesse imbróglio). Contudo, o que se pretende aqui, logo de início, é verificar como a incidência do conceito de melothesia se performa em lugares distintos, guardando similaridades ou não, e como, em seu processo migratório, contribuiu para a sua recepção do Oriente para o Ocidente. Antes de mais nada cabe fazer uma sistematização e classificação das vertentes que se desenvolvem por detrás do conceito próprio de melothesia.

II. Melothesia e Dodecatemoria

Dentro das esquematizações possíveis, o conceito de melothesia – partindo do seu processo migratório – possibilitou elaborados arranjos que, de certa forma, contribuíram para sua solidificação e, principalmente, para a capacidade de criação de novos discursos e ferramentas. Aliadas a novos saberes sobre o firmamento celeste que foram adquiridos com sua circulação, criaram-se novas adições e novas formas de enfretamentos práticos. Possibilitando, assim, verificar como diversas culturas enfrentavam e praticavam os preceitos apreendidos sobre o cosmos.

Como dito um pouco mais acima, a prática da melothesia tem suas divisões internas que revelam a forma como cada pessoa a enfrentava. Os signos zodiacais, quando considerados como peso e medida para o corpo humano, passam a obedecer uma estrita regra de onde cada estrutura zodiacal corresponde, por assim dizer, à uma parte do corpo humano.3 Assim, começando pela cabeça regida por Áries – que remete ao signo de Áries “a cabeça do mundo” – até os pés sendo regidos pelo signo de Peixes – que, mesmo não possuindo pés, compensam tal falta pela presença de dois peixes regendo o signo. A partir dessa estrutura cada signo rege uma parte especifica do corpo humano, como exemplificado abaixo:

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Áries corresponde e rege a cabeça;
Touro protege o pescoço;
Os ombros e ambos os braços correspondem a Gêmeos;
O peito mantém relação com a carapaça de Câncer;
Os flancos são regidos por Leão;
O Ventre protegido pelo signo de Virgem;
As nádegas correspondem a Libra;
O púbis regido por Escorpião;
Sagitário protege as coxas;
Os joelhos são protegidos pelo Capricórnio ajoelhado;
As pernas correspondem a Aquário;
Os pés regidos pelo signo dePeixes.4

Essa conjuntura é a mais comum, ou até mesmo a forma standart, de circulação e aplicação do conceito de melothesia. Por terem o signo do círculo zodiacal como entidades protetoras e regentes, foi comumente intitulada de melothesia zodiacal. Essa estruturação do conceito, proveniente do mundo grego,5 se deve em grande parte aos escritos de Marcus Manilius (século I d.C.), reunido sob a égide Astronômicas.

3 Essa divisão remonta a tempos remotos, onde a relação estabelecida entre a entidade zodiacal e o corpo humano se comportava como um elemento de elo de formação simbólica. Onde o signo “reina” e protege no corpo humano, dá a possiblidade do ser humano de desmantelar e burlar o caráter maléfico que atinge uma parte qualquer do seu corpo. Assim, saber qual o signo rege a parte do corpo afetada, possibilita ao astrólogo-médico prever se toda a conjunção astral é favorável ou não a cura daquela parte.
4 Sobre as divisões do corpo humano pelos signos zodiacais: Aprende, agora, as partes do ser humano distribuídas pelas constelações, e os membros, cada qual a obedecer a uma autoridade específica, sobre os quais, de todo o corpo, os signos exercem suas principais influências. A Áries, primeiro antes de todos, coube por sorte a cabeça; e ao Touro, como haver próprio seu, o belíssimo pescoço; e nos Gêmeos, com igual sorte, inscrevem-se os braços, unidos aos ombros; e o peito é colocado sob Câncer, do Leão é o domínio sobre os flancos e as espáduas, o ventre recai sobre a sorte particular da Virgem, Libra rege as nádegas, e o Escorpião regozija-se com a virilha, ao Centauro ajuntam-se as coxas, Capricórnio tem autoridade sobre ambos os joelhos, de Aquário vertedor é o arbítrio sobre as pernas, e os Peixes reclamam para si o direito sobre os pés.
5 Não há nenhuma evidência que demonstre a existência de textos gregos do período clássico sobre o tema da melothesia. De fato, será no mundo greco-romano helenizado que aparecerão os textos sobre o termo, através de Ptolomeu, além de Manilio. O tema da melothesia parece na antiguidade, tanto em astrólogos como em FIRMICUS MATERNUS, Mathesis, II, 24; quanto em VETIUS VALENS, Antologiarum, II, 3; quanto em seus detratores, como SEXTO EMPIRICO, Contra os astrólogos, 21-22; e em ORÍGENES, Contra Celso, VIII, 58. Sem contar com algumas referências clássicas posteriores, como em MARSILIO FICNO, De Vita
Triplici, III, 9-10.

Manilius discute e teoriza não mais que a melothesia zodiacal. E fica evidente, com o trecho citado acima, como sua teoria estava em consonância e obedecia à estrutura proveniente dos textos de astrologia antiga. A matéria astrológica se mescla com os preceitos astronômicos até então desenvolvidos. De um lado, a aplicação matemática, e de outro, a observação e crença nos astros. E ambos se coadunam na tentativa de se orientar dentro de uma concepção de mundo ainda em formação. Será na segunda parte das Astronômicas que se concatena às aplicações possíveis que regem os astros e esmiúçam os diversos e possíveis arranjos que, de certa forma, ditam as diversas formas como o ser humano vai encarar a apreender esses ensinamentos.

O significado das dodecatemorias7 vai ao encontro do estabelecimento das leis matemáticas dentro da astrologia, e principalmente, tal como a melothesia, da sobrevivência dos saberes provindos do mundo oriental (via Babilônia). Manilius compete as dodecatemorias uma importância no conhecimento dos saberes dos astros, contudo, não fica evidente em sua obra o caminho e concepção desse conceito. Apenas alude a esses ensinamentos aos astrólogos antigos e aos caldeus, como era de práxis. A causa das dodecatemorias passa, necessariamente, pela vontade de harmonização e semelhança dos astros correspondentes. Para Manilius, ao estabelecer às possiblidades de dividir os graus correspondentes de cada signo (trinta graus) em mais doze partes gerando assim frações de duas partes e meia, com a necessidade do criador em moldar e criar harmonia, estabelece assim, uma relação de causa e consequência entre os signos e os astros celestes.

7 Do grego: dwdekathmo/rion – Dw/deka, “doze”, mo/rion, “parte”), possui sentido de “duodécimos”. Em latim: dodecatemorion (ou – ium). Pelo formar vertida em latim, o substantivo pode ser traduzido tanto para o masculino, dodecatemório, ou para o feminino, dodecatemoria. No texto opta-se pela flexão no feminino como é usualmente utilizado pela literatura especializada.

Perspice nunc tenuem visu rem, pondere magnam/Et tantum Graio signari nomine passam,/Dodecatemoria, in titulo signantia causas,/Rursus bis senis numerus diducitur omnis;/Ipsa igitur ratio binas in partibus esse/Dimidiasque docet partes. His finibus ecce/Dodecatemorium constans, bis senaque tanta/Omnibus in signis; quae mundi conditor ille/Attribuit totidem numero fulgentibus astris,/Ut sociata forent alterna sidera sorte,/Et similis sibi mundus, et omnia ins omnibus astra,/Quorum mixturis regeret concordia corpus/Et tutela foret communi mutua causa./In terris geniti tali sub lege creantur;/Idcirco, quamquam signis nascantur eisdem,/Diversos referunt mores inimicaque vota;/Et saepe in peius derrat natura, maremque/Femina subsequitur: miscentur sidere partus,/Singula divisis variant quod partibus astra,/Dodecatemoriis proprias mutantia vivres.

Examina agora uma coisa aparentemente simples, porém grande na sua importância, e que só admite ser designada por uma palavra grega: as dodecatemorias, nome que já aponta a sua razão. Como cada signo celeste consta de trinta partes, divide-se o número todo por doze; o próprio cálculo mostra, então, que cada fração é de duas partes e meia. Dentro destes limites, pois, é que se estabelece a dodecatemoria; em todos os signos há tais doze partes, as quais o criador do firmamento atribui a um mesmo número de astros brilhantes, para que os signos celestes se encontrassem associados numa ordem alternada, e para que o céu fosse semelhante a si mesmo, e os astros todos fizessem parte uns dos outros, e por meio de combinações entre eles. Na terra, os que nascem são criados sob tal lei; por isso, conquanto nasçam sob o mesmo signo, apresentam costumes diferentes e vontades opostas; e frequentemente a natureza se desencaminha, para pior, e ao nascer de uma menino segue o de uma menina: os dois nascimentos reúnem-se sob uma mesma estrela; o fato é que casa astro sofre variação por causa das divisões que tem, e muda, nas dodecatemorias, as suas influências específicas.

Em todo caso, se verifica ao nos atentarmos nesse extrato, a capacidade em resolver o problema da “singularidade” de cada pessoa regida sob um mesmo signo. Fica evidente aqui uma parte da função dada a dodecatemoria: especificar as qualidades e diferenciar pessoas que nasçam sob a égide de um mesmo signo. Assim, amplia o espectro de ação dos signos e astros celestes na vida das pessoas. O que explicaria, como no exemplo dado por Manilius, um menino e uma menina, ambos nascidos sob o mesmo signo, terem características distintas. É claro que o conceito e aplicação das dodecatemorias vão além da explicação da ‘singularidade” de cada pessoa perante os astros. De fato, a sua utilização na medicina, por exemplo – tal como a melothesia – será extensa e amplamente divulgada.

Para Manilius tudo vem da vontade de um criador – mundi conditor – que ordena as coisas no mundo e que sempre segue uma estrutura que visa à sua autossustentação harmônica. De fato, seria necessário o céu semelhante a si mesmo – nas palavras de Manilius – para que haja concórdia e essa regesse todo o conjunto necessário para o estabelecimento de todos os fatores cósmicos. Esses fatores – sejam os astros ou até mesmo os signos – são encarados e sistematizados de forma que se crie a alternância entre seus pares. Em outras palavras, a aplicação numérica na formulação de conceitos é um dos pilares na construção dos saberes astrais. São os números atribuídos aos signos, por exemplo, que marcarão a alternância que possibilitará, numa concepção ampla de firmamento, à sua sustentação harmônica. Não resta dúvida do impacto da filosofia pitagórica na obra de Manilius.

Miscentur sidere partus/Singula divisis variant quod partibus astra/Dodecatemoriis proprias mutantia vires: “Cada astro sofre variação por causa das divisões que tem, e muda, nas dodecatemorias, as suas influências especificas”. Este é um entendimento primordial para compreendermos o mecanismo por detrás das influências que cada entidade cósmica age sobre o mundo terrestre. Essas influências específicas, descritas no poema, se desenrolam no modo como a própria natureza dispõe as coisas. De toda forma, são as dodecatemorias que irão estabelecer os domínios de cada entidade astral, seja esse domínio regido sob o ser humano ou pela natureza.

Nunc, quod sit cuisque, canm, quove ordine constent/Ne vagus ignotis signorum partibus erres./Ipsa suo retinent primas in corpore partes/Sidera, vicinae subeuntibus attribuuntur,/Cetera pro numero ducunt ex ordine partes,/Ultima et extremis ratio conceditur astris./Singula sic retinet binas in sedere quoque/Dimidiasque eius partes, et summa repletur/Sortibus exactis triginta sidere in omni.

Nec genus est unum, tatio nec prodita simplex,/Pluribus inque modis verum natura locavit/Diduxitque vias voluitque per omnia quadri./Haec quoque comperta est ratio sub nomine modem./quacumque in parti nascentum tempore luna/Constiterit, numeris hanc ter dispone uaternis,/Sublimi totidem quia fulgent sidera mundo./Inde suas ille signo, quo Luna refulsit,/Quaeque hinc defuerant partes numerare memento./Proxima tricenas pariterque sequentia ducunt./[hic ubi deficiet numerus, tunc summa relicta/In binas sortes adiecta parte locetur/Dimidia, reliquis tribuantur ut ordine signis]/In quo destituent, eius tum Luna tenebit/Dodecatemorium signi; post cetera ducet/Ordine quodque suo, sicut stant astra locata.

Haec quoque te ratio ne fallat, percipe paucis/(maior in effectu minor est) de partibus ipsis/Dodecatemorii quota sit quod dictum esse/Dodecatemorium. Namque id per quique notatur/Parte; nam totidem praefulgent sidera caelo/Quae vaga dicuntur, ducunt et singular sortes/Dimidias, viresque in eis et iura capessunt./In quo quaeque igitur stellae quandoque locatae/Dodecatemorio fuerint spectare decebit;/Cuius enim stella in fines in sidere quoque/Inciderit, dabit effectus in viribus eius./Undique miscenda est ratio per quam omnia constant.

Agora, qual é a dodecatemoria de cada signo cantarei, e em que ordem elas estão estabelecidas, para que não vagues, errante, por desconheceres as divisões dos signos. As constelações mesmas ocupam, em seu próprio domínio, a primeira fração, e as frações vizinhas são atribuídas aos signos seguintes; as demais, de acordo com o seu número, recebem sucessivamente as restantes divisões, e a última porção é concedida ao signo da extremidade, dois graus e meio dela, perfazendo-se o total ao completarem os trinta graus no signo inteiro.

Nem é uma só a espécie das dodecatemorias, nem o sistema apresentado é único: em muitos modos a natureza dispôs a verdade e separou os caminhos a ela conducentes, querendo ser buscada por todas as partes. Este método também foi descoberto, sob o mesmo nome: qualquer que seja o grau que a Lua, no momento dos nascimentos, ocupar, multiplica-o três vezes quatro vezes, já que este mesmo número de constelações brilha nas alturas do céu. Em seguida, cuida de atribuir, àquele signo onde a Lua resplandeceu, os graus por ela já atravessados e, a partir destes, os que faltaram. O próximo signo recebe trinta graus, e igualmente os seguintes. A Lua, então, ocupará a dodecatemoria daquele signo em que a contagem cessar; depois, ela tomará as restantes dodecatemorias, cada qual na sua posição, do modo como estão os astros fixamente ordenados.

Para que o seguinte método também não te engane, aprende, por meio de poucas palavras (o menor é maior em efeito), quão pequena é, dentre as partes mesmas da dodecatemoria, aquela que é também dita dodecatemoria. Com efeito, ela se divide em cinco partes, pois no céu brilha um mesmo número de estrelas que são ditas errantes e que recebem, cada uma delas, meio grau, assumindo, neste, as suas forças e a sua autoridade. Convirá, pois, observar em qual dodecatemoria e em que momento cada planeta está localizado; pois um planeta produzirá seus efeitos sob as influências daquela dodecatemoria dentro cujos limites, qualquer que seja o signo, ele se encontrar. Deve-se buscar a todas as partes a combinação pela qual tudo está estabelecido.

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Este extenso trecho tenta colocar em linhas gerais o funcionamento das dodecatemorias dentro do regime cósmico, levando em consideração os movimentos que os planetas e os signos executam. Manilius elabora um esquema que contém, em certa medida, o funcionamento analógico dos fatores internos – os signos, os planetas – e dos fatores externos – a função do número enquanto conceito, as divisões esquematizadas. Logo no início, o autor expõe o funcionamento básico das dodecatemorias: cada constelação possui seu próprio domínio de onde os signos se farão presentes e regentes. Sabendo que o círculo zodiacal possui 360 graus e que são divididos pelos 12 signos zodiacais, cabe ao astrólogo repartir esses 30 graus de cada signo em, novamente, 12 partes. Assim, Manilius explica que a primeira fração de um determinado signo é aplicado aos demais signos, em partes iguais de 2 graus e meio, somando ao final os 30 graus pertencentes a cada signo.

Exemplo da dodecatemoria do signo de Áries.

De todo modo, a forma e o impacto das dodecatemorias vai muito além das divisões possíveis de frações dos signos. Como na melothesia, a aplicabilidade das dodecatemorias será extensa até ao corpo do ser humano. Cada fração em graus (2½) será responsável pela regência e proteção de uma parte do corpo. Além da repartição das partes do corpo humano pelos signos, o próprio signo regente de uma determinada parte do corpo será repartido pelas dozes frações, e cada uma dessas frações serão os protetores de outras partes do corpo humano. Há um duplo aspecto no impacto dos influxos astrais no corpo humano: de um lado, a melothesia que delimita, em linhas gerais, a forma como cada signo se comporta regendo uma parte do corpo; de outro, as dodecatemorias que tornam às relações entre os astros e os seres humanos mais complexas.

Manilius ainda continua relatando o Lua na aplicação das dodecatemorias, de modo que o próprio astro se alocará no último signo dentro das divisões (2½), e o processo continuará com todos os signos restantes. Nas últimas linhas, o autor ainda se detém em outro substrato de dodecatemoria, ou seja, seria uma espécie de dodecatemoria dentro da dodecatemoria: cada parte de 2 ½ graus também pode ser dividida em cinco partes de ½ grau cada. Isso mostra toda a complexidade em torno da capacidade de construir uma relação unívoca entre o ser humano e os corpos celestes. Manilius tinha plena consciência da dificuldade em estruturar os efeitos causados por essas decodificações cosmológicas. Porém, mais do que ratificar esses obstáculos, ele estabelece um sistema que tenta, de toda forma, criar as possibilidades para estabelecer as causas e consequências entre todos estes fatores.

Como no caso da melothesia, os primeiros indícios das práticas que envolviam as dodecatemorias surgiram em terras babilônicas. Manilius e seus antecessores sabiam que as origens desses conceitos cosmológicos provinham dos povos babilônicos e caldeus – como eram chamados. Contudo, todo o processo de origem e migração desses saberes eram, por demasia, obscuros e tortos. Assim, cabe aqui uma breve delimitação do que seria a produção e conhecimento dos saberes cósmicos no mundo babilônico, de onde provém os primeiros escritos que se tem conhecimento sobre a melothesia.

Otto Neugebauer, num pequeno texto bastante elucidativo, ao tratar de uma prancha que remonta ao período grego clássico, se depara com algumas esquematizações que remetem à forma como eram calculadas as divisões e micro-divisões que os signos sofriam. No fim, conclui que essa pequena prancha trata da aplicação das dodecatemorias e de seu impacto no corpo humano. Neugebauer, assim, consegue estabelecer uma relação direta entre essas micro divisões com a própria ideia de melothesia, partindo da forma como as partes do corpo humano eram associadas, tanto com os dozes signos zodiacais quanto, e aí reside a novidade, com essas micro divisões. Dessa forma, se percebe novos arranjos entre essa associação melothesia/dodecatemoria com, por exemplo, a constelação analisada da vez.

Partindo dessas evidências, Neugebauer pôde traçar uma linha histórica que remeterá às doutrinas astrológicas praticadas na Babilônia, e no cerco geográfico mesopotâmico. E de como essa prancha contém a filigrana essencial que corresponde ao mundo astral babilônico. Essa prancha não evidencia somente as partes do corpo humano que cada signo rege, mas coloca, em linhas gerais, como cada micro divisão (2½) impacta também cada parte do corpo humano. A simplicidade, da qual Manilius conclama, se desmembra numa complexidade que leva em conta todo um regime de cálculos e predições cósmicas. Comecemos por Áries:

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1 (2 ½) cabeça
2 (5) garganta
3 (7 ½) ombros, braços
4 (10) peito
5 (12 ½) estômago
6 (15) abdômen
7 (17 ½) nádegas
8 (20) órgãos genitais
9 (22 ½) joelhos
10 (25) ancas
11 (27/ ½) tíbia, tornozelos
12 (30) pés

Este exemplo acima, elenca a divisão das dodecatemorias do signo de Áries sob o corpo humano. Já sabemos, de antemão, que o signo de Áries rege a cabeça propriamente, porém quando se fala das dodecatemorias o assunto do impacto e regência se configura por outros meios. Dentro da regência de Áries sob nosso corpo, se delineia uma serie de relações das doze micro divisões com o próprio signo. Assim, com o movimento do grande círculo zodiacal (360 graus) se estabelece uma concordância entre o signo e uma parte das dodecatemorias, sendo que, a parte do corpo humano que rege a primeira micro-divisão das dodecatemorias corresponde a mesma que o signo rege, ou seja, se é a cabeça que Áries rege, a primeira das doze dodecatemorias também regerá a cabeça.

Para Neugebauer essas esquematizações que levam em consideração melothesia e dodecatemoria não passam de “apenas pura especulação astrológica sem nenhum nexo com a realidade astronômica”. O que o leva à essa consideração, um tanto drástica talvez, reside na construção multiforme de ambos conceitos. O próprio Neugebauer traz em seu texto outros exemplos da transitoriedade e da variabilidade de arranjos, chegando ao ponto que há várias possibilidades de melothesia e dodecatemoria. Para o autor às origens são sempre desconhecidas.

Ratificando seu ponto de vista, Neugebauer traz outra prancha, também de origem grega, contendo as esquematizações que envolvem melothesia e dodecatemoria. O compilador dessa prancha talvez tenha se baseado em Teucro, porém segue desconhecido. De todo modo, a prancha segue o mesmo esquema, elegendo sempre as qualidades e poderes dos doze signos zodiacais. Assim, cruzando as variantes que envolvem ambas pranchas, Neugebauer chega à conclusão que a melothesia é estendida e duplicada junto com as micro-divisões dos zodíacos, originando então a melothesia decanal, onde a cada dez graus se obtém uma regência e impacto sob uma parte do corpo humano. Além, claro, da própria melothesia para a dodecatemoria, ou seja, a estrutura dos influxos astrais sob o ser humano sendo usada para mensurar as dozes micro-divisões do signo zodiacal.

Todas às possibilidades que envolvem tanto o uso da melothesia quanto a dodecatemoria nos deixam um pouco mais distante em descobrirem as suas origens possíveis. Contudo, podemos traçar, mesmo que de forma sutil, os primeiros passos, e por onde perambulou, o conceito de melothesia.

SBTU I 43. Tábua sobre procedimentos astrais e sua relação com os astros, II-III milênios a.C. Deutsches Archaologisches Institut.

A prática que levava em consideração a movimentação dos astros e seu impacto sobre o ser humano remonta à terras e povos distantes. Não obstante, a tentativa de orientar-se pelo firmamento sempre se colocou como uma necessidade dada às circunstâncias particulares que cada cultura desenvolveu. A vontade de compreender aquilo que se colocou sobre nossas cabeças, e principalmente, o seu mecanismo se mostrava – em tempos antigos – uma das formas mais legitimas de tentar desvendar as relações possíveis entre o macrocosmo e microcosmo.

Com o desenvolvimento da melothesia não seria diferente. Uma das primeiras pesquisadoras a relacionar essa prática com o pensamento astrológico babilônico fora Francesca Rocheberg. Sua análise e tradução dos textos contidos na prancha SBTU I43 (Spatbabylonische Texte aus Uruk), encontrada em Uruk, define uma serie de paralelos com a prática astrológica-medicinal do mundo grego, e conclui uma certa ação e migração da astrologia babilônica para o mundo ocidental. Essa última informação já não é mais segredo das trocas de saberes entre Oriente e Ocidente, ainda mais quando se fala da migração de cunho astrológico.

Em linhas gerais, a prancha SBTU I 43 associa doenças diversas com partes distintas do corpo humano, levando em consideração os arranjos astrais. De fato, a medicina astrológica era uma realidade irredutível no cotidiano do mundo babilônico, e o interesse de Rochenberg era verificar como os signos zodiacais e as influências astrais afetavam o comportamento humano e sua saúde. O entendimento sobre o impacto do zodíaco nesse texto é crucial, pois, é através dele que se determina, pelo texto, o que deveria ser prescrito para o doente, como prescrever e, acima de tudo, o impacto zodiacal sobre um determinado período do ano (a dodecatemoria, por exemplo).

Essa antiga prancha babilônica Uruk é uma prancha de uma coluna dividida em quatro seções, cada uma correspondendo a uma parte do corpo, com cada seção sendo associada com um órgão do corpo particularmente. Cada uma das quatro divisões da prancha contém uma lista de doença que, de alguma forma, é atribuída às quatro regiões e órgão relativos. Assim, a prancha pode ser considerada como uma usual forma de taxonomia de doenças, através da organização de princípios da qual doenças são associadas a um órgão específico longe da obviedade.

São variadas às formas e as possíveis rotas na tentativa de interpretar essa prancha, no entanto, entre os pesquisadores sobre o mundo astral babilônico um dado é unanime: não se trata aqui de uma prancha comum, de uma típica prancha que versava sobre as doenças conhecidas até então. A sua natureza única pode ser dada na forma de como estão elencadas – numa estrutura de regência e impacto – a dinâmica dos fatores astrais na concepção das doenças. Outro fator reside na sua forma prognóstica em tratar as enfermidades, ou seja, as informações contidas oferecem uma visão terapêutica de mundo, onde relata a dinâmica entre a doença e as partes do corpo que são afetadas por elas. Assim se concebe uma relação entre anatomia e doença, mediada sempre pelos fatores cósmicos: por isso, podemos dizer que se trata mais de uma prancha que versa sobre o aspecto astral dos rituais médicos do que apenas uma forma de sistematizar os saberes sobre patologias diversas.

Na prancha pode-se verificar a presença de elementos específicos da melothesia, principalmente, quando tratamos do impacto astral no corpo. A forma como se dá o movimento das ordens astrais e as instâncias da qual isso ocorre é exemplar: cada distúrbio de ordem patológica que é remetido a um órgão ou parte do corpo respeita o movimento cósmico dos signos zodiacais. Assim, somente há uma forma de estabelecer esse elo enfermidade-corpo, interpretando as conjunturas astrais naquele momento. Isso se assemelha, em grande parte, com o conceito clássico de melothesia, contido, por exemplo, nos escritos de Ptolomeu:

Para as partes individuais dos signos do zodíaco que cercam a porção afligida do horizonte indicará a parte do corpo que concernirá o portento, e se a parte indicada sofrer um injuria ou a doença, e a natureza dos planetas produzirá os tipos e caudas dos eventos que devem ocorrer. Para, a parte mais importante do corpo humano, Saturno é o senhor da orelha direita, do baço, da bexiga, da bexiga, dos ossos; Júpiter é o senhor do toque, das pernas, artérias, e sêmen; Marte [o senhor] da orelha esquerda, dos rins, veias, e genitais; o Sol [o senhor] das vista, do cérebro, coração, dos tendões e de todas as partes da mão direita; Vênus [rainha] do olfato, do fígado e da carne; Mercúrio [senhor] da fala, do pensamento, da língua, biles e das nádegas; a Lua [senhora] do tato e do paladar, do estomago, barriga, ventre, e todas as partes da mão esquerda.

De todo modo, a prancha SBTU I 43 revela algo extraordinário: a incidência dos astros sobre o corpo humano já era algo comumente praticado e fazia parte do modus operandi da concepção astrológica-médica do ser humano. Com isso, se delineava – dentro do entendimento da própria concepção de cosmos – uma estrutura que se adequava, em sua essência, à necessidade primordial que se construía, de toda a forma, a criar uma relação orgânica e real do trinômio mundo-corpo-cosmos. Responder às necessidades dessa equação foi a tarefa essencial para todas as culturas que, à sua maneira, perscrutavam o lugar do ser humano no que condiz ao próprio conceito de orientação cósmica. Isso se evidencia desde às inscrições contidas aqui, na SBTU I43, que narram – de forma surpreendente – a tentativa de estabelecer uma linha de raciocínio (relação causa-consequência) entre corpo, influxos astrais e doença. Até mesmo nas tentativas de harmonizar o corpo entre ordenação e orientação cósmica.

SBTU I 43. Transcrição da tábua.

III. Considerações Finais

Dessa maneira, os símbolos astrológicos revelam a dupla característica de ser, em alguns casos, tropos, em outras, metáforas. A astrologia é “ao mesmo tempo matemática e idolatria”, e seria impensável sem capacidade e domínio para refletir de uma maneira muito abstrata. Ponto e linha são instrumentos sublimes, graças aos quais o senso de ritmo transforma o caos em cosmos. A astrologia babilônica é compreensível como efeito de uma religião Astral. “A veneração da luz celeste – escreveu Julius Wellhausen – estava tão enraizada nos semitas que constituía uma grande tentação até para os monoteístas judeus.

Os escritos cuneiformes antigos nos falam de seres humanos de carne e osso que desejavam e esperavam, temiam, se contradiziam e lutavam entre si; seres humanos que, ansiosos por escapar da vingança de seu senhor ou rei por um presságio desagradável, alteram o significado das fontes ou, como feiticeiros de verdade, refugiam-se em exegeses peculiares que misturam eventos cósmicos e telúricos. No entanto, sua sabedoria tem seus limites e o leitor evitará superestimá-la quando deparar-se com as previsões realizadas.

O assunto das interpretações astrológicas são, sobretudo, derivados dos homens-animais descobertos em Nínive (Nínive, uma “cidade excessivamente grande”, como é chamada no Livro de Jonas, jazia na margem oriental do rio Tigre, na antiga Assíria. Nínive era um grande amontoado de vários vilarejos ao longo do rio tigre. Onde atualmente existe a cidade moderna de Mossul, no estado de Ninawa do Iraque). Estas são profecias derivadas de nascimentos monstruosos, de interpretações de sonhos e de outros presságios deduzidos de eventos terrestres, animados ou não. E isso reflete claramente o ambiente em que os habitantes da Mesopotâmia viviam e, principalmente a forma como cada elemento cósmico poderia agir num fato, num acontecimento ou mesmo no próprio corpo dos seres humanos.

IV. Apêndice

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