Astrologia e Esoterismo

Astrologia Esotérica e as Casas da Carta Natal

Sociedade das Ciências Antigas

“Podemos definir a Astrologia Esotérica como o lado da ciência que enxerga todo o fenômeno estelar do ponto de vista da unidade; A Astrologia Exotérica, por sua vez, inicia seu estudo do ponto de vista da diversidade e separatividade. O Astrólogo Esotérico olha para toda a expressão da vida como sendo procedente de uma única fonte central e primal e, portanto, busca compreender o assunto do ponto de vista do uno fluindo ao múltiplo”.

Alan Leo
Astrologia Esotérica

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Em artigos anteriores apresentamos informações sobre o alfabeto da astrologia esotérica: a natureza e estrutura da alma e a personalidade, os sete raios e os regentes planetários esotéricos dos doze signos do zodíaco. Continuamos agora com uma visão das casas desde a perspectiva dos ensinamentos da Sabedoria Antiga. Isto requer certas explicações sobre a terminologia esotérica usada e sobre a perspectiva necessária a ser tomada. Olhando mais profundamente os vários níveis e atividades da consciência disponível à uma vontade individual centrada na alma será então possível.

Descobriremos rapidamente que o escopo tanto da expressão da nossa vida, como dos potenciais criativos são enormemente expandidos quando a perspectiva centrada na alma é adicionada ao nosso entendimento do tema natal. As possibilidades, talentos e circunstâncias não são apenas diferentes daquelas que encontramos em nossa vida diária comum, mas, o mais importante: contribui enormemente para o nosso senso vivo do centro divino dentro de nós.

Tudo na vida é energia, energia em manifestação e energia em forma. Os planetas indicam “O Que” do tema: que tipo de energia está atuando, e em termos de tema esotérico, qual a natureza do Raio que está operando através daquele planeta? Os signos indicam “Como” das coisas: como o campo daquela energia e raio modificam a expressão do planeta?

As casas dizem “Onde”: em que área da personalidade ou da vida da alma esta combinação de raio, casa e planeta está se expressando.

Na astrologia centrada na alma, temos ainda um outro fator de quarta dimensão: o “Nível”: qual o nível de consciência da expressão deste aspecto particular da força de vida de uma pessoa? A resposta desta faceta particular da astrologia esotérica seja, talvez, a mais desafiadora de se determinar e não é fácil lidar com ela informal e intelectualmente.

A determinação do nível deve ser apurada através da intuição do astrólogo, o que leva tempo. De fato, sem intuição, não pode haver senso apurado de um nível de consciência. O desenvolvimento deste dom intuitivo é uma recompensa que o estudante recebe dos Ensinamentos da Sabedoria Antiga, mas requer paciência, consistência e dedicação.

Vamos estruturar a mente inferior, a fim de que o estudante tenha um firme fundamento para o desenvolvimento continuado de sua natureza intuitiva.

É através dos campos de atividade indicados pelas casas do tema natal que a vida força o encontro do Eu inferior e Superior, misturados, e algumas vezes, conflitantes na presente encarnação. Estou partindo do pressuposto que o leitor já esteja familiarizado com os termos da Astrologia Tradicional, e já conheça a natureza dos conteúdos das casas do ponto de vista exotérico, humanístico e psicológico. Isto tornará tudo mais fácil e fascinante.

Os significados das casas são áreas fluídicas na astrologia centrada na alma. O significado tradicional das casas permanece o mesmo. É por isso que a maioria de nós passa grande parte do tempo lidando com a natureza da vida comum: família, trabalho, natureza emocional, aspirações criativas, saúde, etc.

Os fatores centrados na alma adicionais são gradualmente integrados na vida das pessoas, na medida em que os encontramos pelo caminho espiritual. Aqueles que não se encontram num caminho, que não estão preocupados ou não estão conscientes da vida da Alma, nunca terão que lidar com fatores adicionais presente nestas páginas. Isso será um alívio para alguns e uma perda de oportunidade para outros. Talvez a abordagem mais fácil dos aspectos esotéricos das 12 casas seja a comparação.

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Primeira Casa – Personalidade – Eu – Caráter

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O ego (personalidade, eu inferior) está fortemente conectado à sua aparência e à natureza dos seus efeitos em relação à aceitação, o meio imediato (fica mais óbvio quando Áries, Leão ou Sagitário estão no ascendente).

A alma não é o corpo, o corpo é uma extensão da alma. Quando a consciência está alinhada, o indivíduo se relaciona com o meio de dentro para fora e não mais se vê como vítima (ou predador) do meio. As qualidades do tipo de raio da alma e personalidade se misturam e isso, mais do que as roupas que se usa, ou a beleza de um corpo, torna-se a natureza do efeito que a pessoa tem no mundo das aparências. Os centros da cabeça irradiam consciência e o meio fica iluminado por este tipo de amor especial (expressão do raio).

Segunda Casa – Lucro – Independência Material

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O dinheiro e os nossos recursos financeiros são os veículos de troca na expressão do nosso senso de autovalor (e a maneira como geralmente somos avaliados) no Ocidente e especialmente na cultura americana. Prāna (em sânscrito: प्राण, sopro de vida) é a vitalidade da força da vida contida no Sol. É a fonte de toda forma e de toda riqueza. A personalidade tende a se identificar com a forma; a Alma, com o Prana.¹ Quanto mais o nosso senso de autovalor depender da forma, mais tememos sua perda e mais temos a perder. Centrar na alma aumenta a habilidade de juntar dinheiro ou qualquer forma de substância material para a matéria, pois assim nos identificamos muito mais com a energia sem limites do Sol. É então que a forma perde controle da consciência e nossa consciência ganha controle sobre a forma. O resultado é liberdade e grandes possibilidades de abundância em todos os níveis.

1 Prana é um conceito central na Ayurveda e Yoga, onde acredita-se fluir através de uma rede de finos canais sutis chamados nadis. Prana foi exposta no Upanishads, onde é parte do reino mundano, físico, sustentando o corpo e a mãe de pensamento e, portanto, também da mente. Prana permeia todas as formas de vida, mas não é em si o Atman alma ou individual.

Terceira Casa – Os irmãos – A Inteligência Concreta

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A personalidade é frequentemente o servo da mente inferior. Obedece a seus pensamentos e não tem ideia de que cria estes pensamentos. Tais pensamentos e ideias são frequentemente programas mentais herdados da família e sociedade em que a pessoa está inserida. Não são individualizados, meramente repetidos por nós de nossa forma particular, dependendo de nosso estado psicológico e nível de inteligência.

Pela perspectiva da alma, a terceira casa é a matéria mental a partir da qual podemos criar os pensamentos que usamos para comunicar nossa intenção criativa e propósito de nossa alma. Nossas viagens são interpretadas pela personalidade como experiências que preenchem ou inibem a realização de desejos pessoais. No nível da alma, cada experiência é uma lição do uso correto da energia. Na medida em que a alma aumenta seu controle sobre a mente, nossas pequenas viagens tornam-se mais significativas, pois vemos um lógico caminho para a luz se desdobrar à nossa frente. Ao longo do caminho, encontramos nossos irmãos de alma que nos escutam e nos ajudam, assim como os escutamos e os ajudamos.

Quarta Casa – O Patrimônio – O Pai

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A personalidade é totalmente formada pelas influências dos sete primeiros anos de vida. Estes fatores (principalmente a relação com a mãe) condicionam os fatores comportamentais da vida em larga escala. Junto a isso está a herança, dinâmica biológica encontrada em nossos genes e cromossomos. Na medida em que, consciente ou inconscientemente, nos identificamos com esses fatores, como a soma total de nosso ser, nunca estaremos livres para individualizar a nossa natureza enquanto co-criadores conscientes.

Em termos de alma, a quarta casa conecta o indivíduo ao Princípio Materno da vida. Somos então ligados por um “cordão umbilical da consciência” à família do Homem. Não vemos separação entre raças, não mantemos preconceitos tribais, não tememos nenhum tipo de falta de nutrição pessoal, não temos senso de rejeição. Abordamos a Mãe, Anima mundi (ψυχή τοῦ παντός) (A Alma do Mundo). Ela é a casa do Mestre. Uma vez que nos sintamos seguros e salvos, ancorados na fundação do Amor da Mãe, podemos prosseguir em nosso caminho de auto atualização e individualização.

Quinta Casa – Os Filhos – As Produções

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A vontade da personalidade está mais preocupada com a proteção e expressão do que está mais perto de nós: nossos filhos (que frequentemente vemos como extensão de nós mesmos), nossas emoções (em termos de preencher uma necessidade romântica) e nossos talentos. Interpretamos o amor segundo estes apegos. A alma vê a criatividade como uma expressão da vontade de servir. A alma experiência o amor como pais para todas as crianças do mundo. A alma se engaja em atividades nas quais trabalha para refinar o aspecto da vontade de nosso ser como uma extensão do propósito da alma.

Sexta Casa – A Saúde – Classe de Trabalho

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Do ponto de vista esotérico, a casa seis nos traz para aquelas experiências que ajudam a criar o sentido de totalidade tanto para si próprio, como para o mundo ao redor. É a alma que cria aquelas organizações que ajudam e protegem o meio ambiente, seus minerais, plantas e animais. É a alma que busca adquirir técnicas, processos e habilidades em prol da unificação do ser inferior e o ser superior. O trabalho que deixamos de fazer como “meu trabalho” para se tornar a “minha parte” no Trabalho que tem servido à humanidade como seu objetivo, reduzindo o senso de separação (e a violência que gera) das atividades para si próprio. Estamos então numa posição de servir o Eu superior.

Sétima Casa – Associações – O Matrimônio

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O habitante do umbral consiste de toda ilusão, glamour e Maya que cria a guerra dentro de nós. Na psicologia é a “sombra”, o “não-eu” e o “outro” (normalmente o reflexo de nós mesmos que vemos no parceiro). O desejo idealizado de Libra e da casa sete do tema comum é encontrar a alma gêmea. Isso é muito frequente, o companheiro da personalidade como objetivo de nos preenchermos através do relacionamento.

Da perspectiva da alma, é a união do eu inferior ao eu superior que cria o verdadeiro casamento. O que percebemos como nosso “inimigo” é meramente um aspecto da nossa própria natureza ainda não redimida pelo amor e consentida como sendo parte integrante de nós mesmos. No trabalho espiritual, a alma gêmea é uma realidade, mais facilmente encontrada em conexão com nosso grupo de co-trabalhadores e muito mais uma expressão impessoal do Amor, do que pessoal. O signo da cúspide da casa sete revela muito da nossa sombra como da nossa alma gêmea.

Oitava Casa – Os Legados – A Morte

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O Caminho do Discípulo é o caminho da transformação e regeneração. Requer a reorientação dos desejos pessoais para a realização dos “desejos” da alma. A alma deseja consciência e requer uma crescente qualidade de inclusão no amor. Desta forma, emoção, paixão e sexualidade a nível pessoal devem ser transmutadas em intuição, compaixão e união. Não é tarefa fácil! É sempre através de Escorpião e da casa oito que os mais importantes e complexos testes e provações da personalidade ocorrem.

Uma das recompensas para todo este intenso esforço é a percepção de que a morte não existe. A vida é imortal e imortalidade é percebida pelo indivíduo centrado na alma como amor incondicional. Outro grande dom alcançado ao trilhar o caminho é a libertação dos desejos pessoais e do apego à forma. Assim, a vida levada sem as pressões das necessidades emocionais (cumpridas ou não cumpridas) e as inseguranças provenientes do medo da perda. A casa oito no tema natal centrado na alma revela a maneira de como o indivíduo confronta estes testes transformacionais.

Nona Casa – Espiritualidade – Inteligência Abstrata

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A personalidade tende a acreditar que apenas a sua religião e a sua vida filosófica contém a verdade. As guerras religiosas são sempre lutadas no nível da personalidade, frequentemente conduzidas por fanáticos esbravejantes e que matam os outros em nome do seu deus. A alma não possui divisões espirituais ou filosóficas. O indivíduo centrado na alma vê o mundo unido pela Lei Cósmica.

Discípulos com uma forte casa nove geralmente estão envolvidos no estabelecimento de métodos de educação que abordam a síntese de todos os sistemas de crença. Em termos de viagens, o Caminho é a viagem mais longa que podemos fazer, uma vez que ele nos leva a todo lugar e nunca acaba.

Décima Casa – Honras – A Mãe

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A personalidade busca estabelecer-se no mundo através de suas atribuições profissionais. Ela encontra neste caminho status e posição, propósito e direção na vida. Nossa vida (extra) ordinária requer que adquiramos certo grau de responsabilidade social: pagar taxas, educar os filhos, obedecer às leis.

Somos recompensados quando fazemos pela segurança e aprovação social e somos punidos se não o fizermos, por conta do ostracismo social ou perda de estima. A pessoa centrada na alma busca estabelecer um “campo de serviço” como objetivo de carreira. Neste caminho, pode-se atender as necessidades da Alta Autoridade e ao mesmo tempo servir aos outros. Status é medido pelo nível de consciência (amor) alcançado e culmina com a iniciação espiritual.

Décima Primeira Casa – As Preferencias – Os Amigos

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Os desejos e esperanças da personalidade são geralmente gerados para o cumprimento dos desejos pessoais. São condicionados através de um senso de identificação com uma sociedade em particular e seus ideais e valores coletivos. O indivíduo é atraído por amigos com os quais compartilha estes objetivos e com os quais possui raiz social comum. O indivíduo centrado na alma é aquele que naturalmente é atraído às energias expressadas pela alma de outras pessoas.

Aparências físicas, aflições sociais, classe econômica pouco ou nada significam. Buscam uma orientação de serviço comum. A necessidade de amizade é condicionada pela necessidade de expressar sua parte individual no Plano do Caminho. Aspirações e visões levam a uma maior inclusão e vários métodos de compartilhar doutrinas e valores universais da vida que se aplicam à todas as sociedades, em toda parte. A casa onze no mapa centrado na alma fala então da natureza das companhias ao longo do Caminho.

Décima Segunda Casa – Isolamento – Os Inimigos Ocultos

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A casa doze é uma parte fascinante da carta natal. Ela contém uma dualidade muito especial e maior poder sobre nossas vidas do que se pode imaginar. É através das condições da casa doze que a personalidade permanece presa ao passado. É a casa do carma não redimido, situações energéticas que criam padrões de atividades que não favorecem o avanço na vida.

São estes padrões ou bloqueios que se manifestam como “inimigos ocultos”. Tanto para a personalidade como para a alma, a casa doze é rica em recursos, desde que se saiba como destravá-los. A “chave” para esta parte do horóscopo, como tudo mais na vida, é conscientização (amor). Uma vez que a porta da casa doze seja aberta pela alma, o indivíduo torna-se consciente do carma de vidas passadas, assim como o caminho de serviço necessário tanto para o auto perdão, como para a auto realização.

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