Astrologia Antiga

A Natureza Estoica e a Influência dos Astros sobre a Vida Humana

Marco Manílio e a busca por uma “Simpatia Universal” (Século I d.C.)

Ana Teresa Marques Gonçalves

Professora associada de História Antiga e Medieval na UFG. Doutora em História pela USP. Bolsista Produtividade II do CNPq.

Rodrigo Santos M. Oliveira

Doutorando pelo Programa de Pós-graduação em História – UFG, bolsista CAPES. Orientado pela professora doutora Ana Teresa Marques Gonçalves – UFG

Laboratório de História Antiga – LHIA / IH / UFRJ
Phoînix 2018 – Ano 24 – Volume 24 – Número 1 – ISSN 1413-5787

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Resumo

Uma necessidade de ordenar o espaço político-social ao final da República romana e início do Principado, com Otávio Augusto (século I a.C.), pode ser percebida pelos historiadores da Antiguidade a partir da análise documental literária do período. A capacidade do novo líder foi apresentada de diferentes formas, e por diferentes autores, pois um consensus era necessário para impor fim aos anos de Guerras Civis. Pensando dessa maneira, Manílio, em sua poesia didática intitulada Astronomicas, propõe o aprendizado do saber astrológico por perceber nesse ensino o melhor caminho para aqueles que desejam compreender a ação humana gerenciada por uma força cósmica criadora que compõe o próprio homem. Tal entendimento se torna possível para o autor quando apresentando, a partir de um prisma filosófico específico, o Estoicismo. Por isso, o presente artigo apresenta esse conhecimento, a fim de entendermos não somente a necessidade maniliana de ordenar seu tempo, mas de ensinar a respeito da conexão necessária entre o homem e a natureza (divina).

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Manílio, poeta do I século d.C., estrutura, a partir de sua obra Astronomicas, o universo. Seu manual, que aborda conceitos e temas que atualmente dividimos entre astrologia e astronomia, nos traz uma compreensão organizacional dos corpos celestes, além de uma explanação acerca das relações existentes entre eles. Tais relações não abrangem somente a porção que compreendemos como Céu, mas influenciam na elaboração e ação da vida terrena. Ou seja, astros e homens estão interligados por uma teia de relações infinitas. Sendo esta a ideia central, visamos entender a obra maniliana a partir do prisma de compreensão estoica. Tal filosofia é o nosso suporte para compreender a organização do universo de acordo com Manílio, que acreditou que tudo se interligava através de uma denominada “simpatia universal”.

A filosofia manteve algumas posturas, sendo por isso denominada com o mesmo nome desde a sua criação, mas se modificou para poder atender às novas necessidades de seus praticantes. Além disso, temos que salientar a dificuldade que é apresentada para aqueles que se interessam em estudar a história da filosofia estoica. Assim como aponta Rachel Gazolla, a sobrevivência histórica de tal dependeu da doxografia1 que nos restou, ou seja, da compilação feita por estudiosos que não eram mais estoicos e, por isso, selecionaram as informações que lhes eram úteis. “Muitas vezes, as teses resgatadas misturam-se às concepções do compilador”, e, por isso, não é incomum perceber características pós-platônicas, aristotélicas, céticas ou cristãs nas problematizações estoicas que nos chegaram.

1 Doxografia é o relato das ideias de um autor quando interpretadas por outro autor, ao contrário do fragmento, que é a citação literal das palavras de um autor por outro.

Alexander Jones nos dá uma possível explicação sobre o porquê de a astrologia ter sido tão valorizada pelos filósofos estoicos:

No Estoicismo, assim como no epicurismo, um entendimento da localização física da humanidade no universo era parte integrante de um sistema de pensamento que sustentava os compromissos éticos da seita.

Jones continua sua explanação a respeito disso, mostrando que “é um lugar comum a enorme afinidade dos estoicos com a astrologia”. Peter Marshall nos apresenta o fato de que foi após as campanhas de Alexandre, o Grande, que a astrologia recebeu maior influência estoica. Assim, como ele nos mostra:

Os estoicos, que estavam entre os maiores lógicos e físicos do seu tempo, integraram totalmente a astrologia em seu sistema. Mantiveram a tradição platônica de um sistema de mundo esférico, com a Terra no centro do universo e os corpos celestes movendo-se em torno dela em movimentos circulares. Reafirmaram também a crença de Platão de que os céus revelavam a presença divina e que os deuses habitavam os planetas.

Analisarmos as partes de tal filosofia se faz importante a fim de entendermos como esta era utilizada na elaboração de uma concepção e organização astrológica. Especificamos, nesse caso, o trabalho feito por Manílio, que uniu esses dois saberes com o propósito de ensinar a “verdade” sobre o universo. A forte discordância que Manílio faz em relação à teoria epicurista de formação do universo é, para nós, um indício da predileção maniliana pela filosofia estoica. O Epicurismo foi uma escola filosófica fundada por Epicuro por volta de 306 a.C., e seu propósito principal não era o de se opor ao Estoicismo, mas sim explicar a formação de todas as coisas pelas porções mínimas, não visíveis aos olhos humanos: os átomos. Assim como aponta Reinholdo A. Ullmann:

O Jardim (maneira pela qual a filosofia foi denominada por ser o local onde ocorriam as aulas) não era um lugar de ociosidade, mas de treinamento para os que iriam a outros lugares semear suas ideias epicuristas. Ali se formavam pregadores e forjavam missionários. Se a Academia e o Liceu se caracterizavam pela theouría, isto é, pela especulação, o Jardim visava à vida cotidiana, concreta e prática. O Jardim constituía o centro irradiador da propaganda epicureia.

Porém, mesmo que não propositadamente oposta ao Estoicismo, a física epicurista, que apresentava a ideia de que tudo era formado pelos átomos, debatia diretamente com a física estoica. Ullmann expõe:

A física de Epicuro trata da teoria dos átomos e de suas implicações na constituição do universo, em geral; versa, também, sobre o homem, composto de corpo e alma, que, ambos, nada mais são do que átomos: ocupa-se, ainda, dos deuses, igualmente formados por átomos muito sutis.

Sendo assim, a explicação epicurista da criação pelos átomos ordenados ao acaso não correspondia ao anseio maniliano de organização e harmonia universal, que encontrou nos preceitos estoicos ideias concordantes com sua explicação de mundo.

Tomando o caminho contrário ao de Crisipo (filósofo grego que se dispôs a explicar as partes da Stoa – século III a.C.), que apresenta a física por último em sua explicação do Estoicismo, iniciamos com tal, pois debate diretamente com a doutrina epicurista apresentada acima. Percebemos que se posicionar perante a vastidão do universo era de extrema necessidade para o filósofo estoico, já que este deveria se comportar conforme a natureza. Tal, para os estoicos, surgiu do que entendiam como física (bem diferente do entendimento nos dias de hoje). A física estoica se originou da palavra physis, do grego phuerin (φουερίνη), que significa crescer. Diógenes Laércio afirmou:

[…] eles chamam natureza quer ao que o mundo contém, quer ao que produz as coisas terrestres. A natureza é uma maneira de ser que se move por si mesma segundo razões seminais, produzindo e contendo as coisas que nascem dela nos tempos definidos e formando coisas semelhantes àquelas donde foi destacada.

Dessa maneira, a natureza estoica é teorizada e apresentada como divina, comportando-se em uma eterna normatividade, pois possuía em sua elaboração uma prevista ordenação e força constitutiva dos seres. Tal “sacralidade” da natureza é abstrata, pois não apresenta a presença das divindades míticas, e ampara o homem, enquanto sua universalidade, já que o apresenta pelo uso do logos, fazendo-o parte do cosmo e, com isso, interligando-o a todos os outros seres. Sendo assim, a natureza humana, ou o que compreendemos como o controle de seus impulsos e funcionamentos particulares, se interligava à natureza universal, fazendo de todos os homens seres logikós e, por isso, partes do todo cósmico que também é criador. Sendo assim, o homem é parte desse cosmo divino e, a partir disso, cabe a ele entender os mistérios do universo.

A natureza já não se esconde em nenhuma parte; nós a conhecemos inteiramente, somos os senhores do céu, que conquistamos, observamos o nosso criador como parte que somos dele, e, filhos dos astros, dele nos aproximamos […] Que há de admirar se os homens podem conhecer o céu, se neles próprios está o céu e cada um é uma pequena cópia da imagem do deus? […] Prole que rege todas as coisas, o homem é o único dotado da capacidade de examinar a matéria, do poder da fala e do entendimento, e é ainda instruído em diversas habilidades: ele se refugiou nas cidades, domou a terra para que ela desse frutos, domesticou animais e abriu a passagem no mar; firme e de cabeça erguida no alto da fortaleza, dirige para as estrelas, como um vencedor, os seus olhos semelhantes às estrelas, observa mais de perto o Olimpo e interroga Júpiter; não contente só com o dos deuses (dos astros), também perscruta o céu no seu âmago e, tomando em consideração um corpo que é da mesma espécie que o seu, procura a si mesmo nos astros […]. O céu mesmo chama as nossas atenções para as estrelas e, como ele não oculta os poderes que tem, não admite que eles passem despercebidos. Quem julgaria ser um crime conhecer aquilo que é permitido conhecer? Não desprezes as tuas forças como se elas estivessem presas numa alma pequena: o que há de poderoso em ti não tem medida. Assim como uma pouca quantidade de ouro supera em valor numerosos montes de bronze; assim como o diamante, um nada de pedra, é mais precioso que o ouro; assim também a pupila, pequenina que seja, vê todo o céu perfeitamente, e aquilo com que os olhos exercem a visão é muito pequeno, enquanto o que observam é muito grande; do mesmo modo, a alma, cuja sede está posta dentro do diminuto coração, governa, a partir desse estreito limite, toda a extensão do corpo. Não meças o tamanho da matéria, mas atenta, sim, para as forças que a razão, e não o peso do teu corpo, tem: a razão tudo vence.

(Manílio. Astronômicas IV, vv. 883-932)

Percebemos, com isso, que o homem é parte do universo, mundo ou cosmo, divino, pois cabe a ele conhecer, através da razão, seus segredos. Marcelo V. Fernandes bem nos mostra que, a partir da explicação estoica, o homem “é filho dos astros, é parte da divindade que rege o universo. Nessa qualidade, ele sobreleva os demais seres e os domina”. O cosmo seria, então, um “conjunto de seres ordenados em ato dinâmico, atualizado sempre” (Gazolla). A autora continua:

Eles (os estoicos) asseveram o cosmos como ato/potência perene e de uma só vez – sem antes e depois, sem temporalidade, sem vazio entre corpóreos –, e firmam, assim, a “invariável variabilidade do ser”. O cosmos é corpo perene em transformação sem deixar de ser ele mesmo, é ousía2 e é divino. […]

2 Pode ser traduzida por essência ou substância.

O logos cósmico é o Todo, a ordenação, a Prónoia3, a Heimarméne4, o Nómos5, Zeus. Ele é o próprio Pneuma6 que tudo dirige através de tudo em mistura. No homem, assim também é ele […]. Desse modo, o divino cósmico na alma humana dá-se a conhecer com limites.

3 Previsão.
4 Destino.
5 Na mitologia grega é conhecido como o daemon das leis, estatutos e normas ou como um dos aspectos de Zeus.
6 Respiração, espírito e/ou alma.

O universo, dessa maneira, era entendido pelos estoicos como a divindade que arquitetou o mundo, como a própria ordem dos astros e como a mistura desses dois aspectos, ou seja, o universo era a criação ao mesmo tempo que era o criador. A natureza seria, a partir disso, o “fogo artista” ou um “sopro ígneo e artesão” (Cícero. Da natureza dos deuses, II, 22). Melhor dizendo, a natureza seria a força que se move por si própria, mantendo a razão e a coesão entre todas as coisas criadas.

O mundo seria formado por dois princípios: o primeiro passivo, a matéria, substância que por si só não possuía nenhuma qualidade, ou seja, necessitava ser moldada; e o segundo ativo, a razão modeladora que agia na matéria. Assim sendo, o mundo foi formado pelos quatro elementos: fogo e ar (princípios ativos), água e terra (princípios passivos). Manílio apresenta tal concepção em sua obra:

O fogo alado se elevou às regiões mais altas e, abrangendo os mais elevados pontos do céu estrelado, formou uma defesa de chamas para proteção do universo. Em continuidade, o ar, que com seu sopro desceu em ventos brandos e espalhou pelo espaço vazio do mundo o ar que se concentrava no meio. O terceiro elemento aplanou as ondas e as vagas flutuantes, e espargiu o mar assim acalmando, quando ele provinha de todas as partes do oceano, de modo que a água se evolasse e expelisse brisas de vapor, e alimentasse o ar, que dela toma seus germes, e de tal modo que o sopro de tais brisas, avizinhando-se dos astros, pudesse alentar-lhes a chama. Por último, a terra assentou com o peso de sua esfera, e o lodo se juntou, misturando-se à areia instável à medida que a água aos poucos fugia para lugares mais altos; cada vez mais a umidade se apartou, indo formar a água pura, a superfície do mar se abaixou, elevando-se a terra, e então sua água correu e se dispôs junto aos vales profundos; montanhas emergiam da agitação do solo, e por entre as ondas surgiu a esfera da terra, cercada, todavia, pelo vasto oceano em todos os lados. Ela permaneceu estável porque o céu inteiro se afasta dela com a mesma distância, e, descendo por todos os lados, ela fez que não caíssem o seu meio e a sua extremidade.

(Manílio. Astronômicas I, vv. 190-215)

Fogo, deus e artesão são sinônimos na explicação estoica da formação do universo. Assim como aponta Cícero, o fogo artista não é o que destrói, mas o que “procede com método à geração das coisas”. Sendo o mundo criado por um logos que compõe a sua criação e dela faz parte, todas as coisas se interligavam para os estoicos, ou seja, todos os seres, vivos ou não vivos, possuíam afinidade entre si. O mundo seria um continuum energético de corpos, já que “tudo, no mundo, se comunica: de próximo a próximo e de próximo a longínquo”. Tudo seria animado por uma simpatia universal que se compreende em uma teia de relações infinitas e, por isso, tudo existiria a partir de uma relação causal com base no destino:

Uma das maiores audácias do pensamento estoico é a ruptura da relação causal: as causas são remetidas profundamente a uma unidade que lhes é própria e os efeitos entretêm na superfície os relacionamentos específicos de outro tipo. O destino é primeiramente a unidade ou a ligação das causas físicas entre si; os efeitos incorpóreos são evidentemente submetidos ao destino, na medida em que são efeitos dessas causas.

O destino desempenhou um papel importante na filosofia estoica. Com esses filósofos, o destino não era mais considerado apenas uma expressão exclusivamente trágica ou uma força essencialmente extramundana. Este passou a ser uma realidade natural inscrita na estrutura do mundo, “testemunho de uma disposição imutável na ordem das coisas”. O autor prossegue em sua explicação mostrando que “o destino aparece assim como um nexus causarum, um nó de causas”, isto é, como “uma ordem e uma conexão que jamais poderão ser forçadas ou transgredidas” (Plutarco. Sobre as contradições dos estoicos, I, XXXVIII). O destino, dessa forma, seria a força que animava a simpatia universal, que fazia com que todas as coisas se mantivessem numa relação harmônica de mútua amizade. Assim, cabia ao homem viver conforme a vontade da natureza divina ordenadora de todas as coisas e animada pela força do destino. A ação do homem, a partir dessa conformidade, seria plena, enquanto a negação de tal acarretaria uma vida distante do ideal estoico. O homem, optando pela segunda hipótese, se afastaria da imagem do sábio para se tornar mais um cego diante da vastidão do universo, tendo como papel ser dominado e desprezado. Mesmo que o destino estivesse traçado, cabia ao homem perceber e interpretar seus objetivos e seu lugar no espaço em que vivia, fazendo de si não apenas passivo à ordem astral, mas também parte da própria divindade.

Tudo no mundo seria regido por essa força divina que mantém a regularidade de todas as coisas, fazendo do universo, a partir das leis do destino, inexorável. No livro I, Manílio fez questão de narrar, em uma longa digressão, acerca da não alterável regularidade da natureza e dos movimentos celestes, o que, para ele, se manifestava como um sinal de que o universo era governado por uma força divina:

Assim, para que melhor possas reconhecer as brilhantes constelações: elas não variam nem o pôr nem o retorno ao céu, mas cada uma, constante, eleva-se de acordo com o seu tempo específico e conserva ordenados os momentos do seu nascer e do seu ocaso. Nada, nessa máquina tamanha, é mais admirável do que sua regularidade e o fato de que tudo obedece a leis constantes. Em lugar nenhum uma perturbação lhe causa dano; nada, em parte alguma, é levado a vagar por um caminho mais extenso ou mais breve ou mudar a direção do seu curso. O que mais pode haver de aparência tão complicada e, no entanto, de movimentação tão regular?

(Manílio. Astronômicas I, vv. 584-599)

Dessa forma, para os estoicos, que acreditavam em seu universo divino, ordenado e simpático em relação a todas as coisas criadas, não era aceitável a crença epicurista de criação do mundo pelos átomos e ao acaso. No livro I, Manílio deixa bem claro que não há razão para acreditar que o universo tenha sido criado como os epicuristas pregavam. As fortalezas do universo não poderiam ser explicadas a partir de um emaranhado caótico de pequenas partículas (átomos), já que era uma força reguladora e divina que regia o mundo:

Quanto a mim, nenhuma razão me parece tão evidente quanto essa, para mostrar que o mundo se move segundo uma força divina e que ele próprio é o deus, e que não se formou por ordem do acaso, conforme quis que acreditássemos o primeiro que ergueu as fortalezas do universo a partir dos elementos mínimos e a eles reduziu-as […]. Quem poderia acreditar em tamanha quantidade de obras a partir de tais elementos mínimos, sem o poder de uma divindade, e num mundo criado pela combinação cega entre eles[…].

(Manílio. Astronômicas I, vv. 475-500)

Cabia ao homem, que buscava uma boa vida, conviver harmoniosamente com a natureza, despertando em si a porção divina concedida pelo criador, que também se mostrava como sua própria criação. O homem deveria buscar compreender o universo, os astros e toda a natureza à sua volta, pois só assim descobriria o propósito de viver que lhe foi concedido.

A vida conforme a natureza era de suma importância para o estoico, que via nisso a única maneira de o homem viver bem. Assim como já explicitado, o viver harmônico entre homem e natureza era apresentado como a maior virtude e felicidade que o ser humano poderia almejar. Diógenes Laércio mostra que “é nisso que consiste a virtude e a facilidade da vida feliz”, sendo necessário realizar um “acordo harmonioso do demônio que habita cada um com a vontade do governador do universo”. Porém, temos que entender que essa busca não era compreendida como uma harmonização entre duas forças diferentes e externas uma à outra. O homem possuía, em sua formação, parte do divino que também formava essa natureza, ou seja, também era parte desta, mas diferenciava-se pela utilização do logos. Nessa instância, a intervenção do homem passa a ser ativa, já que este agia guiado pela razão.

A vivência conforme a razão era de extrema importância para o estoico, sendo esta primeira tendência a divisão da moral (segunda parte da filosofia)7, apreciada e ensinada por esses filósofos. Manílio nos mostra o quão importante era para o homem viver conforme a natureza, sendo guiado pela razão, que era a agente formadora de todas as coisas:

7 “As divisões da moral nos são dadas por Diógenes Laércio. Os Estoicos distinguem na moral, parte da filosofia: um estudo da tendência, um estudo dos bens e dos males, um estudo da virtude, um estudo do soberano bem, um estudo do primeiro valor, um estudo das condutas convenientes, dos encorajamentos e das dissuasões”.

De fato, antes deles (sacerdotes que foram os primeiros a interpretar o mundo) o homem rude, sem nenhum discernimento, voltado apenas para a aparência das coisas, carecia da razão e, admirado, ficava absorto numa luz nova no céu, ora aflito por imaginá-la sumir, ora alegre por vê-la nascer; pois nem Titã (o Sol) há de surgir tantas vezes, pondo para fugir as estrelas, nem a variada e incerta duração do dia e da noite, nem as sombras dessemelhantes, quando afastado ou quando mais próximo o Sol, conseguia ele entender a partir das causas. O engenho não inventara ainda as doutas artes, e a terra, sob cultivadores rudes, devastada, cessava de produzir; nesse tempo, o ouro se escondia nas montanhas desertas; o mar, não tirado de seu repouso, furtava à vista novos mundos; e não ousavam os homens confiar ao pélago as suas vidas ou aos ventos os seus votos; cada um julgava saber bastante […]. A sagacidade sempre interessada no conhecimento, a tudo venceu com seus esforços; e a razão não impôs nem fim nem limite aos objetos de seu interesse até que se elevou ao céu, compreendeu a natureza profundamente a partir das verdadeiras causas e percebeu tudo o que existe […] arrebatou a Júpiter o seu raio e o seu poder de trovejar, e atribuiu o som aos ventos e às nuvens o relâmpago.

(Manílio. Astronômicas I, vv. 81-129)

Assim, a tendência estoica se misturava ao entendimento do “soberano bem” e à “virtude” no que explica, a partir da sabedoria, uma compreensão una das implicações dos acontecimentos: a vida, que é a razão e que é o deus. Dessa maneira, o bem e a virtude são alcançados por aquele que vive em conformidade com o ser racional criador de tudo e, com isso, poderiam ser definidos como o “útil”. De acordo com Brun, o útil, para os estoicos, não era um valor técnico, “pois este não é o valor de que o homem é a medida; o útil é o que está conforme ao sentido da vida, ao sentido do destino, ao sentido da vontade do deus”. O soberano bem não poderia ser separado da compreensão de virtude, pois, no pensamento estoico, não se pode ser primeiro virtuoso e só assim esperar o bem: ambos se cruzam imediatamente quanto à realização pelo homem.

A virtude, como aponta o autor supracitado, “é a presença do bem numa pessoa, é uma perfeição em comum com o todo. Por isso a virtude é una e total”, e não divisível em grau ou intensidade: ela é algo que existe no ser humano ou não. A excelência estoica não estaria, dessa forma, ligada à conclusão dos objetivos propostos em vida, mas sim no viver, ou seja, no caminho que o homem trilhava para alcançar seus resultados. Do que adiantaria para o homem acumular, desenfreadamente, bens e riquezas se isso não o conectaria ao supremo bem e nem faria dele um ser mais virtuoso? Manílio assim também se questionou e apresentou que a harmonia e conformidade com as “coisas da natureza” seriam a melhor maneira de atingir a plenitude:

Por que consumimos com tanta ansiedade os anos de nossa vida e nos torturamos com o medo e com a cega cobiça? Envelhecidos por eternas preocupações, enquanto procuramos o tempo, nós o perdemos e, não pondo um fim a nossos desejos, sempre agimos como quem há de viver e não vivemos nunca. Cada um, apesar dos bens que tem, é ainda mais pobre, porque quer mais e não considera o que tem, somente aquilo que não tem deseja. Embora a natureza peça pouco para si, aumentamos com os nossos desejos a causa para uma grande ruína e com os nossos lucros adquirimos o luxo e por causa do luxo partimos para o roubo. Então a mais alta recompensa da riqueza é esbanjar a própria riqueza? Libertai, ó mortais, os vossos espíritos, aliviai-vos das preocupações e esvaziai a vida de tantas queixas supérfluas. O fado rege o mundo, tudo se mantém sob uma lei constante e o tempo, na sua longa sucessão, está marcado por acontecimentos certos. Ao nascer, estamos destinados a morrer: nosso fim depende do nosso princípio.

(Manílio. Astronômicas IV, vv. 1-22)

A ética (ou moral) do Estoicismo se definia, portanto, “por uma inscrição dentro da ordem cósmica e natural, que é uma ordem racional”, ou seja, “a ética é racional, e o ideal do sábio é erradicar as paixões e alcançar a impassibilidade e a autarquia: ele deve bastar-se mantendo-se mestre de si mesmo”. O sábio comanda os seus próprios desejos; ele sabe que “de todas as coisas do mundo umas dependem de nós, outras não”. Dessa maneira, cabia ao homem, que buscava ser esse sábio, expurgar todas as paixões e desejos contrários ao convívio harmônico e à natureza.

O homem estoico não deveria se comportar como escravo das paixões, não deveria ter medo da dor, do desejo e nem dos prazeres, ou seja, não deveria se deixar contaminar por tais doenças da alma. A partir da ideia de o sábio estoico ter a sua vida guiada pela razão, que era divina, e pela recusa aos prazeres e paixões, percebemos que a ética do Estoicismo mostrava que o homem seria, então, um cidadão universal, melhor dizendo, defendia a ideia de um cosmopolitismo. Todos seriam, a partir da simpatia universal, não somente cidadãos de sua cidade natal, mas do mundo. Todos viveriam na República de Zeus, unidos e sob uma lei comum. Jean Pierre Vernant nos mostra como seria entendida tal elaboração:

Simetricamente organizados ao redor de um centro, os espaços políticos, uma vez de formar como nas monarquias orientais uma pirâmide dominada pelo rei e, de alto a baixo, com uma hierarquia de poderes, prerrogativas e funções, delineiam-se segundo um esquema geometrizado de relações reversíveis, cuja ordem se baseia no equilíbrio e na reciprocidade de iguais.

Sendo assim, percebemos que os desejos provocavam maior ou menor grau de servidão no homem, “e é este o núcleo que os estoicos querem tocar, pois um homem submetido à escravidão de uma paixão não pode escolher, portanto está afastado da escolha para a ação moral por um subjugo, a priori”. Porém, continua Rachel Gazolla, “é preciso frisar, todavia, que não há uma insensibilidade aos acontecimentos, uma altivez estoica ou frieza diante dos males, como passou a significar o adjetivo estoico”, pois o que percebemos é a existência de uma “ausência de agitação violenta da alma, sinal da negação do tempo acumulador de desejos insaciáveis”.

Pela vida em conformidade com a natureza divina, criadora do universo a partir da razão, os estoicos percebiam que o homem deveria viver sem pressa de alcançar o futuro ou preso ao passado. O tempo deveria ser vivido no presente e de forma sábia, já que tudo estava programado conforme a força do destino. Victor Goldschmidt, autor apresentado por Gazolla, apresentou tal ideia ao escrever:

A perfeição não é solidária do tempo que escoa e que parece inflar e alongar-se […] o próprio da paixão é sujeitar-nos ao tempo irreal, em que o passado sobrevive para comunicar sua “existência” e seu conteúdo ao futuro.

Dessa forma, Manílio nos mostra que, assim como já exposto na citação do Livro IV (vv. 1-22), cabia ao homem viver conforme as vontades do destino, do deus racional criador do todo, que “escondia” nas estrelas os seus segredos.

Pois, qualquer que seja o gênero de coisas, quantos quer que sejam os sofrimentos, todos os trabalhos e ofícios, quaisquer que sejam os acontecimentos que podem preencher a vida humana em sua totalidade, a natureza os encerrou na sorte, e os dispôs em tantas partes quantos foram os signos que estabeleceu, e atribuiu a cada parte suas propriedades específicas e sua função particular, e numa ordem fixa distribuiu entre as estrelas toda a fortuna do homem, de modo que uma fração, sempre limítrofe com a mesma parte, permanecesse junto aos signos vizinhos.

(Manílio. Astronômicas III, vv. 80-90)

Portanto, o homem deveria respeitar as contingências estipuladas por esse deus criador e próprio universo, possuindo, todavia, uma postura ativa e capaz de descobrir os segredos salvaguardados nas estrelas.

Sobre a última divisão feita da filosofia estoica (a lógica), temos que destacar que o processo de produção do conhecimento de mundo que tais filósofos empreendiam se baseava no empirismo. Porém, temos que salientar também que a empiria estoica possuía um alcance diferenciado quanto à sua concepção. Como já explicitado, para os estoicos o mundo era um ser vivo, como um deus, que regia tudo que foi criado a partir da razão, gerando, com isso, tensão e simpatia que, para o homem, se traduziam em uma convivência harmônica e de acordo com a natureza. Sendo assim, a empiria estoica não seria aquela a lidar com aspectos qualitativos, mas um empirismo de compenetração do homem e do mundo.

[…] sentir é ter os sentidos e a alma modificados pelo que é exterior; esta modificação pode ser em harmonia com o que provoca, e neste caso estamos na verdade, ou pode estar em desacordo, e nesse caso estamos no erro e na paixão.

A empiria estoica se mostra diferente das demais, especificamente da aristotélica, que, a partir de seu raciocínio, versa sobre o encadeamento de conceitos, como: se eu sou um homem e todos os homens são mortais, logo eu sou mortal (a = b e b = c, logo a = c). Já o raciocínio estoico versa sobre as implicações de relações temporais, ou seja, o produto definidor da origem: se uma mulher tem leite é porque deu à luz. Dessa maneira, o tempo estoico se mostrava diferente, pois este, além da expressão da sabedoria divina, é expressão do dinamismo da vida universal e da sua harmonia. Com isso, o homem no tempo se torna único, não podendo ser imitado ou possuir um igual: “o que existe são dois indivíduos e jamais serão idênticos”.

Manílio escreveu sobre isso ao identificar que ainda os nascidos sob o mesmo signo não seriam iguais:

Na terra, os que nascem são criados sob tal lei (dos dodecatemórias); por isso, conquanto nasçam sob o mesmo signo, apresentam costumes diferentes e vontades opostas; e frequentemente a natureza se desencaminha, para pior, e ao nascer de um menino segue o de uma menina: os dois nascimentos reúnem-se sob uma mesma estrela; o fato é que cada astro sofre variação por causa das divisões que tem, e muda, nas dodecatemórias, as suas influências específicas.

(Manílio. Astronômicas II, vv. 845-855)

Assim, o empirismo estoico se baseava na harmonia entre uma experiência exterior e uma experiência individual, ou seja, entre a harmonia da natureza do universo e a natureza do ser humano. Dessa forma, o estoico apreendia o mundo a partir da representação das coisas que observava e sentia. Tal representação teria um objeto por substrato, o representado, o que se diferenciava da imaginação, pois esta repousava sobre o nada. Como nos mostra Brun, através das palavras de Cícero, a representação seria “uma impressão que reproduz aquilo donde provém e não pode exprimir aquilo de que não provenha”. A representação seria, para o filósofo estoico, o primeiro elemento de interação entre indivíduos e o mundo. Tal interação implicava uma relação entre dois seres vivos (o homem e o deus criador) e, por isso, a sabedoria buscada pelo estoico aludiria “igualmente em aquiescência à vida do mundo, ao desenrolar dos acontecimentos, fundada na razão. Tal tarefa é ação da dialética”.

A dialética seria, então, a sagacidade e/ou a capacidade de opor argumentos ao que não é senão verossímil a fim de não ceder. Tendo papel importante em toda elaboração filosófica estoica de explicação do mundo, a dialética explicava a lógica. Tal implicava, ao mesmo tempo, uma visão de mundo que a sustém:

[…] implica um nominalismo que afirma que só o indivíduo possui realidade enquanto os conceitos são apenas palavras; implica uma teoria da simpatia universal segundo a qual todos os indivíduos estão numa interação mútua; implica uma teoria do destino, justificando as ligações temporais de causalidade.

A lógica estoica propunha ao filósofo um papel de professor, pois educar os demais quanto à vida conforme a natureza era importante (Manílio empreendeu tal tarefa em sua obra). Por isso, a dialética desempenhou uma enorme função dentro da escola e na formação e continuação dos ensinamentos.

Pela compreensão de como Manílio se utiliza da filosofia estoica em sua obra, elucidando qual a relação entre homem e natureza a partir da ação de conhecer os astros, podemos entender também como a obra em questão colabora com o entendimento do período do início do Principado, especificamente a respeito do Principado de Otávio Augusto. O que salientamos aqui é que Manílio, um homem de seu tempo (afirmação óbvia, porém necessária para nós historiadores), escreveu sobre a sua própria vivência. Ou seja, o autor escreveu a partir de suas experiências, de seu lugar comum, sobre um tema que lhe interessava, sendo este, nesse caso, a astrologia. A obra é uma possível aproximação do período que desejamos compreender. Possível, pois não pensamos que um documento, por maior valor que tenha (valor atribuído pelos historiadores), possa expressar o contexto de sua produção de uma maneira completa. Este apenas apresenta o que para o autor era, conscientemente ou não, importante.

Para tal intento, o de apresentar o contexto maniliano, percebemos através da obra como o romano, especificamente Manílio, perpetuava certos ensinamentos e exemplos a partir da eternidade das estrelas, rememorando feitos e homens do passado.

Assim como pontua Jaques Le Goff:

A história, enquanto produtora de memórias, ou seja, enquanto engendradora de atos de poder, de zonas de conflito e de exempla, não está, assim, tão longe da retórica das técnicas de persuasão, e por isso, frequentemente, os autores recorrem à formação de discursos em sua prosa.

Para nós, a memória seria produtora de exempla, pois Manílio se propõe a eleger modelos exemplares para a ordenação e manutenção da tradição no que diz respeito principalmente à postura do bom líder. Percebemos tal ideia na explanação feita pelo autor da Via Láctea como lar dos grandes homens que morreram. Entre estes se encontrava Heitor, herói de Troia que era ligado à dinastia Júlia de Augusto8. A partir disso, compreendemos que Manílio elege grandes heróis e feitos, originários da memória e da tradição romana, para legitimar o governo vigente. Dessa forma, “o ato da memória é um ato de poder e o campo da memória é um campo de conflitos”, sendo que a memória é construída e negada a partir dos interesses de quem a utiliza – no caso de Manílio, a memória (conjunto de exempla) se baseia na confirmação e legitimação do Principado de Augusto, perpetuando também este modelo para seus sucessores.

8 “… e a raça Júlia, descendente de Vênus” (Manílio. Astrologia I).

Assim, percebemos que Manílio empreendeu em seu poema um esforço para explicar seu contexto a partir da eleição de exemplos capazes de aludirem a um modelo ideal da organização e manutenção da ordem e paz romana. Em sua busca de escrever um poema capaz de abordar conceitos e elaborações astrológicas na tentativa de ensiná-las a seus leitores/alunos, ao mesmo tempo que se utilizava da filosofia estoica como base para sua produção escrita, Manílio tentou exprimir tal conhecimento seguindo uma forma específica a partir de uma beleza almejada.

Dentro desse objetivo duplo, o autor da obra Astronomicas apresenta o contexto em que viveu, remetendo-se a eventos já ocorridos durante o processo de sua escrita. Quer dizer, ao narrar sobre os astros, Manílio analisa a desorganização do seu próprio espaço tempo, durante os anos finais das Guerras Civis republicanas e o início do Principado, destacando a ordenação necessária e simpática, personificada, de certa forma, na ascensão de Otávio ao poder. Voltar a vida em conformidade com a natureza seria, para o autor, a melhor atitude a se tomar. Natureza esta que, enquanto divina, salvaguardaria o homem de novas desordens. Conhecer os astros e entender os seus segredos era importante, pois representava satisfação em conformidade com a natureza e, ao mesmo tempo, um retorno ao mos maiorum (tradição) romano.

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