Astrologia Antiga

Astrologia e Astrólogos no Principado Romano

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Definições, terminologias e possibilidades de interpretação sobre suas práticas e conhecimentos nas fronteiras culturais da cidade de Alexandria

Vinícius de Oliveira da Motta

Mestrando do Programa de Pós-Graduação em História da UFSM com orientação da Profª Drª Semíramis Corsi Silva, bolsista CAPES-DS, membro do Grupo de Trabalho História Antiga da Associação Nacional de História – Seção Rio Grande do Sul – ANPUH/RS e do Grupo de Estudos sobre o Mundo Antigo Mediterrânicos da UFSM-GEMAM/UFSM.

Revista Alétheia – Estudos sobre Antiguidade e Medievo – Nº2/2017 – ISSN:1983-2087

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Resumo

Dada a importância e relevância da astrologia e dos astrólogos no contexto político e cultural do Principado Romano, neste artigo buscamos observar algumas das maneiras pelas quais a astrologia helenística assimila alguns conceitos das filosofias e religiosidades em circulação na época. Para tal estudo focaremos na astrologia desenvolvida sobretudo a partir de Alexandria durante os séculos I e II d.C., observando também como ela estava conectada a outras práticas e saberes como a matemática, a astronomia, a medicina, etc. bem como mostraremos as formas e os termos usados para designar os estudiosos e praticantes da astrologia nesse momento, que também colaboram para compreender melhor como se desenvolveu e se reconheceu esse conhecimento na cultura mediterrânica do século II d.C., período de auge da astrologia helenística no Império Romano e momento histórico de intensificação dos contatos nas fronteiras culturais entre greco-romanos e sociedades orientais.

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Introdução

Nas variadas culturas das sociedades da Antiguidade, o estudo e a prática da astrologia; que têm sua origem muito provavelmente entre os povos mesopotâmicos e egípcios, sobretudo a partir do século VIII a.C.; compõem um dos mais relevantes métodos de adivinhação, desenvolvendo-se principalmente nos primeiros séculos do Principado Romano no que costumamos chamar de “astrologia helenística”. Nesse contexto destacamos as contribuições de astrólogos alexandrinos, como Cláudio Ptolomeu ou Vettius Valens, ou ainda outros de origem egípcia, sírios, etc., que teriam desfrutado de maior representatividade que os astrólogos de origem romana. Apesar de, por muito tempo, os romanos considerarem a astrologia um saber “estrangeiro”, o que teria levado alguns a elaborar uma série de críticas à prática e aos praticantes, na verdade percebemos durante o Império um crescente interesse dos romanos nas diversas possibilidades da adivinhação, o que teria levado ao pleno estabelecimento de tradições como a astrologia. O conhecimento astrológico, enquanto modalidade da cultura na Antiguidade mediterrânica, assim como outros métodos divinatórios, já representava desde o período republicano uma forma de “apropriação de poder” entre as elites romanas, chegando, durante o Império Romano a ser reconhecido pelas elites como conhecimento verdadeiro, uma “sabedoria da verdade”. Tornando-se por excelência uma fonte de legitimação do poder político, a astrologia seria abertamente utilizada pelos imperadores e pelas cortes romanas, sendo que muitos astrólogos adquiririam influência por praticamente todo o Império. A astrologia chegou a ser considerada um “poder detrás do trono de Roma” pelo historiador Frederick Cramer, por exemplo.

Nesse contexto, a tomada romana do Egito representou um movimento geopolítico e militar que teve também importantes efeitos na interpenetração e contatos culturais das sociedades mediterrânicas. Podemos imaginar que o controle da região e da antiga capital ptolomaica, Alexandria, não significasse em si uma novidade, já que as relações entre Roma e o Egito Ptolomaico já teriam alguns séculos naquele momento. Ainda assim, tal controle político não nos permite subestimar os efeitos ocorridos com a tomada do Egito, sobretudo sobre a própria cultura romana. Seria dentro desse processo que o desenvolvimento da astrologia helenística teve seu auge no século II d.C., marcado principalmente por astrólogos de Alexandria. Esta cidade, por sua vez, desde princípios do período ptolomaico já representava um ponto de encontro, uma fronteira cultural no Mediterrâneo, tendo sua fundação estabelecido fluxos políticos, comerciais e culturais entre as sociedades do Mediterrâneo, Mesopotâmia, interior da Pérsia e oeste da Índia.

Além disso, assim como a fundação de Alexandria teria representado uma maior abertura cultural dos gregos em relação aos egípcios, isso também ocorreria em relação aos romanos a partir da tomada do poder político no Egito no século I d.C. Neste momento ocorreu uma intensificação dos contatos entre greco-romanos e as culturas orientais em um “movimento constante de ir e vir” a partir de Alexandria que favoreceria “a intensidade das mudanças e as intensas trocas culturais, além da rápida circulação não só de artigos, mas principalmente de informações, saberes, técnicas, ideias e rumores”, espalhados pelo Império principalmente a partir da capital da então província do Egito. A partir disso, consideramos que o saber astrológico figura entre esses saberes, técnicas e ideias que, cada vez mais, passariam a ser assimilados por romanos com o fortalecimento que ocorre destes fluxos e conexões culturais. Um dos efeitos deste afluxo e trocas de saberes seria que desde o século I a.C. podemos argumentar sobre uma conversão da nobreza romana para uma fé bastante profunda na astrologia e nos astrólogos.

Para pensar nosso objeto de estudo deste artigo, tomamos as reflexões do antropólogo Fredrick Barth, que toma o “conhecimento” (ao que acrescentaríamos também os métodos e as práticas) como uma importante modalidade para a análise das culturas por ele constituído. Segundo Barth, é justamente nas fronteiras culturais e/ou geográficas que os fluxos e as relações culturais das sociedades caracterizam processos de identificação ou diferenciação dentre e entre elas. Devemos considerar ainda que durante o Império Romano vemos o status da astrologia como “conhecimento” ser reforçado de várias maneiras. Neste viés, compreendemos o desenvolvimento da astrologia helenística a partir de Alexandria como exemplo deste importante processo cultural de integração mediterrânica, e para analisá-lo nesse momento, propomos algumas questões iniciais que buscaremos abordar neste texto: Como poderiam ser conhecidos e designados os praticantes da astrologia e seus conhecimentos e práticas na época analisada? Que tipos de serviços poderiam ser demandados e oferecidos pelos astrólogos durante o Principado Romano?

Veremos também como a astrologia helenística assimilou alguns conceitos filosóficos e religiosos comuns entre as culturas do Mediterrâneo nesse período, particularmente as figuras do Daimon e da Fortuna, conceitos que foram utilizados na teoria e nas técnicas de astrólogos alexandrinos como Vettius Valens, no século II d.C., mas que envolviam verdadeiros cultos religiosos, com uma importante influência na filosofia, baseados em um intenso sincretismo entre divindades e conhecimentos greco-romanos e egípcios que ocorria principalmente a partir de Alexandria onde esses cultos, com uma possível origem macedônica, foram profundamente ressignificado. Cumpre destacar que tais cultos, por sua vez, assimilavam elementos culturais egípcios e mesopotâmicos, bem como conhecimentos filosóficos que influenciaram as concepções greco-romanas de destino e providência (heimarmene), crenças muito importantes que foram assimiladas na teoria e prática astrológica dos primeiros séculos pelos alexandrinos.

Como fonte para este estudo, analisaremos alguns textos de autores romanos e gregos, além de abordar melhor dois astrólogos do século II d.C.: Cláudio Ptolomeu (em seu tratado astrológico Tetrabiblos e em uma epigrama atribuída a ele na Antologia Palatina) e Vettius Valens (em sua obra conhecida como Antologia). Ptolomeu teria nascido em Pelúsio, cidade do Baixo Egito, por volta do ano 100, além de ser um reconhecido astrônomo, matemático e sistematizador do conhecimento astrológico na Antiguidade. Já Vettius Valens, nasceu na cidade de Antioquia, na Síria, no ano de 120. Valens foi um importante astrólogo praticante, deixando registros de mais de uma centena de mapas astrais de pessoas reais de diversos lugares do Império que foram atendidas por ele ou por seus estudantes. Apesar de suas origens, fora da cidade de Alexandria, os dois astrólogos rumaram para a então capital do Egito, onde se estabeleceram e atuaram, ainda que, como veremos, representem diferentes noções de como poderiam ser os astrólogos antigos.

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Caldeus, astrólogos, astrônomos, matemáticos ou médicos?

Sabemos que nesse período não existia uma distinção clara entre astrólogos e astrônomos. Além disso, a astrologia era frequentemente associada, por um viés étnico-cultural, ao povo caldeu, ao passo que desde o período da República Romana era comum entre romanos e gregos referir-se aos astrólogos simplesmente como “Caldeus”. Inicialmente, podemos pensar que o termo fosse utilizado de maneira pejorativa. Entretanto, parece que, apesar dos próprios astrólogos referirem-se aos Caldeus mais como fontes de seus saberes do que como uma forma de identificação comum, também podemos ver em outros textos o termo ser utilizado para se referir a qualquer astrólogo, mas não contendo necessariamente uma conotação negativa, como vemos a seguir.

No livro IX da obra De Architectura, escrita aproximadamente entre 27 e 16 a.C. pelo arquiteto romano Vitrúvio, vemos o autor falar bastante sobre o uso de geometria e aritmética nos conhecimentos astrológicos, mas ele alerta que não falaria propriamente sobre “astrologia” (termo em latim), já que, segundo ele, o “cálculo dos Caldeus” (Chaldaeorum ratiocinationibus), ou seja, o conhecimento sobre os efeitos astrológicos na vida humana, deveria ser deixado para as discussões desses, já que seriam esses os especialistas neste assunto. Logo em seguida Vitrúvio também diz: “A sutil engenhosidade e inteligência daqueles que vêm da terra dos Caldeus (natione Chaldaeorum) são evidentes pelas descobertas que nos deixaram por escrito”. Vitrúvio afirma que um dos principais exemplos disto era o sacerdote babilônico Berosus, que segundo ele, teria estabelecido uma escola de astrologia na ilha grega de Cos trazendo consigo esses conhecimentos mesopotâmicos. Ao mesmo tempo que o arquiteto romano demonstra crer na astrologia, ele reconhece virtudes nesses saberes estrangeiros e faz referência ao conhecimento matemático transmitido pelos astrólogos das sociedades orientais.

Entretanto, vemos algo diferente quando o senador e orador romano Cícero tenta, na obra De Divinatione, refutar vários métodos de adivinhação que eram comuns entre romanos do final da República. Cícero diz que não se deve acreditar nas previsões dos Chaldaeis, a quem também se refere como astrólogos, designando já a prática como astrologia. Rodrigo Carvalho Silva acredita que as críticas de Cícero à astrologia ocorriam sobretudo por ela ser considerada uma prática estrangeira, que ainda durante o período republicano, chegava a Roma principalmente com escravos de origem oriental.

Posteriormente, durante o Principado Romano, o médico e filósofo Sexto Empírico, que viveu entre os séculos II e III, quando argumenta “contra os astrólogos” (ΠΡΟΣ ΑΣΤΡΟΛΟΓΟΥΣ), refere suas críticas aos saberes da “astrologia e matemática” (ἀστρολογίας ἢ μαθηματικῆς) que eram ensinados no período. O filósofo apresenta uma postura cética em relação a certos métodos de ensino de sua época, exatamente quando a astrologia obteve seu auge. Sabemos, por exemplo, que no “governo de Severo Alexandre (222-235) são criadas cadeiras para o ensino da astrologia e da aruspicina em Roma subvencionadas pelo Estado”. O que demonstra que existiam algumas divergências, mas elas podem ter permanecido por muito tempo exceções, já que, em geral, consideramos que, durante o Principado Romano, o conhecimento astrológico foi aceito e financiado, tanto pelo poder e pela elite, quanto pelos eruditos e por outras pessoas do Império.

O termo astrologia, usado por Vitrúvio, Cícero e Sexto Empírico, entretanto, parece ter sido mais usual justamente entre os que não eram astrólogos, já que os estudiosos e praticantes da astrologia helenística raramente o utilizavam. Cláudio Ptolomeu, logo no início de seu tratado argumenta sobre as possibilidades do “conhecimento astrológico” (άστρονομίας γνωσις), fazendo uso do termo astronomia. Já Vettius Valens inicia seu texto com uma introdução sobre a “natureza dos astros” (αστέρων φύσεως), referindo-se à “astronomia” (άστρονομίας) da mesma forma que Ptolomeu, o que parece ser mais comum nos textos de astrólogos antigos.

Sabemos que havia ainda a designação “matemáticos” (μαθημάτικός), que frequentemente se referia muito mais aos astrólogos do que aos matemáticos, como conhecemos hoje. É claro que, considerando suas limitações tecnológicas, era imprescindível que os astrólogos antigos possuíssem conhecimentos astronômicos e matemáticos que os permitissem calcular adequadamente os horóscopos. Ptolomeu usa o termo “matemática” (μαθημάτική) justamente para se referir a parte exata, isto é, a parte que podia ser aferida e calculada nos métodos da astrologia. Ou seja, além de uma certa indefinição dos limites entre a astrologia e a astronomia, esses saberes ainda eram razoavelmente indistintos dos estudos da própria matemática na Antiguidade.

No livro clássico Astrologia e Religião entre os Gregos e Romanos, originalmente publicado em 1912, Franz Cumont afirma que os babilônicos desconheceriam a trigonometria grega, por exemplo, e por isso o desenvolvimento do conhecimento astrológico-astronômico entre os helênicos ter sido em alguma medida superior ao das sociedades babilônicas, pela falta de desenvolvimento da matemática na Mesopotâmia. No dia 26 de agosto de 2017 foi publicada no site do jornal espanhol El País uma reportagem a respeito de uma evidência arqueológica recentemente estudada pelos matemáticos australianos Daniel Mansfield e Norman Wildberger2. Trata-se de uma tábua de argila com escritos em cuneiforme, identificada como Plimpton 322, datada de cerca de 1800 a.C. e proveniente da antiga cidade suméria de Larsa, atual Iraque. Segundo o estudo dos matemáticos australianos, o teorema matemático contido na peça arqueológica apresenta uma evidência de que os mesopotâmicos conheciam os princípios da trigonometria há cerca de um milênio antes dos gregos, embora os matemáticos não tenham chegado a nenhuma conclusão sobre o uso que as sociedades mesopotâmicas faziam dessa trigonometria no período.

2 Ambos da Universidade de Nova Gales do Sul (Austrália).

Identificada como Plimpton 322 e datada de 1800 a.C., a peça original foi encontrada em Larsa, localizada a cerda de 25 km da antiga cidade de Uruk. Encontra-se atualmente no acervo da Biblioteca de Livros e Manuscritos Raros da Universidade de Columbia, em Nova York (EUA).

Descobertas como a da tábua de argila acima são resultado de estudos e pesquisas arqueológicas mais recentes que apontam para um pleno processo de desenvolvimento do conhecimento astrológico-astronômico e também matemático naquelas sociedades. Se, por um lado, a distância temporal entre Cumont e essas descobertas o absolve do equívoco, por outro, o exemplo demonstra como as novas pesquisas, acompanhadas de novas abordagens, têm colaborado para percebermos a maior complexidade das trocas ocorridas nos fluxos e conexões culturais durante a Antiguidade que, por sua vez, influenciaram fortemente o desenvolvimento de uma série de conhecimentos e outros elementos das culturas das chamadas sociedades antigas.

Podemos também destacar uma possibilidade profissional entre os astrólogos do Principado Romano que teria origem no Egito. Cláudio Ptolomeu diz que foram os egípcios os primeiros a usar astrologia aliada à medicina (άστρονομίας προγνωστικω την ίατρικήν). O método envolvia o estudo das correspondências entre fenômenos astrais e o corpo humano ou objetos materiais, conhecida também como astrologia médica ou medicina astrológica (ίατρομαθημάτικα). Essa prática se desenvolveu junto à astrologia helenística dos primeiros séculos, incorporando importantes elementos das filosofias e religiosidades egípcias.

O astrólogo Vettius Valens, por exemplo, descreve consultas astrológicas para investigar questões de saúde, como uma série de atendimentos que ele faz a uma criança de origem romana entre o 8º mês de vida até o 33º mês, quando ela falece. Neste relato, ele busca abordar as causas astrológicas de convulsões, feridas e eczemas sofridos pela criança.

Podemos imaginar que a astrologia fosse utilizada de maneiras bastante diversas. Além disso, o atendimento de astrólogos era demandado por motivos muito variados, perpassando, ainda, uma série de outros saberes e práticas entre os antigos. As designações utilizadas para se referir aos astrólogos e à astrologia mostram uma indefinição que vai além da astrologia e astronomia naquele momento, já que vemos que esses saberes e práticas apresentam ligações também com a matemática e até mesmo com a medicina.

Do que foi mostrado, percebemos que foram diversas as possibilidades de atuação dos astrólogos e de aplicação da astrologia no período do Principado, além do que nossas arbitrárias divisões de campos de conhecimentos atualmente encontram um quadro bastante desafiador para compreender as fronteiras culturais entre os antigos. Pode ser difícil, senão impossível, estimar o real peso semântico dos termos que foram usados. Mas é possível estimar o quanto o saber astrológico influenciou e foi influenciado por diversas esferas da cultura, assimilando conhecimentos que hoje isolamos nas chamas “ciências exatas”, mas também, como mostraremos a seguir, importantes conceitos filosóficos e religiosos presentes nas sociedades que compuseram o Império Romano.

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Astrologia e sincretismos religiosos e filosóficos na Alexandria do século II

Algumas vezes vemos nos textos dos astrólogos antigos o conhecimento astrológico colocado como um método de se alcançar uma experiência mística, a chamada unio mystica, fundamental para alcançar o conhecimento, estabelecido e um contato entre os astrólogos e as divindades. É atribuída a Ptolomeu uma epigrama na qual ele argumenta sobre a experiência proporcionada pela contemplação dos astros, dizendo se sentir junto a Zeus e provando da ambrosia dos deuses. Nesse mesmo sentido, Vettius Valens fala do orgulho por possuir um conhecimento que lhe é revelado pela sabedoria divina, além de afirmar que a astrologia tornaria as pessoas resilientes, verdadeiros “soldados do destino” (στρατιωται της είμαρμένης) através de seu conhecimento prognóstico.

A figura de heimarmene (είμαρμένη) às vezes aparece como “destino”, mas também pode ser compreendida como “providência”, que também pode ser vista como uma sabedoria transcendental que os humanos podem acessar através de insights e outras experiências místicas, como pelo estudo da astrologia, bem como vemos no caso dos astrólogos. A heimarmene também tem relação com as figuras mitológicas das Moiras (semelhantes às Parcas romanas), à cuja lei até as divindades estariam submetidas4. A providência organizaria as condições para a vida humana, seguindo uma espécie de ordem cósmica, que dependendo do contexto cultural pode ser representada como mais ou menos determinista e fatalista. Há evidências interessantes em um recente trabalho da historiadora e astróloga Dorian Greenbaum, sobre o papel do conceito do Daimon na astrologia helenística, de que os sincretismos filosóficos e religiosos que aconteciam nesse contexto e que podemos observar em parte pela astrologia, colaboraram também para que o conceito de “destino” se tornasse menos rígido, abrindo-se uma série de possibilidades de concessões, o que teria representado uma mudança profunda nas ideias a partir de então.

4 Sobre isso, o livro Astrologia do Destino (1995), da psicóloga e astróloga americana Liz Greene, apresenta uma interessante abordagem da simbologia em torno desta questão.

O conceito de Daimon é um dos mais complexos e interessantes na filosofia e religiosidade das sociedades mediterrânicas. Sendo que estes seriam forças que hoje costumamos dividir, por exemplo, entre angélicas e demoníacas; inclusive os estudiosos percebem que o termo “demônio” deriva exatamente da palavra Daimon. Segundo filósofos e mesmo os astrólogos antigos, essas forças também seriam responsáveis por criar uma conexão com a “providência” através de uma série de experiências místicas, religiosas e filosóficas, que ocorriam por meio da astrologia e outros métodos, onde eles obteriam então a prognosis, algo como um insight, intuição ou revelação, um conhecimento que “nos chega” ou “nos ocorre”. Esse processo de acesso a um conhecimento superior, que é mediado pela força do Daimon, seria parte do que se conhecia entre os filósofos e religiosos como pronoia. O astrólogo Vettius Valens, por exemplo, considera seu conhecimento astrológico “sagrado” e “entregue aos humanos pela divindade (ὑπὸ θεοῦ παραδεδομένη τοῖς ἀνθρώποις), para que eles possuam uma porção de imortalidade através da prognosis (προγνώσεως)”. Sobre isso Vettius Valens seria muito mais direto: ele acreditaria que a presciência que desenvolvia com a astrologia o levaria a obter todo o conhecimento sobre a vida que seria possível aos humanos. Se trataria de um processo de pronoia mediado pelo Daimon. Os saberes da astrologia e seus prognósticos seriam vistos por Valens como uma espécie de “revelação daimônica”.

As noções de “prognóstico”, “destino” e “providência”, de onde o conhecimento poderia ser obtido por meio de métodos divinatórios e do contato com o Daimon, parecem ser bastante aceitas. Ainda que sua compreensão não fosse absolutamente unívoca, já que ao mesmo tempo em que Valens coloca a si mesmo como soldado e seu trabalho a serviço da heimarmene, Cláudio Ptolomeu mantém uma postura diferente, sua obra não usa propriamente conceitos filosóficos e religiosos, mas diz que os prognósticos (προγνώσεως) astrológicos se fundamentam em um princípio que para ele e seus contemporâneos seria bastante claro: de que uma “substância sútil aeriforme” que está em tudo e dá origem a tudo, dos elementos mais básicos na natureza até os animais que habitam a terra, essa substância estaria eternamente sujeita a mudanças e as estrelas errantes seriam as responsáveis por influenciar as condições destas mudanças na terra, segundo Ptolomeu. Ao estudar esse ordenamento da natureza o astrólogo-astrônomo seria capaz de obter, portanto, prognósticos úteis sobre o passado, o presente ou o futuro. Percebemos que a ideia de Ptolomeu parece mais ocultar que romper com os conceitos filosóficos e religiosos que são representados na heimarmene, ligada ao destino e a providência. Além de que as “estrelas”, o termo comum usado para se referir aos planetas, poderiam ser vistas como manifestações daimônicas das divindades e da ordem do destino.

 Os prognósticos astrológicos também ofereceriam informações sobre os “momentos propícios”, ou seja, os momentos mais oportunos para se realizar algo, chamados de kairoi (ou kairos, no singular). Esses momentos poderiam ser encontrados pelos astrólogos nos mapas astrais ou por outros métodos divinatórios. Entretanto, Valens é contundente na questão, dizendo que se os kairoi não fossem observados “Em verdade, é inútil sacrificar a deus e consagrar oferendas; aquele que pede não será ouvido e a divindade não se deixará ser adorada”. Para Dorian Greenbaum, o astrólogo defende a ideia de que tudo que fazemos deve se alinhar com o movimento cósmico das estrelas; além de que a responsabilidade de incutir essa ordem cósmica em nossa mente, no formato de ideias, seria o Daimon seguindo a lei de heimarmene. A historiadora supracitada lembra que em suas teorias “Valens privilegia a importância de ambos o Daimon e a astrologia em relação a viver a vida em harmonia com o universo”.

O Daimon, entre as religiosidades, filosofias e a astrologia helenística, também seria representado quase sempre junto com outra força divina: Fortuna, que também aparece em diferentes sociedades mediterrânicas, ainda que variando em poderes oraculares e representações. Os significados dessa divindade teriam, a partir do século II a.C., se aproximado cada vez mais da divindade grega Tique, como demonstra o historiador espanhol Santiago Montero. Ela também estava diretamente relacionada a concepções filosóficas e religiosas sobre o destino humano, sendo responsável por atribuir-lhe a “sorte”, isto é, as chances de êxito ou fracasso. De acordo com Greenbaum, para compreendermos como essas crenças alcançaram o Império Romano é importante analisar a cultura da cidade de Alexandria, “onde os cultos de Fortuna e Daimon foram bem desenvolvidos no segundo século d.C. Além dos cultos às divindades Boa Fortuna (Agathe Tyche) e Bom Daimon (Agathos Daimon), havia também o conceito de uma tuchē e daimōn pessoais”.

Na astrologia helenística, o termo τόποι, que significa lugares, era usado para se referir às 12 divisões do mapa astral, ou seja, às casas astrológicas, cada uma correlacionada a uma determinada área da vida. Duas dessas divisões são chamadas de ‘Bom Daimon’ e ‘Mau Daimon’, e os lugares opostos a elas são chamados de ‘Boa Fortuna’ e ‘Má Fortuna’, o que não seria acidental, já que Daimon e Fortuna, com frequência se encontram cultural, religiosa e filosoficamente intricados. Nos mapas astrológicos, haveria uma relação entre os significados da casa 5, de Boa Fortuna e do planeta Vênus (estrela de Afrodite), considerado um ‘pequeno benéfico’ por sua influência. Já o Bom Daimon seria associado a casa 11 e a Júpiter (Zeus), o ‘grande benéfico’, sendo que o Agathos Daimon chega a ser representado na iconografia helênica como um homem de barba, similarmente a muitas representações do deus Zeus, segundo Greenbaum.

Nas teorias e técnicas astrológicas, os pares “sol e lua”, bem como a tríade “mente, alma e corpo” seriam reunidos em sistemas simbólicos. “Mente e alma, Sol e Lua, matéria e espírito, todos são integrados em uma astrologia” que se mostra muitíssimo próxima dos sistemas religiosos e filosóficos em voga nos primeiros séculos do Principado Romano. Entre os greco-romanos, as noções de daimon ou ainda genio são reconhecidamente importantes. Até mesmo cidades chegaram a possuir um Daimon que, conforme as crenças da época, as guiava e protegia, sendo que o conceito adquiriu grande abrangência cultural, representando também o caráter, características e tendências da índole humana. O Daimon também teria grande importância entre as filosofias da época. Haveria relação entre a inteligência, o caráter e o destino das pessoas, representados nas crenças em torno de Daimon e Fortuna. Pelo que compreendemos, enquanto as forças do Daimon determinam intenções e possibilitam ações, a Fortuna determina as chances de êxito ou fracasso delas, ambos de acordo com as condições impostas pela heimarmene, a providência.

Além de encontrarmos em Alexandria santuários ao Bom Daimon e a Boa Fortuna, moedas alexandrinas dos períodos entre os governos dos imperadores Adriano (117-138) e Antonino Pio (138-161) mostram um altar que os estudiosos acreditam ser um altar ao Agathos Daimon supostamente construído por Alexandre ao fundar a cidade, mas seria durante o período romano que essa crença ampliaria suas dimensões, tendo assimilado elementos greco-romanos e egípcios. Greenbaum afirma que “Os tentáculos desta relação, e os cultos resultantes, insinuaram-se para dentro do mundo Egipto-Greco-Romano”. Juramentos teriam sido feitos em nome do Daimon dos Ptolomeus e a Boa Fortuna seria associada às rainhas ptolomaicas junto à divindade egípcia Ísis, que também era bastante famosa na cidade de Antioquia.

Imagem no lado inverso de uma moeda romana aproximadamente de 76 d.C., onde aparece o Agathos Daimon usando a coroa dupla do Egito, com um caduceu a esquerda e trigo maduro a direita. A imagem é da coleção da historiadora Dorian Greenbaum (2016) e aparece na abertura de sua obra.

Em uma estela encontrada provavelmente em Alexandria, datada entre cerca de 332 a.C. e 395 a.C., vemos uma outra representação com motivos semelhantes aos da moeda com o altar ao Agathos Daimon, onde, em uma representação do Bom Daimon e Boa Fortuna, aparecem Ísis, à esquerda, e Serápis, à direita, também com corpos de serpentes, entrelaçados e interligados em seu centro pela representação do deus egípcio da vida após a morte: Osíris. Enquanto Ísis carrega uma espada, símbolo de conhecimento semelhantemente ao caduceu, o deus alexandrino Serápis carrega um galho de trigo maduro.

Essa simbologia talvez se relacione com a própria representação de Alexandria e do Egito, fazendo referência tanto aos aspectos eruditos quanto a abundância da produção agrícola egípcia, pontos que seria comum de vermos destacados nas referências ao Egito e a sua capital na tradição greco-romana. Além disso, há uma ligação clara com elementos da cultura egípcia onde, em outra estela, provavelmente do período faraônico, o mesmo motivo aparecia, com Ísis e Osíris já sendo retratados como serpentes, uma simbologia que não era incomum para os egípcios, mas sua influência pode ter alcançados outros lugares do Império Romano, já que encontraríamos, em torno dos séculos I e II a.C., na cidade romana de Pompéia, por exemplo, semelhante representação, provavelmente pintada nas paredes de um santuário da deusa Ísis, onde vemos as serpentes que são conhecidas como Agathodaemon, e são divindades guardiãs que simbolizariam fertilidade.

Portanto, a partir do que mostramos, notamos que durante os primeiros séculos do Principado Romano, as interações culturais que se intensificam entre romanos e o mundo helenístico resultam também em uma intensa diversificação cultural e religiosa. Tanto estes cultos quanto a astrologia helenística seriam exemplos do “fenômeno de absorção dos cultos orientais no Império Romano”, nas palavras de Hariadne Soares. Alguns estudiosos acreditam que o conceito grego de Daimon teria sido trazido ao Egito pelos helênicos da Macedônia, mas o simbolismo que envolve culturalmente a questão teria raízes egípcias, ligadas particularmente aos deuses egípcios Shai e Osíris, que seriam relacionados também com a divindade alexandrina Serápis, em um sincretismo que resulta no conceito religioso e filosófico do Bom Daimon nos primeiros séculos de nossa era, sendo assimilado pela astrologia helenística. Ainda segundo Greenbaum, seria a partir de Alexandria que as representações dessas divindades na cultura egípcia teriam sido transferidas para uma versão traduzida e metamorfoseada do Agathos Daimon e Agathe Tyche no período Romano dos séculos I e II a.C., período em que a astrologia helenística deixava também sua marca no mundo mediterrânico.

Junto ao Bom Daimon estaria quase sempre a Boa Fortuna que, neste contexto, teria adquirido significados da deusa egípcia Ísis, retratada então como ‘dama do destino’, ligada também à Tique e personificada como Boa Fortuna, significando riqueza e vida. Na astrologia helenística Agathe Tyche representa filhos, fertilidade, ganhos e boa fortuna. Veríamos também identificações com as deusas egípcias dos ricos e abastados, Shepset, e da nutrição, Renenet, chegando a estarem conectadas simbolicamente ao próprio tempo e ao ciclo solar. Como “regente do destino”, Ísis aplicaria as leis, ordenando e decretando os destinos dos humanos, e essa concepção egípcia teria influenciado os textos gregos.

Embora uma outra divindade chamada Fortuna já fosse cultuada em Roma, segundo estudiosos, desde o estabelecimento da dinastia etrusca no século VI a.C., esta sofreu uma série de influências culturais que transformaram seus significados. A Fortuna dos primeiros séculos do Principado, representada na cultura alexandrina e na astrologia helenística, pode ser compreendida como uma facilitadora ou castradora das chances, sendo representada em um intricado sincretismo que mistura elementos culturais mesopotâmicos, egípcios, helênicos, romanos, etc. e que influenciou uma série de crenças a partir da Alexandria romana.

A extensão desse culto é certamente reconhecida quando os astrólogos o assimilam e operacionalizam em sua astrologia, sendo que a influência dessas crenças talvez seja importante para compreendermos a aceitação e assimilação da própria astrologia naquele contexto histórico a partir da capital do Egito e a influência da cultura egípcia sobre os greco-romanos. Segundo Joana Campos Clímaco, descobertas arqueológicas recentes ressaltam Alexandria como um lugar de natureza multicultural, enfatizando a existência de um estilo próprio alexandrino, que poderia ir muito além de uma simples união de elementos egípcios e gregos, ainda que isso não nos permita subestimar jamais o elemento egípcio. Em sua tese de doutorado, o historiador Júlio Galha, por exemplo, defende que já durante o período ptolomaico teria havido uma adoção de práticas mágico-religiosas egípcias pelas dinastias helênicas, o que viabilizou um projeto político-religioso e a legitimação do controle político do Egito.

Considerações finais

Diante de nossos estudos, vemos que a astrologia helenística passou, principalmente a partir da tomada do poder político no Egito pelos romanos, a ser gradualmente aceita dentro do Império. O controle sobre o Egito e sobre Alexandria representou uma abertura do Império para uma série de influências culturais novas e dinâmicas, entre as quais estavam o saber astrológico que era desenvolvido principalmente na cidade estudada. Sendo que nesse momento Alexandria já era há séculos um ponto de conexão entre diversas regiões do Mediterrâneo, da África e da Ásia. Esses contatos culturais confluíram também para crenças e para o desenvolvimento de cultos religiosos e filosóficos como o do Daimon e de Fortuna a partir da cidade. Portanto, é compreensível que a astrologia helenística seja também resultado dessas influências mesopotâmicas e egípcias que foram adaptadas para as necessidades religiosas, filosóficas e simbólicas greco-romanas. É neste sentido que percebemos algum reconhecimento disso já na persistência da designação étnico-cultural “Caldeus”, que ainda era utilizada para se referir aos astrólogos na época que estudamos.

Outro aspecto importante a destacar é que, enquanto importante modalidade da cultura, a astrologia helenística é um conhecimento que se desenvolve paralelamente a outras disciplinas como a astronomia, da qual não pode ser diferenciada, além da matemática, chegando a ser aliada à medicina durante a Antiguidade, como vimos. Através de seus sistemas simbólico-matemáticos, os astrólogos antigos buscavam descobrir o jogo entre o consulente e seu destino, influenciado também pelo Bom Daimon e pela Boa Fortuna. Calculando mapas astrais os astrólogos seriam capazes de oferecer informações sobre os “melhores momentos” para algo se realizar. Seriam especializados, assim, em identificar as nuances e momentos no “relógio cósmico”, selecionando os melhores, os kairoi, para se empreender qualquer coisa. Como buscamos mostrar, o astrólogo Vettius Valens, por exemplo, se baseia no Daimon, em cálculos e observações astronômicas e em um complexo sistema que visa oferecer alguma previsibilidade sobre o destino. Embora o astrólogo Cláudio Ptolomeu não reconheça o poder do Daimon, sua concepção da própria natureza da realidade, que também justifica para ele a astrologia, demonstra sua aceitação da ideia de destino como ordenamento cósmico, onde as estrelas errantes governariam as “mudanças” no tempo.

Percebemos, finalmente, que estudos e descobertas arqueológicas recentes apontam para um quadro no qual não podemos mais subestimar a influência cultural das sociedades orientais, entre egípcios, babilônicos, sírios e outros povos no Império Romano. O simples termo astrologia, em si, nos remeteria a uma série de sistemas simbólicos, variantes de organizações matemático-simbólicas da observação do céu entre chineses, indianos, árabes, maias e mais uma infinidade de outras culturas. Assim, a “astrologia helenística” que tem seu auge no século II a.C. em Alexandria, perpetuada por obras como as de Cláudio Ptolomeu e Vettius Valens, constituiria “nossa” variante desse fenômeno multicultural, se tornando a referência sobre a qual se mantiveram esses conhecimentos até os dias atuais. Também percebemos que esse processo ocorre interligando crenças, cultos religiosos e filosofias, sendo resultado de intensos sincretismos que influenciaram boa parte do Império Romano a partir da capital da província do Egito.

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