Traduções

‘O Zodíaco de Doze Signos’

‘Þe Zodyak of Twelue Singnesse’

Uma edição do Prognóstico atribuído a Bartolomeu de Parma na British Library, Harley MS 2320

Sandra Zeegers

RADBOUD UNIVERSITEIT NIJMEGEN

υ

Tradução:
César Augusto – Astrólogo

φ

Trechos traduzidos do Mestrado em Literatura de Sandra Zeegers – 2015

Resumo

Na Europa medieval, era geralmente aceito que os corpos celestes tinham uma influência no microcosmo humano. A astrologia era vista como uma ciência séria e assim, desempenhou um papel importante na sociedade europeia medieval.

Apesar do papel significativo da astrologia na Idade Média, ainda existem alguns ramos da astrologia relacionados com a pesquisa científica que recebem pouca atenção. Com isso, por exemplo, textos de prognósticos baseados em princípios astrológicos do inglês médio* ainda são relativamente pouco pesquisados. Um exemplo de um texto pouco analisado é o prognóstico atribuído a Bartolomeu de Parma em Londres na British Library, Harley 2320. Poucas pesquisas foram feitas sobre este texto, e nunca houve uma edição deste texto.

* O termo inglês médio se refere à escrita da língua inglesa conhecida do final do século XII até a década de 1470.

Assim, nesta tese é apresentada uma edição do prognóstico da British Library, Harley 2320 que é atribuído a Bartolomeu de Parma.

Nesta edição precedo-a com uma introdução. Após a Introdução forneço informações sobre o Harley 2320. Em segundo lugar, discuto a prática da ciência medieval. Terceiro, analiso a visão de mundo medieval. A ênfase nesta seção está no zodíaco do prognóstico atribuído a Bartolomeu de Parma baseado nos signos do zodíaco. Quarto, a introdução fornece informações sobre o surgimento e os princípios do astrologia medieval. Quinto, discuto as categorias dos textos de prognósticos baseados nos princípios astrológicos do inglês médio. Sexto, analiso o público dos textos de prognósticos astrológicos do inglês médio. Discuto por último, se é plausível que Bartolomeu de Parma seja o verdadeiro autor do texto. Por fim, esta tese (Þe Zodyak of Twelue Singnesse’: An Edition of the Prognostication Attributed to Bartholomew of Parma in London, British Library, Harley 2320) apresenta uma edição do prognóstico atribuído a Bartolomeu de Parma em Harley 2320.

§

Introdução

Ao contrário da era moderna, a arte da astrologia foi aceita como uma ciência legítima na época medieval Europa. Como diz Boudet, nenhuma distinção real se fazia entre astronomia e astrologia na Idade Média. Em vez disso, elas eram vistas como aspectos complementares da mesma disciplina em que a astronomia era vista como o aspecto teórico e a astrologia como o aspecto prático. Pode até se disser que “a previsão astrológica era o principal objetivo dos cálculos astronômicos.

Assim, a suposição de que os eventos na Terra são influenciados pelos corpos celestes era uma questão de consenso na Europa medieval. Portanto, pode-se afirmar que o estudo de astrologia medieval é essencial para compreender plenamente a sociedade e a cultura europeia medieval.

Mesmo que a astrologia tivesse um papel proeminente na sociedade medieval, o estudo da história da astrologia só aumentou durante o século passado. Antes do século XX, a astrologia foi amplamente rejeitada por ser vista como superstição e como uma pseudociência. Foi apenas no século XX que mais estudiosos se conscientizaram de que é importante estudar a história da astrologia, a fim de compreender plenamente a sociedade e a cultura medievais. No entanto, embora o estudo da astrologia cresceu consideravelmente, isso não significa que a arte da astrologia não enfrente mais preconceitos. A astrologia ainda é rejeitada como uma pseudociência e como superstição por alguns, e, portanto, a astrologia nem sempre é vista como merecedora de consideração séria. Como consequência da relativa novidade do estudo acadêmico de astrologia e dos preconceitos relativos à astrologia, algumas áreas do estudo acadêmico relacionadas com a astrologia permanece pouco analisada.

δ

2. Introdução à edição do prognóstico atribuído a Bartolomeu de Parma

2.1 Londres, British Library, Harley 2320

2.1.1 Conteúdo

O manuscrito da British Library, (“Harley MS 2320”, Medieval Lunar Astrology) é uma miscelânea composta por textos sobre prognóstico, astrologia e entrançamentos. Receitas médicas e outras notas foram adicionadas em um estágio posterior às folhas finais (ff. 71r-74r). O conteúdo inclui: 1. Calendário (ff. 1r-4v); 2. Prognosticação atribuída a Bartolomeu de Parma (ff. 5r-30v); 3. Um prognóstico lunar em verso (ff. 31r-52r); 4. Instruções para trançar (ff. 52r-70v); 5. Receita médica (f. 71r); 6. Prognosticação por letra dominical (adicionada no final do século XV) (f. 73r); 7. Um índice (final do século XVI ou XVII) em (f. 73v); 8. Duas receitas médicas para mães com suas transcrições posteriores (ff. 73v-74r).

2. Introdução à edição do prognóstico atribuído a Bartolomeu de Parma

γ

2.3.2 O Zodíaco

Em primeiro lugar gostaria de deixar claro que o que importa aqui é o zodíaco tropical e não o zodíaco sideral. Como demonstra Fletcher, a astrologia às vezes faz uso do zodíaco sideral, que “mede as posições dos corpos celestes a partir de um quadro de referência estelar, em relação a as estrelas fixas visíveis”. No entanto, o zodíaco tropical mede as posições dos corpos “pelas estações e diz-se que ele ‘se move’ porque se desloca continuamente em oposição ao cenário de fundo das estrelas fixas”.

A zona do zodíaco foi dividida em doze partes iguais de trinta graus. Estas doze partes foram nomeadas após as constelações de estrelas já estarem presentes nestas partes: Áries, Touro, Gêmeos, Câncer, Leão, Virgem, Libra, Escorpião, Sagitário, Capricórnio, Aquário e Peixes. Assim, como diz Beck, “os signos do zodíaco não são os mesmos das constelações cujos nomes elas compartilham. Constelações são grupos de estrelas; signos são construções geométricas”. No entanto, esta divisão poderia ser ignorada na prática, pois acreditava-se que os signos e as constelações fossem compatíveis entre si.

Como Beck observa, os signos do zodíaco eram ordenados pela trajetória anual do Sol. A primavera era vista como o início do ano astronômico e, portanto, o círculo começava com Áries, que é o signo onde o Sol cruza o Equador Celeste de Sul para Norte trazendo a estação da primavera. O lugar onde o Sol cruzou pela primeira vez o equador celeste foi chamado de equinócio vernal ou de primavera. O Sol então se move para o Norte através de Áries, Touro e Gêmeos até atingir seu ponto mais ao Norte da eclíptica, que é chamado de solstício de verão, no início do signo de Câncer. O Sol então se move para baixo através de Câncer, Leão e Virgem ao equinócio de outono, que é o lugar onde o Sol cruza o equador celeste de Norte a Sul, no início do signo de Libra. O Sol então se move mais abaixo através de Libra, Escorpião e Sagitário até seu ponto mais ao Sul do eclíptica, que é chamado de solstício de inverno, início do signo de Capricórnio. Finalmente, o Sol se move para cima novamente através dos signos de Capricórnio, Aquário e Peixes, e assim de volta para o equinócio vernal no início do signo de Áries.

Por último, deve ser mencionado que cada signo do zodíaco esta associado a um dos quatro elementos e suas qualidades. Assim, como os planetas, os signos zodiacais são governados pelas mesmas qualidades que governam o microcosmo humano. Áries, Leão e Sagitário caracterizam o elemento Fogo; Touro, Virgem e Capricórnio o elemento Terra; Gêmeos, Libra e Aquário o elemento Ar, e Câncer, Escorpião e Peixes o elemento Água. Finalmente, esta divisão pode não parecer muito lógica para um signo como Aquário pertencendo ao elemento Ar e não ao elemento Água. No entanto, a lógica desta divisão na verdade se baseia na esquematização geométrica. No sentido de se formar quatro triângulos geométricos, ligados entre si a cada quatro signos.

2.4 Astrologia Medieval

Mercúrio segura a flor como um símbolo da eloqüência que ele envia aos seus devotos. Na Terra, um grupo de inovadores está envolvido em discussões científicas.

Como geralmente se acreditava na Idade Média, o microcosmo humano e o macrocosmos eram governados pelas mesmas qualidades, talvez não seja tão surpreendente que muitos dos europeus medievais acreditavam que os corpos celestes podiam ter uma influência na vida humana. Como o prognóstico atribuído a Bartolomeu de Parma é baseado em princípios astrológicos, é importante estabelecer o que exatamente a astrologia medieval abrangia. Em primeiro lugar, a ascensão da astrologia medieval é discutida e, em seguida, os princípios da astrologia medieval são analisados.

2.4.1 A ascensão da astrologia medieval

Ao discutir a astrologia medieval, deve-se primeiro mencionar que, como diz Tester, embora os termos astronomia e astrologia fossem usados ​​intercambiavelmente na Idade Média, antes do século XII, o conteúdo deste estudo era “quase inteiramente o que chamaríamos de astronômico”. A arte da astrologia só realmente cresceu no século XII por causa de duas mudanças importantes na vida intelectual da Europa no final da Idade Média.

A primeira mudança importante na vida intelectual europeia foi o surgimento das universidades, que cresceram a partir das antigas escolas catedrais. No início da Idade Média, os mosteiros eram os centros de aprendizagem. Mesmo que houvessem alguns outros lugares onde alguém poderia ir para estudar ciências como a medicina, os mosteiros eram o único lugar onde educação sistemática poderia ser seguida. Como observa Bailey, o acesso a esses centros de aprendizagem era bastante limitado. No entanto, houve um grande aumento da abertura destas escolas no século XI. Essas escolas costumavam estar associadas a grandes catedrais. Não apenas o clero poderia receber educação aqui, mas também as pessoas que queriam aprender as ‘artes liberais’ para seguir, por exemplo, uma carreira formal. No final do século XII, as primeiras universidades foram desenvolvidas a partir dessas escolas catedrais em lugares como Bolonha e Paris, e no final do século XIV, haviam muitas universidades em toda a Europa.

A segunda mudança importante na vida intelectual europeia foi a introdução do conhecimento árabe. As escolas catedrais e as universidades estimularam os estudantes a irem em busca do cânone tradicional. Isso significava que, na maioria dos casos, os estudantes queriam expandir seus conhecimentos sobre os clássicos. Muitas dessas informações poderiam ser obtidas no mundo islâmico. Como Bailey diz, os mosteiros da Europa Ocidental mantiveram muitas obras da antiga tradição intelectual, mas nem todos os textos antigos sobreviveram e, especialmente, os textos da tradição grega foram perdidos. No entanto, esses textos da antiguidade grega sobreviveram no Oriente Bizantino. Estes textos gregos desempenharam um papel significativo na grande conquista intelectual do mundo islâmico no oitavo, nono e décimo séculos. Era muito difícil para os estudantes europeus trocarem informações com o mundo muçulmano, pois sempre houve conflito entre as duas religiões. Contudo, a troca de informações foi possível devido ao contato cultural entre o mundo cristão e o muçulmano em territórios fronteiriços como Espanha, sul da Itália e Sicília. Como observa Bailey, esses eram lugares onde “o contato entre as duas religiões era constante, onde os reinos cristãos em expansão muitas vezes passaram a ter populações muçulmanas consideráveis, e onde as comunidades judaicas poderiam servir como mediadores” entre o islâmico e o Mundo cristão.

Foi no século XII que os estudantes europeus finalmente tiveram amplo acesso a este aprendizado. Mais de cem obras foram traduzidas do árabe para o latim, enquanto algumas outros textos árabes foram parafraseados em latim. A maioria dos textos que foram traduzidos foi de caráter matemático, astronômico ou astrológico, e especialmente os textos de Aristóteles, Galeno e Ptolomeu eram populares entre os tradutores. Tradutores famosos incluem Adelard of Bath, John de Sevilha e Hugo de Santalla.

Finalmente, deve-se mencionar que os estudantes europeus não foram introduzidos apenas a estudos muçulmanos em tópicos como astrologia, por meio de seu conhecimento do mundo árabe. Por exemplo, estudantes europeus também foram apresentados à erudição judaica. Os estudos judaicos floresceram por muito tempo dentro do mundo muçulmano, e alguns estudiosos europeus se familiarizaram com textos especificamente judaicos. Por exemplo, foram descobertas obras judaicas que deram nomes hebraicos para os planetas e signos zodiacais.

2.4.2 Os Princípios da Astrologia Medieval

Era comumente aceito na Europa medieval que os planetas e estrelas tinham uma influência na microcosmo humano, e cada corpo celeste foi associado com sua própria “natureza, efeitos e áreas de influência”. A natureza, os efeitos e as áreas de influência eram inerentes aos corpos celestes e, portanto, não dependem de suas posições no céu. Por exemplo, qualquer que fosse sua posição no céu, a Lua era associada à loucura e castidade, enquanto Vênus estava ligado à sensualidade. Além disso, acreditava-se que a Lua era especialmente poderosa durante a infância, enquanto Vênus era considerado mais poderoso durante a adolescência.

A natureza exata e os efeitos dos planetas e das estrelas nem sempre foram fáceis de estabelecer. Mesmo que Taavitsainen apenas mencione que “descrições estereotipadas” foram dadas aos corpos celestes, a natureza e os efeitos dos planetas e das estrelas podiam ser muito controversos e complexos. Por exemplo, embora seja certamente verdade que o Sol está associado a características simples, como a iluminação e o aquecimento, os astrólogos também acreditavam que o Sol poderia operar de maneiras mais sutis e ocultas. A mesma coisa foi presumida sobre o outro corpos celestes no universo. Assim, nem sempre foi fácil estabelecer a natureza exata e os efeitos dos planetas e das estrelas.

Mesmo que a natureza, os efeitos e as áreas de influência sejam inerentes à características celestes dos corpos, a área da vida que governavam e o grau de seu poder são afetados por suas posições no céu. Por exemplo, os planetas e estrelas seguem um caminho que é dividido em doze casas mundanas, e a área da vida influenciada pelos corpos celestes depende, em parte, em qual casa eles estivessem em um determinado momento. Por exemplo, a primeira casa influenciaria a personalidade, a segunda casa influenciaria os bens materiais, a terceira casa determinaria o próprio caráter de uma família. As demais casas trariam influência em temas como saúde e casamento. Assim, quando Marte, que é de natureza guerreira, estivesse na oitava casa, que é a casa que implica na morte, isso poderia profetizar a morte. No entanto, quando Marte estivesse na décima casa, o que afeta na carreira de uma pessoa, poderia indicar que a pessoa provavelmente seria um soldado. Além disso, as posições dos planetas no céu em relação uns aos outros são importantes. Os aspectos e as relações angulares entre os planetas é o mais importante. Um exemplo de um aspecto é a conjunção, que ocorre quando os planetas ocupam o mesmo espaço no céu. O efeito de um aspecto era determinado pela natureza e posições dos planetas e pelo fato de se o planeta mais rápido estivesse se movendo em direção ao planeta com o que esteve formando um aspecto ou não. Finalmente, as constelações estelares do zodíaco também desempenharam um papel. Por exemplo, os planetas são fortalecidos ou enfraquecidos com base em suas posições nas constelações estelares. Saturno é fortalecido por Capricórnio durante o dia e por Aquário à noite e o Sol é mais forte quando está na mesma casa que Leão.

Por último, os corpos celestes eram consultados principalmente durante momentos críticos da vida, especialmente no nascimento. Supunha-se que os corpos celestes eram especialmente poderosos no nascimento, quando um bebê era ainda macio e, portanto, suscetível à influência dos planetas e das estrelas. Uma criança que era nascida quando Vênus estava em uma posição poderosa, por exemplo, levaria uma vida de paixão sexual. Os corpos celestes também eram consultados durante outras conjunturas significativas, como em tempos de guerra e casamento. Por exemplo, não era aconselhável ir para a guerra quando Marte estava em uma posição fraca, ao passo que era sábio casar quando Vênus estivesse poderoso.

δ

2.5 As quatro categorias dos textos de prognósticos astrológicos do Inglês Médio

Como a sociedade europeia medieval acreditava firmemente na influência dos corpos celestes, a arte da astrologia poderia ser usada na Idade Média para fornecer previsões para a vida de um indivíduo e o momento certo para empreender uma ação. Este ramo da astrologia é chamado de astrologia judiciária, que é o ramo da astrologia que será discutido daqui em diante. A astrologia judiciária era reproduzida em vários textos de prognósticos astrológicos do inglês médio, como o prognóstico atribuído a Bartolomeu de Parma em Harley 2320.

A categorização dos textos de prognósticos astrológicos do inglês médio provou ser um tarefa difícil. Por exemplo, como diz Braswell-Means, a divisão bipartida de Eade em astrologia natal, que dá prognósticos sobre o futuro com base nas posições dos planetas e das estrelas no momento do nascimento, e astrologia judiciária, que dá respostas a questões específicas baseadas nas posições dos planetas e das estrelas, simplifica demais o material de prognóstico astrológico do inglês médio. Além disso, o uso das categorias de previsões gerais, natividades, eletiva e questões horárias empregadas por Thomas e Taavitsainen causou confusão. Por exemplo, como Braswell-Means observa, o termo ‘horária’ agora é frequentemente usado para qualquer texto astrológico que analisa as horas em que uma pergunta é feita, mas também para textos eletivos que tratam das “horas” ou das posições dos planetas e estrelas. Portanto, uma nova categorização foi apresentada por Braswell-Means. Baseado no material de prognóstico dos princípios astrológicos do médio inglês foram categorizadas as quatro seguintes categorias: eletiva, lunar, destinatária e interrogatória.

A eletiva pode ser definida como “um guia para escolher (ou seja, ‘eleger’) atividades de acordo com as condições astrológicas mais favoráveis​​“. O eletiva poderia, por exemplo, ser consultada para conhecer a época mais adequada para casamento e viagens. Para escolher o melhor horário para as atividades, a eletiva primeiro tem que descrever a natureza das condições astrológicas. Assim, as qualidades do planetas e estrelas e suas influências uns sobre os outros no microcosmo humano são discutidas. Desse modo, pode-se argumentar que a eletiva é a mais importante nos prognósticos astrológicos do inglês médio, pois fornecem a base para todos os textos de prognósticos dos princípios astrológicos do inglês médio . Finalmente, a eletiva também poderia ser chamado de horária, com base na “noção da eleição de horas ou de ‘tempos’ em diferentes condições“, especialmente quando um corpo celestial reina e é, portanto, forte naquele momento.

A segunda categoria, a lunar, pode ser definida como “um conjunto de prognósticos com base na posição da Lua em momentos específicos“. A lunar é a categoria mais popular dos textos de prognósticos astrológicos do inglês médio. A lunar tem muito em comum com a eletiva. Ambas as categorias enfatizam a influência dos planetas e então determinam os melhores ‘tempos’ para certas atividades, como viagens e casamentos. A diferença entre as duas categorias é que a lunar só lida com a Lua e os lunários se baseiam na influência da Lua especialmente no tempo ou na posição do seu ciclo em torno da terra. É muito provável que a eletiva tenha sido a principal fonte para a lunar, uma vez que a eletiva lida frequentemente com a natureza e a influência da Lua.

O lunário é representado em dois formatos básicos. O primeiro formato, que é provavelmente o protótipo, baseia-se no ‘dia’ ou mansão da Lua. Em outras palavras, é baseado na posição da Lua dentro do seu ciclo em torno da Terra no mês lunar. Este tipo de lunário normalmente começa com o primeiro dia da Lua e depois continua até ao vigésimo oitavo ou por vezes ao trigésimo dia da Lua. O segundo formato do lunário depende da passagem da Lua através dos doze signos zodiacais. Este tipo de lunário começa normalmente com a passagem da Lua através do primeiro signo, que é Áries. Concluindo, percebesse que as formas híbridas dos dois formatos de lunários também ocorrem nos manuscritos do inglês médio.

A terceira categoria, a destinatária, pode ser definida como “um horóscopo; um grupo da prognósticos baseados na hora do nascimento, determinando o destino“. Dependendo se o nascimento é diurno ou noturno, o destino de uma pessoa é determinado pela posição do Sol ou da Lua no momento do nascimento, mas, estritamente falando, a destinatária se baseia em prognósticos solares. A destinatária está intimamente relacionado com a eletiva e a lunar, pois a eletiva, muitas vezes considera a hora do nascimento como o mais importante área governada pelas ‘eleições’, enquanto a lunar frequentemente analisa o nascimento como uma das áreas que é influenciado pela Lua.

Ao discutir a teoria da destinatária, Braswell-Means às vezes é pouco claro. Em alguns pontos, ela parece falar do destino como sendo apenas uma categoria que dá prognósticos sobre o destino de alguém, que pode ser calculado por meio de “uma ampla variedade de interpretações e métodos“, mas em outras ocasiões, ela associa o destino estritamente com prognósticos baseados no signo ascendente ou planeta, o que significa que este signo ou planeta está surgindo na primeira das doze casas mundanas. Por exemplo, ao falar sobre o horóscopo, ela primeiro diz que o ponto de partida para o horóscopo é o signo ascendente ou planeta no horizonte no momento da concepção ou nascimento, e que a combinação das qualidades dos planetas e signos zodiacais e suas posições nas doze casas mundanas, então determinarão sua influência em tópicos como viagens, casamento e saúde. Esta abordagem para determinar o destino de alguém dificilmente pode ser chamada amplamente variada, e a própria Braswell-Means mostra mais tarde que a destinatária nem sempre se baseia no signo ou planeta ascendente no momento do nascimento ou concepção. Por exemplo, ela observa que também existem destinos baseados em influências planetárias que usam seus prognósticos nos dias da semana. Esses textos assumem que cada planeta reina durante a primeira e também durante uma outra hora do seu próprio dia, que começa à meia-noite. Cada um dos planetas dá seu nome ao seu próprio dia e também influencia todos os que nascem nesse dia. Assim, a teoria da destinatária permanece um tanto obscura.

Braswell-Means declara com segurança que o prognóstico atribuído a Bartolomeu de Parma em Harley 2320 é a destinária que começa com Aquário em associação com Fevereiro, mas a categoria do texto é um tanto ambígua. O prognóstico atribuído a Bartolomeu de Parma poderia ser chamado de destinatária no sentido de que dá prognósticos a partir da hora do nascimento, determinando o destino. No entanto, o prognóstico no Harley 2320 não pode ser estritamente associado ao signo ascendente. Não é explicitamente mencionado no texto que o ponto de partida para o horóscopo é baseado no signo ascendente e as doze casas mundanas também não são mencionadas. Ao falar sobre os signos, só é mencionado no texto em que período do ano eles reinam. Portanto, é possível que o texto seja baseado no signo solar em vez do signo ascendente. Contudo, como também não é explicitamente mencionado no texto que o prognóstico é baseado no signo solar também é possível que o texto seja baseado no signo lunar. Neste caso, o prognóstico atribuído a Bartolomeu de Parma não deve ser classificado como destinatária, mas como um lunário zodiacal.

Além disso, Braswell-Means afirma que o prognóstico atribuído a Bartolomeu de Parma começa com Aquário/Fevereiro, mas o texto associa Aquário não apenas a Fevereiro. Em vez disso o texto diz que Aquário reina de meados de janeiro até meados de fevereiro. Por isso, o texto não começa apenas com fevereiro, mas começa com uma combinação dos dois diferentes meses e, naturalmente, janeiro é mencionado primeiro. Por fim, é bastante singular que o texto comece com Aquário como a destinatária e a lunar com base nos signos zodiacais geralmente começam com o signo de Áries sendo que ele é associado com o início do ano astronômico.

A quarta e última categoria é o interrogatória. De certa forma, todos os textos prognósticos baseados nos princípios astrológicos são ‘interrogações’, pois dão respostas a certas perguntas. Em uma definição mais restrita, a interrogatóriaapenas se relaciona com questões específicas, como e quando elas são elaboradas, e os meios pelos quais elas podem ser respondidos“. A resposta da pergunta é baseada na configuração de vários elementos. Por exemplo, pode ser baseada no signo ascendente, mas também na conjunção de planetas. O ponto de partida para o prognóstico é baseado na hora do nascimento da pessoa que fez a pergunta ou na hora em que a pergunta foi feita. A interrogatória contém informações sobre o mesmo tipo de tópicos, como nascimento e casamento, como as outros categorias de prognóstico, mas a diferença entre a interrogatória e as outras categorias de prognósticos astrológicos é que a interrogatória organiza seu material de forma diferente. Por exemplo, ao contrário da lunar, não se concentra apenas no ciclo lunar para as profecias, e ao contrário do eletiva e destinatária, geralmente considera apenas o nascimento em relação a “questões especificamente dirigidas”.

Finalmente, descobriu-se que uma classificação rigorosa dos textos de prognóstico astrológico do inglês médio continua a ser uma questão difícil. Como há muita sobreposição entre as categorias e como formas híbridas ocorrem em manuscritos medievais, certamente nem sempre é fácil estabelecer para qual é a categoria de alguns dos textos de prognóstico astrológico, como o prognóstico atribuído a Bartolomeu de Parma em Harley 2320. Ainda assim, a classificação de Braswell-Means é útil, pois ele estabelece algumas diretrizes básicas e genéricas para o material de prognóstico astrológico do inglês médio.

2.6 O Público de Textos Prognósticos Astrológicos do Inglês Médio

O público-alvo das quatro categorias de material de prognóstico astrológico do inglês médio pode ser discutidos de modo geral, pois as quatro categorias têm muito em comum e costumavam aparecer juntas nos manuscritos.

Em primeiro lugar, deve ser mencionado que os textos de prognósticos astrológicos do inglês médio, que eram mais frequentemente usados ​​como documentos domésticos, eram usados ​​por homens e mulheres. Por exemplo, o lunário em Oxford, Biblioteca Bodleian, Ashmole 396 sugere um público masculino, pois concentra-se em tópicos que teriam sido especialmente atraentes para os homens, como caça e como tratar a esposa de alguém. Harley 2320, no entanto, provavelmente foi encomendado por uma mulher. Harley 2320Dá todas as indicações de ter sido um manual de senhora“. Por exemplo, o texto sobre como fazer renda pode sugerir que o manuscrito foi encomendado por uma mulher, e os outros textos, como o calendário e o texto de prognóstico atribuído a Bartolomeu de Parma, também teriam sido do interesse de um rica patrona. Ainda que as mulheres medievais talvez não estejam imediatamente associadas à alfabetização e educação, Taavitsainen mostra que no final da Idade Média, as taxas de alfabetização estavam crescendo rapidamente, e provavelmente seria universal entre homens e mulheres aristocráticos. Senhoras de alto escalão, sempre possuíam livros. Além disso, mesmo quando uma mulher não era alfabetizada, ela poderia ter usado os  textos prognósticos astrológicos do inglês médio indiretamente, já que seu marido poderia ter lido esses tipos de texto para ela.

Os homens e mulheres que usavam textos de prognósticos astrológicos do inglês médio pertenciam a todas as classes da sociedade. Em primeiro lugar, como observa Taavitsainen, alguns manuscritos contendo o material prognóstico astrológico inglês deve estar associado à aristocracia ou talvez até mesmo com os círculos de cortesões. Por exemplo, é evidente que o encomendador do Harley 2320 foi próspero. Harley 2320 é um manuscrito de luxo e, portanto, o custo do manuscrito deve ter sido alto. A iluminura é de alto padrão, e o texto, que é lindamente escrito em textura quadrada, também sugere alto custo. Outro exemplo de um manuscrito contendo o material do inglês médio de prognóstico astrológico que provavelmente pertenceu a círculos aristocráticos ou cortesãos é Oxford, Biblioteca Bodleian, Douce 381 um pergaminho de boa qualidade, de letras cursivas feitas pelas mãos de profissionais e com extensa decoração indicando alto custo. Em segundo lugar, as classes média e mercante também podem ser vinculadas a manuscritos contendo trabalhos de prognósticos astrológicos. Como Taavitsainen observa, em Princeton, na Biblioteca da Universidade, o Garrett 141 foi encomendada por Sir Miles e Lady Stapleton em 1448-1449. Sir Miles, que era um homem respeitável em Norfolk, fazia parte da pequena nobreza. A classe mercante também pode ser associada a trabalhos de prognóstico astrológicos do inglês médio, pois alguns dessas obras foram especialmente atraentes para a classe de comerciantes, pois eles discutiam viagens ao exterior e ‘merchandising’. Além disso, nomes e datas nas margens de alguns manuscritos contendo textos de prognósticos astrológicos do inglês médio vincula esses manuscritos a famílias de comerciantes. Finalmente, famílias laicas também possuíam manuscritos contendo material de prognóstico astrológico do inglês médio. Por exemplo, London, British Library, Harley 1735 provavelmente era propriedade de uma família laica em uma área rural. Isto é sugerido pelos desenhos de figuras obscenas, celeiros, arados, cães de caça, e ventoinhas de neve nas margens do manuscrito. Além disso, o papel do manuscrito é de má qualidade, e a mão do escriba é pouco profissional. Do mesmo modo, tal como com os manuscritos ligados a classe comerciante, alguns manuscritos contendo textos de prognóstico astrológico do inglês médio mostram que foram utilizados por homens através de nomes e datas laterais. Assim, a afirmação de Taavitsainen de que não há provas de textos de prognóstico astrológico do inglês médioatingindo a fundo o mercado no século XV” é incorreta. Em vez disso, como diz Braswell-Means, os textos de prognósticos astrológicos do inglês médiocircularam amplamente em todas as classes de manuscritos – desde a cópia mais luxuosa, iluminada em pergaminho, até ao almanaque doméstico mais pobre em papel de orelhas de cão“.

Olhando mais especificamente para o mundo profissional e não para uso doméstico, os prognósticos astrológicos do inglês médio eram frequentemente usados ​​por médicos, pois podiam fornecem informações valiosas para procedimentos médicos. Por exemplo, esses textos podem dar informações sobre dias favoráveis ​​para a sangria. Os médicos que usaram os trabalhos de prognósticos astrológicos do inglês médio pertenciam a todas as classes, desde médicos com formação universitária a profissionais comuns. Manuscritos contendo material de prognóstico astrológico do  inglês médio que parece ter pertencido a médicos incluem Cambridge, Gonville and Caius College, 336/725 e Cambridge, Gonville and Caius College, 457/395 o conteúdo destes manuscritos sugere que eles foram usados ​​por médicos.

Outro grupo significativo que não usou textos prognósticos astrológicos do inglês médio como documentos domésticos era o clero. Como Tester diz, a relação entre a Igreja e a astrologia era complicada porque a astrologia parecia negar o livre arbítrio e a onipotência de Deus, mas no final da Idade Média, a Igreja acreditava que “os céus deram ao homem seu caráter geral e inclinação, mas não podiam obrigá-lo contra o sábio exercício da conduta preventiva“. Assim, os clérigos foram autorizados a estudar manuscritos contendo textos de prognósticos astrológicos do inglês médio. Por exemplo, Harley 2320 da British Library,  pertenceu a Samuel Knott, que era um clérigo de Devonshire. Além disso, o conteúdo do Oxford, Bodleian Library, Digby 88, que é principalmente religioso, médico e astrológico, sugere que pode ter sido um manual de um padre. Outro exemplo é o Cambridge, Magdalene College, Pepys 1236 já que sua proveniência é certamente monástica, sendo que seu conteúdo inclui letras religiosas, música litúrgica, e tabelas pascais.

Finalmente, deve ser mencionado que os textos de prognósticos astrológicos do inglês médio foram apresentados em duas formas diferentes, prosa e verso, e que cada forma tinha seu próprio público-alvo. A poesia era vista como a forma padrão de transmissão de informações na Idade Média. Portanto, a poesia era usada para tópicos como informações médicas e instrução elementar. Por outro lado, a prosa era vista como uma forma mais erudita e sofisticada de transmitir informações e, portanto, era usada para trabalhos devocionais e filosóficos. No entanto, no século XV, que é o século em que a maioria dos textos de prognósticos astrológicos do inglês médio foram escritos, a relação entre verso e prosa tornou-se mais problemática à medida que os limites entre verso e prosa se turvam. No entanto, é provável que a prosa e a poesia fossem ainda destinadas a públicos diferentes durante a maior parte do século, e essa prosa era vista como a forma mais sofisticada. Por exemplo, as obras foram frequentemente transformadas de prosa em verso, e durante este processo, partes complicadas do texto original em prosa eram frequentemente simplificadas no texto em verso. Assim, os textos de prognósticos astrológicos do inglês médio em verso destinavam-se a um público leigo, ao passo que esses textos em prosa visavam a um público mais sofisticado e uma audiência erudita.

2.7 O autor do prognóstico atribuído a Bartolomeu de Parma

O texto prognóstico em Harley 2320 é atribuído a Bartolomeu de Parma. É declarado explicitamente no próprio texto que o autor original do texto se chama Bartolomeu, mas não é mencionado que ele era de Parma ou de qualquer outro lugar para esse assunto. No entanto, eram conhecidas figuras históricas chamadas Bartolomeu, é de fato mais provável que Bartolomeu de Parma tenha sido citado no texto. Como mostra Skinner, Bartolomeu de Parma foi um palestrante ativo em astronomia na Universidade de Bolonha nas décadas de 1280 e 1290. Bartolomeu de Parma era especialmente conhecido por seu trabalho sobre geomancia, que é um método de adivinhação por meio de signos derivado da Terra. Por exemplo, Summa Breviloquium de Bartolomeu, que foi escrito em 1288 em Bolonha, a pedido de Teodósio de Flisco, que foi o bispo eleito de Reggio no norte da Itália foi o tratado mais elaborado sobre geomancia escrito no século XIII. A Summa Breviloquium foi copiado mais vezes do que qualquer outro manuscrito geomântico e foi, portanto, responsável por espalhar a arte da geomancia. Junto às obras geomânticas, Bartolomeu de Parma também escreveu tratados de astrologia. Por exemplo, Braswell-Means diz que o Judicium Particulare de Mutationibus Aeris pode ser atribuído a ele. Infelizmente, não se sabe muito mais sobre Bartolomeu de Parma.

Mesmo que Bartolomeu de Parma estivesse envolvido com práticas astrológicas, é presumível que o prognóstico no Harley 2320 é falsamente atribuído a ele. Braswell-Means diz que ela não foi capaz de confiar esta atribuição a qualquer um dos textos conhecidos de Bartolomeu, pois não há prova de tradução direta. No entanto, isso não necessariamente excluir completamente que Bartolomeu de Parma não seja o autor original do texto já que o texto-fonte original pode simplesmente ter se perdido. Ainda assim, existem outras razões para acreditar que Bartolomeu de Parma não é o autor do texto original. Por exemplo, o prognóstico se contradiz continuamente. A mulher que nasceu sob o signo de Peixes, por exemplo, é dita ser humilde, obediente e agradável, mas também é declarado que ela é briguenta e que ela é uma encrenqueira. As contradições tornam o texto bastante ilógico e, portanto, não é muito provável que um homem altamente educado como Bartolomeu de Parma o tenha escrito. Em vez disso, é muito bem possível que o escriba do texto tenha consultado múltiplas fontes escritas por diferentes autores. O uso de fontes múltiplas pelo escriba do texto poderia explicar a natureza contraditória do prognóstico. Finalmente, o prognóstico é um texto muito prático, embora seja provável que os professores universitários medievais estivessem mais preocupados com questões teóricas. Por exemplo, a Summa Breviloquium de Bartolomeu de Parma é uma obra muito mais teórica do que o prognóstico em Harley 2320. Como Skinner diz, no sumário, a Summa Breviloquium primeiro observa que a arte da geomancia se originou de Deus, então é explicado que os inventores da arte da geomancia derivaram os principais símbolos da geomancia das constelações, e finalmente, o texto passa a discutir a correspondência entre esses símbolos e os planetas e as constelações de estrelas. Assim, Bartolomeu de Parma não usa a arte da geomancia neste trabalho para realmente dar prognósticos. Em vez disso, a Summa Breviloquium é um trabalho teórico sobre geomancia. Assim, verifica-se que não é provável que Bartolomeu de Parma seja o verdadeiro autor do prognóstico em Harley 2320. O prognóstico é provavelmente falsamente atribuído a ele com o fim de dar mais prestígio ao texto.

4. Conclusão

Mesmo que a astrologia tenha desempenhado um papel significativo na sociedade europeia medieval, o estudo acadêmico do material de prognóstico do inglês médio baseado em princípios astrológicos ainda recebe pouco atenção. Como a astrologia era considerada uma ciência legítima na Idade Média, é lamentável que esses textos muitas vezes permanecem pouco analisados, pois podem nos ajudar a obter uma compreensão completa da sociedade e da cultura medievais.

Portanto, esta tese apresentou a primeira edição, acompanhada por uma introdução, do prognóstico atribuído a Bartolomeu de Parma em Harley 23200. Nesta tese, vários dos pontos principais vieram à tona sobre o prognóstico. Foi demonstrado que o prognóstico atribuído a Bartolomeu de Parma que aparece em uma luxuosa miscelânea, foi provavelmente escrito no início do século XV no centro-sul das Midlands da Inglaterra. Além disso, foi estabelecido que, como o custo do manuscrito deve ter sido elevado, o prognóstico pode ser associado aos círculos aristocráticos ou cortesãos, e que o conteúdo da Harley 2320 sugere que o prognóstico foi encomendado por uma mulher. Também foi demonstrado que o prognóstico atribuído a Bartolomeu de Parma era considerado um texto científico na Idade Média, e que dependendo de qual definição da ciência prática medieval é empregada, o prognóstico pode ser categorizado como pertencente as artes mágicas ou as ciências ocultas. Também foi demonstrado que é difícil estabelecer para qual categoria de textos prognósticos astrológicos do inglês médio o prognóstico atribuído a Bartolomeu de Parma pertence. O texto é baseado nos signos zodiacais, mas não é claro se o texto é baseado no signo ascendente, solar ou lunar. Portanto, a categoria do texto permanece ambígua, pois poderia ser destinatária ou um lunário zodiacal. E por fim, se mostrou que o prognóstico é provavelmente erroneamente atribuído a Bartolomeu de Parma, e que é provável que o escriba do texto tenha consultado múltiplas fontes escritas por diferentes autores.

Há muito espaço para pesquisas adicionais sobre o Harley 2320, o prognóstico atribuído a Bartolomeu de Parma, e textos prognósticos astrológicos do inglês médio em geral. Por exemplo, a proveniência e propriedade do Harley 2320 ainda não são totalmente claras. A respeito do prognóstico atribuído a Bartolomeu de Parma, mais pesquisas podem ser feitas sobre as fontes do texto e as inter-relações com textos posteriores. Junto ao prognóstico atribuído a Bartolomeu de Parma, existem também muitos outros textos de prognósticos do inglês médio baseados em princípios astrológicos que ainda são pouco analisados. Como Braswell-Means diz, muitos textos individuais ainda não foram editados. Portanto, provavelmente ainda existem muitas inter-relações entre textos de prognósticos astrológicos do inglês médio que não foram descoberto ainda. Assim, ainda há muito espaço para novos insights e descobertas sobre o material de prognóstico astrológico do inglês médio e um estudo mais aprofundado desses textos seria de grande utilidade para ampliar nossa compreensão do período medieval sua sociedade e cultura.

§
5. Works Cited
Alexander, J.J.G. “Johannes.” Oxford Dictionary of National Biography: From the Earliest Times to the Year 2000. Vol. 30 Jenner – Keayne. Eds. H. C. G. Matthew and Brian Harrison. Oxford: Oxford University Press, 2004. 155.
Bailey, Michael David. Magic and Superstition in Europe: A Concise History from Antiquity to the Present. Lanham: Rowman & Littlefield, 2007.
Beck, Roger. A Brief History of Ancient Astrology. Malden: Blackwell Publishing, 2007.
Boudet, Jean-Patrice. “Astrology.” Medieval Science, Technology, and Medicine: An Encyclopedia. Eds. Thomas Glick, Steven J. Livesey, and Faith Wallis. New York: Routledge, 2005. 61-64.
Braswell-Means, Laurel. “Electionary, Lunary, Destinary, and Questionary: Toward Defining Categories of Middle English Prognostic Material”. STUDIES IN PHILOLOGY 89.4 (1992): 367-403. JSTOR.
—. Medieval Lunar Astrology: A Collection of Representative Middle English Texts. New York: The Edwin Mellen Press, 1993.
—. “Popular Lunar Astrology in the Late Middle Ages.” University of Ottawa Quarterly 48 (1978): 187-194.
Burrow, J.A. The Ages of Man: A Study in Medieval Writing and Thought. Oxford: Clarendon Press, 1988.
Carroll, Ruth. “Recipes For Laces: An Example of a Middle English Discourse Colony.” Discourse Perspectives on English: Medieval to Modern. Eds. Risto Hiltunen and Janne Skaffari. Amsterdam: Benjamins, 2003. 137-165. Print. Fletcher, Rachel. “The Geometry of the Zodiac.” Nexus Network Journal 11 (2009): 105-128. Springer Link.
“Harley MS 2320.” British Library. The British Library Board, n.d.
Kieckhefer, Richard. Magic in the Middle Ages. Cambridge: Cambridge University Press, 1989.
Kohnen, Thomas. “Commonplace-book Communication: Role Shifts and Text Functions in Robert Reynes’s Notes Contained in MS Tanner 407.” Communicating Early English Manuscripts. Eds. Päivi Pahta and Andreas H. Jucker. Cambridge: Cambridge University Press, 2001. 13-24. Google Books.
Manzalaoui, Mahmoud. “Chaucer and Science.” Writers and their Background: Geoffrey Chaucer. Ed. Derek Brewer. London: G. Bell & Sons, 1974. 224-261.
McCleery, Iona. “Wine, Women, and Song? Diet and Regimen for Royal Well-Being (King Duarte of Portugal, 1433-1438).” Mental (Dis)Order in Later Medieval Europe. Eds. Sari Katajala-Peltomaa and Susanna Niiranen. Leiden: Koninklijke Brill, 2014. 177-196.
Morgan, Nigel J. “Herman Scheerre.” Oxford Dictionary of National Biography: From the Earliest Times to the Year 2000. Vol. 49 Sartorius – Sharman. Eds. H. C. G. Matthew and Brian Harrison. Oxford: Oxford University Press, 2004. 213-214. Oestmann, Günther, H. Darrel Rutkin, and Kocku von Stuckrad. “Introduction: Horoscopes and History.” Horoscopes and Public Spheres: Essays on the History of Astrology. Eds. Günther Oestmann, H. Darrel Rutkin, and Kocku von Stuckrad. Berlin: Walter de Gruyter, 2005. 1-9.
Page, Sophie. Astrology in Medieval Manuscripts. Toronto: University of Toronto Press, 2002.
Robbins, Rossell Hope. “Medical Manuscripts in Middle English.” Speculum 45.3 (1970): 393415. JSTOR.
Samuels, M.L. “Some Applications of Middle English Dialectology.” Middle English Dialectology: Essays on Some Principles and Problems. Eds. Angus Mcintosh, M.L.
Samuels, and Margaret Laing. Aberdeen: Aberdeen University Press, 1989. 64-80. Scott, Kathleen Louise. Later Gothic Manuscripts, 1390-1490. Vol. 2. London: Miller, 1996.
Shailor, Barbara A. The Medieval Book. Toronto: University of Toronto Press, 1988. Skinner, Stephen. Terrestrial Astrology: Divination by Geomancy. London: Routledge & Kegan Paul, 2008.
Stanley, E.G. “Directions for Making Many Sorts of Laces”. Chaucer and Middle English Studies: in Honour of Rossell Hope Robbins. Ed. Beryl Rowland. London: Allen and Unwin, 1974. 89-103.
Taavitsainen, Irma. Middle English Lunaries: A Study of the Genre. Helsinki: Société Néophilologique, 1988. Print.
Tester, S.J. A History of Western Astrology. Woodbridge: Boydell Press, 1987. Print.
Thomas, Keith. Religion and the Decline of Magic: Studies in Popular Beliefs in Sixteenth and Seventeenth Century England. London: Weidenfeld and Nicolson, 1971.
Thorndike, Lynn. A HISTORY OF MAGIC AND EXPERIMENTAL SCIENCE: DURING THE FIRST THIRTHEEN CENTURIES OF OUR ERA. Vol. 2. New York: Columbia University Press, 1923. Van Rijn, Anton, and Orlanda S.H. Lie. “Kennis in Beeld.” Kennis in Beeld: Denken en Doen in de Middeleeuwen. Eds. Andrea van Leerdam et al. Hilversum: Uitgeverij Verloren, 2014. 21-29.
Voigts, Linda Ehrsam. “Scientific and Medical Books.” Book Production and Publishing in Britain 1375-1475. Eds. Jeremy Griffiths and Derek Pearsall. Cambridge: Cambridge University Press, 1989. 345-402.
—. “What’s the Word? Bilingualism in Late-Medieval England.” Speculum 71.4 (1996): 813-826. JSTOR.
Wright, C.E. Fontes Harleiani: A Study of the Sources of the Harleian Collection of Manuscripts Preserved in the Department of Manuscripts in the British Museum. London: British Museum, 1972.

Ω