Traduções

Shakespeare e as Esferas

δ

A representação da astrologia, astronomia e folclore em torno da Lua em Rei Lear, Sonho de uma noite de verão e A tempestade.

Catherine Currie

University of York

Ian Neal

University of Sunderland

υ

Tradução:
César Augusto – Astrólogo

φ

Resumo

Este artigo discute a representação da astrologia, astronomia e folclore em torno da Lua, em Rei Lear, Sonho de uma noite de verão e A tempestade. Inclui uma explicação das formas de astrologia e astronomia praticadas durante o Renascimento, enquanto discute sua representação nas três peças. O artigo mostra como a referência de Shakespeare à astrologia e ao folclore que a cerca reflete o significado social, histórico e cultural de sua obra na época e, portanto, a importância de Shakespeare e seu lugar na literatura inglesa.

Introdução

Com o aumento do interesse em práticas esotéricas e ocultas trazidas por livros populares como a série Crepúsculo de Stephenie Meyer, filmes como The Craft e séries de televisão como Charmed, os estudantes estão cada vez mais atentos a essas referências. Os professores estão sempre procurando encontrar maneiras de mostrar como a literatura inglesa é relevante para os interesses dos estudantes. Um dos dramaturgos mais interessantes para fazer referências às práticas ocultas e esotéricas é Shakespeare – indiscutivelmente um dos autores mais difíceis de atrair o interesse dos estudantes das escolas. A maior parte de seu trabalho faz alguma referência a práticas ocultas ou esotéricas, mas o pano de fundo de sua referência é um pouco mais obscuro. Esperamos neste artigo mostrar alguns desses antecedentes e contexto para dar aos leitores um começo na fascinante “vanguarda” do trabalho de Shakespeare. Não estamos sugerindo que algumas dessas discussões sejam valiosas para todos os jovens, mas para aqueles leitores que já têm um interesse, poderão obter algumas ideias para usar em sala de aula com o que oferecemos.

Por que escolhemos usar a Lua como o foco de nosso artigo? Simplesmente porque tivemos que começar de algum lugar, e a Lua não é apenas central para muitas práticas esotéricas, mas também é um vínculo claro e tangível com o ocultismo, conforme retratado na ficção popular moderna, que os alunos podem entender facilmente. E, claro, Shakespeare faz muito disso – mais do que se possa imaginar!

Contexto histórico

Na Inglaterra de Shakespeare, como no resto da Europa renascentista, havia a crença no poder das estrelas, conforme evidenciado nos almanaques e prognósticos da época, que eram populares entre o público em geral. A menção frequente da astrologia no drama, não apenas nas peças de Shakespeare, pressupõe um público familiarizado com o assunto e seu folclore circundante. A astrologia foi dividida em astrologia naturalis (astrologia natural) e astrologia judicialis (astrologia judicial). A astrologia natural era a teoria e prática de calcular e prever fenômenos naturais; a influência dos planetas, incluindo o Sol e a Lua, no clima, nas marés e no nascimento, crescimento e morte de todas as coisas vivas e era mais um ramo do estudo físico do que uma fé. A astrologia judicial era a teoria e prática da profecia em relação aos planetas no destino humano; uma doutrina fatalista.

φ

A Lua

Em Rei Lear, os personagens colocam a questão ‘Qual é o poder supremo que motiva nossas ações e causa o conflito e o sofrimento que se seguem?Shakespeare mostra como a questão das quais regras o mundo é ponderada ao introduzir diferenças na linguagem e nos pensamentos dos personagens.

Shakespeare reconhece a astrologia natural brevemente na maldição do Rei Lear sobre Cordélia, embora também haja referência ao mito e folclore em torno da Lua através da nomeação de Hécate, uma deusa da Lua e também das bruxas:

‘…For by the sacred radiance of the sun,
The mysteries of Hecate and the night,
By all the operation of the orbs
From whom we do exist and cease to be…’

‘…Pois pela sagrada irradiação do sol
Pelos mistérios de Hécate e da noite,
Pelas grandes operações dos orbes
Que nos fazem viver e definhar…’

(King Lear, 1.1)

Este breve reconhecimento de que o Sol e a Lua são necessários para a existência pode ser comparado com a representação de Shakespeare da astrologia judicial no Rei Lear, através da crença de Kent de que a ordem está destinada, evidenciada em sua observação de que Albany e Cornwall têm espiões ‘que não têm suas grandes estrelas/tronos e cenários no alto, servos…‘, bem como sua perplexidade sobre a diferença na natureza das pessoas, apesar de parentesco idêntico:

‘It is the stars,
The stars above us govern our conditions,
Else one self mate and make could not beget
Such different issues.’

‘São as estrelas,
As estrelas do alto que governam nossas condições,
Se não o mesmo par não poderia gerar
Assim causas tão diferentes’.

(King Lear, 4.3)

A superstição e o medo em torno da astrologia judicial são representados pelo pessimismo temeroso de Gloucester sobre os eclipses recentes:

‘These late eclipses in the sun and moon
portend no good to us. Though the wisdom of Nature
can reason it thus and thus, yet nature finds itself
scourged by the sequent effects. Love cools, friendship
falls off, brothers divide: in cities, mutinies; in
countries, discord; in palaces, treason; and the bond
cracked ‘twixt son and father.’

‘Esses últimos eclipses do sol e da lua
anunciam nada bom. Embora a ciência da Natureza
possa explicá-los desta ou daquela maneira, ainda a Natureza
sente o chicote dos efeitos que se lhes seguem. O amor esfria, a amizade
desaparece, os irmãos se desavêm: nas cidades, tumultos;
nos campos discórdias; nos palácios traições; rompendo
os laços entre filhos e pais’.

(King Lear, 1.2)

Os eclipses do Sol eram vistos como presságios de um desastre que se aproximava e eram a fonte de alarmes extraordinários, ocasionando choro nas ruas e chamados à oração. Em 1605, mesmo ano da provável composição do Rei Lear, apareceu a tradução do Tratado dos Espectros de Pierre Le Loyer, dedicado ao Rei Jaime, que associava o medo de eclipses ao paganismo e que ecoava a posição de Gloucester de um homem que tinha ‘um certo terror e medo da força e do poder das estrelas‘.

No discurso do Rei Lear Gloucester é imediatamente seguido pela diatribe de Edmund contra a astrologia judicial:

‘This is the excellent foppery of the world, that
when we are sick in fortune, often the surfeits of our
own behaviour, we make guilty of our disasters the sun,
the moon and the stars, as if we were villains on
necessity, fools by heavenly compulsion, knaves, thieves
and treachers by spherical predominance; drunkards,
liars and adulterers by an enforced obedience of
planetary influence; and all that we are evil in by a
divine thrusting on.’

‘Essa é a maravilhosa tolice do mundo, que
quando as coisas não nos correm bem, muitas vezes pelos excessos
de nossa conduta, pomos a culpa de nossos desastres no sol,
na lua e nas estrelas, como se fôssemos vilões pela
necessidade, tolos por compulsão celestial, velhacos, ladrões
e traidores pelo predomínio das esferas, bêbados
mentirosos e adúlteros pela forçosa obediência às
influências planetárias, sendo toda nossa maldade
atribuída à influência divina.’

(King Lear, 1.2)

Edmund continua, afirmando que é conveniente para seu pai culpar sua lascívia pela influência de uma estrela, e que se segue que Edmund é rude e lascivo, tendo sido concebido sob a cauda do dragão e nascido sob a Ursa Maior, termos que não são realmente astrológicos. Com o uso deles, Edmund está afirmando que foi o caso ilícito entre sua mãe solteira e seu pai lascivo que o levou a ter o caráter que tem, não a influência dos planetas, e que ele ‘deveria ter sido eu que tive a mais virgem estrela no firmamento cintilando em minha bastardização‘.

Essa aparente oposição entre Edmund e seu pai reflete a controvérsia da Renascença sobre a validade da astrologia judicial e, sem dúvida, as crenças divididas do público. Ao criar personagens com pontos de vista opostos, Shakespeare explora o argumento entre o sobrenaturalismo astrológico e o auto determinismo; uma questão que envolveu seu patrono, o Rei Jaime, cuja Daemonologie revelou uma aversão às formas judiciais da astrologia.

Em contraste com o Rei Lear, Sonho de uma noite de verão se concentra mais no mito e no folclore que cerca os planetas, e menos no efeito dos planetas na vida dos personagens. No Ato 1, Cena 1, Teseu afirma a Hermia que ela pode se casar com o homem da escolha de seu pai ou se tornar uma freira ‘Cantando hinos tênues à lua fria e infrutífera‘. Aqui, a Lua é identificada com Diana, a deusa donzela da floresta que, como “donzela”, é identificada com espaços exclusivos para mulheres, como um convento, e com a castidade associada a uma freira. Uma outra referência a esta deusa associada com a Lua é feita por Lysander na revelação de seus planos para Helena:

‘Tomorrow night, when Phoebe doth behold
Her silver visage in the wat’ry glass,
Decking with liquid pearl the bladed grass –
A time that lovers’ flights doth still conceal –
Through Athens’ gates have we devised to steal.’

‘Amanhã à noite, quando Phoebe mirar
Sua argêntea face na água espelhada,
Pérolas em gotas, na relva ornada –
Na hora mais propícia aos amantes –
De Atenas estaremos distantes’.

(A Midsummer Night’s Dream, 1.1)

Shakespeare aqui se baseia no Hipólito de Sêneca; Phoebe é outro nome de Diana e é provável que essa deusa da floresta seja nomeada porque os amantes planejam se encontrar na floresta fora dos portões de Atenas.

No início do Ato 2, Cena 1, há uma referência à astronomia ptolomaica; quando questionada por Puck, uma fada responde:

‘I do wander everywhere,
Swifter than the moon’s sphere;
And I serve the Fairy Queen…’

‘Eu vou a todo lugar
Tal qual a esfera lunar;
E eu sirvo à Fada Rainha,…’

(A Midsummer Night’s Dream, 2.1)

O cosmos ptolomaico consistia em esferas transparentes que se moviam em velocidades diferentes ao redor da Terra, conforme ilustrado pelo esquema de Petrus Apianus, Cosmographia, em 1539. Cada planeta, incluindo a Lua, estava ligado a uma esfera separada; a Lua estava ligada à primeira esfera que está mais próxima da Terra e é a isso que a fada se refere. Que a Terra era o centro do universo era uma crença comum até Galileu provar em 1610 que os planetas não circundavam a Terra; e por não eram fixados em esferas não podiam se cruzar como no modelo ptolomaico do cosmos.

Uma das referências mais conhecidas ao folclore da Lua em Sonho de uma noite de verão é a discussão no Ato 3, Cena 1, entre os atores sobre como representar o luar na peça Píramo e Tisbe. Quince sugere que um deles deve entrar com um arbusto de espinhos e uma lanterna para representar a pessoa de Moonshine. Este curso de ação é realizado posteriormente na peça e Robin Starveling, Moonshine no Interlúdio, afirma:

‘All that I have to say is, to tell you that the lantern
is the moon; I the Man i’the’ Moon; this thorn-bush
my thorn-bush; and this dog my dog.’

‘Tudo que tenho a dizer é que esta lanterna
é a lua, eu sou o homem da lua, este arbusto
é o meu arbusto e este cão é o meu cão’.

(A Midsummer Night’s Dream, 5.1)

Como afirma Harrowven, acredita-se que a origem da lenda do homem na Lua esteja na BíbliaNúmeros 15:32-36, onde Moisés encontra um homem recolhendo gravetos no sábado e ordena que seja apedrejado até a morte, embora a punição de ser banido para a Lua não estar mencionada na Bíblia. Um escritor do século XII, Alexander Nechum, registrou um verso em latim explicando as sombras na Lua que, na tradução, afirma:

‘Rusticus in Luna,
Quem sarcina deprimit una
Monstrat per opinas
Nulli prodesse rapinas,’

‘Veja na rústica Lua,
Que com seu fardo pesa
Assim revelando a verdade
Nada se lucra do roubo’.

(Harrowven, 1977)

The Man in the Moon Curious Myths of the Middle Ages

Shakespeare se refere à lenda do homem na Lua novamente em sua última peça, A Tempestade; a primeira menção do mito feita por Antonio:

‘She that is Queen of Tunis; she that dwells
Ten leagues beyond man’s life; she that from Naples
Can have no note unless the sun were post –
The man i’ th’ moon’s too slow…’

‘Aquela que é Rainha de Túnis, que está a mais de dez léguas
Do que um homem viaja numa vida. Aquela que de Nápoles
Não receberá notícia – a menos que o sol seja o mensageiro,
Pois a lua seria lenta demais…’

(The Tempest, 2.1)

Aqui, Antonio está afirmando que a Lua leva mais tempo para circundar a Terra em contraste com o Sol, refletindo a crença no cosmos da astronomia ptolomaica e usando o folclore como uma referência à Lua.

Isso está em contraste com as reivindicações de Stephano a Caliban no Ato 2, Cena 2:

Caliban – Hast thou not dropped from heaven?
Stephano – Out o’ th’ moon, I do assure thee. I was the
man i’ th’ moon when time was.
Caliban – I have seen thee in her, and I do adore thee!
My mistress showed me thee, and thy dog and thy bush’.

Caliban – Você não caiu do céu?
Stephano – Da lua, posso lhe assegurar. Eu era
o homem da lua tempos atrás.
Caliban – Eu o vi por lá e lhe tenho adoração.
Minha ama me mostrou onde você estava, seu cão e seu feixe de lenha’.

(The Tempest, 2.2)

Stephano afirma ter sido o homem da Lua; uma referência direta por Shakespeare ao folclore em torno da Lua, sem dúvida em uma tentativa de fazer Caliban acreditar que ele é alguém de alguma importância. O fato do mito do homem na Lua ser referido por personagens de diferentes posições sociais implica um conhecimento comum da história; conhecimento que, sem dúvida, pertencia ao público da época.

Shakespeare se refere à astrologia natural na afirmação de Caliban sobre a ilha:

‘…This island’s mine by Sycorax, my mother,
Which thou tak’st from me. When thou camst first
Thou strok’st me and made much of me; wouldst give me
Water with berries in’t, and teach me how
To name the bigger light and how the less
That burnt by day and night.’

‘…A ilha é minha, herdei-a de minha mãe Sycorax,
E você a tirou de mim. Quando chegou
Era todo afagos e lisonjas, me trazia
Água com framboesas e me ensinou
A nomear a luz maior e a menor,
Que queimam de dia e de noite;…’

(The Tempest, 1.2)

Esta astrologia natural elementar, identificando o Sol e a Lua como luzes maiores e menores, respectivamente, é extraída de Gênesis 1:16, onde se afirma que Deus criou a luz menor da Lua e a luz maior do Sol.

O cosmos ptolomaico é referido novamente por Gonzalo, falando a Sebastian e Antonio, no Ato 2, Cena 1:

‘You are gentlemen of brave mettle. You would
Lift the moon out of her sphere, if she would continue
in it five weeks without changing’.

‘Já vocês são feitos de metal afiado: poderiam
remover a lua de sua esfera se ela permanecer
mais de cinco semanas sem se alterar’.

(THE TEMPEST, 2.1)

O público da época ‘saberia’ que a Lua estaria fixada em sua esfera, e entenderia que Gonzalo estava, portanto, dizendo que Sebastian e Antonio falavam bobagens; levantar a Lua de sua esfera é uma impossibilidade e, portanto, nenhuma ação deve ser esperada dos dois homens, apesar do que eles possam dizer.

Astrologia

δ

Yates diz que é impossível ler A Tempestade e olhar para o personagem de Próspero sem referência a John Dee, o grande mago (aquele que tem a habilidade de “ler as estrelas”) que era da confiança da Rainha Elizabeth I. Dee havia feito o horóscopo da Rainha Maria quando ela sucedeu a seu irmão em 1553, e mais tarde lançou o horóscopo para Elizabeth após ser chamada para decidir o dia mais auspicioso para sua coroação. A Rainha Elizabeth I e John Dee são creditados com a popularização da astrologia judicial durante seu reinado. É reconhecido que Shakespeare modelou Próspero em John Dee e que A Tempestade é uma defesa consciente de Dee e sua reputação, que havia caído em desgraça na Corte; uma indicação da controvérsia ativa sobre as ciências ocultas e os praticantes da época.

Que Próspero, como Dee, está envolvido com a astrologia judicial é claro nas seguintes linhas:

‘…and by my prescience
I find my zenith doth depend upon
A most auspicious star, whose influence
If I now court not, but omit, my fortunes
Will ever after droop’.

‘…e pela minha presciência
Descobri que o meu zênite relaciona-se com
Uma estrela auspiciosa e se essa influência
Não cortejar, mas omitir, minha sorte
Descairá’.

(The Tempest, 1.2)

O discurso de Próspero revela sua confiança na astrologia; seu conhecimento dos eventos antes que eles aconteçam e sua consciência de que seu ponto mais alto depende de seu reconhecimento do poder das estrelas ou sua sorte irá falhar.

Shakespeare se refere à astrologia ao deixar claro o quão diferente a alta magia de Próspero é comparada à baixa feitiçaria e feitiçaria de Sycorax:

‘…His mother was a witch, and one so strong
That could control the moon, make flows and ebbs,
And deal in her command without her power’.

‘…Teve por mãe uma bruxa tão poderosa
Que comandava o fluxo das marés e a própria lua,
Sobrepujando o seu poder’.

(The Tempest, 5.1)

Próspero afirma que Sycorax poderia controlar a Lua e, ao fazer isso, controlar as marés; uma referência à astrologia natural que reconhecia a influência da Lua nas marés, mas no contexto do abuso desse conhecimento pelo uso de bruxaria para manipular a natureza.

No entanto, Próspero reconhece que também usou seus poderes mágicos para influenciar a natureza quando, traçando um círculo e recitando seus poderes mágicos com o objetivo de renunciá-los, ele afirma

‘…I have bedimmed
The noontide sun…’

‘…Eu obscureci
O sol do meio-dia…’

(The Tempest, 5.1)

Ele está afirmando que causou eclipses do Sol e, como já foi observado neste ensaio, os eclipses eram vistos como presságios de desastre; Próspero talvez esteja reconhecendo que nem sempre usou seus poderes de maneira nobre. O público da época teria, portanto, visto a renúncia de Próspero de seus poderes como um ato nobre; Shakespeare novamente tentando mostrar o mago como um personagem bom em oposição ao malvado Sycorax.

δ

Conclusão

Através desta exploração de “Shakespeare e as esferas“, esperamos ter mostrado que o conhecimento de Shakespeare estava de acordo com as doutrinas astrológicas e astronômicas da época, bem como com o mito e folclore em torno da Lua. Como Shakespeare estava escrevendo para o público do teatro comercial de sua época, é claro que o uso desse entendimento demonstra o conhecimento comum tido pelo público. O trabalho de Shakespeare reflete o pensamento da época; da aceitação da astrologia judicial na corte da Rainha Elizabeth à renúncia dela na corte do Rei Jaime I. O fato de o público estar familiarizado com o assunto se reflete nos almanaques e prognósticos da época e nos debates do Rei Lear em particular em torno da validade da astrologia estão numa visão dos argumentos da época. Uma análise do tema “Shakespeare e as esferas“, apenas nessas três peças, dá uma indicação clara de como a obra de Shakespeare refletia os argumentos e pensamentos sociais, históricos e culturais de sua época. Os leitores serão capazes de pensar em muitos outros exemplos nas obras de Shakespeare.

Apresentar aos jovens esse lado do pensamento e da obra de Shakespeare não é apenas interessante para eles, uma vez que se conecta com outras áreas de interesse mais moderno para eles, também começa a dar-lhes uma visão sobre o pensamento da época. Para nós, os pensamentos, crenças e debates que envolveram a sociedade durante este período da história valem a pena ser do conhecimento dos jovens se desejam realmente começar a compreender Shakespeare.

δ

References
radley, A.C., (1904), Shakespearean Tragedy: Lectures on Hamlet, Othello, King Lear, Macbeth, London, Penguin Books, 1991.
Camden, C., (1933), Astrology in Shakespeare’s Day, Isis, Vol.19, No.1 (Apr., 1933), pp.2673, The University of Chicago Press on behalf of The History of Science Society.
Elton, W.R., (1966), King Lear and The Gods, Kentucky, The University Press of Kentucky, 1988.
Gallagher, A., (2005), The Wicca Bible: The definitive guide to magic and the Craft, London, Octopus Publishing Group, 2009.
Harrowven, J, (1977), The Origins of Rhymes, Songs and Sayings, London, Kate & Ward Ltd, 1977.
Hussey, M, (1971), The World of Shakespeare & His Contemporaries, London, Heinemann Educational Books Ltd, 1972.
Shakespeare, W, A Midsummer Night’s Dream, ed. H.F. Brooks, (1979), The Arden Shakespeare Second Series, London, Methuen Drama, 2007.
Shakespeare, W, King Lear, ed. R.A. Foakes, (1997), The Arden Shakespeare Third Series, London, Methuen Drama, 1997.
Shakespeare, W, The Tempest, eds. V. Mason Vaughan & A.T. Vaughan, (1999), The Arden Shakespeare Third Series, London, Methuen Drama, 1999.
Smith, W.D., (1958), The Elizabethan Rejection of Judicial Astrology and Shakespeare’s Practice, Shakespeare Quarterly, Vol.9, No.2 (Spring, 1958), pp.159-176, Folger Shakespeare. Library in association with George Washington University.
Sondheim, M., (1939), Shakespeare and the Astrology of His Time, Journal of the Warburg Institute, Vol.2, No.3 (Jan., 1939), pp.243-259, The Warburg Institute.
Thistleton Dyer, Rev.T.F., (1883), Folk-Lore of Shakespeare, New York, Dover Publications Inc., 1966.
Yates, F.A., (1975), Shakespeare’s Last Plays: A New Approach, London, Routledge & Kegan Paul Ltd, 1975.

Ω