Astrologia na História e Mitologia

Arquétipos Míticos

Um Estudo da Astrologia Ocidental sob a Ótica da Teoria do Imaginário

Danúbia Barros Cordeiro Cabral

Professora do Instituto Federal do Rio Grande do Norte/IFRN. Doutora em Linguística pelo PROLING da Universidade Federal da Paraíba.
Revista Sociopoética, Campina Grande-PB-Brasil, jul-dez/2017

Resumo

Os estudos que permeiam o campo do imaginário não são construídos com base em uma disciplina que apresenta objeto e método instituídos, mas, ao contrário, são resultados de diversas perspectivas teóricas. Essa encruzilhada das mais diversas ciências, entre elas a Linguística, tem como foco o estudo das “representações”, em outras palavras, objetiva entender os sentidos e as configurações simbólicas materializados pelas formas de pensar, as quais estão vinculadas às práticas sociais que situam o homem e seu meio. Diante da premissa de que o ato de dar significado está atrelado a um plano simbólico, justifica-se a escolha da teoria do imaginário para guiar nossa pesquisa, que tem como precursor o filósofo Gaston Bachelard, segundo o qual os símbolos não podem ser classificados do ponto de vista da forma, mas de sua força expressiva, o que reclama a atuação subjetiva. Para tanto, o objeto de estudo escolhido para esta pesquisa foi o discurso astrológico, materializado no gênero horóscopo; objetivando analisar o discurso mitológico que lhe serve de base, numa tentativa de mitanálise.

Introdução

O século XXI, caracterizado pela diversidade informacional, tem sido marcado pela intensa oferta de escrituras de cunho midiático, as quais procuram representar e/ou influenciar os sujeitos sociais. Dentre as quais, destaca-se o discurso astrológico que, por circular socialmente há milênios, possibilita ao pesquisador investigá-las sócio-historicamente, atentando para as influências discursivas que as atravessam, bem como para as transformações por elas sofridas ao longo do tempo, movidas pelas adequações à realidade social.

O discurso astrológico, mais popularmente conhecido por meio do gênero horóscopo, corresponde a um discurso que pode despertar um olhar científico tanto por suas escrituras se encontrarem em grande produtividade nos diversos suportes midiáticos como revistas, jornais, internet, almanaques, manuais especializados, livros, folhetos de cordel, rádio entre outros; como também, pelos atravessamentos discursivos, míticos e místicos que dão base a sua constituição; e, ainda, pela carga persuasiva que sustentam estas escrituras, além de sua influência discursiva sobre muitos leitores, em especial as mulheres.

Desse modo, este trabalho tem como objetivo lançar um olhar sobre o discurso astrológico encontrado em alguns suportes midiáticos, atentando para as bases mitológicas que lhes dão sustentação, numa tentativa de mitanálise.

Para tanto, este estudo traz à tona alguns conceitos da Teoria do Imaginário como forma de entender a natureza mítica e mística do nosso objeto de estudo. Os conceitos teóricos que dão base a esta discussão estão ancorados em teóricos como Durand, Eliade, Jung, Campbell, e mais contemporaneamente, Pitta. Apresentamos, assim, as bases mitológicas e os arquétipos do imaginário que fundamentam os signos do zodíaco e marcam as escrituras astrológicas, sendo, contudo, preciso fazer recortes por não haver espaço para discutir os doze signos zodiacais neste artigo.

O discurso astrológico atua como elemento simbólico, linguístico e extralinguístico, enquanto sistema de possibilidades em dado contexto sócio, histórico e cultural, embasado em uma memória social; já que, sob a influência dessa prática cultural do estudo dos astros, muitos povos como os egípcios, os romanos e, principalmente, os gregos antigos, associaram às constelações zodiacais, mitos e lendas com os feitos de seus deuses, semideuses e heróis através da perpetuação das tradições discursivas que atravessam essas escrituras ao longo dos tempos e que são constantemente atualizados.

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Conceito de Mito e a Teoria do Imaginário

Iniciamos essa discussão levando em consideração três princípios básicos estabelecidos por Dumézil e adotados por Durand: “toda intenção histórica de uma sociedade se converte em mito; toda sociedade repousa sobre um alicerce mítico diversificado; e todo o mito é, ele próprio, um recital de mitemas dilemáticos”. Com base nisso, procuramos entender o mito como uma tentativa de dar sentido, de preencher um vazio, de explicar uma realidade, de penetrar em algo misterioso; é a criação de uma realidade para preencher outra; é uma metáfora, um devaneio, um sonho. O mito da criação, por exemplo, como veremos em todos os mitos que apresentaremos a seguir, é a tentativa de explicar quem somos, não por uma lógica científica, mas sim, fenomenológica, como forma de explicar o que não se explica.

Segundo Mircea Eliade,

O mito é uma realidade cultural extremamente complexa, que pode ser abordada e interpretada em perspectivas múltiplas e complementares […] o mito conta uma história sagrada, relata um acontecimento que teve lugar no tempo primordial, o tempo fabuloso dos começos […] o mito conta, graças aos efeitos dos seres sobrenaturais, uma realidade que passou a existir, […] descreve-se como uma coisa foi produzida, como começou a existir.

Apesar de o mito não representar um conceito unânime e preciso, já que não oferece uma explicação científica acerca das origens humanas e do espaço em que habita, ele se constrói a partir de uma realidade antropológica, apresentando uma tradução das origens pelo viés dos discursos simbólicos ricos em sentidos, o que promove o entendimento e a interpretação da existência pelos povos.

Sobre isso, Durand alega que o mito é “[…] um sistema de símbolos, de arquétipos e de esquemas (schèmes), sistema dinâmico que, sob a impulsão de um schème tende a se compor em relato”. Vale ressaltar que, para Durand, o schème não é o arquétipo, mas sim o que, em contato com o ambiente natural e social, determina os grandes arquétipos, enquanto modelos representativos que assumem as formas substantiva e qualitativa (luz, trevas, monstros, heróis etc.; claro-escuro, puro-impuro, alto-baixo). Por sua vez, os arquétipos, ao situarem-se culturalmente, são materializados pelas escrituras simbólicas, que atuam como lugar de passagem, unificadoras de contrários, articulando a invariância dos arquétipos e a variação das imagens na construção de sentidos com base no consciente e no inconsciente. Os símbolos se configuram, pois, como a expressão cultural concreta do arquétipo.

O mito antigo, além de se constituir de um discurso fundador, um discurso de matriz fixa, um modelo, é também materializado em um símbolo/signo de reconhecimento que une as nações, suas origens e suas crenças. Falamos em crença porque tudo o que é cultura está atrelado a uma religião, que se configura em um ato de religamento entre os povos para se construir uma sociedade. Por isso, Mircea Eliade afirma que “o mito é considerado como uma história sagrada e, portanto, uma história verdadeira, porque se referindo sempre a realidades, […] ele torna-se o modelo exemplar de todas as atividades humanas significativas”.

Mito é, pois, um discurso, um relato, uma narrativa tradicional que se sustenta num sistema dinâmico de símbolos, arquétipos e schèmes. Acerca disso, Pitta explica que “o mito é um relato fundante da cultura: ele vai estabelecer as relações entre as diversas partes do universo, entre os homens e o universo, entre os homens entre si”. O que significa dizer que o mito sustenta um viés pedagógico, fornecendo padrões de conduta e comportamento, e construindo modelos de identidade a partir de um conjunto de discursos/narrativas mitológicas que representam as características da vida social, como vemos nas mitologias grega, romana, egípcia, assim como, nas histórias sagradas da Bíblia.

De acordo com Campbell, os mitos fazem parte do inconsciente coletivo, sendo, por isso, “infinitos na sua revelação”. Representam a história dos homens, a busca pela verdade e pelo sentido da vida, são explicações para as tendências espirituais; é a busca interior.

Essa busca nos remete à explicação de Howell acerca do mapa astral, o qual se configura como um discurso/guia para o autoconhecimento. Essa necessidade de saber de si é recorrente nos dias atuais, prova disso é a pulverização dos horóscopos em diversos suportes e contextos, os quais são marcados por tradições discursivas que nos remetem aos símbolos míticos e arquetípicos.

A necessidade de inserir a teoria do Imaginário neste artigo ocorre diante do nosso objeto de estudo, que traz como principal linguagem o signo, responsável por decodificar os símbolos e os mitos; bem como, por apresentar em sua estrutura constitutiva vieses míticos e místicos, sendo, por isso, muitas vezes, sujeito à marginalidade diante da constante acusação de ausência de comprovação científica das “verdades” por ele sustentadas.

De acordo com essa perspectiva, tentaremos entender a repercussão do discurso do horóscopo entre as pessoas no mundo atual, a partir dos mitos criados para explicar os signos do zodíaco, numa modesta tentativa de mitoanálise; já que, sob a influência dessa prática cultural do estudo dos astros, muitos povos como os egípcios, os romanos e, principalmente, os gregos antigos, associaram às constelações zodiacais, mitos e lendas com os feitos de seus deuses, semideuses e heróis.

Os Mitos dos Signos Zodiacais: Discursos Fundantes de uma Cultura Astral

As características psicológicas e individuais e o discurso de predição representados nos signos do Zodíaco, em especial no gênero horóscopo, manifestam inquietações do mundo atual, por isso, a recorrência dessas escrituras no campo social através de diversos suportes midiáticos.

Diante da conceituação de mito, com base nos teóricos anteriormente citados, apresentaremos a seguir algumas das principais versões dos mitos sobre as constelações e os signos de Câncer, Leão e Virgem, comparando-as com uma das muitas descrições das características psicológicas e individuais publicadas sobre os nativos desses signos zodiacais.

O signo de câncer: mito da Hidra de Lerna

Mito de Câncer

Alcmena, prometida ao rei de Tebas, Anfitrião, desperta a paixão de Zeus que, através dela resolve presentear Tebas com um herói jamais visto: Héracles. Para conseguir tal feito, tomou a forma física do rei Anfitrião, que se encontrava numa batalha, pois sabia de sua fidelidade para com ele, e com ela passou três noites de amor, engravidando-a de Héracles. Logo em seguida, seu prometido retorna e eles se casam, e mais uma vez Alcmena é fecundada, gerando Íficles.

Nascem, pois, os gêmeos, ambos mortais, o que desagradou Zeus. O deus, então, a fim de conseguir a imortalidade de seu filho mortal preferido, adormeceu sua esposa Hera (deusa da família e do ciúme), fazendo com que Héracles sugasse o seio da deusa. Quando Hera despertou, rejeitou a criança e apertando os próprios seios, borrifou longe o seu leite, o que deu origem à Via Láctea; contudo, o menino Héracles já havia se tornado imortal.

O ocorrido gerou um ódio mortal de Hera por Héracles, tanto pelas inúmeras traições de Zeus, quanto pelo fato de ter amamentado o bastardo. Assim, lançou contra o mesmo a maldição da raiva e da demência, e o mesmo, quando adulto, acabou matando os próprios filhos e a esposa. Em seguida, já num estágio de lucidez, Héracles procura o Oráculo de Delfos e consulta acerca da redenção do bárbaro crime que cometera. A resposta obtida foi a servidão ao primo Heristeu.

Seu primo, sob influência de Hera, outorgou-lhe como tarefa os doze trabalhos, dos quais se acreditava que o herói não alcançaria vitória. Entre os doze trabalhos, mais precisamente o segundo, estava o enfrentamento da Hidra, um monstro-serpente com várias cabeças que habitava o pântano de Lerna.

Héracles vai para este combate em companhia do seu sobrinho Iolaus. Nessa batalha havia um agravante, no lugar de cada cabeça decepada, nasciam outras três. Quando Héracles estava prestes a virar alimento da criatura, Iolaus começa a queimar as cabeças decepadas com uma tocha, que cauterizadas pelo fogo, ficavam impedidas de se reproduzir.

Ao ver que Héracles iria vencer contra a Hidra, Hera envia um imenso caranguejo que morde o pé de Héracles pelas costas na tentativa de distraí-lo. Entretanto, o mesmo esmigalha o caranguejo sob seus pés e, mesmo ferido, consegue derrotar a Hidra.

Ao fim do combate, Hera recolheu as migalhas do caranguejo e as colocou entre os astros, formando a constelação de Câncer.

No mito de Câncer, os doze trabalhos atribuídos a Héracles representam a longa jornada de tarefas que um Herói precisa executar voluntariamente para, só após seu cumprimento, renascer. De acordo com o mitólogo francês Paul Diel, numa perspectiva simbólica as cabeças da Hidra representam os múltiplos vícios, como a perversão, a vaidade. E enquanto o monstro viver e os vícios não forem controlados, estes renascerão simbolizados pelas cabeças. Por isso, não é suficiente apenas cortá-las, como o faz Héracles com a espada, arma de combate espiritual, mas é necessário, também, cauterizar as feridas com a tocha, como finaliza o Herói com a ajuda do sobrinho, a fim de que as cabeças/vícios não renasçam, passando pelo fogo da purificação.

O comportamento de Hera representa o ódio da matriarca, a “Mãe-Terrível”, por isso, segundo Freitas, o canceriano encontra-se em constante batalha para livrar-se da mãe, do “complexo materno”, podendo observar-se que a cada nova relação volta o desejo de retorno ao “útero materno”, do qual foi separado, na busca de quem lhe “cuide”. Tal atitude desmascara comportamentos infantilizados por trás da aparente identidade libertária e realizadora, o que o impede, muitas vezes, de transcender, individuar-se e realizar-se, vez que tem medo de ficar adulto e de desgastar-se ao tornar-se diferente e individual, por isso, prefere flutuar entre o útero e a vida.

É possível observar algumas características em comum entre o mito da Hidra de Lerna e as características do nativo de Câncer apontadas por Max Klim em sua obra Você e seu signo em 2007, bem como no horóscopo da Revista Cláudia de setembro de 2009:

Tais características são observadas na descrição do nativo de Câncer feito por Klim e no horóscopo da Revista Cláudia:

Senhor das raízes e da base emocional onde se assenta a vida humana, Câncer simboliza o impulso maternal na nossa espécie e no zodíaco. Permanentemente carente, o canceriano demonstra uma constante necessidade de atenções e cuidados, forte apego a tudo o que diz respeito às suas raízes e tradição, família e passado. É dormente e pensativo, um ser especial que, vinculado ao elemento Água, mostra a estabilidade, a quietude de um lago, mas, ao mesmo tempo, é extremamente determinado quando trata de suas metas de vida. A Lua que o rege lhe dá o caráter romântico e misterioso que realça a fecundidade, os sonhos e a memória, típicos de quem está, de forma notável, preso às tradições e à família. A emoção nele aflora de uma maneira generosa e afável. Na natureza representa a concepção, o início e o fim da vida.

Klim

Você se sentira ativa, com energia para fazer o que quiser: aproveite para realizar mudanças importantes. Ganhos financeiros à vista. Use a habilidade de se expressar com clareza e diga o que sente, especialmente para o parceiro.

Revista Cláudia

O impulso maternal em Câncer tanto é simbolizado pela fertilidade de Alcmena, que é fecundada duas vezes em momentos distintos, gerando gêmeos, o que promove o apego familiar do canceriano, como também, pela rejeição da “Mãe-terrível” representada por Hera, que simboliza a necessidade de interromper a dependência materna natural do nativo de Câncer, a fim de que este possa individuar-se, como o faz Héracles em sua atitude heroica, buscando o renascimento e a construção de sua identidade.

A carência, o apego à família e o caráter romântico do canceriano indicados por Klim são observado no horóscopo da revista: “Use a habilidade de se expressar com clareza e diga o que sente, especialmente para o parceiro”.

Por sua vez, Barbault explica que “O sucesso de Câncer não está na dependência da mãe ou na sua rejeição, mas em aceitar e realizar os valores maternos na autonomia de uma personalidade adulta”. Assim, quando o indivíduo de câncer consegue aceitar a representação da imagem materna, o mesmo entra em equilíbrio e passa por um processo de transcendência e construção identitária.

O signo de leão: mito do leão de Neméia

Mito de Leão

O Herói desse mito também é Héracles, quando da execução do primeiro dos doze trabalhos impostos por seu primo Heristeu, a mando de Hera, qual seja: a morte do Leão de Neméia.

Tal criatura, criado pela deusa Hera, habitava numa caverna com duas saídas. No período noturno, saia e aterrorizava a região de Neméia, matando habitantes e devorando os rebanhos. Além do tamanho e da força do animal, Hera o dotara de uma pele intransponível, sendo o mesmo invulnerável a qualquer tipo de arma.

Chegando à Neméia, Héracles encontra o leão em seu esconderijo e esquecendo-se de sua invulnerabilidade atira-lhe flechas, as quais apenas assustam o animal para dentro da caverna. O Herói fecha uma das saídas e adentra a caverna, munido apenas com uma tocha para guiar-lhe o caminho; e enfrentando o leão corpo a corpo, sufoca-o pela garganta com as próprias mãos, matando-o asfixiado.

Logo após, Héracles retira do animal morto a pele e a cabeça, com as quais faz um escudo e um capacete, respectivamente. O Herói oferece sua vitória a seu pai e como forma de celebrá-la, Zeus, seu pai divino, leva o leão aos astros do céu e o transforma na constelação de Leão.

A luta de homens contra animais, enquanto ato heroico, arquetipicamente representa a batalha contra o próprio Ego, contra os instintos, impulsos que atravessam o inconsciente. A vitória a esse combate resulta no processo de individuação e na construção da identidade. Assim, no mito, os doze trabalhos representam uma provação para Héracles que, no nativo de Leão, significa uma tomada de consciência.

Conforme Freitas, “O leão é uma fera domesticável e não somente vencível através da destruição: corresponde às paixões do coração, que ficam a serviço de seu possuidor depois de humanizadas”. É o que ocorre com Héracles ao apropriar-se da pele e da cabeça do Leão de Neméia para sua proteção.

Jung, por sua vez, em um estudo sobre a simbologia desse animal, alega que

[…] a forma animal enfatiza que o rei é poderoso demais ou está revestido por seu lado animal e que, em consequência, se expressa apenas ‘animalescamente’, isto é, de forma apenas emocional. Emocionalidade, quando no sentido de afetos incontroláveis, é essencialmente animal, razão pela qual pessoas nesse estágio são tratadas apenas com o cuidado próprio de quem anda na selva ou com os métodos que o treinador de animais utiliza em seu trabalho.

Para Freitas, os leoninos, muitas vezes, estão expostos a um convívio com um pai cuja “ética” e “justiça” são os principais elementos de referência. Por isso, o indivíduo de Leão é punido, desde criança, por suas reações emocionais extremas e premiado pelo comportamento ético e justo.

Assim, durante um combate, tanto o leonino quanto os demais signos que têm como centro de seu mito a figura do Pai precisam perceber suas qualidades humanas, suas emoções, deixando de lado as armas na luta por seus objetivos, e deverão vencer e serem vencidos através da aproximação e do amor, e, com isso, buscar sua espiritualidade e seu crescimento pessoal, atingindo a transpessoalidade almejada.

Sobre isso, Klim e o horóscopo da Revista Cláudia apontam as características do indivíduo de Leão:

Como um bom signo do Fogo, Leão é dominador, o chefe, o condutor e, ao mesmo tempo, o mais generoso e exibicionista dentre todos os signos do zodíaco; mostra em seus atos uma forte necessidade de aprovação por parte dos que o cercam. […]. Quente, efusivo, dono da vida e centro do palco, é alguém que não passa despercebido pelo mundo e deixa profundas marcas por sua existência e pelo que nela realiza. É capaz dos mais exagerados gestos de desprendimento. Transmite com sua simples presença o calor da vida e o sentido maior da criação.

Klim

Use com sabedoria seu brilho pessoal: o que o universo dá é cobrado em aumento de responsabilidades. A vida amorosa se expande sem que você faça nada: um novo amor bate à porta. Se estiver comprometida, dê o melhor de si.

Revista Cláudia

Portanto, a figura dominadora, o chefe na vida do leonino é representado pelo arquétipo do Pai, com quem ele comemora e para quem ele dedica suas vitórias, como o fez Héracles ao vencer o Leão de Neméia, o oferecendo a Zeus. Este herói, em seus atos heroicos, trava uma batalha contra o próprio Ego, contra o exibicionismo e a vaidade, que lhes são próprios, almejando o processo de individuação; assim como, enfrenta as batalhas para suprir a necessidade de ser notado, provocando, com isso, atitudes exageradas como forma de se tornar o centro das atenções.

O signo de virgem: mito da virgem Perséfone

Mito de Virgem

O mito de Virgem revela, entre outras personagens mitológicas, Perséfone, filha de Deméter, que foi raptada por Hades, o deus do submundo, do lugar dos mortos.

Deméter, filha de Cronos e Réia, era a deusa das colheitas e da fecundidade da Terra, em especial a deusa do trigo, sendo a responsável por ensinar aos homens a arte de semeá-lo, colhê-lo e usá-lo na fabricação do pão. A mesma teve uma filha com Zeus, Perséfone, a “virgem eternamente jovem”.

Certo dia, Perséfone, que já era uma mulher, mas continuava com características e atitudes adolescentes, divertia-se brincando entre as ninfas e suas tias Ártemis e Palas Atena, quando foi atraída por seu tio Hades com um narciso ou um lírio e raptada. Hades havia decidido transformá-la em sua esposa e levou-a consigo para o submundo numa carruagem puxada por cavalos negros.

Ao ouvir os gritos da filha, Deméter corre para ajudá-la, mas quando chegou ao local nada mais encontrou, ficando sem saber o que aconteceu. Enlouquecida de saudade, ela procurou a filha durante nove dias e nove noites carregando apenas uma tocha. Por fim, Hélios, deus que tudo sabia, alertou-a do ocorrido. Corrompida por uma mágoa profunda diante do sucedido, Deméter se mantém em reclusão no interior de um santuário e recusa-se tanto a voltar para o Olimpo, quanto a permitir que a Terra produza, até que sua filha Perséfone seja devolvida.

A atitude da deusa gerou a extinção da vegetação, a suspensão das colheitas e o desequilíbrio das estações. Zeus, preocupado com a fome que resultaria no desaparecimento dos homens, resolve interceder junto a Hades para que este autorizasse o retorno de sua esposa ao Olimpo; contudo, encontra como obstáculo não a decisão de Hades, mas sim da própria Perséfone, que já se agradava com a vida que seu marido lhe oferecia. Por fim, como decisão bastante equilibrada, Perséfone deve atender aos dois (mãe e marido), portanto, deve passar o período de inverso (escassez de frutos e flores) com Hades, no submundo; e no período de floração e de brotarem os frutos, com Deméter, no Olimpo. Com a volta da filha, Deméter retorna ao Olimpo e a Terra imediatamente cobre-se de verde.

O rapto de Perséfone e sua descida ao Hades, como representação da morte simbólica, seguida do glorioso retorno, deu origem aos mistérios da cidade de Elêusis (localizada a vinte quilômetros de Atenas), que utilizava o mito para significar a semente que morre no seio da Terra e, ao retornar, multiplica-se em muitos outros frutos, ou seja, significa que a mãe precisa aceitar a emancipação da filha.

O mito de Virgem simboliza a relação “mãe e filha”; no caso de ser um filho, este virá a experimentá-la por meio de sua Anima (alma feminina, lado sentimental) ou no contato com outras mulheres. Para Jung, “[…] toda mãe contém em si sua filha e toda filha, a sua mãe […]. A experiência consciente desses laços dá a sensação de que sua vida se estende por gerações, o que dá a impressão de imortalidade”.

As características do nativo de Virgem são observadas na descrição feita por Klim e no horóscopo da Revista Cláudia:

Figura notável e das mais sedutoras do Zodíaco, Virgem governa o detalhe, a minúcia, a seletividade. […] é uma pessoa especial que molda seu mundo com um raro senso prático e um inexplicável detalhismo. O nativo de Virgem mostra, com seu modo cuidadoso de se relacionar com o mundo, sensibilidade expressiva e forte sobriedade em atos e palavras. Comedido e observador, faz de sua existência uma busca permanente de afirmação. Recebe de seu regente, Mercúrio, o sentido da união, da malícia, da natureza flexível e do realismo objetivo.

Klim

Setembro chega dinâmico, agitando a vida profissional e pessoal. Podem ocorrer mudanças de setor na empresa, do próprio espaço físico ou nas relações com os colegas. Toda a agitação vai levá-la a ansiar por transformações individuais, deixando-a dividida entre se manter apegada ao que já conhece ou abraçar o novo. O melhor a fazer é permanecer focada no que realmente importa para você. Respeite seus valores, compartilhe decisões, atue em equipe. Lembre-se que é preciso destreza para lidar bem com os imprevistos. Possíveis ações contraditórias atrapalharão a vida amorosa. É um bom momento para isolar-se e refletir, avaliando a situação afetiva. Faça sua parte no relacionamento, sem grandes expectativas: a entrega desapegada e generosa é a escolha mais indicada.

Revista Cláudia

Os Símbolos de Zodíaco: Arquétipos do Imaginário Social

A palavra “símbolo” vem do grego sym-bolos, que significa reunir ou juntar. Trata-se de um elemento de fundamental importância no processo de comunicação, sendo sustentado pelo viés da tradição; encontra-se atrelado às mais diversas áreas do saber humano e é disseminado cotidianamente no meio social. A própria Astrologia enquanto campo de conhecimento é permeada por uma linguagem simbólica.

Segundo Howell, “Um símbolo indica o desconhecido e nos orienta até o seu conhecimento, até um entendimento mais profundo”. Para tanto, explica que a astrologia nos ajuda a decifrar os deuses no passado nos termos dos processos arquetípicos que eles representaram, e que ainda representam, no mundo exterior da natureza e dos eventos, e no mundo interior de sentido da psique. Os símbolos são imagens; nós as lemos com o hemisfério direito do cérebro. O mapa [astral] não mostra senão hieróglifos ou símbolos; logo as imagens vêm à luz de modo espontâneo quando olhamos para um deles.

Essa compreensão mais profunda, segundo a autora, faz-nos entender o que Jung chama de arquétipos ou imagens primordiais. Como forma de entender a recorrência de símbolos semelhantes, arquetípicos, em culturas diferentes, os quais atravessavam, inclusive, os sonhos e as fantasias dos indivíduos e os delírios dos loucos, Jung constrói o conceito de inconsciente coletivo, e passa a ver o símbolo arquetípico como substrato de uma universalidade.

Na perspectiva da teoria do imaginário, observa-se que a relação entre o homem e o mundo não ocorre de forma racional com uma base científica, mas sim a partir de processos psíquicos, levando em conta aspectos emocionais e afetivos. Essa relação do homem com o mundo é estabelecida, segundo Bachelard, através do símbolo, que é dinâmico, e da articulação símbolo – imagem – imaginário. Sobre isso, Durand diz que o símbolo é a forma de expressão do imaginário. Portanto, é a partir da vivência da humanidade, do “inconsciente” coletivo, que os mitos, as imagens simbólicas coletivas ou arquétipos são construídos, são materializados e constroem sentidos na sociedade.

Entretanto, para Durand, os sistemas simbólicos não ocorrem de forma aleatória, fazem parte do imaginário coletivo que é a própria cultura. A organização desses símbolos, que formam as constelações de imagens, é proposta pelo autor em sua obra As estruturas antropológicas do imaginário, na qual ele reagrupa as imagens em dois regimes: o diurno e o noturno. O primeiro caracteriza-se pela luz que consente às distinções e divide os opostos – alto/baixo, bem/mal, feio/bonito, forte/fraco, tendo como características as separações, os cortes, as distinções, a luz. O segundo regime se caracteriza pela noite que promove a unificação e a conciliação, portanto, une, complementa e harmoniza os opostos, promovendo a descida interior em busca do conhecimento.

Esses regimes sustentam três estruturas que apontam como foco a ideia da morte para o homem, a qual deságua numa angústia existencial materializada nas imagens relativas ao tempo, valendo-se da construção ambígua e dos diversos significados que um símbolo pode apresentar. Assim, a fim de sanar tal angústia, Durand apresenta as três estruturas – a heroica, a mística e a sintética – que sinalizam respectivamente três soluções: (1) ornar-se com as armas e destruir o monstro; (2) a criação de um universo harmonioso onde se possa permanecer, (3) enxergar o tempo sob o ponto de vista cíclico, aceitando toda morte como renascimento.

A Estrutura Heroica situa-se no Regime Diurno, é caracterizada pela luta e representada pela vitória frente ao destino e à morte. Os principais símbolos que indicam essa estrutura são: os símbolos de ascensão, que apontam para a luz e para o alto; os símbolos espetaculares, que referem-se à luz, ao luminoso; os símbolos diairéticos, que dizem respeito à separação cortante entre o bem e o mal.

A Estrutura Mística e a Estrutura Sintética encontram-se ligadas ao Regime Noturno da imagem. A primeira estrutura refere-se à construção de uma harmonia, visando impedir a polêmica e alcançar a quietude e o prazer, tais características são expressas através dos símbolos de inversão e dos símbolos de intimidade.

A segunda estrutura, a Sintética, aponta para os ritos que marcam os ciclos da vida, sugere a harmonização dos contrários galgada por um caminhar histórico e progressista, e apresenta como recurso expressivo os símbolos cíclicos.

Por sua vez, os símbolos do zodíaco se estruturaram em torno de núcleos organizadores divididos, segundo Costa em quatro códigos. O primeiro diz respeito à divisão de cunho sexual, classificando os signos em masculinos (Áries, Gêmeos, Leão, Libra, Sagitário e Aquário) e femininos (Touro, Câncer, Virgem, Escorpião, Capricórnio e Peixes). O segundo código divide os signos em quatro grupos com base nos quatro elementos da Antiguidade: fogo (Áries, Leão e Sagitário), terra (Touro, Virgem e Capricórnio), ar (Gêmeos, Libra e Aquário) e água (Câncer, Escorpião e Peixes).

O terceiro código organiza os signos a partir das quatro estações do ano, dividindo-os a partir da associação com o início, o meio e o fim de cada estação, respectivamente em cardinais (Áries associa-se ao início da primavera; Câncer, do verão; Libra, do outono e Capricórnio, do inverno.); fixos, quando as estações estão definidas (Touro-primavera, Leão-verão, Escorpião-outono e Aquário- inverno); e mutáveis ou de transição (Gêmeos, Virgem, Sagitário e Peixes), o que confere a estes signos um caráter oscilante.

Por fim, o quarto código da classificação dos signos proposto por Costa, divide os signos em humanos e animais de acordo com os traços iconográficos das figuras míticas marcadas nas constelações de cada signo. Acerca disso, Lévi-Strauss explica que as características atribuídas a uma figura dependem dos traços míticos agregados a cada cultura. Assim, se a constituição dos signos estiver vinculada às estruturas míticas que os simbolizam, sua classificação não pode excluir a referência do universo mítico, no caso do nosso objeto a mitologia grega. Assim, os signos humanos, simbolizados por figuras antropomórficas, são: Gêmeos, Virgem, Libra (a balança), Sagitário (sua parte superior) e Aquário. E os signos animais, que materializam figuras zoomórficas, são: Áries (carneiro), Touro, Câncer (caranguejo), Leão, Escorpião, Capricórnio (cabra), Peixes.

Diante dessas observações e, em especial, ancorados pela teoria de Gilbert Durand, lançaremos um olhar para algumas construções simbólicas com suas imagens e hieróglifos que cerceiam os signos de Áries, Touro e Peixes.

Signo de Câncer

Câncer é um signo cardinal, ligado à estação do verão, simbolizado por uma figura animal, zoomórfica. O elemento do signo de Câncer é a Água, profunda e límpida, por isso, tem o caráter astrológico feminino, já que a água representa as Grandes Mães. Dentre esse universo aquático, a Água em Câncer pode simbolizar a origem, o líquido amniótico. Dessa forma, é possível enquadrar Câncer nos símbolos de inversão do regime noturno, em especial, a mater, que simboliza a Grande Mãe. O próprio hieróglifo de Câncer – dois pequenos círculos com o apêndice curvo – se apresenta como um processo de gestação, como o espermatozoide e o óvulo que giram um torno do outro. Câncer carrega no ventre o germe da vida, representa, pois, o arquétipo de Mãe.

Dentre os símbolos cíclicos da estrutura sintética do imaginário, o Signo de Câncer é, também, representado pela espiral e pelo simbolismo ofidiano, que dizem respeito à recorrência do movimento, ao equilíbrio dos contrários, à transformação temporal, à representação do ciclo. Uma das imagens que representa esses símbolos é a Ouroboros (serpente que engole a própria cauda), e caracteriza ao mesmo tempo o início e o fim; é, pois, a representação do Todo.

Essas construções simbólicas resultam para o nativo de Câncer um impulso maternal, uma pessoa carente e misteriosa, por isso, é representado pelo caranguejo, crustáceo sempre envolto de uma carcaça. Além disso, é caracterizado pela fecundidade e pela concepção, o início e o fim da vida.

Signo de Leão

Dentre os símbolos de ascensão da estrutura heroica do regime diurno de imagem, o leão representa a soberania uraniana, que se relaciona ao gigantismo e à potência; ele é o rei, pois é justo. Leão é o símbolo de Cristo, por isso, o Leão de Judá, a representação do Fogo Divino, princípio da individuação.

O Signo de Leão é masculino e fixo (estação do outono), tendo como elemento regente o Fogo. Além disso, situa-se dentre os símbolos teriomórficos ou zoomórficos, mais precisamente, a mordicância (boca cheia de dentes), que representa o ato de morder de devorar, que é um aspecto angustiante da animalidade. Trata-se da angústia tanto diante das mudanças quanto da morte, como devoradora, representados pelo simbolismo do animal.

O próprio símbolo gráfico do signo de Leão é representado pela cauda de um animal, relativo à animalidade, nesse sentido, ver-se o homem como primeiro “animal”, o rei dos animais, como o foi Adão no Paraíso.

Por isso, uma das características do nativo desse signo é ser dominador, o chefe, o condutor, efusivo, dono da vida e centro do palco, ao mesmo tempo em que é justo.

Signo de Virgem

O signo de Virgem é representado, dentre os símbolos cíclicos da estrutura cíclica do regime noturno, pela árvore, que significa o círculo do fluxo da vida, a floração, a frutificação, a fertilidade. É, pois, o símbolo do ciclo natural da vida, do processo de identificação e da consciência. Por isso, Virgem caracterizasse por fazer de sua existência uma busca permanente de afirmação, a fim de moldar o mundo.

Além disso, Virgem representa a Grande Mãe, mas não a que gera no ventre como a Mãe em Câncer, e sim, a que promove o fortalecimento do espírito e da inteligência e a busca pela integração do ser.

O próprio hieróglifo de Virgem, representado pelo M, significa a mater, numa alusão à Mãe – Virgem – Maria – Nossa Senhora – Mãe de Jesus; trata- se da mãe que deve tolerar o sacrifício, como início de uma nova vida, como também o fez a deusa Deméter ao dividir o amor de sua filha Perséfone com Hades, esposo desta.

É interessante perceber, ainda, que a cauda alongada da letra M está voltada para dentro, dando uma ideia de retorno. Assim é possível situar esse movimento dentre os símbolos cíclicos da estrutura sintética do regime noturno, aqueles que representam o renascimento, a volta do mundo dos mortos, como o faz Perséfone em dado período do ano ao sair do Hades (submundo) para encontrar sua mãe no Olimpo. O período de seu retorno traz consigo a vida e corresponde à primavera, quando os grãos brotam, saindo da terra assim como Perséfone. O outro período refere-se ao seu retorno ao Hades, reino do seu marido, é o momento de semear, corresponde ao outono, quando os grãos são enterrados. Não é à toa que Virgem é um signo feminino, humano e em transição (passando de uma estação a outra), regido pelo elemento Terra.

Considerações Finais

Nos mitos gregos acima mencionados, encontramos figuras míticas que explicam a história dos signos do zodíaco e apontam muitas das características psicológicas e individuais dos signos do Zodíaco. Claro que há muitos outros mitos que também fazem esse papel, mas que aqui foram deixados de lado diante da necessidade de um recorte metodológico.

Quanto às escrituras míticas e aos arquétipos sociais, pudemos observar que, da mesma forma que o Sol, a Lua, os planetas e o ascendente têm influência no desenvolvimento da pessoa, as características pessoais também podem ser vistas sob os aspectos míticos. Dessa forma, as características individuais de um dado signo do horóscopo tanto podem ser observadas pela posição astral nas casas, como também pela construção dos mitos e suas figuras míticas, usados para ampliar o sentido da Astrologia. Toda essa gama de informações serve de base para construir a espinha dorsal do mapa astral e da história de vida de um indivíduo, materializando-se nas diferentes formas de linguagem dos sujeitos sociais.

As construções teóricas e as análises que pudemos fazer nesse artigo, fizeram-nos perceber as marcas do comportamento mítico ao longo da história dos indivíduos como uma necessidade de recuperar algo perdido, uma vontade de vivenciar o passado visto como melhor do que o presente, de manter viva uma memória; de vivenciar o “princípio”. Esse desejo representa a luta do sujeito contra o tempo, o qual faz envelhecer, destrói e mata. Portando, o mito não se trata de uma narração presa ao passado, mas continua construindo sentidos e informando sobre o mundo e sobre o comportamento humano. O mito traduz as práticas sociais, situa o homem na modernidade contemporânea, enxergando em sua maneira de lidar com mundo que o cerca um contínuo retorno ao passado, como forma de dar vida aos novos discursos.

O símbolo, por sua vez, tem a função transcendental de atravessar as noções limítrofes do mundo material e objetivo. Por sua inata dimensão ambígua, o símbolo se encontra num dinâmico processo de reequilíbrio, a fim de atender à imensa necessidade de construção de sentidos pelos sujeitos. Foi o que pudemos visualizar no tópico dos símbolos do zodíaco, enquanto arquétipos do imaginário social, quando percebemos o quanto essas marcas míticas e simbólicas estão carregadas de significados e são atualizadas constantemente em muitos outros gêneros que circulam em nosso cotidiano.

Referências
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