Traduções

As Chaves Zodiacais do Homem e do Universo

O Zodíaco, Chave do Homem e do Universo

Omraam Mikhaël Aïvanhov

Tradução:
César Augusto – Astrólogo

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A Formação do Homem e do Zodíaco

A formação do homem ocorreu em paralelo a do universo. Na origem, o ser humano consistia em uma simples esfera fluídica. Não tinha nem pulmões, nem estômago, nem membros, mas apenas uma cabeça que se mexia como uma água-viva em um mar de fogo. Quando uma parte deste fogo se condensou para produzir o ar, formaram-se os pulmões. Mais tarde, uma parte do ar se condensou para produzir a água, formando o estômago, o ventre e os intestinos. Finalmente, uma parte da água se condensou para produzir a terra e formaram-se os braços e pernas.

Mas esses quatro elementos que constituem a substância do homem e do universo, não eram os elementos materiais que conhecemos; eram de natureza etérica, sutil; e o homem hoje formado não existia no plano físico. O homem não começou a materializar -se até que seus pés se formaram e foram precisamente os pés que primeiro se materializaram; então as pernas, as coxas, os órgãos genitais, o plexo solar, o estômago e assim por diante até a cabeça. A cabeça foi o último a se materializar, embora a primeira formar-se; e os pés, os últimos em formarem-se, foram os primeiros a se materializarem. Estas duas correntes a involutiva (aparência dos órgãos na ordem: cabeça, pulmões, etc.) e a evolutiva (sua materialização em ordem inversa), estão no zodíaco.

Quando enumeramos os signos do zodíaco no sentido: áries, touro, gêmeos, câncer, etc. Segue-se o movimento involutivo Assim foi formado o homem, começando com a cabeça. E áries é precisamente a cabeça, uma vez que já vimos que cada signo do zodíaco corresponde a uma parte do corpo humano. Do modo que o ponto vernal (precessão dos equinócios) move-se no zodíaco na ordem inversa: peixes, aquário, capricórnio, sagitário, escorpião, etc. corresponde ao movimento evolutivo; seguindo a ordem na qual os corpos materializam-se. Considerando-se o movimento dos planetas em relação ao zodíaco, situa-se a mesma oposição. As constelações do zodíaco ascendem no céu, seguindo a ordem: áries, touro, gêmeos, enquanto os planetas giram no sentido oposto.

Também pode ser estudada a oposição entre os planetas e o zodíaco sob outro ponto de vista.

El Lenguage de las Figuras Geométricas

O zodíaco representa o lado estável, imutável. Ao contrário, os planetas estão sempre em movimento, o zodíaco mantem uma ordem, uma regularidade. Nunca foi visto áries ao lado de libra ou peixes entre leão e virgem. As constelações do zodíaco mantêm a mesma ordem desde toda a ‘eternidade’ enquanto os planetas nunca ficam no mesmo lugar ou na mesma ordem em relação uns aos outros. Este último movimento representa o aspecto psicológico, que varia continuamente, ao contrário do corpo físico, sempre diante da mesma disposição.

Nem a cabeça, nem o estômago nem os pés mudam de lugar. Os membros, os órgãos, preservam, como os signos do zodíaco, um lugar fixo desde a criação do mundo, enquanto tudo no interior do corpo é movimento: movimento de sangue, de humores e das correntes nervosas que fluem através do corpo. Exatamente como os planetas, que estão sempre em movimento.

Por outro lado, sabemos que os planetas recebem uma grande potência ou, inversamente, são enfraquecidas, de acordo com os signos em que passam e que, por sua vez, influência estes signos. Quando Marte entra em áries se fortalece, se volve poderoso, porque áries dá toda a sua energia. Marte e áries são simpatia mútua, se entendem com a força um do outro. Mas quando Marte entra outros signos, tais como câncer ou libra, por exemplo, se enfraquece porque estes signos são ‘estranhos’ para ele. Da mesma forma, aquilo que os planetas nos transmitem, ou seja, os impulsos, as tendências, os sentimentos, que são mais ou menos exaltados ou se enfraqueceram em certos órgãos os quais seus centros planetários atuam. Se situamos nosso amor na cabeça, não funcionará da mesma forma como se você colocá-lo no coração. E se você colocar a sabedoria em outra parte que não seja o cérebro? Somente onde os corpos e as forças se compreendem pode ocorrer uma troca de energia significativa. Aqui estão alguns pontos que devem ser aprofundados. Assim como em certos signos os planetas se encontram exaltados ou no exílio, da mesma maneira nossas faculdades intelectuais, afetivas e psíquicas são reforçados ou enfraquecidos, dependendo dos órgãos através do qual pretendem se exteriorizar.

Não é suficiente apenas estudar o zodíaco em sentido abstrato ou teórico, mas é necessário aprender a encontrá-lo e interpretá-lo em todas as suas manifestações da existência. A astrologia torna-se verdadeiramente viva quando torna-se viva e útil para nós. O zodíaco é um livro de extraordinária riqueza e profundidade; todos os mistérios da vida estão contidos nele. As múltiplas combinações que continuamente que se formam entre os signos e os planetas são fios que estão se tecendo. São combinações que, dia após dia, formam o tecido da vida.

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A Pedra Filosofal: o Sol, a Lua e Mercúrio

Os alquimistas ensinam em seus tratados que para obter a pedra filosofal simbolizada por Mercúrio, o adepto deve começar seu trabalho no momento quando o Sol entra no signo de áries e a Lua no signo de touro, já que o Sol é exaltado em áries e a Lua é exaltada em touro. O signo seguinte, gêmeos, é  o domicílio de Mercúrio. Assim, estes três signos, áries (Sol), touro (Lua) e gêmeos (Mercúrio), se sucedem para demonstrar que a união do sol e da Lua dá o fruto de um filho: Mercúrio. O símbolo de Mercúrio é formado por um disco solar e uma Lua Nova, unidos pelo símbolo + que representa a Terra, e também a soma na aritmética. Para os alquimistas, este símbolo é a representação dos quatro elementos: dois elementos masculinos e dois elementos femininos. A Lua representa a água, o Sol é o fogo + a Terra, e Mercúrio é o ar.

O Sol e a Lua dão, pois, ao nascimento do filho, Mercúrio, a pedra filosofal. Mas a pedra filosofal que alquimistas procuram, na realidade, é um símbolo da transformação do homem. Quando os alquimistas dizem que trabalhar com o Sol e a Lua, subentendem os dois princípios masculinos e femininos, a vontade e a imaginação, e por meio deste trabalho, conseguem transmutar sua própria materia e tornar-se, simbolicamente, como o Sol e a Lua ou seja, brilhante (Sol) e puro (Lua). E não é uma causalidade que áries seja o domicílio de Marte e touro o domicílio de Vênus, porque tem que se trabalhar com o Sol e a Lua para sublimar a força sexual (Vênus) e a força dinâmica e ativa de vontade (Marte); desta forma, o alquimista obtém todos os poderes espirituais simbolizados por Mercúrio, o agente mágico.

Na ordem dos Templários, o agente mágico é representado por “Bafomet”, uma figura com aparência monstruosa, que levou a alguns acreditam que os Templários rendiam culto ao diabo. Outros chamam este agente mágico de «Azot», palavra formada com a primeira letra de três alfabetos: latino (A), grego (alfa) e hebraico (Aleph) e com a última letra do três alfabetos: Z (latim), O (grego), T (hebraico). Esta palavra significava que o agente mágico era o alfa e o ômega, o princípio e o fim.

Para obter esse agente mágico, os alquimistas se esforçavam muito e, frequentemente, sem sucesso, já que não sabiam que este trabalho com o Sol e a Lua não deve realizar-se apenas no nível físico, mas também no nível espiritual junto com os dois princípios da vontade e da imaginação, trabalho que também se simboliza com a expressão: “pegar o touro pelos cornos”. Pegar o touro pelos chifres significa para o discípulo começar um trabalho interno, a fim de dominar seus instintos.

Infelizmente, em nossos tempos nós humanos não pegamos o touro pelos chifres, mas damos a liberdade para pisotear sobre tudo. Especialmente entre os jovens, não podemos imaginar tudo que o touro é capaz de destruir!

Peguar o touro pelos chifres representa o trabalho da vontade sobre a imaginação; a imaginação está sempre ligada a sensualidade. Todos que têm uma imaginação transbordante tendem a ser prazerosos e sensuais; a Lua e Vênus vão sempre juntos.

Mas se, com a sua luz, o Sol intervir para conduzir corretamente esta força, a Lua se torna muito útil, porque ele tem o poder de concretizar as coisas. Falei sobre períodos diferentes do que há passado na Terra: o período de Saturno, o período do Sol, o período da Lua e expliquei que o período do Sol foi um período de dilatação, de expansão, enquanto que no período da Lua, por outro lado, ocorreu um processo de coagulação da concretização. Porque o Sol e a Lua também são os símbolos dos dois processos alquímicos «solve» e «coagula»: dissolver e coagular.

Assim, no símbolo de Mercúrio, o Sol é representado por um círculo e a Lua por um semicírculo, como se fosse uma costela do sol, que explica por que é dito no Gênesis que Deus formou Eva da costela de Adão. Os iniciados, para mostrar que esta combinação, esta fusão inteligente dos dois princípios, produziram Mercúrio, representam a Mercúrio com o Sol coroado pela Lua, unidos com o símbolo que é também, como vimos, o símbolo da Terra. Por si só, este símbolo de Mercúrio, dá testemunho da ciência profunda de iniciados. Uma de suas muitas variantes é o Caduceu de Hermes, formado por uma vara rodeada por duas serpentes, que permanece na forma da Vara de Asclépio como o símbolo dos médicos e farmacêuticos.

Hoje, este símbolo do caduceu aparece sob forma de laser nas descobertas científicas. O que é esse laser? Na sua forma mais simples, é um cristal de rubi sintético em forma cilíndrica, cujos membros têm: em uma delas a superfície reflexiva; e na outra, uma superfície semi-reflexiva. Este cristal é rodeado por um tubo de um flash verde que excita os átomos de cromo contidos no rubi (é o que se chama de bomba óptica). Quando a intensidade do bombeamento do flash é suficiente, há emissão de um feixe de luz extremamente intenso pela superfície semi-reflectante.

Este feixe de luz que aparece não é outra coisa além de mercúrio produzido pelo trabalho destes dois princípios. Mas a questão agora é encontrar esse laser em nós mesmos, isso seria o verdadeiramente prodigioso!

Na verdade, desde a antiguidade distante, iniciados realizam em sua vida psíquica e espiritual as descobertas que atualmente se faz na ciência oficial. Os cientistas não são mais que trabalhadores que devem aplicar, no plano físico, as leis que existem no plano espiritual. Tudo deve ser realizado um dia na matéria; por isso os inventores são, com frequância, velhos iniciados, alquimistas, magos, cabalistas, que voltaram para executar no plano material tudo o que já conheceram e realizaram no plano espiritual.

Se esses fenômenos não existissem no plano espiritual, não haverá nenhum meio de descobri-los no plano físico. Porque tudo que esta abaixo, é como o que está acima; assim tudo o que está acima, no plano espiritual, deve ser concretizado abaixo, no plano material.

Ao criar o símbolo de Mercúrio, os iniciados queriam ensinar aos humanos o trabalho sobre a energia sexual através da vontade e da imaginação para obter poderes mágicos, pois a verdadeira «força forte de todas as forças”, de que fala Hermes Trismegisto, é amor. Só o amor dá vida, não há nada acima da vida, ele é a origem de tudo. Deus nos deu este poder do amor para que aprendamos a sublimar a vida, vida intensa a fim de obter poderes mágicos, a onipotência. O símbolo de Mercúrio é feito do Sol, da Lua e da Terra, mas se é excluído o símbolo da Lua, se obtêm o símbolo de Vênus, o amor. Todos estes aspectos contidos no símbolo de Mercúrio, encontramos nas funções do divino Hermes, cuja varinha mágica, o caduceu é o símbolo dos poderes que ele tem em todos os níveis.

No símbolo de Mercúrio, a Lua, que representa a imaginação, é como um recipiente com água; com efeito, a Lua, o princípio feminino, está relacionada com a água. Abaixo está o Sol, o fogo, que ativa a imaginação em uma determinada direção. E mais abaixo, a Terra, símbolo da realização no plano material.

Quem chega a compreender plenamente este símbolo torna-se todo-poderoso e, se dadas as condições necessárias, é capaz de comover o mundo inteiro, porque ele entendeu o trabalho essencial da vontade sobre a imaginação. Da mesma forma que as mulheres têm a capacidade de condensar a vida em seu ventre, a Lua possuí o poder de concretizar, de materializar as coisas, de transformá-las em Terra, ou seja, realizar no plano físico.

O discípulo deve decidir em domar o touro, ou seja, dominar essa força selvagem, brutal, violenta da sensualidade a fim de extrair forças dela. Abater o touro não significa matá-lo, se se o matamos, já não poderemos mais usar as suas forças. Temos que pegar o touro pelos chifres, ou seja, passar a dominar a Lua, a imaginação, que é indissociável da sensualidade, exceto, precisamente, para aqueles que pegaram o touro pelos chifres, como todos os verdadeiros criadores: sábios, filósofos, artistas, iniciados, que dão outra direção para a sua imaginação. Todos aqueles que não conseguem pegar o touro pelos cornos, deixam sua imaginação correr solta em todos os lugares e esta, então, se prostitui. Devemos procurar dar imaginação um trabalho específico que poderá sempre produzir as melhores, as mais brilhantes e nobres criações. Um discípulo não deve permitir que a sua «mulher», sua imaginação ande se deitando com qualquer um, para trazer ao mundo, gárgulas e monstros; deve-se manter sua mulher para si.

Lembremo-nos destas palavras que devemos aprender a trabalhar com a Lua, a imaginação, mas mantê-la pura (por outro lado a Lua, no seu verdadeiro significado espiritual, está relacionada com a pureza da imaginação), com a luz, o fogo do Sol, com o amor altruísta de Vênus e, finalmente, com a justiça da cruz, a Terra, para se obter a realização perfeita. Mercúrio é o símbolo do ser perfeito, em que a circulação dos dois fluxos se faz de maneira tão harmoniosa e equilibrada que encontra a paz e se converte num centro radiante capaz de arrastar as criaturas para o bem.

Quando a Lua não é estimulada por Marte e pelo Sol, os humanos são empurrados à preguiça; a busca de máquinas, aos aparelhos que os eximam de qualquer esforço.

O símbolo de Mercúrio nos ensina, que ao contrário, a atividade, os esforços são absolutamente essenciais. Não é prejudicial possuir aparelhos e máquinas, mas somente a condição de desligamento do homem das tarefas materiais, o permite uma nova atividade, espiritual, um trabalho gigantesco através da vontade e da imaginação, a fim de se criar obras divina. Infelizmente, no momento, os homens não trabalham com esta finalidade: querem eliminar o Sol e Marte, ou seja, a atividade, o esforço, que são essenciais, e ficar apenas com a Lua e Vênus, ignoram o fato de que este é o meio mais rápido para degenerar-se.

A Lua é acessível a qualquer influência, não escolhe; qualquer pessoa pode manifestar-se através dela; é como a água que toma a forma do recipiente em que é derramada. A água, a Lua, a imaginação, são praticamente a mesma coisa. Se o Sol não está preocupado com a Lua, a imaginação, isso pode refletir o inferno. Por isso os iniciados não deixam que a Lua, ou seja, sua imaginação, sua «mulher», vagabundeie por qualquer parte, mas eles cuidam, graças ao Sol, de quem recebe um elemento da luz e de eternidade. Neste momento, a Lua se converte em uma mulher extraordinária, adorável, e outras leis divinas intervem para realizar no palno material a forma da imaginação. É isso o que simboliza a cruz colocada na base do simbolo de Mercúrio. A cruz é a pedra cúbica, expressão da Terra.

El Lenguaje de las Figuras Geométricas

Para os alquimistas, a cruz, a pedra cúbica, foi a Terra virgem graças a qual podiam começar a construir seu edifício.

Ao trabalharmos com o Sol e com a Lua, a vontade e a imaginação, próprios dos iniciados, são validadas para toda a eternidade, desde que a vontade – como expressão do pensamento – e imaginação, são dois princípios fundamentais do homem. Por isso, nos livros de alquimia, essas imagens são encontradas muitas vezes: o Sol e a Lua, o rei e a rainha. Em distintas variantes, não há mais do que isso: o Sol e a Lua, o homem e a mulher que geram um filho régio, a pedra filosofal, o elixir da vida imortal, a panaceia universal, a varinha mágica, o Caduceu de Hermes.

A missão do homem é realizar o Céu sobre a Terra, a se parecer com seu pai celestial, o criador. Mas para levar a cabo esta missão brilhantemente, deve-se estar ciente dos fatores essenciais para este trabalho: os dois princípios ativo e passivo, emissivo e receptivo, masculino e feminino, Sol e Lua, a vontade e a imaginação, infundindo na Lua tudo o que o Sol contém de nobre e brilhante; desta forma poderá  se refletir e expandir as qualidades do Sol.

O discípulo deve dirigir a cada dia o seu olhar para projetos mais nobre, mais grandiosos, para realizá-los na Terra. Primeiro, ele trabalha com a imaginação e depois, com o coração e a vontade, fazendo que o imaginado se torne uma realidade. Que não se alegre sonhanado, flutuando e ufanando de suas boas ideias, porque isto não é suficiente: deve materializar suas ideias em atos no plano material, para que todo o mundo possa ver o que foi criado acima descendeu e foi enraizado na Terra.

De tal modo que se nosso espírito trabalha sobre nossa alma ou a vontade sobre a imaginação, como Sol que fecunda a Lua ou o macho que fertiliza a fêmea, o resultado será sempre a criação de um filho. E quem é este filho? Quando se coloca ao fogo (Sol) uma panela cheia de água (Lua), a água é transformada em vapor, e o vapor é uma força fantástica. A força forte de todas as forças é esse vapor, esta água aquecida, dilatada.

Assim que, deste trabalho da vontade sobre a imaginação do espírito sobre a alma do Sol sobre a Lua, do homem sobre a mulher, nasce uma força que é o filho, Mercúrio, tendo a possibilidade de empreender realizações formidáveis. O Sol ou a Lua separadamente não podem realizar grande coisa, separado um do outro, o fogo queima e a água inunda; mas juntos produzem uma força capaz de qualquer realização; a pedra filosofal que tem o poder de transformar todos os metais em ouro. Esta força foi descrita na Tábua de Esmeralda«o Sol é seu pai, a Lua é sua mãe, o vento levou-a para seu ventre (ventre da Lua) e a Terra é a sua cuidadora». A Terra, ou seja, a cruz, a pedra cúbica.

O discípulo deve considerar o trabalho que tem fazer com sua vontade sobre a imaginação, e este trabalho concerne às mulheres, tanto como aos homens. É no plano espiritual onde o discípulo deve fertilizar a sua própria mulher e ter filhos, milhares de filhos angelicais se espalhando pelo espaço para trabalharem como solicitados. Sabemos como acabam os contos: «Foram felizes e tiveram muitos filhos». Mas ter muitos filhos não diz respeito ao plano material. O que é um iniciado? É um pai de família que tem muitos filhos que estão perto dele, que puxam a sua roupa, mergulham em seus bolsos, mas estes filhos sentem tanto amor por ele, que nunca o atormenta. Quando necessita chama os seus filhos e lhes diz: “você irá para a casa de fulano de tal, levar presentes. Você irá puxar as orelhas daquele’ e eles o fazem. Estes são seus filhos, nascidos da sua carne, do seu próprio sangue.

Enquanto um homem vulgar, é um solitário sem filhos: está triste e infeliz, uma vez que você deve trabalhar completamente só, nada se faz com uma mão.

Existe aqui um campo desconhecido para alguns, mas conhecido e experimentado por outros.

Antes de descer à Terra, o homem já trabalhou em seu corpo físico, esse corpo físico que nada mais é do que o Caduceu de Hermes, com as correntes que fluem sob os hemisférios esquerdo e direito do cérebro e se cruzam no nível dos órgãos sexuais. O ser humano é o produto do trabalho da vontade e da imaginação, do espírito e da alma materializados no plano físico. Com o Caduceu de Hermes, podemos criar nos três mundos. No momento não criamos muito além do plano físico, mas devemos aprender a criar em outros mundos.

O Caduceu de Hermes é a força forte de todas as forças, a vida seu grau superior de manifestação. Porque quando o homem chega a desenvolver em si mesmo os poderes do Caduceu de Hermes a vida circula e se difunde pro todos os lados, desde as criaturas até as estrelas. Este grau superior de vida é a verdadeira força, a vida que brota e que é muito superior à vitalidade, essa vitalidade que é, precisamente, o «touro» que deve ser domado pelos chifres. Todos os homens têm a vida, claro, mas na maior parte deles ela se manifesta como vitalidade, como uma força devastadora. Esta vitalidade deve ser dirigida, intensificada, espiritualizada para transformá-la em vida divina.

Desejando assim, dia e noite espiritualizar sua vida para dá-la, com o fim de que atravesse o universo vivificando e iluminando as criaturas. Esta é a ideia que os antigos queriam transmitir com a imagem dos pés alados de Hermes.

A vida sublime está contida no Caduceu de Hermes. Quando se projeta esta vida, se tem forças formidáveis. Se a sua vida não vai para além de alguns centímetros além do seu corpo, você será um ser débil, que não pode atuar. Mas se a sua irradiação se estende a vários quilômetros ao seu redor, você pode agir sobre as criaturas. Assim, quanto mais intenso é o que emana de você e mais distante se projeta, mais poderes você tem.

É necessário que se compreenda a importância deste trabalho. Deixar de lado ocupações inúteis que nada nos trazem a não ser mais sofrimento e trabalhar sobre nós mesmos, até que a força forte de todas as forças começe a manifestar-se através de nós.

Ω

Os Signos Fixos na Astrologia Pré-Moderna

Giuseppe Bezza

Tradução:
César Augusto – Astrólogo

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Astrofaes

Os signos do zodíaco receberam diferentes denominações de acordo com as diferentes naturezas que os astrólogos reconheceram. Estas, ou existem por elas mesmas nos signos ou, contrariamente, existem em relação a outra coisa. No primeiro caso, elas dependem apenas do movimento do zodíaco. No segundo, elas dependem das relações que o sol, a lua e o 5 astros errantes mantêm com os signos.

A primeira divisão dos signos se encontra em Ptolomeu (Tetrabiblos. 1.11) e constitui a primeira divisão qualitativa: os signos são divididos em móveis, sólidos e bicorpóreos e é o que hoje chamamos de cardinais, fixos e mutáveis. Esta divisão é seguida por gênero: o masculino e o feminino. Esta primeira divisão dos signos é uma distinção qualitativa do tempo, de que o zodíaco seria a medida e, em segundo lugar, pode ser entendido que há uma diferenciação qualitativa nas diferentes partes do zodíaco. Lembremos que em torno de 3 séculos antes do nascimento de uma literatura astrológica, matematicamente fundada, temos o testemunho do uso dos signos do zodíaco como medida de tempo no “parapegma” de Meton e Eutemon.

Se divide o ano em 4 partes de acordo com os solstícios e os equinócios, cada parte, ou seja, cada estação deve ter um temperamento próprio a esse momento, dado que ao gerar seu momento, deve-se dar uma aparição e uma dissolução: e mais, entre estes 2 extremos por necessidade deve haver um terceiro termo, equidistante entre esses extremos, e que constitui a expressão mais apropriada da essência dessa expressão de temperamento.

Há que notar que, das duas divisão dos signos que falamos no início, a que difere qualitativamente de si mesma é a parte mais técnica da arte astrológica, e pode-se dar que não seja aceita por todos os sábios ou filósofos.

Por isto até mesmo Kepler Plácido de Tito, rejeitaram-na. Ao contrário, uma divisão que se baseia em uma distinção qualitativa do tempo não precisa ser explicado por demonstrações que tenham a ver com a técnica astrológica. Um tratado médico, de inspiração pitagórica, declara que a parte mediana de cada estação expressa um temperamento puro1 e nas glosas de Aratea de Germânico, que não é um texto astrológico, podemos entender a descrição das naturezas atuantes desses temperamentos diferentes:

Os signos trópicos significam países estrangeiros e representam, por sua vez, impulsos e propósitos diferentes; os signos biformes significam a repetição de toda a coisa engedrada e, às vezes, as voltas e retornos;

Os sólidos trabalham com energia e entusiasmo e levam a concluir cada coisa, amigável ou hostil, de acordo com o testemunho dos astros benéficos ou adversos2.

1 Cfr. A. Delatte, estudos de literatura de Pitágoras. Paris, 1915, pag.185.
2 I. th. Bule, Arati Phaenomena Solensis et Diosemeia. Scholla vetera quae supersunt ad Germanici Caesari noroeste, Lipsiae 1801, p. 110

Como se sabe, os signos do zodíaco receberam um grande número de denominações: a literatura grega apresenta algumas centenas. Cada designação indica um comportamento específico, um determinado modo de ser, que pode ser atribuída ao símbolo matemático e imaterial, ao signo material composto por estrelas e tendo sua própria figura como expressão de uma natureza primária e finalmente, a natureza que o signo recebe por causa de sua relação com os planetas. De todos estes termos, só o que nos interessam aqui são aqueles que vêm do tempo: elas pertencem ao primeiro tipo e seu comportamento é descrito no capítulo do Quadripartitum (Tetrabiblos), onde Ptolomeo trata da alma humana.

Para se entender este capítulo, é preciso lembrar a teoria grega da alma, ou melhor, o que Ptolomeo diz a partir desta teoria. Em seu “Manual da Harmonia”Ptolomeo propõe uma distinção tripartida da alma que pode ser considerada aristotélica em sua estrutura; as 3 funções:

-vegetativa ou nutritiva
-sensitiva ou apetitiva
-racional ou intelectual

A primeira compreende as faculdades pertencentes à planta, a segunda a dos animais e a terceira às faculdades que só o ser humano possui. Estas 3 principais funções da alma são iguais em número para aos acordes consoantes, tais como eles foram codificados pelas leis da harmonia, de forma que as faculdades de funções inferiores, sendo parciais, correspondem às espécies dos acordes parciais, ou seja, a quarta e a quinta. De acordo com Ptolemeo, deve haver por consequência, uma correspondência íntima, ou seja, uma analogia entre intervalos consonantes e as partes da alma: a oitava deve corresponder à função de alma racional, pois nas outras duas se encontra o que é simples, igual e indivisível; a quinta deve corresponder às funções sensoriais, a quarta às vegetativas. Analogias que Ptolemeo estabelece da seguinte forma:

a oitava compreende às funções intelectuais, porque aqui encontramos, acima de tudo, o que é simples, igual, indivisível; a quinta às funções sensoriais, a quarta para às funções vegetativas. O acorde de quinta está mais próximo da oitava e é mais consoante, já que sua parte excedente se aproxima da oitava mais do que a quarta, bem como as funções sensoriais estão mais próximas das funções intelectuais do que das funções vegetativas. Na verdade, o ser nem sempre é acompanhado de sensação, nem a sensação ao intelecto. Por outro lado, a sensação é sempre acompanhada pelo ser daí onde há a  intelecção, há também, sempre, sensação e ser. Da mesma forma, em um intervalo de quarta, a quinta não pode estar lá, nem a oitava na quinta; por outro lado, no intervalo de oitava há sempre a quinta e a quarta: a misturas e modulações destas duas primeiras são imperfeitas, mas por outro lado são perfeitas na primeira3.

3 Die Harmonielehre des Kaludios Ptolemaios, responsável por I. Düring, Göterborgs Högskolas Arsskrift n. 35, 1930, III, 5.

Onde há ser, nem sempre há sensação e onde a sensação nem sempre há intelecção, isto é: a perfeição do ser exige uma acção de causa específica, enquanto sua universalidade conduz à geração de seres simples e não-distintos. O fato de ser, a condição primeira dos vivos, a operação dos céus é que se deve ser entendido por universal e não-diferencial. De acordo com uma concepção generalizada na idade média, estima-se que, pelo jogo do movimento da esfera ultraperiférica, o primum mobile, o corpo recebe uma alma vegetativa, enquanto que pelo movimento da oitava esfera o corpo acolhe as funções da alma sensível. Essas opniões são condenadas por São Tomás4, não sendo retomadas de forma positiva até o século XVII5.

4 Summa Theologiae, I, 76, 7, c.
5 Cf. Andrea Argoli, De Criticis Diebus et Aegrorum decubitu libri duo, Patavii 1639, p. 4.

No entanto, é uma concepção que não é estranha à tripartição ptolemaica da alma: o círculo que em seu movimento engedra as distinções qualitativas parciais, não posso deixar de engendrar as funções inferiores da alma. Este círculo é o primum mobile, que leva o zodíaco em sua rotação anual e diurna. No “Manual da Harmonia”Ptolomeo diz que este círculo se move de acordo com um ritmo ternário em concordância com a alma vegetativa e em um ritmo quaternário concordante com a alma sensitiva. Com efeito, as doze partes do zodíaco receberam qualidades só pelo jogo dos intervalos de quarta e quinta: no intervalo de quarta os signos são distinguidos como móveis, sólidos e bicorpóreos, no intervalo de quinta como signos de fogo, terra, ar e água. Portanto, esta é a primeira conclusão, as funções da alma vegetativa tem três faculdades, em número iguais a primeira distinção qualitativa dos signos: a faculdade de crescer, a do exercício de força e vigor, e a do declínio e da diminuição.

Por outro lado, as funções da alma sensitiva tem quatro faculdades, em número igual a distinção qualitativa dos signos: visão, audição, olfato e paladar (pois o sentido do tato Ptolomeo reconhece-lo como comum a todos os sentidos). E essas faculdades mencionadas em segundo lugar se cumprem, para empregar uma expressão medieval, no elementatio naturae, já que a visão corresponde ao fogo, a audição ao ar, o olfato, o paladar e o tato, a água e a terra6.

6 CF Ptolemaeus. De iudicandi facultate et animi principatu, Ed. p. Lamment, Lipsiae, 1961, páginas. 19ss.

Crescimento, força, declinação, qualificam os signos do zodíaco em cada uma das 4 partes do ano: o crescimento é próprio do signo tropical, que é o começo da nova época, vigor, ao signo sólido, confirmando o tempo que começou, o declínio ao signo bifórmico, que é assim chamado porque já é parte do tempo futuro. Ao significado destes signos, Leopoldo fala de modo conciso: “os signos trópicos significam a velocidade, os sólidos a estabilidade e os bicorpóreos a alteração.”

Ptolomeo nos mostra as naturezas diferentes destes signos por meio do movimento do sol: “estes signos, – diz -, receberam suas denominações por causa do efeito que se produz neles”, e o comentador Ibn Ridwan enfatiza este ponto: “só se pode conhecer as virtudes dos signos pela mudança que o sol faz quando ele passa através deles”.

A partir dessa premissa, uma conclusão: “neles próprios, nos signos não existe efeito natural, desde que o seu efeito depende unicamente da mudança que o sol faz quando ele os atravessam, bem como a virtude dos outros astros. Portanto, os signos, nós aparecem como matéria e os astros, enquanto forma”7. Como Ptolomeo, Al QabisiAbu Ma´sar salientaram a força, e o vigor do tempo.

7 Liber quadripariti Ptholemei, Venetiis 149 tibus mundi, Venetiis 1489, cc 41a. 12 Quadripartitum. III, 12.

Além disso, o crescimento, o vigor, o declínio, são também os efeitos próprios das 12 casas ou locais da figura astronômica, ou seja, da rotação diurna da esfera e do ciclo lunar sinódico, tal como consta na leitura do capítulo do Quadripartitum que trata dos signos masculinos e femininos. Isto significa e constitui a segunda conclusão, que as funções da alma vegetativa residem nos períodos naturais do tempo (sobretudo, o ano e o dia) e se movem nesses períodos seguindo um ritmo descontínuo, ou seja, de acordo com o intervalo de quarta. É então que podemos entender a equação: signos = matéria e astros = forma. Nos signos do zodíaco, assim como nos 12 locais da rotação diurna e sinódica do ciclo da lua os astrólogos reconheceram as disposições próprias das funções vegetativas e sensoriais da alma e as mudanças que essas mesmas disposições padecem através do tempo. Portanto, o que é próprio ao ser em si, pode ser divido em três funções, e tudo o que é próprio das diferentes modalidades de sensação é dado por 4 estações. Do que deduz que o próprio corpo, se divido em 3 partes, poderia muito bem se adaptar a tripartição dos signos. Os signos trópicos se assimilam ao limite exterior dos membros: a pele, a epiderme, as partes carnudas, por isso, o julgamento de Ptolomeo para doenças de pele declarar-se acima de tudo, quando a lua se move em signos solstíciais e equinociais, os signos sólidos às partes mais duras e sólidas, tais como os ossos, e se vê que estes signos têm a reputação de terem causas concomitantes de claudicação, gibosidades, luxações e fraturas; os signos biformes, por outro lado, tratam das partes mais ínitmas, tais como veias, os nervos e mesmo o ciclo dos humores, que são sutis e cobram estados diferentes de ânimo; por esta razão, vemos que a esses signos são atribuídas doenças como a gota. Esta tríade de signos é recordada por Separio de Alexandria na equação: bicorporea = nervosa, tropical = carne, osso = sólido9.

Catalogus Colish Astrologorum Graecorum (CCAG) v/3 pag.97.10.

Quando Ptolomeo fala dos signficadores próprios da natureza tripla dos signos sobre as qualidades da alma, fala das virtudes que são características da alma humana, ou seja: dá o caráter moral às funções da alma vegetativa e, portanto, elas aparecem como as virtudes em que:

Em geral, signos trópicos fazem espíritos adequados para tratar da governança aspiram a funções civis, são ambiciosos e lidam com o culto divino, criativos, ativos, motores de busca, trabalhando para fazer conjecturas, adivinhos, astrônomos. Os signos bicorpóreos fazem espíritos multiformes, cambiantes, não se deixam conhecer facilmente, instáveis, mudando de propósitos, dúbios, sensuais, com vários talentos, amantes da música e de percepção rápida, dados a lamentar. Signos sólidos fazem espíritos justos, que não gostam de bajulação, constantes, contidos, aptos ao entendimento, pacientes, gostam do trabalho, rigorosos, professores, rancorosos, aptos a conclusões, queixosos, silenciosos, ávidos, ambiciosos, rudes, inflexíveis.

 Toda a descrição das qualidades atribuídas a estes signos, de que a literatura astrológica é rica, tem a mesma estrutura como desta passagem ptolemaica, ou seja, não seguem a sucessão temporal de signos, mas em princípio apresenta os signos das extremidades e depois do meio. Porque o signo sólido expressa a qualidade mediana a e nos conceitos que são próprios da astrologia de interrogações (astrologia horária) e das iniciativas, destaca-se com evidências de que: o signo sólido deve expressar tudo com força, deve confirmar, garantir a solidez, continuidade, o ato da sobrevivência. Como exemplo podemos citar um excerto de um pequeno tratado sobre a natureza destes signos que nos foi transmitido sob o nome de Orfeu, mas que deveria pertencer na realidade a pluma de Teófilo de Edeso.

Le Dimore Lunari in Astrologia

“Quatro são os signos sólidos: touroleãoescorpiãoaquário“. Nos signos sólidos, as propriedades e as aquisições são seguras. Num signo contínuo deve-se casar e levar o dote. Nos signos sólidos teria de se apresentar o resultado do seu trabalho, já que seu desejo será cumprido. Signos sólidos a separação das mulheres é certa, quem se vai não voltará mais, nem o ladrão será encontrado a tempo e deixar o país é uma coisa certa. Quem é hostil aos signos sólidos, se reconciliará após um longo tempo, o julgamento é seguro e os justos não revelam. Nos signos sólidos a doença é perniciosa: se concluí com a morte, ou não se não se termina ao sétimo dia, ela se torna crônica. É fatal colocar fora de si um signo contínuo, já que quem se volve na cólera, não voltará. Se nos signos sólidos alguém oferece dinheiro, não o terá de volta. Signos sólidos são bons para escrever e estipular contratos, desde que sejam honestos. Quem faz o serviço militar sobre os signos sólidos, certeza que permanecerá em seu corpo e não vai servir sob outro comando. Signos sólidos, começam uma comemoração, uma festa, conveniente e útil, como nos signos trópicos é bom para começar algo irritante e rotineiro uma vez que nascem sólidos é estáveis, enquanto nos trópicos são sujeitos a alterações. Todas estas coisas são destinadas pelos signos quando se levantam ou transitam pela lua10.

10 Orfeo intorno um tropi duodici: dei segni sorgono all´oroscopo, in: XII Catalogus Codicum Astrologorum Graecorum (códices rossici), Bruxelles, 1936, pp. 158-161, dando a transcrição de MS. Cod. Biblioteca. Publ Graec. 575, Moscou. Essas previsões foram publicadas pela O. Kem Orphicorum Fragmenta, Berolini 1922, p. 293, que ele mantém uma parte do poema perdido “sobre as iniciativas”. Ms russo dá-lhe uma amplitude que é mais ampla do que é dado por Kern.

 A palavra grega para o signo sólido expressa a ideia de estabilidade, compacidade, duração e, portanto, tem a acepção moral de robusto, vigoroso, enérgico, bem como severo e cruel. Na astrologia indiana, esta palavra grega foi traduzida com o equivalente sthira, que tem, entre seus significados metafóricos, “que é desprovido de dúvida” e, portanto, seguro, fiel11. Mais raro é o termo dhruva, cuja primeira afirmação indica que “o que é fixo, imóvel”. É também o nome da estrela polar do mesmo polo celeste. Na astrologia da língua latina stereos é normalmente traduzida por solidum, portanto se pode considerar esta palavra em ambos termos técnicos do léxico astrológico. Somente a partir da idade média que se encontra o adjetivo ‘fixo’, que é uma reprodução do árabe thâbit, que não vem da primeira asserção da palavra árabe, mas do nome árabe das estrelas fixas Al Kawakib Al-thâbitât.

11 Cf. Varahamihira, Brihajataka I, 11; Laghujataka, I, 8.

Em árabe, o termo thâbit apresenta uma riqueza de afirmações, e todos concordam com os significados qualitativos que a literatura astrológica atribuí aos signos sólidos. Significa o que está estabelecido, é sólido, constante e significa o homem que tem sangue frio, e que marcha com passo firme. Thâbit é o adjetivo verbal de thabata, que significa o ato de perseverar firmemente em algo, consolidar, reafirmar, ter alguém sem descanso, alguém resistir a alguém ou lutar contra. Significa o ato de se estabelecer, de fixar-se em algum lugar, de agir lentamente, mas também efetuar, de concluir alguma coisa.

Outros significados: estar atado, determinado a algo, ter paciência, longevidade, encontrar algo bom e verdadeiro. Por outro lado, thabt é a dureza de coração e athbât são homens confiantes, no qual podemos contar. Também podemos ver uma das características dos signos sólidos, mencionadas por Ptolomeo em uma das passagens citadas acima, ou seja, o horror à adulação, que encontra seu paralelo no termo istithbât, que sempre vem de thabata, a figura de retórica que consiste no que parece ser dito na forma de ofensa e torna-se em realidade em louvor.

Note-se que as asserções para ‘seguro’ e ‘verdadeiro’, que são expressas nos significados dos signos sólidos são muitas vezes mencionadas nos textos astrológicos. Entre as 11 condições que certificam a produção de eventos, a nona, – escreve Demófilo, – prevê sobre os astros que estão em um signo sólido; os planetas benéficos consolidam o bem, os maléficos por sua vez, o mau12. Com frequência se lê que a lua e o ascendente nos signos fixos fazem coisas verdadeiras e certas, e nos signos bicorpóreos fazem o provável e os signos trópicos as cambiantes e mutáveis13.

12 CCAG V/4, p. 227, 10.
13 Cf. Hepahestio III, 11; Ed. D. Pingree, p. 267,5.

Então parece que todos os juízos ligados aos signos sólidos, tanto quanto aos trópicos ou biformes, têm uma analogia muito próxima com o significado primeiro da tríade de signos, significado que pode ser caracterizado a partir da natureza física. Não é uma regra no caso de toda a literatura astrológica relativa aos signos do zodíaco. Uma analogia muito próxima com o primeiro significado se preserva quando se diz, por exemplo, que os signos masculinos concordam com os homens e os femininos com as mulheres. A analogia passa por uma metáfora, quando dizemos que signos áfonos convêm a descrição, os signos impudicos ao desencorajamento14, signos amputados ao se produz por violação e violência e, também, as ações feitas por outros, signos que têm um esperma abundante ou escasso ou nenhum, dos advogados, dos discípulos, signos que têm chifres para os comandantes militares e pugilistas15. Mas este julgamento é contraditório quando é dito que signos áfonos convêm à trompetistas ou flautistas.

14 Giuliano di Laodiceia, CCAG v/1, pp. 187-188.
15 Cf. gr. Marcianus 324 fo 144r, gr. Parisinus 2501 fo 196r, fo Laurentianus 28.13. 214r.

Note também que este tripartição dos signos, porque está registrada em uma sucessão temporal, deve mostrar algo sobre o tempo dos eventos: a opinião comum quer que os signos trópicos descrevam os dias, os bicorpóreos os meses e os sólidos os anos17. 

17 Cfr. ad esempio fo Parisinus gr 2425 50r, Capítulo 63; Parisinus gr 2506 fo. 41r, ch. 62; Marcianus gr 334 fo. 80, Cap. 97; Marcianus gr 335 fo. Capítulo 184, 259.

Finalmente, desde que a formulação do juízo astrológico não depende de um único critério, mas muitos, a natureza do evento não pode depender apenas da mobilidade ou da solidez do signo. Sahi Ibn Bishr escreveu que entre os signos trópicos os mais ágeis são Áries e Câncer, entre os sólidos18, Leão é quem é mais, e Escorpião menos. Também deve ser observado, aliás, em que parte destes signos estão os astros que descrevem o evento. Como escreveu Juan de Laodiceia:

Jake Baddeley – The Hermit

Há que se observar os términos dos signos, ou seja, os planetas que são regentes dos términos e associá-los na formulação de julgamentos. Vejamos o caso seguinte como exemplo: podemos ver os signos trópicos e dizer, por exemplo, que haverá uma mudança; nos términos de Saturno, vai devagar, em Júpiter ou Mercúrio se apressa, com Marte será rápida e inesperadamente, em Vênus com alguma pachorra. E se os regentes são sinais sólidos ou se eles são armazenados, não significará mais lento, mas se não eles são armazenados, se eles estão em sinais trópicos significará a velocidade19.

18 Introductorium de principiis iudiciorum Zahelis Ysmaelitae, in: Liber quadripartiti Ptholemei…. cit., CC 138vb.
19 CCAG v/1 p. 191,11.

Há que considerar o arranjo das astros sob todos os aspectos: da natureza que é dada pela solidez do signo, a que é simples e indivisível, e cujo efeito não é possível excluir, devemos chegar a determinação do evento através da interpretação de todos os elementos simultaneamente.

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