Traduções

Iniciação Astrológica

Gerard Encausse

Initiation Astrologique – La Sirène (Paris – 1920)

Traduzido do original francês

Sociedade das Ciências Antigas

§

Capítulo I

A Esfera Celeste

(Segundo o antigo sistema de Ptolomeu)

A esfera celeste é dividida de uma maneira muito simples e análoga à divisão da Terra, para que seja possível orientar-se nela. A esfera celeste tem dois pólos: um pólo norte ou Ártico, e um pólo sul ou Antártico. Entre ambos os pólos e no meio da esfera está o Equador Celeste, paralelo aos pólos. O Zodíaco, atuando no céu como a elíptica sobre a Terra, corta o Equador em dois lados, de maneira que seis signos do Zodíaco estão acima do Equador, no pólo norte ou Ártico, e seis abaixo do Equador, no pólo sul ou Antártico. A figura abaixo tornará compreensível a localização do Zodíaco, com relação ao Equador.

O signo que está mais próximo do norte do Zodíaco, é o signo de Câncer, e o signo que está mais ao sul, mais próximo ao pólo Antártico é o signo de Capricórnio. Ao Equador e aos círculos que lhe são paralelos na esfera celeste, deve-se acrescentar um círculo, que passa por Câncer e leva o nome de Trópico de Câncer, acima do e paralelo ao Equador celeste. Há outro círculo, que passa por Capricórnio, e que recebe o nome de Trópico de Capricórnio.

Os dois signos do Zodíaco dos quais acabamos de falar, Câncer e Capricórnio, que formam o extremo norte e o extremo sul do Zodíaco, constituem a linha dos solstícios. Outros dois signos, um ao leste (Áries) e outro ao oeste (Libra), constituem a linha dos equinócios.

Estes dois últimos signos estão situados precisamente nos dois pontos onde o Zodíaco corta o Equador. Na rota dos astros, encontra-se, pois, a grande cruz celeste formada pela linha dos equinócios e a dos solstícios, e formada por quatro signos: Norte, Sul, Leste, Oeste; Câncer, Capricórnio, Áries e Libra. Os astrólogos chamam a esses quatro signos de Casas Angulares, porque ocupam os quatro ângulos do céu, ou os quatro pontos cardeais. Esses quatro ângulos indicam o começo das quatro estações.

φ

Sobre a Origem do Texto:

A ‘Nota sobre os Aspectos Planetários’ exposta nesta página sob autoria de Papus e que tem seu título original em francês Initiation Astrologique (1916) foi extraída do livro The Light of Egypt – Volume One do astrólogo Thomas H. Burgoyne, publicado em 1889.

César Augusto – Astrólogo

§

Capítulo II

Os Planetas

É a ordem dos planetas adotada pelos astrólogos, segundo o sistema de Ptolomeu:

SATURNO – JÚPITER – MARTE – SOL – VÊNUS – MERCÚRIO – LUA.

Assim, é preciso aprender de memória esta ordem dos planetas para que se possua a chave de grande quantidade de tábuas astrológicas. Para os astrólogos, cada planeta é um personagem que tem um lugar ou domicílio favorito no céu e que tem também amigos e inimigos, entre os outros planetas. É tudo como com os humanos: quando esse personagem planetário encontra um amigo fica de bom humor, e de mau humor quando encontra um inimigo (aspectos). Varia de humor, dependendo da proximidade ou da distância do amigo ou inimigo.

Tudo isso supõe múltiplos e complicados cálculos, e desde já podemos entender a dificuldade do estudo completo da astrologia, estudo que persistiu, no entanto, com insistência nos templos da antiguidade. Continuemos também nós, devagar e por etapas:

Domicílio dos Planetas

Cada planeta tem dois domicílios, um chamado diurno e outro chamado noturno, exceto o Sol e a Lua, que só tem um domicílio cada.

Saturno tem como domicílio diurno Aquário (décimo primeiro signo do Zodíaco) e como domicílio noturno, Capricórnio (décimo signo do Zodíaco).

Júpiter, domicílio diurno em Peixes (duodécimo signo do Zodíaco), domicílio noturno em Sagitário (nono signo do Zodíaco).

Marte, domicílio diurno em Áries (primeiro signo do Zodíaco), domicílio noturno em Escorpião (oitavo signo do Zodíaco).

Sol, domicílio único em Leão (quinto signo).

Vênus, domicílio diurno em Touro (segundo signo), domicílio noturno em Libra (sétimo signo).

Mercúrio, domicílio diurno em Gêmeos (terceiro signo), domicílio noturno em Virgem (sexto signo).

Lua, domicílio único em Câncer (quarto signo).

Nota sobre os Aspectos Planetários

Trígono e sextil são aspectos benéficos. Oposição e quadratura são aspectos maléficos. Conjunção é benéfico com Vênus e Júpiter, maléfico com Marte e Saturno. Júpiter e Vênus são muito bons em conjunção, trígono ou sextil. O Sol, a Lua e Mercúrio são duvidosos em oposição e quadratura, bons em trígono e sextil.

(…)

A astrologia povoa o céu de seres vivos e de forças inteligentes, enquanto que a astronomia não nos mostra mais do que um imenso cemitério de massas inertes e de forças cegas. A leitura e o estudo das páginas seguintes nas quais um grande iniciado estuda esses seres planetários sob um quádruplo ponto de vista: cabalístico, astrológico, intelectual e físico; permitirão fazer uma ideia realmente verdadeira e profunda do tema que nos ocupa.

δ

O Planeta Saturno

O velho pai Tempo, com seu corpo esquelético e sua foice mortal é bem conhecido, sem dúvida, pela maioria de nossos leitores. É uma das numerosas formas tomadas por Saturno em seu aspecto simbólico. No tempo dos antigos gregos era conhecido com o nome de Cronos, sustentando numa mão o ciclo da necessidade e da eterna mudança de forma, de esfera e de função. Para os antigos hebreus, Saturno chamava-se Shebo, nome que significa “sete”. É formado por HaShem que significa “o astro da idade antiga”, uma vez que representa o símbolo deste planeta.

Na Cabala o planeta Saturno simboliza a meditação silenciosa e corresponde, assim, aos atributos auriculares do Grande Homem, e é por esta razão que por ele se representam os sentidos e as faculdades do ouvido, da audição, etc. na constituição da humanidade. Por isso vemos a significação mística da concepção cabalística desta ordem sob a figura da meditação silenciosa.

Para meditar, é necessário o silêncio; para escutar, é preciso ouvir. A meditação não é nada mais do que a tensão do espírito em direção às inspirações da alma.

No planisfério esotérico, Saturno converte-se no anjo Cassiel, gênio da reflexão na luz astral. Apresenta-nos também o lado oculto de todos os mistérios teológicos; daí a concepção deste planeta sob a figura do ermitão isolado. É nesse sentido que o encontramos simbolizado no Tarô, sistema digno de uma maior atenção do que aquela que apresentam os discípulos modernos da ciência oculta.

Considerado astrologicamente, pode-se dizer que, em verdade, o planeta Saturno, é o mais potente e o mais prejudicial de todos os planetas. Não tanto pelo caráter marcante de sua influência, mas pela maneira imperceptível e sutil cujo influxo determina a vitalidade do organismo físico daqueles a quem afeta. Marte vem como um trovão e dá a entender que há algo decididamente negativo, mas Saturno é exatamente o oposto. Sua natureza é lenta e paciente, artificiosa e furtiva. Talvez umas nove décimas partes dos males da humanidade se devam aos raios maléficos de Saturno e de Marte em combinação. Marte comete o crime passional e impensado, e muito raramente é culpado do mal premeditado. Saturno é o oposto de tudo isso, medita muito cuidadosamente todos seus projetos antes de executá-los e raramente comete um erro.

No plano intelectual Saturno rege o grupo superior de sentimentos egoístas e a totalidade das faculdades de reflexão. Aqueles que estão sob o domínio de seus influxos são solitários, reservados, lentos em seus discursos e em suas ações. Transmitem a forma mais alta de reflexão, como consequência, são estudiosos científicos e pensadores fechados. Tendem geralmente à exclusividade, o que faz que o ermitão seja o verdadeiro representante da ação deste planeta. Sobressaem em todos os estudos Ocultos.

No plano físico, o único bem que Saturno pode fazer é fortalecer a intelectualidade, esfriar as paixões do indivíduo egoísta e cuidadoso de seus próprios interesses. Quando um indivíduo tem seus favores não é excessivamente feliz, porque todos os aspectos e todas as paixões deste planeta são mais uma desgraça do que um benefício. Por natureza, Saturno é frio e muito propenso a criar uma disposição à avareza.

π

Saturno, o ancião, o homem triste, mas de grande experiência – emprega quase 30 anos (29 anos e 187 dias) para completar seu ciclo e dá vida longa, mas sombria aos nascidos sob sua influência. Saturno é o astro preferido dos magos negros, assim como a Lua minguante. A cor de Saturno é o chumbo, o preto metálico.

Esta é a primeira ideia que se pode fazer dos astros vivos de nosso sistema solar. Como se vê, Mercúrio, Sol, Júpiter e Saturno representam os diferentes estados da vida humana, desde a infância até a velhice, e também indicam o caráter moral e intelectual de cada um destes períodos que o homem atravessa. Há nativos de Saturno que são velhos já aos 16 anos e há Mercurianos que têm, ainda aos 70 anos, a felicidade e o entusiasmo da infância. A Lua e Vênus se relacionam com o feminino em suas duas grandes qualidades: a maternidade e o amor e, respectivamente, tem como símbolos a cor verde do mar e a cor branca da água pura.

O Planeta Júpiter

Júpiter é universalmente conhecido sob seu aspecto simbólico, entre os antigos gregos com o nome de Zeus, pai celeste de todas as coisas. No simbolismo ariano, é conhecido pelo nome de “Pai universal do céu”. As duas concepções, a grega e a ariana, são idênticas.

Nas concepções toscas dos filhos ousados do norte, vemos o planeta Júpiter representado por Thor, daí vem o nome saxão Thors-day (Dia de Thor) e o inglês moderno Thrusday (quinta-feira) dia que se considerava regido por esse planeta.

Na Cabala o planeta Júpiter significa a absorção etérea no Grande Homem. Por isso representa o sentido do olfato no corpo da humanidade. É o sentido através do qual a alma desenvolvida percebe e compartilha as essências aromáticas mais sutis da natureza.

No planisfério esotérico, Júpiter converte-se no celestial Zacariel ou Ezakiel, e representa o espírito imparcial de desinteresse. Com esta qualidade, designa os princípios e a filosofia da arbitragem, a perfeita organização do equilíbrio pela supressão das forças perturbadoras. Os autores cabalísticos dos livros de Moisés, nos falam dele como símbolo dos atributos de absorção. Nos dão a entender que seu “doce perfume oloroso” foi oferecido ao Senhor durante os ritos sagrados do serviço do templo.

O planeta Júpiter, considerado astrologicamente, é o maior depois de Saturno e o mais potente de nosso sistema solar. Júpiter significa tudo o que é verdadeiramente nobre e está muito afastado da timidez e da vergonha de Saturno ou do atrevimento imprudente de Marte. O puro filho de Júpiter verte seu calor genial na atmosfera que o rodeia. Absolutamente incapaz de enganar, não suspeita jamais dos outros, o que às vezes o torna vítima de suas astúcias e de sua duplicidade. A natureza deste planeta se define por si mesma quando dizemos que o Jupteriano crê que todo homem é honesto, até que se demonstre o contrário, e quando está comprovado, ele perdoa uma ou duas vezes antes de repreendê-lo.

No plano intelectual, Júpiter indica a natureza moral superior, as qualidades humanitárias. É o instigador de todas as instituições e de todas as empresas nobres e criativas. Aqueles que são dominados por esse influxo são a expressão da forma mais elevada da natureza humana. Há algo de verdadeiramente real na influência desse planeta, uma mistura de mãe, de patriarca e de rei. Esses indivíduos fazem muito por resgatar o gênero humano de sua depravação geral. Será encontrado sempre no plano intelectual dos jupiterianos, um agudo sentido de discernimento, o que faz com que possuam algumas raras qualidades de justiça, que lhes dão o título de “juízes do povo”. Quando se perturba, sempre pende para o lado da clemência.

No plano físico, Júpiter pode trazer muita sorte quando domina um nascimento. Dá um rosto grave, viril e imponente. O jupiteriano é sério e grave na conversação mas, ao mesmo tempo, é benévolo e simpático.

π

Júpiter, o homem de razão e de vontade – em quem as violências e os arrebatamentos da juventude sossegaram e que é, verdadeiramente, mestre de si mesmo: tal é o aspecto com o qual Júpiter se apresenta a nós. Tranquilo e metódico, Júpiter é doze vezes mais lento do que a Terra, empregando exatamente 11 anos, 10 meses e 17 dias para completar seu ciclo. É certo que a influência vivificante do Sol desaparece mais rápido do que sobre nosso planeta, resultando num dia duas vezes mais curto do que na Terra. Em magia, a influência de Júpiter, que outorga as honras e a glória, só pode ser utilizada em casos excepcionais. A cor de Júpiter é o azul metálico.

O Planeta Marte

Este planeta, entre todos, foi objeto de um culto divino. Aos olhos do mundo antigo Marte parece ter sido o mais sinceramente adorado dentre todos os deuses, por nossos antepassados setentrionais. O grande guerreiro, nessas épocas de glória, o que faz com que Marte, em seu caráter universal represente o deus da guerra. Também era simbolizado por Vulcano, o forjador celeste, que forjava os raios de Júpiter. Isto indica o império de Marte sobre o ferro, o aço, o fogo e os instrumentos cortantes.

Na Cabala, o planeta Marte representa a alimentação no Grande Homem e é por isso que representa o sentido do paladar na constituição do homem. Temos, no Novo Testamento, uma alusão direta à expressão dessas forças marcianas com relação às sensações físicas, a saber: “Comamos, bebamos e sejamos felizes, pois amanhã morreremos”.

No planisfério esotérico, Marte se transforma no anjo Samael, no qual residem os mais elevados atributos deste espírito. Como tal, representa a faculdade e a capacidade de apreciar as essências mais elevadas, as mais finas e as mais sutis da exalação de vida e, por conseguinte, a capacidade de reger as potências de absorção e de assimilação.

Considerado astrologicamente, Marte simboliza e encarna em sua expressão astral, o espírito de crueldade e de destruição sanguinária e cega. O verdadeiro filho de Marte é um lutador natural de primeira grandeza, jamais é tão feliz como quando está completamente empenhado em vencer seu adversário. Pode-se encontrar tipos com este espírito empreendedor na história da Grã Bretanha. A Inglaterra é regida pelo signo de Áries, principal signo de Marte, e o puro tipo inglês é um nativo de Marte. Não se pode encontrar nenhum exemplo de estudo melhor para ilustrar Marte do que John Bull. Sempre em combate, sua história durante mil anos sobre a terra e sobre o mar, é a história de brilhantes vitórias, com muitos poucos reveses.

No plano intelectual, Marte representa o espírito de empresa, a energia e a coragem. Sem a influência deste planeta, todos os homens seriam covardes efeminados e sem energia. Os que são dominados pelo influxo marciano são artesãos especialistas; possuem uma energia invencível e uma vontade potente.

No plano físico, Marte abarca todos aqueles que, de alguma maneira, estão relacionados com produção do ferro e do aço. Todos os nativos de Marte preferem as ocupações nas quais se utilizam instrumentos cortantes, de ferro ou o fogo, como nas profissões de açougueiro, barbeiro, ferreiro, etc. Quando se comparam os nativos de Marte e os nativos de Saturno, se vê que são pólos opostos. Um é parecido a uma doença lenta que se prolonga, o outro é como uma febre ardente. Não importa o que sejam, sempre se pode encontrar nos Marcianos um caráter fogoso, obstinado e furioso e, em muitos casos, serão cruéis e destruidores e, não obstante, são ao mesmo tempo, generosos em excesso com relação a seus amigos. A descrição de um verdadeiro nativo de Marte é mais ou menos a seguinte: porte médio, corpo robusto e bem feito, pele avermelhada, olhos penetrantes, mandíbula quadrada, olhar atrevido e caráter vivo e briguento. A cor de seus cabelos varia, mas geralmente têm um tom ardente.

π

Marte, o planeta mais próximo da Terra – Vermelho e violento, é a imagem do guerreiro. Marte possui a coragem, a energia, a cólera e a violência. As influências de Marte são utilizadas, em magia, para a ação. Mas, ainda que o ciclo deste planeta seja de 687 dias (quase o dobro da duração do ano terrestre), quase nunca se empregam as influências deste planeta para a confecção dos pantáculos. Utilizam-se, ou os dias e as horas consagradas, ou as relações analógicas da Lua sobre os signos. O vermelho do fogo é a cor que corresponde a Marte.

O Sol

O aspecto glorioso do astro do dia, indubitavelmente, atraiu primeiro a atenção, a veneração e a adoração das raças primitivas da humanidade. Todas as coisas da natureza dependem, para sua existência e vida, da presença e do sustento benfeitor do Sol esplendoroso. A interpretação literal do nome hebraico do Sol, Ashahed é: “fogo muito benéfico” o que está perfeitamente em harmonia com o globo solar.

É completamente impossível, no pouco espaço de que podemos dispor, dar uma ideia, ainda que muito distante, das inomináveis ramificações, concernentes às diferentes mitologias que simbolizam o Sol. Por isso acrescentaremos somente que o Osíris do Egito, o Khrishna da Índia, o Belus da Caldéia e o Ormuzd dos Persas são representações diferentes do Sol.

Na Cabala, o Sol representa a fonte espiritual central de todas as coisas. É o divino Eu do Homem Cósmico, e é por isso que indica as potencialidades espirituais do poder criador. O grande EU SOU de todas as coisas, espirituais e temporais é, por si mesmo, o grande depósito de Vida, de Luz e de Amor.

No planisfério esotérico o Sol se transforma no grande anjo Micael, vencedor de Satã, que anda sobre a cabeça da serpente da matéria e que, desde então, guarda o caminho da vida e da imortalidade com sua espada flamejante da potência solar. Nesse sentido, o Sol representa as forças positivas, agressivas, administradoras do cosmos. As forças do Sol são elétricas.

Astrologicamente, o Sol constitui o princípio central da vida de todos os objetos físicos. Seu influxo determina a medida absoluta de vitalidade física em cada organismo humano. Quando o raio solar não está viciado pelas configurações discordantes dos astros maléficos, o nativo nestas condições goza de uma constituição saudável. Será assim, mais especialmente, se o Sol no momento do nascimento, encontra-se entre o ascendente e o meridiano, ou em outras palavras, durante o aumento de claridade solar diurna, quer dizer, do nascer do Sol até o meio-dia.

No plano intelectual, o Sol rege o grupo superior dos sentimentos egoístas e o grupo inferior das qualidades morais, os primeiros representados pela firmeza e a estima de si, as outras, pela esperança e a consciência. Os dominados por este influxo são os líderes natos da humanidade. Por sua nobre serenidade proclamam “sua realeza de direito divino”. São ambiciosos ferozes e ao mesmo tempo magnânimos e nobres. Desgostando de todas as ações de astúcia, pequenas e mesquinhas, expressam a forma mais elevada da humanidade, verdadeiramente digna.

No plano físico, o lugar do Sol no horóscopo é de vital importância, pois, num indivíduo malnascido, toma o fio vital de sua vida. Se aí se concentram raios prejudiciais, a vida será de curta duração, a menos que intervenham os aspectos que atuam em sentido contrário.

π

Sol, o ardente Apolo – A juventude com sua generosidade, suas nobres ambições e seu orgulho, e também sua temeridade e sua inexperiência das coisas práticas. A arte com sua intuição divina, seu horror e seu desdém pelo vulgar. O Sol é o pai, o gerador universal em nosso mundo, também é considerável sua influência em magia. Esta influência é calculada segundo a posição ocupada pelo astro do dia, com relação aos signos zodiacais. As festas do cristianismo: Natal, Páscoa, São João são festas solares. A cor correspondente ao Sol é o amarelo dourado.

O Planeta Vênus

No aspecto mitológico e simbólico, o planeta Vênus foi venerado no mundo inteiro sob seu duplo caráter de amor e sabedoria. O astro brilhante da manhã, o orgulhoso Lúcifer, era o precursor e o gênio da sabedoria, e verdadeiramente nenhum dos astros do céu pode rivalizar com o estado da glória de Vênus, quando brilha como o mensageiro do dia. É igualmente marcante como deusa do amor. Os antigos gregos a representavam também sob a figura de Afrodite, com os chifres do Touro.

Na Cabala, o planeta Vênus significa o elemento Amor na alma do Grande Homem Cósmico Arquetípico e por isso representa o sentido de amor na humanidade encarnada. Consequentemente expressa a parte feminina aderente e fecundante da constituição humana.

No planisfério esotérico Vênus é o celestial Anael, príncipe da luz astral. Nesta qualidade, percebemos suas faculdades de transformação, e de “conservação das forças”. Como Ísis, representa o fluido astral em estado de repouso, fecundada (pelo Espírito Santo) das coisas futuras; Anael representa o mesmo fluido, mas em movimento. É por isso, que a Lua e Vênus são os símbolos cabalísticos dos dois modos de movimento na alma do universo.

Astrologicamente pode-se dizer que o planeta Vênus representa a felicidade, a alegria e a sociabilidade, ao mesmo tempo que seu influxo inclina os regidos por ele, a buscar o prazer e uma grande ostentação. Os prazeres do mundo são governados especialmente por Vênus. Danças, jogos, concertos e recepções possuem um atrativo irresistível para os nascidos sob sua influência. Se Vênus é maléfico num horóscopo feminino, sob potentes raios contrários, o indivíduo se torna um “malfeitor” e sofre a perda de sua virtude, o que faz com que a posição de Vênus seja muito importante.

No plano intelectual, Vênus rege o grupo superior das qualidades domésticas, e também os sentimentos idealistas, artísticos e musicais. Aqueles que estão dominados por seu influxo se sobressaem na música, na arte e na poesia, e chegam a ser conhecidos pelas perfeições alcançadas. Mas, ao mesmo tempo lhes falta uma verdadeira força moral pois se deixam guiar involuntariamente por seus sentimentos, suas paixões e deus desejos. A razão desaparece quando seus desejos são despertados, daí o perigo de serem perturbados pela adulação. Quando Vênus não está protegido pelos raios harmoniosos a falta de sentido sentimental chega a ser muito grande.

No plano físico, quando Vênus domina, principalmente sobre o espírito do indivíduo, causa uma forte predileção pela sociedade e inclina para dança, a música, o desenho, etc. Dá também bom humor, e uma disposição espiritual, amável e caritativa. Os homens dominados por esse influxo são sempre grandes favoritos do sexo feminino, mas faltam-lhes por completo a firmeza e o domínio sobre si mesmos. Se Vênus é maléfico, encontram-se, frequentemente, em situações difíceis, e são capazes de cair na libertinagem.

π

Vênus, a estrela da manhã – A juventude feminina, com todas as coqueterias, suas seduções e seus perigos, a deusa do amor com todas suas qualidades reina no amante, enquanto que a casta Diana, a Lua, reina sobre a mãe. O céu de Vênus se cumpre em 224 dias e 16 horas, o que lhe outorga uma grande importância nas operações realizadas sob a influência deste planeta, pois uma data muito errada atrasa quase um ano a volta do movimento favorável. Vênus é relacionada com a cor verde.

O Planeta Mercúrio

Em seu aspecto simbólico, o planeta Mercúrio era muito marcante como “mensageiro dos deuses”. Elaboraram-se milhares de mitos ao redor da figura de “Mercúrio com os pés alados”. Na fértil imaginação dos próprios gregos, o espírito de Mercúrio estava sempre alerta para manifestar suas faculdades. Suas ações, ainda que às vezes fossem danosas, eram frequentemente benéficas. Parece que a ideia fundamental dos antigos era simbolizar ou expressar sob uma forma exterior as atividades turbulentas do espírito mercuriano; o que fez que lhe pusessem asas sobre a cabeça e nos pés.

Na Cabala, o planeta Mercúrio significa percepção, e por isso é representado pela faculdade visual no grande corpo do Homem Celeste. É a faculdade ativa da consciência de si na humanidade, e a faculdade de ver, de perceber e de raciocinar.

No planisfério esotérico, Mercúrio se transforma no Anjo Rafael, gênio da sabedoria e da arte. É por isso que vemos que as forças esotéricas deste mundo são aquelas que tendem a fazer passar o gênero humano do plano animal para um plano mais humano.

Considerado astrologicamente, o influxo de Mercúrio é intelectual e ativo. Nenhum sistema de invenção puramente humana tinha consagrado a um astro quase invisível – o menor e mais insignificante de todos os planetas de primeira ordem – o governo da natureza intelectual do homem. Todo sistema fantasioso teria atribuído um conjunto tão importante de qualidades mentais, ao Sol ou ao senhorial Júpiter. No entanto, a experiência dos antigos lhes mostrou que nem o Sol nem Júpiter possuíam esta influência, e é sobre a experiência dos anciãos que se fundam as verdades astrológicas e as regras estabelecidas para sua aplicação. As qualidades de Mercúrio estão bem expressadas na frase “levantai com prontidão e atacai com prudência”, pois a energia, a inteligência e a imprudência constituem os principais traços característicos de um puro nativo de Mercúrio. Não há nada nem muito violento nem muito pesado para seu espírito inventivo e não há nada muito grande que seu cérebro fértil não possa executar. Os Estados Unidos, considerados como unidade, são regidos por Gêmeos, a constelação de Mercúrio e a energia ativa, a empresa comercial e a habilidade nos projetos do tipo americano puro se expressam pela influência singular de seu astro dominante.

Entretanto, no plano intelectual, o planeta Mercúrio é verdadeiramente o gênio da sabedoria, e governa a totalidade das faculdades mentais, chamadas faculdades perceptivas. As faculdades oratórias também são regidas por este planeta. Aqueles que são dominados por seu influxo são engenhosos, inventivos, espirituais, sarcásticos, científicos e possuem uma marcante força de penetração. São profundos investigadores em todas as ciências que ajudam o avanço do comércio.

No plano físico, Mercúrio rege o cérebro e a língua. Quando está numa posição potente no nascimento, o indivíduo possui uma imaginação viva e uma excelente memória e também são marcantes sua capacidade intelectual e seu poder de persuasão.

π

Mercúrio – O mais rápido dos planetas e o mais próximo do Sol. Mercúrio representa a infância, com seu transbordamento de vitalidade e movimento. Cumpre seu ciclo em 88 dias, o que permite utilizar sua influência, do ponto de vista mágico, pelo menos quatro vezes por ano. A cor correspondente a Mercúrio é a do prisma em conjunto, quer dizer, a justaposição de cores diferentes, o que indica a tendência à mudança que afeta tudo o que depende de Mercúrio. Nos antigos grimórios, o nome deste planeta se escreve com uma cor diferente para cada uma das letras que o compõe.

A Lua

Não se pode detalhar o aspecto simbólico da Lua mais que o do Sol. Desde tempos imemoriais a bela deusa da noite foi venerada e adorada como a mãe universal, o principio feminino fecundador de todas as coisas. Na concepção poética dos Hebreus, a Lua se chamava Ashnem ou Sheim, o estado de sonho e de mudança. Sem um conhecimento completo da ciência astrológica, as verdades encantadoras ocultas por trás do véu de Isis jamais podem ser bem compreendidas.

A astrologia é a verdadeira chave dos mistérios fundamentais do Ocultismo. O segredo das marés, os mistérios da gestação e os períodos alternativos de esterilidade e de fecundidade, não podem ser descobertos senão pela compreensão da deusa divina de nossos céus da meia-noite. Este conhecimento foi sublime privilégio dos sábios de “quem, segundo Bulwer-Lytton, os primeiros, descobriram as verdades estreladas que brilham sobre o grande conjunto da ciência Caldéia”. A Chandra dos hindus, a Isis dos Egípcios, a Diana dos Gregos e outras mais são todas elas a Lua.

Cabalisticamente, a Lua representa a alma do Grande Homem Cósmico. É por isso que em sua aplicação é a virgem celeste do mundo, o emblema da Anima-Mundi. No planisfério esotérico a Lua converte-se no Anjo Gabriel. Num naipe universal, se expressa pela divina Isis, mulher vestida de Sol. Na qualidade de Isis, representa a grande iniciadora da alma nos sublimes mistérios do espírito. A Lua representa também os atributos formadores da Luz Astral. Também é o símbolo da matéria, o que faz com que, por seu duplo caráter, nos revele suas forças, que são puramente magnéticas e como tais, são o pólo oposto das forças solares, que são elétricas. Em sua mútua relação, representam o homem e a mulher.

Considerado astrologicamente, poderíamos escrever volumes e volumes sobre este globo. Quando consideramos sua proximidade com a Terra e sua afinidade com ela, assim como a rapidez de seu movimento, não podemos deixar de conceder-lhe o lugar mais elevado como agente ativo em todos os ramos da astrologia. Entretanto sua influência é puramente negativa, por si mesma, e quando está desprovida da configuração do Sol e dos planetas, não é benéfica nem nefasta. Mas quando entra em relação com outros orbes, seu influxo chega a ser excessivamente potente pela maneira como recebe e nos transmite a influência intensificada dos astros que irradiam até ela. Por isso a Lua pode ser chamada a grande médium astrológica dos céus.

No plano intelectual, a Lua governa os sentidos físicos, e em grande medida também as paixões animais. Rege as formas inferiores das qualidades domésticas, e o grupo inferior das faculdades intelectuais. Os que são dominados por seu influxo têm uma natureza mutante, submissa e bem inofensiva. Magneticamente sua esfera odílica é puramente mediúnica, o que faz que sejam inativos e sonhadores. Geralmente, pode-se dizer que os nativos sob a influência da Lua têm um caráter indiferente, falta-lhe tudo o que se pode chamar de forte e decisivo. Passam por errantes, ou mudando continuamente sua casa de um lugar para outro.

No plano físico, a influência da Lua é de uma natureza mutante, sendo harmoniosa ou discordante segundo sua posição relativa ao Sol e aos planetas maiores.

π

Lua – a Lua domina particularmente o que chamamos de mundo físico sobre a Terra, e que o hermetismo chama de mundo sublunar. Este satélite que não é mais do que uma massa quase desprezível, do ponto de vista do nosso sistema solar. Não obstante, adquire uma importância excepcional para o habitante da Terra. Importância tal que, em magia prática, como a Lua se move junto com o Sol, é suficiente guiar-se somente por um destes astros para ter êxito, quase com certeza, em todas as operações levadas a cabo. A Lua é a matriz astral de todas as produções terrestres cujo pai vivente é o Sol. Já falamos da ação dos satélites considerados como os “gânglios nervosos” do planeta ao qual estão sujeitos.

Tudo o quem vem para a Terra, os fluidos e as almas, passam pela Lua e tudo o que sai da Terra também passa pela Lua. A Lua reproduz, analogicamente em suas fases, a Lei Universal de Involução e de Evolução, em quatro períodos. Durante a primeira metade de seu curso (Lua Nova a Lua Cheia) a Lua cresce, segundo as aparências. É o momento, e o único, que o mago deve utilizar para suas operações de Luz. É também o momento em que as influências lunares são verdadeiramente dinâmicas.

A este propósito, permitamo-nos abrir um parêntesis. Um rico industrial, homem alegre que se divertia com as superstições, como é natural, tinha em outro tempo, direito à exploração de um corte de árvores em Jura. Apercebendo-se de que seus concorrentes se guardavam cuidadosamente de cortar as árvores no período minguante da Lua (Lua Cheia a Lua Nova) riu-se muito de sua superstição e aproveitou a mão-de-obra barata daqueles tempos, para explorar amplamente seus bens.

Dois anos depois, nosso industrial tinha-se tornado mais supersticioso do que os demais, pois todos os cortes realizados durante aquele período lunar, não demoraram a apodrecer. Não sabemos porque nos contou isso, mas graças a ele conhecemos esta história…

Assim, a fase ascendente da Lua tem uma grande importância, segundo os ensinamentos da magia. (…). A cor correspondente à Lua é o branco.

§

A Astrologia e a Embriologia

A – Intelecto

A primeira atividade que encerra, por seu movimento diário, todas as esferas inferiores, comunica por sua influência na matéria, a virtude de existir e de mover-se. O globo das estrelas fixas não só dá ao feto sua potência para distinguir-se, segundo seus diferentes tipos e características, mas também lhe comunica o poder de diferenciar-se segundo as diferentes influências desse globo. A esfera de Saturno está imediatamente atrás do firmamento e a alma recebe desse planeta o discernimento e a razão. Depois, está a influência de Júpiter, que outorga à alma a generosidade e diversas outras qualidades. Marte lhe comunica o ódio, a cólera, etc. O Sol influencia a ciência e a memória. Vênus, os movimentos da concupiscência. Mercúrio, a alegria e o prazer e, finalmente a Lua, que é a origem de todas as virtudes naturais, a fortifica. Ainda que todas as coisas provenham da alma e esta as tenha recebido de diversas partes dos corpos celestes, não obstante, são atribuídas à alma e também a todos esses corpos, porque um simples acidente não é suficiente para compreendê-los todos.

B – Corpos físicos

Agora, com respeito ao corpo que é criado e formado a partir do embrião, pelos efeitos e as operações das estrelas que chamamos planetas, é imprescindível lembrar, em primeiro lugar, que a matéria da qual o homem deve ser engendrado, sendo tomada e condensada pela frieza e secura de Saturno, recebe desse planeta uma virtude fortificante e vegetativa, com um movimento material, já que em Saturno há duas forças: uma para preparar a matéria em geral e outra para dar-lhe certa forma particular.

Durante o primeiro mês, Saturno domina na concepção do embrião. Júpiter o substitui no segundo mês e, por um favor especial e uma singular virtude, dispõe na matéria os membros que ela deve ter. Ademais, graças a um calor maravilhoso, reforça a matéria do feto, umedece todas as zonas que tinham sido secadas por Saturno no primeiro mês. Durante o terceiro mês Marte, com seu calor, forma a cabeça, depois distingue todos os membros uns dos outros, por exemplo, separa o pescoço dos braços, os braços das costas e assim sucessivamente.

O Sol, dominante no quarto mês, imprime as diferentes formas ao feto, cria o coração e dá novo movimento à alma sensitiva, isso se acreditarmos nos médiuns e em alguns astrônomos. Mas Aristóteles é de outra opinião e sustenta que o coração é engendrado antes de todas as demais partes e que, a partir dele é que elas se desenvolvem. Outros, dando-lhe mais importância, dizem que o Sol é a fonte e a origem da vida.

Vênus, no quinto mês aperfeiçoa, com sua influência, alguns membros exteriores e forma outros novos, como as orelhas, o nariz, os ossos, o pênis e o prepúcio nos homens, a vulva e os seios nas mulheres. Também separa e distingue as mãos, os pés e dos dedos. Durante o sexto mês, sob o domínio e as influências de Mercúrio, formam-se os órgãos da voz, as sobrancelhas e os olhos, também crescem os cabelos e saem as unhas. A Lua acaba, no sétimo mês, o que os demais planetas tinham começado, pois com sua umidade enche todos os vazios que se encontram na carne. Vênus e Mercúrio umedecem todo o corpo e lhe dão a nutrição necessária. O oitavo mês é atribuído a Saturno que, com sua influência, esfria e seca muito o feto e, por conseguinte, o oprime. Mas Júpiter, que domina o nono mês, com seu calor e sua umidade, devolve o bem-estar ao feto.

§

Ação da Lua

A Lua é o astro que exerce uma ação contingente sobre os seres e sobre as coisas e sua passagem pelos doze signos zodiacais influi no corpo humano da seguinte maneira:

Áries: A Lua afeta o sistema nervoso encefálico, a cabeça e suas dependências, e forma a disposição hepática. Qualidades elementares: o calor seco

Touro: Afeta o sistema glandular, as glândulas tiroide e hipófise, o pescoço, a garganta e suas dependências e forma a disposição renal. Qualidades elementares: o frio seco.

Gêmeos: Afeta o sistema respiratório (lóbulos superiores dos pulmões direito e esquerdo) a ação do sistema nervoso nos pulmões, os membros superiores do corpo e as vértebras dorsais 1,2, 3 e 4 e forma a disposição craniana. Qualidades elementares: o calor úmido.

Câncer: Afeta os órgãos digestivos (estômago, epigástrio e suas dependências), o diafragma, os lóbulos inferiores dos pulmões (o direito 2 lóbulos, o esquerdo 1 lóbulo) e a pleura, e forma a disposição crânio-abdominal. Qualidades elementares: o frio úmido.

Leão: Afeta o sistema cardíaco e circulatório (coração, grandes vasos) o 1/3 superior do estômago e a cárdia (orifício que serve de comunicação entre o estômago e o esôfago), as vértebras dorsais 5, 6, 7, 8 e 9 e forma a disposição cardíaca. Qualidades elementares: o calor seco.

Virgem: Afeta dos 2/3 inferiores da parte direita do estômago, o plexo solar, o piloro (orifício de comunicação do estômago com o duodeno), o lóbulo esquerdo do fígado e o lóbulo de Spigel, o pâncreas e suas dependências, o sistema abdominal epigástrico e toda sua dependência e forma a disposição craniana. Qualidades elementares: o frio seco.

Libra: Afeta os rins, a região umbilical direita e esquerda e o hipogástrio (parte inferior do ventre), isto é, as regiões inguinais, direita e esquerda, uma parte do intestino delgado, a bexiga nas crianças e o útero no tempo da gravidez, e forma a disposição renal. Qualidades elementares: o calor úmido.

Escorpião: Afeta o sistema genital-urinário, a bexiga, o útero, a hipófise e as outras glândulas vasculares sanguíneas e forma a disposição hepática. Qualidades elementares: o frio úmido.

Sagitário: Afeta o sistema muscular e também o coração, os vasos sanguíneos, as túnicas (membrana ou camada que participa das paredes de um órgão) gastrointestinais, o músculo vesical, a região lombar e os músculos, e forma a disposição torácica. Qualidades elementares: o calor seco.

Capricórnio: Afeta o sistema cutâneo e mucoso, o tipo celular, os joelhos e forma a disposição esplênica (a artéria esplênica ou lienal) origina-se no tronco celíaco e segue um trajeto sinuoso, posterior à bolsa omental. Vasculariza o baço, mas também dá ramos para o pâncreas e para o fundo do estômago). Qualidades elementares: o frio seco.

Aquário: Afeta o sistema sanguíneo (o sangue), as pernas, os tornozelos e forma a disposição esplênica. Qualidades elementares: o calor úmido.

Peixes: Afeta os sistemas fibra-ligamentosos, sinovial (sinóvia = humor viscoso das articulações) e respiratório, o calcanhar, os pés e forma a disposição torácica. Qualidades elementares: o frio úmido.

§

Influências Planetárias do ponto de vista da ação Fisiológica e Patológica

Grupo de Marte

1° – Sistema nervoso encefálico e cérebro-espinhal ou vida de relação:
2° – Órgãos da cabeça:
3° – Sistema genital-urinário e renal;
4° – Glândulas vasculares sanguíneas;
5° – Inflamação, astenia:
6° – Localização, lesões.

Grupo de Vênus

1° – Sistemas glandulares, da tiróide e naso-faríngeo:
2° – Sistema renal e hepático:
3° – Secreções humorais:
4° – Distrofia;
5° – Enfermidades infecciosas.

Grupo de Saturno

1° – Sistema cutâneo e ósseo;
2° – Sistema sanguíneo (o sangue e sua composição)
3° – Tecido celular;
4° – Tecido mucoso;
5° – Astenia ou debilidade orgânica;
6° – Cronicidade (qualidade de crônico);
7° – Estenose (estreitamento de qualquer canal ou orifício).

Grupo de Júpiter

1° – Sistemas musculares e fibra-ligamentosos, afetando o parênquima pulmonar, os vasos sanguíneos, o músculo cardíaco, as túnicas gastrointestinais e o músculo vesical;
2° – Intoxicação, discrasia (designação comum a condições patológicas, em especial as que apresentam desequilíbrio de componentes);
3° – Membros inferiores.

Grupo de Mercúrio

1° – Quilificação (digestão intestinal), inervação (suprimento de qualquer parte do organismo com nervos) gastro-abdominal (plexo solar e suas ramificações).
2° – Sanguificação (ato ou efeito converter em sangue) e inervação pulmonar (plexo braquial);
3° – Neurose;
4° – Metástase;
5° – Membros superiores.

Grupo da Lua

1° – Vida de nutrição (glândula simpática), prejudicando a todos os sistemas orgânicos;
2° – Periodicidade:
3° – Microzymase (microzima sf – (micro+grzýme). Mínima partícula de matéria amorfa e amilácea do protoplasma; fermento celular);
4° – Estado agudo;
5° – Hiperemia (superabundância de sangue em qualquer parte do corpo).

Grupo do Sol

1° – Sistema circulatório sanguíneo:
2° – Força vital:
3° – Tonicidade:
4° – Irritação:
5° – Estado sobreagudo (super agudo).

δ

Pelas informações acima, vimos que é impossível compreender as ciências ocultas, herança esplêndida das civilizações desaparecidas, quando se ignora a astrologia. Compreendemos, inclusive, como nossas ciências atuais podem tirar proveito desses conhecimentos, e que a medicina entre outras, pode encontrar muitas aplicações das correspondências planetárias ou zodiacais.

Tradução para o inglês por J. Lee Lehman.

δ

Nota

Burgoyne, Thomas H. (1855-1894)

Thomas H. Burgoyne, an astrologer and founder of the Hermetic Brotherhood of Luxor, was born April 14, 1855, and grew up in his native Scotland. Spontaneously psychic, he claimed that as a child he came into contact with the Brotherhood of Light, a group of discarnate, advanced beings who attempt to guide the destiny of humankind. Today that group continues as the Church of Light. At a later date he met a M. Theon, purported to be an earthly representative of the brotherhood who taught Burgoyne about the Brotherhood.

Burgoyne moved to the United States around 1880 and soon afterward his writings began to appear in various periodicals. He was brought into contact with Norman Astley of Carmel, California, who also claimed to be in contact with the Brotherhood of Light. Astley suggested that Burgoyne write a set of lessons to introduce the brotherhood’s teachings to the public, and Burgoyne accepted Astley’s hospitality at Carmel while he worked on the lessons. They were published in 1889 as The Light of Egypt. The writing of the lessons occasioned the establishment of the Hermetic Brotherhood of Luxor as an esoteric occult order and outer expression of the Brotherhood of Light. The Hermetic Brotherhood was structured with three leaders, a seer, a scribe/secretary, and an astrologer. Burgoyne became the scribe.

As Burgoyne understood it, the Brotherhood of Light was an occult order formed to oppose the dominant religious powers of the day in ancient Egypt. As the members died, they continued the brotherhood from their new plane of being.

Burgoyne wrote several more books, including The Language of the Stars (1892), Celestial Dynamics (1896), and a second volume of The Light of Egypt (1900). He died in March 1894, in Humboldt County, California, still a relatively young man, before the last two were published. Henry and Belle Wagner continued his work. Henry Wagner owned the Astro-Philosophical Publishing House in Denver, Colorado, which published Burgoyne’s books. Belle M. Wagner succeeded Burgoyne as scribe of the Hermetic Brotherhood.

Occult historian Arthur Edward Waite claimed that Burgoyne was, in fact, a name assumed by Thomas Henry Dalton, who had been imprisoned in Leeds, England, in 1883, on charges of fraud. Waite asserts that it was only after his release that he met a Peter Davidson (also known as M. Theon and Norman Astley), the real founder of the Hermetic Brotherhood of Luxor. Waite asserts that Dalton fled to the United States to escape the scandal of his arrest and continued the work of the order in California.

γ

Sources:
Burgoyne, Thomas H. Celestial Dynamics. Denver: Astro-Philosophical Publishing, 1896.
——. The Language of the Stars. Denver: Astro-Philosophical Publishing, 1892.
——. The Light of Egypt. 2 vols. Denver: Astro-Philosophical Publishing, 1889, 1900.

Ω